Vizinhança do Edifício Gralha relata preocupação após princípio de incêndio

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Prédio está abandonado desde 2026, quando os moradores tiveram de deixar o local por problemas estruturais  FOTO – FERNANDO BIER/ON ESPECIALPrédio está abandonado desde 2026, quando os moradores tiveram de deixar o local por problemas estruturais  FOTO – FERNANDO BIER/ON ESPECIAL
Prédio está abandonado desde 2026, quando os moradores tiveram de deixar o local por problemas estruturais FOTO – FERNANDO BIER/ON ESPECIAL
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Um princípio de incêndio em um dos apartamentos do edifício Gralha, localizado no bairro Edmundo Trein, no começo da tarde de hoje (1), gerou grande preocupação entre os moradores da região. O prédio, interditado há nove anos devido a problemas estruturais, tem sido ocupado, segundo vizinhos, por usuários de drogas, que frequentam o local livremente. A suspeita é de que as chamas tenham sido provocadas pelos ocupantes irregulares.

A situação tem causado temor constante na vizinhança. O aposentado Antônio Fagundes, que reside em um prédio ao lado do edifício Gralha, relata a insegurança crescente desde que se mudou para o local. Ele conta que, durante o dia, o ambiente parece tranquilo, mas à noite a preocupação se intensifica. De acordo com ele, pelo menos seis pessoas frequentam diariamente o edifício para o consumo de drogas, fazendo barulho e deixando lixo espalhado. Além disso, furtos em residências próximas aumentaram nos últimos tempos, e há suspeitas de envolvimento dos ocupantes do prédio. Ele relata que o prédio onde mora já foi alvo de furto, e que os moradores vivem em constante alerta.

Outro fator destacado pelo morador é o estado de abandono do edifício, que tem facilitado a proliferação de insetos e roedores. Segundo Antônio, os próprios moradores da região limpam a vegetação ao redor, na tentativa de minimizar os impactos. Contudo, o incêndio registrado na terça-feira elevou ainda mais a sensação de perigo. "A preocupação é com esse prédio abandonado, onde estão os usuários. Estamos todos apreensivos, pois antigamente não eram registrados incêndios, porém, ficaram mais frequentes. Nos últimos 15 dias foram dois registros”. Queremos que alguma providência seja tomada com urgência", lamenta o morador.

Fagundes diz o fogo começa e logo toma grande proporção, geralmente é causado pela queima de entulho que tem dentro do prédio.

O incêndio desta terça-feira foi registrado por volta do meio dia, os bombeiros foram até o local para combater as chamas. Porém, por volta das 15 horas, novamente foi possível perceber fumaça preta saindo de uma das janelas do edifício.

Enquanto a reportagem estava no local, o presidente da Câmara de Vereadores, Gio Krug, também compareceu para acompanhar a situação. Ele destacou que o Legislativo municipal tem monitorado a questão, tanto em relação aos antigos proprietários do prédio quanto à preocupação dos moradores do bairro com a segurança. "Esse edifício interditado pela Defesa Civil se tornou um ponto de encontro para moradores de rua e delinquentes. Eles cometem furtos na região e depois se abrigam aqui. Hoje, mais uma vez, foi necessária a intervenção do Corpo de Bombeiros para controlar o incêndio provocado pelos ocupantes do local", afirmou.

Interdição

A preocupação com o prédio não é recente. Há nove anos, 16 famílias tiveram que deixar seus apartamentos após a interdição do imóvel por problemas estruturais, e desde então, o caso tramitou na Justiça. Em 2022, uma decisão determinou a indenização dos antigos proprietários, além da obrigação do Estado de demolir o prédio e garantir a segurança da área. Atualmente, a indenização ultrapassa os R$ 6 milhões, mas o processo ainda aguarda definição em instâncias superiores. Paralelamente, há uma tentativa de acordo extrajudicial, no qual os proprietários abririam mão do terreno em favor do Estado para viabilizar a resolução da questão.

Enquanto isso, os moradores seguem vivendo sob alerta, temendo novos incêndios e possíveis transtornos causados pelos ocupantes do edifício. A expectativa é de que uma solução definitiva seja encontrada o quanto antes, evitando que a situação se agrave ainda mais.


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