OPINIÃO

O petróleo é nosso?

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A ideia adotada por Getúlio Vargas no período de formação do nacionalismo desenvolvimentista brasileiro repousava na produção de insumos essenciais próprios para impulsionar o país. A implantação da Usina Siderúrgica Nacional enfrentou anos e anos de boicote de interesses multinacionais. O mesmo aconteceu com a Petrobras. Depois de tantas lutas, expandindo nossa produção, será que continua a macabra orquestração para desqualificar a grande estatal brasileira que se prenuncia entre as maiores do mundo? Ou está havendo efeito causado pelo diletantismo na administração federal? Meu Deus do céu! Justo agora que produzimos soja, milho, café, laranja, aço, carnes, e minerais, automóveis, e o petróleo brota em profusão, vamos permitir a abrupta desvalorização de nossa empresa de extração de combustível? Temos produto, mas o petróleo ainda é nosso?

Sem perigo
Não há perigo, dizem, não vai falir! Ninguém quer a falência nem a dramatização do momento. Mas é o momento de uma resposta firma de governo sobre o presente e o futuro da Petrobras. Sabemos que a Petrobras está investindo, mas o custo e a importância da estatal é fundamental para o Brasil. O povo brasileiro merece toda a transparência dos negócios. Tem gente fora do Brasil querendo comandar o setor energético. Por isso, não podemos admitir irresponsabilidades de agentes internos.

Liberdade
A leviandade de algumas manifestações pela volta da ditadura militar no Brasil, nem se pode admitir como resultado de um raciocínio sério. Ditadura nenhuma presta, nem civil, militar ou religiosa. Nem de esquerda nem de direita. Por isso é importante conhecermos a história, com marcas bem visíveis ainda, de uma nação que florescia, mas foi esmagada pela estupidez e pela violência criminosa. A liberdade, para sorrir, pensar, manifestar-se, usufruir das diferenças aparentes, protestar, propor, votar, ser votado, fruir das artes e ver, sem medo, o sol nascer – esta, não pode regredir. Ainda estamos aperfeiçoando nossa emancipação social, mas precisamos trabalhar muito para não aceitarmos uma regressão fácil, ou uma redução escravista das liberdades tão caras ao corpo e à alma.

Ditadura ridícula
Tivemos a honra de participar de debate documentado pela UPF- TV, juntamente com o jornalista e escritor Ivaldino Tasca e o professor e escritor José Ernani de Almeida, organizado pelo curso de Comunicação. Os depoimentos revelam, numa era de liberdade, o quanto foi ridículo e vergonhoso sistema de censura imposto nos anos logo após o golpe militar de 64, aos profissionais e meios de comunicação. A gente se defendia como dava, burlando a censura, com omissão de nomes ou circunstâncias, ou substituindo informações por reticências ou espaços em branco nos jornais. No rádio as músicas de Chico Buarque, Gerando Vandré, João Bosco e Gil, eram proibidas. Logo que um disco novo chegava a gente rodava. Mas logo vinha uma viatura militar do exército para recolher a obra censurada. Outras questões eram extensão do arbítrio, onde sabujos incompetentes e levianos, em funções oficiais de segurança taxavam questionamentos de ato subversivo. Telegramas chegavam às redações vetando divulgação de matérias, a não ser na versão da Voz do Brasil. A grande imprensa divulgava tendenciosamente as notícias de interesse dos ditadores. Na operação Batina Branca, a polícia invadiu o convento Dominicano, na madrugada, sob o comando do delegado Fleury e torturou os monges. O frei Tito, que andava nas comunidades promovendo idéia de liberdade, pacificamente, foi torturado ao extremo. Dilacerado física e psicologicamente, foi exilado e nunca mais se recuperou, morrendo na França.

Estratégia
A mídia, dirigida pela repressão, como o Estado de São Paulo, não informava outra versão, como: “Os padres comandam o terror que matou Marighela!” No mesmo padrão, o Jornal da Tarde, Jornal do Brasil e outros, serviam interesses para instigar a discórdia na Igreja, onde surgia movimento pela dignidade humana, como efeito do Concílio Vaticano II.

 

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