Senti satisfação em participar do encontro promovido por Ari Machado na Planalto de quinta juntamente com meu amigo Elmar Floss. O espaço de debate extinto pela grade de programação da nova direção da rádio deixou um vácuo difícil de ser preenchido. Ali, entre as 13-14 horas de todos os dias circularam Marco Susin, Emeri Tonial, José Osmar Teixeira, Edson Scandolara, César Lopes (Meclo), Claudio Della Méa, Tadeu Karczeski, Marco Citolin e eu. Os programas sem pauta definida agilizavam as trocas de ideias no imenso brainstorminge a receptividade era muito pronunciada. O encontro com Elmar deu-me a impressão da necessidade de historiar as vivências e deixar relatos que marcam nossas trajetórias. O Brasil não foi campeão, embora favorito, em 1966, pela desorganização dos dirigentes e porque na segunda e terceira partidas (contra Hungria e Portugal) os árbitros ingleses escalados permitiram os abusos de faltas violentas contra Pelé que, aparentemente, era o único craque brasileiro a desequilibrar a nosso favor; na final, seguindo o raciocínio exposto, a Inglaterra venceu o torneio através de uma irregularidade contra a Alemanha. Ou seja, algo estava pré-estabelecido. Em 1974, os heróis do tricampeonato estavam envelhecidos e talvez entediados por entenderem que a vitória era certa. Mário Lobo Zagallo não observou a laranja mecânica de Johan Cruyff, Reps, Neesken e Rejsbrink que jogou futebol como os brasileiros deveriam ter jogado. Marchamos como se marcha quando não há craques a desequilibrar quando a contenda é parelha. Há exceções, evidentemente, porque o futebol não é ciência exata. Os jogadores sofrem influências de toda ordem (emocional, financeira, sexual...). São humanos. A Hungria de 1954, a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 foram as seleções que brilharam mas, não venceram e futebol é faixa no peito e taça no armário. O futebol é pragmático, é como a vida, é como o pensamento americano (winner or looser). Ainda bem que vencer na vida permite várias considerações como vencer financeiramente ou sentimentalmente ou isso...ou aquilo.
Palpite, pergunta Ari Machado, nenhum. Vencerá quem tiver o craque a desequilibrar. Quais são os nossos craques? Neymar e...Os melhores jogadores da Espanha são CR7,Messi e Suarez; Os melhores da França são Neymar e Cavani.
Minha melhor copa foi a que não assisti, a de 66. Jogamos mal contra a Bulgária mas, Pelé e Garrincha garantiram o 2x0; depois perdemos para Hungria e Portugal. Minha melhor copa, estranha o leitor. Foi a copa em que não havia TV na minha vida mas, eu a via através dos olhos e comentários de meu pai. Como me faz falta. O futebol foi um importante elo que nos ligou. A paixão pelo Guarani de Cruz Alta, Grêmio, Gaúcho de Passo Fundo me fez aproximar pelo coração leve do meu velho que, mesmo em enormes dificuldades financeiras, era capaz de sorrir e torcer e esquecer da vida, nem que fosse por noventa minutos. A magia do esporte está aí, na curtição e não necessariamente no objetivo único da vitória. É como nossas vidas, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo mas, sempre aprendendo a jogar.