Glenda Mendes/ON
Alguns passaram 10 ou 20 anos recolhendo material reciclável nas ruas. Outros esperavam cair a noite para catar papéis e latinhas diretamente nas células do aterro sanitário. Mas agora eles compõem a Associação de Recicladores Parque Bela Vista, a Recibela, que na última terça-feira, dia 6 de julho, começou o trabalho de triagem no lixo no aterro.
A diferença do trabalho anterior para o atual? Agora, eles trabalham divididos por turnos, com equipamentos de proteção individual, têm seguro de vida e desenvolvem as atividades em um local fechado, longe da chuva ou do sol forte.
A mudança das condições de trabalho e de vida pode ser percebida na história de cada um deles. Adão Juarez Moreira, por exemplo, trabalhou empurrando carrinho todos os dias por 20 anos, fosse debaixo de chuva, em meio ao trânsito intenso, ou enfrentando uma temperatura de mais de 30ºC. Agora, ele separa o material reciclável usando luvas, máscaras e protetor auricular. Além disso, não precisa mais trabalhar dia e noite e, sim, divide o serviço com os outros integrantes da associação em forma de turnos, uma vez que a triagem passou a ser realizada durante as 24 horas.
A expectativa dele? Aumentar a renda familiar e não ter mais que voltar a trabalhar recolhendo material nas ruas. “A nossa expectativa é a melhor. Queremos fazer um bom trabalho para que a gente não tenha que voltar a trabalhar na rua por falta de material aqui no aterro”, argumenta. De acordo com ele, foram cerca de 10 meses lutando para estruturar a associação, que agora conta com aproximadamente 60 associados.
Além de recicladores que trabalhavam nas ruas, a associação incluiu os catadores que, mesmo sem autorização, buscavam o material para vender diretamente nas pilhas de lixo das células do aterro. “Antes tinha que sair pra trabalhar com sol ou com chuva, porque comer a gente precisa todos os dias. Não tinha como parar. Aqui, a gente tem transporte, trabalha num lugar coberto”, comemora Moreira.
Convênio
O início dos trabalhos da Recibela no aterro sanitário foi possível a partir de um convênio firmado entre a prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente. Com isso, a associação passou a ser a responsável pela triagem de todo o lixo que é recolhido na cidade.
O convênio resolve diversas situações relacionadas ao lixo. Uma delas é a melhoria de condições de trabalho dos associados. Mas pode ser ainda citado o aumento da vida útil das células do aterro, que passam a receber uma quantidade menor de lixo. O custo com a destinação final, arcado pelo município, também reduz, pois a quantidade de material será menor na mesma proporção em que será melhor aproveitada a quantidade de material reciclável.
Benefício a toda a comunidade
Se, por um lado, os associados estão sendo beneficiados, de outro, toda a população passo-fundense está tendo o retorno. Isso, porque um dos maiores benefícios sociais quem está fazendo são os recicladores. Se não fosse pelo trabalho deles, é impossível imaginar quanto lixo teria que ficar depositado até se decompor sem ser reutilizado. A estimativa é que, pelo menos, 30% do lixo recolhido todos os dias possa ser aproveitado.
Apoio
Para que a associação pudesse ser criada e começasse a funcionar, foi preciso contar com alguns apoiadores. Um deles é o projeto TranformAção, que, por sua vez, é composto de cinco organizações sociais, que são a Cáritas Diocesana, Notre Dame, ASSEC, ISAFA e Menino Deus. Além destes, o Conselho Municipal de Meio Ambiente foi o responsável pela destinação de R$62 mil para viabilizar o início dos trabalhos.
Cada um faz a sua parte
Uma forma da população contribuir com os recicladores é separando o material que vai para o lixo em seco e orgânico. Embora ambos sejam recolhidos pelo mesmo caminhão, a separação facilita a triagem. Isso, porque no caminhão as sacolas e sacos de lixo não são abertos e apenas compactados. Assim, quando chegam na esteira para a triagem, facilitam a identificação.