MP investigará novas denúncias contra Apae

Uma carta anônima denunciando possíveis desvios de verbas na Apae será anexada ao processo que tramita no MP desde 2008, com outras denúncias de irregularidades envolvendo a entidade.

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Natália Fávero/ON

Uma carta anônima circulou nos meios de comunicação da cidade denunciando um possível desvio de verbas na Apae. O conteúdo revela que mesmo depois do afastamento dos diretores em 2008, desvios foram feitos no montante de R$ 85 mil, durante um ano. Segundo a denúncia, os valores das doações arrecadadas pelos motoboys nas casas dos colaboradores eram alterados por uma funcionária do telemarketing, que foi demitida.

A Apae informou que solicitou em fevereiro a intervenção da Federação das Apaes do RS devido às dificuldades de administração. A carta foi anexada ao inquérito que já tramita no MP, desde 2008, envolvendo possíveis irregularidades administrativas na instituição.

O conteúdo da carta mostra que o desvio de verbas teria acontecido no sistema antigo de arrecadação, controlado por meio de fichas. O esquema teria sido descoberto por outra funcionária do setor de telemarketing com a ajuda dos motoboys. Eles constataram que os valores recebidos eram bem inferiores às doações arrecadadas diariamente. Segundo as denúncias, as alterações eram feitas no computador e os recibos jogados fora. O administrador teria demitido a funcionária que alterava os valores.

Intervenção da federação

Em fevereiro, a atual diretoria já havia pedido a intervenção administrativa da Federação das Apaes do RS. A direção deixará à disposição os cargos para a federação fazer uma reestruturação. A nomeação d e uma comissão interventora deverá acontecer no dia 9 de agosto, durante a assembleia geral extraordinária da Apae, em Passo Fundo.

Apae rebate as denúncias
Em entrevista coletiva, a Apae rebateu as denúncias. O administrador da entidade, Alexandre Ferreira, informou que no final de 2008 a Apae cancelou os serviços da empresa que prestava assessoria de telemarketing e que algumas funcionárias foram demitidas. Segundo Ferreira, o trabalho manual não condizia mais com a demanda da Apae.
O sistema foi informatizado no começo de 2009. "Se havia problemas com as fichas, hoje temos total garantia do controle do sistema", disse o administrador. Uma auditoria é realizada para avaliar o andamento da entidade. "A auditoria verifica a parte contábil, financeira, os convênios, as arrecadações e no final do ano emite um parecer. Nenhuma anormalidade foi encontrada", argumentou Ferreira. O administrador lamentou as denúncias, "nego com veemência essas denúncias", concluiu.

Denúncia será investigada pelo MP
O promotor Paulo Cirne informou que a carta com a nova denúncia será anexada ao inquérito que tramita desde 2008 no Ministério Público. "O inquérito, com a carta, está sendo encaminhado para a divisão de assessoramento técnico do MP, na área contábil, para a análise de documentos enviados pela Apae", disse Cirne.
Em relação ao processo que tramita desde 2008, com denúncias de irregularidades e que provocou o afastamento da antiga diretora e presidente da Apae em dezembro de 2008, o promotor informou que em julho de 2009, a instituição assinou um termo de ajustamento e conduta, em que se comprometeu a adotar medidas para tornar transparente a administração para os órgãos de fiscalização e sociedade divulgando as ações da entidade. O promotor disse que não há um prazo determinado para a análise que foi encaminhada para a área contábil do MP.

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