Em fevereiro o Conselho de Política Monetária (COPOM) elevou a taxa básica de juros (SELIC) de 10,5% para 10,75% ao ano, mantendo o Brasil como os países com maiores juros reais do mundo. Segundo dados do portal Mone You do economista Jason Vieira, em um ranking composto por 40 países o Brasil encontra-se situado na terceira colocação dos juros nominais. A taxa nominal de juros nominal é usada com o objetivo de demonstrar os efeitos da inflação no período analisado. Por sua vez a taxa real de juros, o efeito inflacionário não existe por isso ela tende a ser menor que a taxa nominal.
Para o economista Jason Vieira, os juros reais descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses. Fazendo essa conta, os juros básicos no Brasil ficam em 4,48%. Em segundo, vem a China, com taxa real de 3,41%. Em terceiro está a Turquia, com 3,09%, seguida pela Índia (2,86%) e a Hungria (1,28%). Na outra ponta está à Venezuela, que tem a menor taxa real de juros do mundo, com uma taxa negativa de -30,17% ao ano. No entanto, falando de juros nominais (que não descontam a inflação), a Venezuela aparece em segundo lugar, com 15,36%, atrás apenas da Argentina (19,67%).
O juro real no Brasil é elevado tendo em vista algumas variáreis, uma das variáveis é o desequilíbrio fiscal do Estado brasileiro, motivo este pelo rebaixamento do rating brasileiro pela agencia internacional S&P. O Brasil, desde os Governos de Collor, Itamar e FHC nos anos 90, tiveram como objetivos diminuir a participação do Estado na atividade econômica promoveram um grande processo de privatizações. Feito este que foi muito criticado no passado, repetido na atualidade sob o nome de concessão. A impressão que a sociedade tem hoje é de que o estado está cada vez mais pesado, o déficit aumento e a ineficiência é a regra.
A carta tributária nos últimos anos vem crescendo, saltou de 22% em 1986 para 37% em 2013. A percepção é de que a única eficiência do estado é na arrecadação, pois a mesma não para de crescer. O fato é que todos falam, mas nenhum partido ou político tem coragem de propor um reforma tributária audaciosa, que diminua as diferenças regionais, cobre impostos das grandes fortunas e isto parece que vai demorar mais uma geração de brasileiros para ser conquistada.
Outra variável é a lei que garante o rendimento da Caderneta de Poupança. O rendimento é garantido por Lei, tendo sido fixado em 0,5% (meio ponto percentual) ao mês. Considerando juro composto, equivalente a 6,17% ao ano, acrescido de correção mensal calculado pela Taxa de Referência (TR) (Portal Mone You). A taxa de juros foi o instrumento escolhido pelo governo, pois ela determina o nível de consumo do país, já que a taxa Selic é utilizada nas transações bancárias e, portanto, influencia os juros de todas as operações na economia. A Selic é utilizada pelos bancos como um parâmetro. A partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas (Folha).
Uma economia aquecida em geral é bom para todos: há mais vendas para os empresários e mais empregos para os trabalhadores. No entanto, se há muita procura de produtos, eles podem ficar escassos e passarem a custar mais caro, causando inflação (Estadão). Enfim estas quatro palavras, juros, inflação, política e Brasil, formam a combinação perfeita do atual momento brasileiro. O Brasil só vai conseguir captar recursos internacionais se elevar a taxa de juros, elevando a taxa de juros inibe o crescimento da economia e os investimentos de longo prazo, por outro lado ajudará a manter a inflação dentro da meta. O fato é que neste momento da economia o termômetro será as pesquisas eleitorais e o mercado ditará o rumo da mesma. A bala de prata que resta para a oposição é derrotar a Presidenta Dilma pela crise econômica e ampliar as dificuldades da Petrobras. É a aposta da oposição.