"Estamos vivendo um pesadelo"

Proprietário do mercado Moy conta o drama provocado pelo incêndio na terça-feira

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Fogo consumiu o mercado instalado em um dos prédios atingido pelo incêndioFogo consumiu o mercado instalado em um dos prédios atingido pelo incêndio
Fogo consumiu o mercado instalado em um dos prédios atingido pelo incêndio
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Aos 57 anos, o comerciante que viu todo o trabalho de uma vida sendo consumido em minutos no maior incêndio de Passo Fundo está novamente diante da palavra, cujo significado aprendeu ainda na infância: recomeçar. João Antônio Gois era o proprietário do supermercado Moy, instalado no prédio Ughini, destruído pelo fogo terça-feira à noite. Bastante abalado, ele conversou com a reportagem de ON na manhã de ontem, acompanhado de seus dois filhos e da esposa, Oneide Moy Gois, 54. Dos momentos que antecederam ao incêndio, o comerciante lembra apenas ter percebido uma fumaça vindo da parte superior do prédio. Em seguida, todos correram para fora, deixando para trás objetos pessoais como bolsas e celulares. 

“Foi tudo muito rápido. Não deu para ver o que aconteceu. Não sei dizer onde o fogo começou” revela. Já no outro lado da rua, separado pelo cordão de isolamento, misturado aos curiosos que se aglomeravam no local, Gois assistiu seu patrimônio sendo devorado pelas chamas. “Tudo que a gente tinha estava lá” lamenta. Em estado de choque diante da cena, a esposa Oneide precisou ser atendida no local por uma das equipes médicas e encaminhada ao Hospital Prontoclínica, permanecendo algumas horas em repouso. “Foi muito triste ver tudo aquilo. Estamos vivendo um pesadelo. Era nossa única fonte de renda” conta ela.

O supermercado funcionava no local havia 10 anos e estava com o alvará de prevenção e proteção contra incêndio em dia, no entanto, não tinha seguro. Conforme Gois, a padaria do mercado funcionava apenas pela manhã. O filho, Diego Moy Gois, 27 anos, disse que o estabelecimento estava passando por um processo de reestruturação de gestão. Além do casal e dos dois filhos, oito funcionários trabalhavam no local.

Logo após o incêndio, a família passou a receber mensagens de apoio de amigos e clientes, principalmente pelas redes sociais. É justamente deste incentivo e de superações no passado que o comerciante está buscando força para um novo recomeço. “Aos 13 anos perdi meu pai e tive de sair do interior de Ronda Alta para Passo Fundo com minha mãe e irmãos. Foi um momento difícil, de superação, assim como agora. Quando decidimos montar o mercado, fizemos tudo com muito sacrifício, mas o apoio foi fundamental. Vamos contar com estas pessoas novamente” projeta. Antes de ter o próprio mercado, Gois começou a conhecer os segredos da profissão ainda jovem, na função de empacotador em um estabelecimento tradicional da cidade. Com o passar do tempo, passou a gerente de compras. Em 2004 inaugurou o Moy.

Na quarta-feira, pela primeira vez, nos últimos 10 anos, Gois quebrou uma rotina que iniciava ás 6h15min, quando acordava moradores das proximidades com o barulho da cortina de ferro da porta de seu estabelecimento, e terminava quase 15 horas depois. “Foi um baque muito grande, mas temos de seguir adiante” resume.

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