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Colunistas


O Brasil Rachou?

Terça-Feira, 25/09/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Se a sucessão de 2018 fosse um parque de diversões, poder-se-ia dizer que começou no carrossel, encontra-se na montanha russa e vai terminar no trem-fantasma. A crise política é inevitável independente do vencedor na arena eleitoral de 2018. A certeza é a de que a frase “eu não sabia” passará à história como a frase-lema do Brasil pós-ditadura. Será lembrada quando, no futuro, quiserem recordar a época em que o país era regido pelo cinismo. Lula usou-a no escândalo do mensalão do PT. Citando-o, o tucano Azeredo repetiu-a no processo do mensalão do PSDB. Alckmin empregou-a no caso do cartel dos trens e do metrô.


Outra situação que fica clara, é que a grande mídia parece não atingir o coração e o senso comum da maioria dos eleitores brasileiros. As denúncias amplamente divulgadas nos anos noventa e que culminaram com o impeachment do Presidente Fernando Collor, encontravam eco na Câmara dos Deputados, em um partido organizado e com uma bancada de deputados federais atuantes e lideradas por José Dirceu, as massas foram para rua e o Congresso Nacional votou pelo impeachment do primeiro Presidente eleito pelo voto direto após a ditadura.


Após aquele episódio, escorado pela grande mídia que promovia capas e reportagens bombásticas contra os governos o PT passou a se constituir como força alternativa de poder e principalmente política no Brasil. Perdeu em 1998 no primeiro turno para Fernando Henrique, porém em 2002, Lula venceria Serra com a propaganda emblemática dos ratos roendo a bandeira brasileira, aquela imagem marcou e tocou o povo brasileiro.


Pois bem, passou-se o governo Lula, e as vésperas da eleição de 2014, estoura um novo escândalo na Petrobras, a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa "é ruim para a campanha à reeleição e para o PT, pois desperta novamente o tema da corrupção a menos de um mês do segundo turno", avalia Kennedy Alencar, em comentário na rádio CBN.
Enfim, a polarização PSDB e PT, sufocou o Brasil e o povo brasileiro, que não encontram nos partidos, uma representação, sensata, transparente e coerente e com os anseios da sociedade, pois não se realizam mais comícios em praças, ruas, e hoje os comícios são em ambientes fechados, onde os registros fotográficos e as filmagens para TV são fechadas para mostrar que não sobra espaço e que o ambiente está cheio.


Chegamos em 2018 e a polarização ao que tudo indica será entre Haddad e Bolsonaro. Para Josias de Souza, Haddad entrou na corrida presidencial com atraso. Revelou-se uma espécie de Usain Bolt (100 m em 9s68). A diferença é que ele corre com as pernas de Lula. Nos comícios, imita a voz de Lula. No primeiro debate presidencial de que participou, ecoou Lula em 100% das respostas. Se eleito, Haddad irá para Brasília. Lula talvez continue em Curitiba, pois deve ser condenado por Sergio Moro em mais dois processos. Ficará no ar uma dúvida: a sede do governo será no Planalto ou na cadeia?


Segundo o Jornalista Josias de Souza, mantido o Fla-Flu, quem não morre de amores pelo capitão nem sonha com a volta da turma do presidiário terá de se posicionar. Muita gente votará em Haddad para evitar Bolsonaro. Outra parte optará pelo anti-PT para esconjurar o preposto de Lula. A preferência será substituída pela exclusão. O Brasil é, hoje, um belo ponto no mapa, ideal para reerguer uma nação. Isso exige união. O problema é que a polarização deve produzir não um presidente, mas um herói vingador que os pára-choques de caminhão xingarão 15 dias depois da posse. Em tempo, quero registrar que não pretendo morar em outro país, nem em outro estado e muito menos mudar de cidade. Respeitarei qualquer resultado, na esperança de que possamos encontrar e paz social e o caminho do desenvolvimento econômico.




Educação: dever de todos

Terça-Feira, 11/09/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

É baixíssimo o percentual de brasileiros às vésperas de concorrer a uma vaga no ensino superior com conhecimento adequado em Língua Portuguesa. Apenas 1,62 % dos estudantes da última série do Ensino Médio que fizeram os testes desse componente curricular no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 alcançaram níveis de aprendizagem classificados como adequados pelo Ministério da Educação (MEC). O percentual equivale a cerca de 20 mil estudantes do total de 1,4 milhão que fez a prova nessa etapa. Em Matemática a situação não é muito diferente: somente 4,52% dos estudantes do ensino médio avaliados pelo Saeb 2017, cerca de 60 mil, superaram o nível 7 da Escala de Proficiência da maior avaliação já realizada na Educação Básica brasileira.

 

 

Se nada for feito pelo Ensino Médio brasileiro, em breve os anos finais do Ensino Fundamental vão superar a última etapa da Educação Básica em relação aos ganhos de aprendizagem. O alerta vem dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 divulgados nesta quinta-feira, 30 de agosto, pelo MEC e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em coletiva de imprensa na sede do Ministério. As evidências demonstram um Ensino Médio praticamente estagnado desde 2009, e que tem agregado muito pouco ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes brasileiros.
No 5º ano do Ensino Fundamental, o Saeb 2017 revelou avanços no desempenho de Língua Portuguesa e Matemática. Nas duas áreas do conhecimento os estudantes brasileiros apresentam nível 4 de proficiência média, o primeiro nível do conjunto de padrões considerados básicos pela Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação. No 9º ano do Ensino Fundamental também há avanços, porém menores. Ao final dessa etapa os estudantes brasileiros apresentaram nível 3 de proficiência média em ambas as áreas de conhecimento avaliadas, considerado insuficiente pelo MEC. A Escala de Proficiência de Língua Portuguesa é dividida entre os níveis 0 e 9, enquanto a de Matemática é entre os níveis 0 e 10.


Em termos das diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto, o estado do Ceará é o que apresenta a menor diferença e o estado de Roraima tem a maior diferença de aprendizagem.


De acordo com o Saeb, o Indicador de Nível Socioeconômico das escolas visa situar o conjunto dos alunos em estratos socioeconômicos, definidos pela posse de bens domésticos, renda e contratação de serviços pela família dos alunos e pelo nível de escolaridade de seus pais.


No 5º do Ensino Fundamental, em Língua Portuguesa a proficiência média nacional é de 215 pontos e, novamente, em 15 estados os estudantes ficaram abaixo desta média. Esta pontuação equivale ao nível 4 de proficiência, no qual o estudante consegue identificar o efeito de humor em piadas e assuntos comuns a duas reportagens, entre outras habilidades.


O Maranhão apresentou o pior resultado, alcançando apenas 183,3 pontos. Os estudantes em São Paulo, por exemplo, alcançaram 230,3 pontos.


A rede estadual do Rio Grande do Sul melhorou seu desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2017 em relação com a edição anterior, de 2015, em todas as etapas da Educação Básica. Os dados pelo Ministério da Educação apontam, no entanto, que nem no Ensino Fundamental, nem no Ensino Médio, as escolas estaduais conseguiram atingir a meta definida para a rede.


A situação mais preocupante é no Ensino Médio, etapa em que as escolas estaduais gaúchas atingiram um desempenho de 3,4, em uma escala de zero a 10. O resultado foi melhor do que o verificado em 2015 (3,3), mas está abaixo da média do país, que foi de 3,5. Também é bem inferior à meta estipulada para a rede, de 5,1. Em comparação com os demais Estados, manteve a 15ª.
Tenho observado que a expectativa de todos os brasileiros está voltada para a solução Brasília. Tenho feito a seguinte pergunta: onde é que aprendemos a ler, escrever e a realizar as quatro operações básicas de matemáticas?

 

Fonte: MEC; GauchaZH; INEP.




O dia depois de amanhã

Terça-Feira, 28/08/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

A república brasileira vive tempos de profunda inquietação. O momento que ora presenciamos do Brasil, por mais difícil e/ou intragável que pareça ser, assustador para alguns, inacreditável para tantos, é o Brasil que reflete o fim de um ciclo de lideranças e o fim de um ciclo político. Extinção de um ciclo político, em razão de que governar baseado em coalizão não deu certo e custa caro: todos os interesses precisam ser contemplados e aí, a consequente necessidade de criação de diferentes espaços para acomodá-los. O custo é que a política não passa mais pela necessidade da sociedade, mas serve para assegurar diferentes tipos de ganhos pessoais, e, fim de um ciclo de lideranças oriundas da ditadura militar: exilados, presos políticos, torturados, mas sempre com armas.


Qualquer escolha baseada na força, não é escolha, é obediência. Surge a democracia e com ela a “constituição cidadã” promulgada por Ulisses Guimarães que pretendia ali, criar mecanismos para reparar toda a dívida social com o povo brasileiro. Tancredo não assumiu a presidência, quis o destino que um egresso da Arena, José Sarney, assumisse. Através dele se sucederam diversos planos econômicos, todos, sem exceção, não deram certo. Se decretou a moratória. Deputado, Luis Inácio LULA da Silva bradou que no Congresso Nacional existiam 300 picaretas. Collor, o então caçador de marajás, o confisco das poupanças e o fim da esperança nacional. Na época, sofreu o impeachment porque encontraram um Fiat Elba não declarado, adquirido com sobras de campanha.


Assumiu Itamar Franco, um governo pela união nacional, que o Partido dos Trabalhadores (PT) se recusou a participar – bem, pelo menos havia uma oposição. Itamar ainda incentivou a Volkswagen para que voltasse a produzir o fusca, para atender o público de baixa renda, bancou e criou o Plano Real. O Plano Real faz possível derrubar a inflação e projeta Fernando Henrique Cardoso (FHC), que vence as eleições e implementa reformas na estrutura do estado brasileiro: as privatizações, a reestruturação do sistema financeiro e o fim do monopólio da telefonia e do petróleo. Pecou pela vaidade, ao propor uma mudança constitucional para introduzir a reeleição no Brasil. A mudança aconteceu e foi reeleito em 1998, no primeiro turno. Desde a sua segunda posse viveu dias ruins, tempos difíceis: chegou cambaleante até o fim de seu governo, onde o PT a todo instante insistia com a tese do impeachment.


Em 2002, Lula venceu, com o estereótipo do “Lulinha paz e amor”, abandonou os dogmas petistas e escreveu a carta ao povo brasileiro, que possibilitou conquistar apoio dos agentes econômicos nacionais e internacionais. A esperança ressurgia no povo naquele instante. 2005, eclodiu o escândalo do mensalão, com um grande desgaste na imagem nacional, mas, mesmo assim, Lula consegue se reeleger. A economia andava bem e o Brasil surfava na onda dos preços da commodities internacionais em alta, foi possível então, distribuir riqueza e construir um projeto de Brasil onde a Petrobras era o grande indutor do crescimento. Em 2008, a grande crise mundial sacode os mais poderosos países do planeta, enquanto isso, Lula afirmava que tal evento era somente uma “marolinha”, e o Brasil voltou a crescer.


Lula elegeu um poste como Presidente da República em 2010, chamada Dilma. Desde 2010, Dilma conduzia a economia como se estivéssemos em uma época de bonanza, onde tudo era fácil. A economia internacioanal dava sinais de andar devagar e a Presidente manteve os gastos, não se preocupou com reformas e ainda interviu no setor elétrico, anunciando a redução de 20% nas contas de energia. Em 2014, criou o “país das maravilhas” e venceu uma das eleições mais difíceis da recente história da república brasileira. Ganhou perdendo. Chegou em 2016 aos trancos e barrancos, com uma aliança consolidada com o PMDB que não agrada nenhuma esfera do clã político. Sem projeto e tentando ganhar tempo, Dilma, passou a ser governada pelos fatos. Com o impeachment de Dilma, o poder foi ocupado pelo bom e velho PMDB, Michel Temer, o vice de Dilma, passou a ser o Presidente do País, algumas reformas foram aprovadas, a trabalhista, as contas públicas, porém em 2017 foi abatido pelo escândalo do grampo da JBS, hoje assim como foi com Dilma, não governa é governado. E então, quem se arrisca em um palpite para o dia depois de amanhã?




Crescimento, emprego e custos de vida: o governo não entregou o que prometeu

Terça-Feira, 14/08/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Em 2018, o país caminha para o 5ª ano de consecutivo de déficit primário. A previsão oficial de crescimento do PIB, que já foi de 3%, caiu para 1,6%. Equilibrar a questão fiscal é urgente, uma condição necessária para muitos ajustes que vêm adiante. Mas, apesar disso, não é suficiente para o país voltar a crescer de forma acelerada. O ajuste fiscal provavelmente vai produzir uma queda do grau de risco, da taxa de juros e, então, o país terá mais facilidade de crescer nesse cenário. Mas, crescer de verdade envolve melhorar a produtividade da economia.


No mercado de trabalho, o um milhão de empregos formais que seriam gerados neste ano tornou-se algo em torno de 200 mil. Nessa dinâmica, serão necessários 15 “breves” anos para repor as vagas fechadas pelo projeto da ponte para o futuro.
A população brasileira em idade de trabalhar é de 170 milhões de pessoas (Pnad Contínua, IBGE, junho 2018), das quais cerca de 104 milhões formam a força de trabalho. Desse último número, 91 milhões são ocupadas e 13 milhões, desocupadas. O semestre foi encerrado com uma taxa de desemprego de 13%, segundo o IBGE. Em dezembro de 2016, estava em 6,4% e foi aumentando até atingir 13,6%, em 2017.


De acordo com o Professor Clemente Ganz Lúcio, As desigualdades que perpassam a estrutura social brasileira também estão presentes no mercado de trabalho. Por exemplo: no Nordeste, a taxa de desemprego é de 16%, o dobro daquela observada no Sul (8,4%); entre os homens, é de 13,6% e, entre as mulheres, de 15%; entre os jovens de 18 e 24 anos, o desemprego chega a 28%; entre os jovens de 14 e 17 anos, a 44%; entre os brancos, fica em 10,5%;entre os pardos, em 15,1%; entre os negros representa 16%.


A conta de luz já aumentou quatro vezes mais que a inflação neste ano. Enquanto o IPCA entre janeiro e julho ficou em 2,94%, a energia elétrica para as famílias brasileiras subiu 13,79%. A disparada no preço da energia é resultado de uma série de fatores, que inclui falta de chuva, alta do dólar e o crescente peso dos subsídios, encargos e tributos na tarifa elétrica. A expectativa é de que novos aumentos comprometam ainda mais a renda da população.


“A tarifa tem subido de forma preocupante e está chegando ao limite de pagamento do consumidor”, afirma o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Segundo ele, além das questões conjunturais, como o baixo volume de chuvas, outros fatores estão pesando no custo da energia. Um deles é a decisão de elevar a cobrança de encargos na conta de luz para bancar, inclusive, programas públicos que não têm relação alguma com o setor elétrico. Hoje, os penduricalhos na conta de luz beneficiam, por exemplo, produtores rurais, atividades de irrigação, empresas que prestam serviços públicos de saneamento e consumidores de baixa renda. “A tarifa não é um saco sem fundo onde se pode enfiar tudo”, diz Rufino. 


De acordo com dados da Aneel, em 2014, os encargos tinham peso de 6% nas tarifas; no ano passado, essa participação já havia chegado a 16%. “Ficou fácil transferir tudo para o consumidor”, afirma o presidente da Associação Brasileiras de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel. 


Ele não vê chances de redução das tarifas nos próximos cinco anos e explica que a origem de boa parte dos problemas vem da intervenção feita em 2012 pela presidente Dilma Rousseff no setor elétrico. Na época, para reduzir as tarifas em 30%, o governo criou a CDE para arcar com vários custos do setor. A intenção inicial era que o Tesouro arcasse com as despesas. Com a crise fiscal, esse plano foi abandonado e o problema jogado no colo do consumidor. 


O fato é que passo governo entra novo governo e as condições estruturais da economia não de modificam, os custos são socializados com a população e o lucro concentrado em troca de benefícios e incentivos fiscais.


O atual governo prometeu crescimento econômico, emprego em abundância e custo de vida baixo, o crescimento não veio, o emprego sumiu e o custo de vida tornou-se insustentável para a maioria da população. E fica cada vez mais claro que o ajuste fiscal tão necessário irá agravar ainda mais a vida da população. Até quando iremos tolerar tantas promessas não cumpridas?




A mudança tem nome?

Terça-Feira, 31/07/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Dada a largada para as eleições 2018. Neste momento todos os candidatos já se desincompatibilizaram dos seus cargos públicos, e estamos na fase de finalização das articulações para a manutenção, ruptura e construção de alianças nacionais e dos palanques estaduais, além é claro do tempo de televisão. Em um ambiente onde o embate entre o mercado e a política parece tomar proporções gigantescas. O candidato do mercado é o ex governador do PSDB Geraldo Alckmin, só pelo fato de fazer a aliança com o CENTRÃO (Solidariedade, PR, DEM, PP,PRB) o índice IBOVESPA subiu e o real se valorizou perante o dólar. Tal movimento se deu pelo fato de o pré-candidato tucano deter 60% do tempo de propagando de rádio e tv, o que tornaria capaz de vencer as eleições.

Aliança esta que não tem nada de novo, consolida o candidato a presidente do PSDB como o representante natural de tudo o que a população rejeita na política.


Poderemos observar o velho debate sobre as privatizações e o estado mínimo defendido pelos tucanos e a epopeia esquerdista do estado máximo. Se os tucanos retornarem ao poder as privatizações recomeçaram e as conquistas sociais serão deixadas de lado em prol do capital? Se a esquerda retornar ao poder, estaremos caminhando para um chavismo? Será assim, o tempo todo, todo o tempo de hoje até as eleições gerais de outubro.


Fernando Henrique Cardoso parece tornar-se cada vez mais relevante para o PSDB. Ao defender seu feitos ele argumenta “dizia-se que as privatizações reduziriam os empregos, quando houve uma expansão extraordinária deles. Que a Vale estava sendo trocada por nada, quando foi difícil encontrar contendores no leilão porque seu valor, na época, parecia elevado e, se hoje vale bilhões, foi porque houve investimento e ação empresarial competente (diga-se, de passagem, em impostos, hoje, a Vale paga muito mais ao governo, por ano, do que pagava em dividendo quando era uma estatal).


Ao que me parece estamos reféns de uma briga ideológica. O sociólogo e o torneiro mecânico há 24 anos para ser mais exato. Não se discute um projeto futuro, um projeto estrutural de longo prazo, não se constituíram novas lideranças capazes de defender ideias e aglutinar um novo projeto de nação. Nossa economia cresceu, porém, estagnada a praticamente 4 anos, desnudou toda a nossa ineficiência logística, tecnológica, tributária, da falta de inovação e principalmente a incapacidade da classe política de oferecer uma saída para o mais de 13 milhões de desempregados. Falta infraestrutura, é mais fácil construir um porto em Cuba ou uma Hidroelétrica na Nicarágua do quê construir os dois aqui no Brasil. Ou melhoramos nossa eficiência econômica em termos de produtividade e serviços públicos ou sucumbiremos nos próximos anos.


Como melhorar? Em 50 anos de existência, o (P)MDB disputou a Presidência da República em eleições diretas apenas duas vezes. Numa, em 1989, Ulysses Guimarães amealhou irrisórios 4,7% dos votos válidos. Noutra, em 1994, Orestes Quércia arrebanhou ínfimos 4,4%. Hoje, Meirelles roda nas pesquisas na casa de 1%. Se chegar às urnas em triunfo, será candidato a Deus, não a presidente da República. A mudança tem nome? Sim, ela tem. O nome da mudança é a participação efetiva no processo eleitoral, conhecendo os candidatos, discutindo as propostas e comparecendo no dia da eleição para votar. Somente sairemos do nosso labirinto com muito debate, com ideias e lideranças capazes de aglutinar, afinal a mudança tem nome, e o nome da mudança é falar a verdade e a verdade dói.




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