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Colunistas


Brasil ame-o e fique

Terça-Feira, 26/06/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha e publicada no Jornal Folha de São Paulo, os resultados da pesquisa apontam que se pudessem 62% dos jovens brasileiros iriam embora do país e que 56% dos adultos com nível superior gostariam de deixar o Brasil. O resultado demonstra que 70 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais deixariam o Brasil se pudessem segundo a pesquisa do Datafolha. Para entender a dimensão da pesquisa, seria como se a população dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná simplesmente desaparecesse do país.


A pesquisa, feita em todo o Brasil no mês passado, 43% da população adulta manifestou desejo de sair do país. Entre os que têm de 16 a 24 anos, a porcentagem vai a 62%. São 19 milhões de jovens que deixariam o Brasil, o equivalente a toda a população de Minas Gerais.


A falta de esperança com o futuro pode encontrar sintonia com o resultado das eleições suplementares do Tocantins, neste último domingo, onde os “não votos” superaram apoio a candidatos em eleição ao governo do Tocantins. O Governador eleito recebeu 75,1% dos votos válidos contra o segundo colocado com 24,9% dos votos válidos. O “não voto” (soma de brancos, nulos e abstenções) foi de 527.868 votos (51,84%).


Com o objetivo de compreender tanto desalento, com relação ao futuro do Brasil, o Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), elaborado em 2016 com informações de 2015, mostra que o Brasil figura na 22ª colocação em média de anos de escolaridade da população adulta com 25 anos ou mais. Ocupa a 24ª posição quando é avaliado o percentual de alunos matriculados no ensino superior em relação ao grupo populacional entre 18 e 24 anos. Já em relação à expectativa de anos de estudo a partir do momento em que se entra na escola, o país está um pouco melhor: 14º lugar.
Para o Diretor de relações institucionais do Quero Bolsa, plataforma de distribuição de bolsas para alunos de estabelecimentos privados de ensino superior, Marcelo Lima atribui os resultados pífios apresentados nos rankings à falta de investimento adequado no desenvolvimento da educação básica. O país gasta, anualmente, US$ 3,8 mil (R$ 11,7 mil) por aluno no primeiro ciclo do ensino fundamental (até o 5º ano).


Esse é um dos piores índices mundiais, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O cenário é um pouco melhor em relação aos gastos com estudantes universitários. Nesse caso, o Brasil investe US$ 11,7 mil (R$ 36 mil), se aproximando de alguns países europeus, como Portugal e Espanha, com despesas, respectivamente, por aluno, de US$ 11,8 mil e US$ 12,5 mil, e até ultrapassa países como a Polônia (US$ 9,7 mil).


Na avaliação dos gastos com educação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil tem posição de destaque, no 7º lugar, à frente de muitos países desenvolvidos, como Alemanha, que investe 4,9% de seu PIB e Japão (3,8%). Cabe destacar, que os países desenvolvidos investem em educação básica 2,5 vezes mais que o Brasil. Para podermos ingressar definitivamente na educação do século 21, faz-se necessário deixar para trás os entulhos do século 20, que é a falta de adequada infraestrutura escolar, efetivar a oferta de escolas com tempo integral, valorizar os professores em todos os aspectos seja no financeiro quanto no reconhecimento da sua relevância bem como trabalhar a interdisciplinaridade dos conteúdos, deixando claras as necessidades relacionadas as habilidades e competências exigidas pelos avanços da Revolução Industrial 4.0.


Ao contrário do que se pregava na década de 70 no século passado, onde o governo pregava “Brasil ame-o ou deixe-o”, precisamos fazer um esforço para que o “Brasil ame-o e fique” seja uma constante na vida dos brasileiros. Lembrar que somos uma República prestes a completar 130 anos com uma constituição que possui 30 anos somente e que as mudanças obedecem os ciclos e as necessidades do seu povo. Conhecer o Brasil de fato, assumir a existência das desigualdades regionais e propor avanços de curto, médio e longo prazo, possibilitando que a população faça parte desse processo é a saída para construir o país do futuro.




Soluções que não existem e a verdade que dói

Terça-Feira, 12/06/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

O brasileiro de maneira geral, sempre procura soluções fáceis, líderes que falam grosso e prometem que o paraíso será alcançado sem dor, sem dedicação, sem acordar cedo. Simplesmente de quatro em quatro anos, renovam-se as esperanças no plano federal, estadual e municipal. Pior de tudo isso, é que o brasileiro. A greve dos caminhoneiros revelou o Brasil para o brasileiro. As escolhas fáceis pelo setor automotivo, onde esse setor representa 20% da cadeia produtiva brasileira, vem governo e vai governo e sempre é concedido subsídios para adquirir máquinas e equipamentos, caminhões e carros com o dinheiro, meu, seu e nosso, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o povo aplaude, os empresários vibram e ninguém pergunta de onde vem o benefício.


Graças aos caminhoneiros, o brasileiro descobriu que a Petrobras é pública e o petróleo é nosso. Discursos e manifestações ferozes defendendo a Petrobras e a privatização da mesma, foram bradados, pelas redes sociais, nenhuma manifestação pública, consistente, fundamentada e sugerindo um caminho a seguir. O brasileiro não sabia ou não quer saber que a União Federal, BNDES, PREVIU... Possuem 60% do controle acionário da Petrobras e que no Governo Dilma, essa maioria foi usada para não deixar o preço dos combustíveis subir, já no Governo Temer, como não temos nada a temer, o mercado definiu a política de preços, ou seja, a conta da ineficiência, da corrupção e do desconhecimento chegou, passou e ter aumentos diários e a Petrobras voltou a ter lucro, gerar caixa e a ser a empresa com maior valor de mercado no Brasil.


Credita-se a greve a descoberta de que o país não tem capacidade para refinar 100% do petróleo produzido pela Petrobras, somos exportadores de petróleo e importadores de combustíveis, tal qual como exportávamos pau Brasil e comprávamos móveis. Passados 518 anos da descoberta, mantemos a mesma pauta de exportações: vendemos commodities compramos produtos industrializados.
Ainda na sequência da greve, tomou-se consciência de que bastava reduzir impostos que o preço baixaria, esqueceu-se combinar com os “russos”, que tal medida tomada aumentaria a penúria dos cofres públicos do governo federal, aqui na república dos pampas, o atraso de salários do governo estadual seria maior e os municípios entrariam em colapso. Enfim, somos uma república onde a lei tributária é regida pela regra da exceção e não para atender aos interesses do povo, no Congresso Nacional essa é a lógica. Viver de isenções.


Ato contínuo, o brasileiro descobriu durante a greve dos caminhoneiros que existem movimentos como o deles e de uma parcela da sociedade que é possível pedir a intervenção militar como se tal manifestação não fosse política. Coisas de brasileiros! Ao bradar tal pedido seria interessante acabar com a pensão das filhas de militares? São pagos R$ 5 bilhões por ano para nada!! Na verdade, desde 2000 não são concedidos novos benefícios deste tipo, apenas continuam a ser pagos os que já existem em atividade. E por que motivo absurdo simplesmente não deixou de pagar por isso imediatamente?


Soluções que não existem e a verdade que dói, podem ser constadas nos discursos que lideram e que podem levar a ser presidente do Brasil: discurso contra o desarmamento, ideologia de gênero; e defesa da redução da maioridade penal. Quando vamos fazer um pacto para educação de 50 anos? Reforma tributária? Vender ou manter as empresas estatais? Permanecer ou sair do MERCOSUL? Inovação e pesquisa de ponta? Qual é o projeto de nação que devemos perseguir? A reforma política? Enfim, a crise é grave, temos um governo que não governa um povo que não quer enfrentar a realidade e foge do debate econômico, nega a política e vai tomar as decisões acreditando em noticias difundidas pelas redes sociais que carecem de fontes confiáveis. Acredito no Brasil, acredito no brasileiro, mas fazer omelete sem quebrar ovos é possível?




Funcionalismo público

Terça-Feira, 01/05/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

O debate necessário

Embora somente 12% das despesas primárias do governo federal sejam destinadas à folha de pagamento, a massa salarial agregada do setor público em todos os níveis de governo é muito alta para padrões internacionais. Os altos níveis de gastos são impulsionados pelos altos salários dos servidores públicos, e não pelo número excessivo de servidores. Isso se verifica principalmente na esfera federal, onde os salários são significativamente mais altos que aqueles pagos a servidores dos governos subnacionais, ou a trabalhadores em funções semelhantes no setor privado.


Os altos salários recebidos colocam os servidores federais no topo da pirâmide de renda nacional, o que contribui para aumentar a desigualdade no Brasil. Portanto, há espaço para realizar economias significativas por meio da redução dos prêmios salariais pagos aos servidores públicos federais em comparação ao setor privado. Alinhar os salários iniciais aos pagos pelo setor privado e reduziriam os custos e aumentariam a produtividade no setor público.


Como percentual do PIB, a massa salarial do Brasil cresceu, excedendo a média encontrada em países de renda alta. A massa salarial do setor público brasileiro subiu de 11,6% do PIB em 2006 para 13,1% do PIB em 2015, superando até Portugal e França, que registravam massas salariais mais altas que o Brasil há uma década. Outros países desenvolvidos, tais como a Austrália e os EUA, possuem massas salariais consideravelmente menores (cerca de 9% do PIB), ao passo que o Chile, uma nação latino-americana de renda média, gastou somente 6,4% do PIB em salários do funcionalismo público em 2015.


O número de servidores públicos no Brasil não é extraordinariamente alto, e, da mesma maneira, o tamanho do governo federal não parece ser excessivo. Com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a relação entre o número de funcionários públicos e a população no Brasil (5,6%) é mais alta que a média latino-americana (4,4%). No entanto, esse percentual é bem mais baixo que o encontrado nos países da OCDE, da Europa e da África (. Similarmente, o emprego público como parte do emprego assalariado no Brasil parece ser relativamente pequeno, cerca de 18% (ou 24% como parte do emprego formal). Isso indica que o motivo de a massa salarial do setor público brasileiro ser tão alta é o elevado custo dos servidores públicos (altos salários), em vez do excessivo número de servidores.


A parcela de servidores públicos federais no Brasil é de apenas 10%, o que é menos do que em outros países federalistas (tais como EUA, Canadá e Austrália), onde a maior parte dos serviços que demandam muito pessoal são prestados pelos governos estaduais ou municipais. Os estados e municípios detêm a responsabilidade primária por serviços de saúde, educação e policiamento, e essas funções que demandam mão de obra intensiva justificam o número mais alto de servidores nessas esferas em comparação com o governo federal.


O estudo do Banco mundial intitulado Um Ajuste Justo: análise da eficiência e equidade do gasto público no Brasil, descreve que em linhas gerais, os gastos com salários do funcionalismo público no Brasil são divididos igualmente entre os governos federal, estaduais e municipais. Os estados e municípios são responsáveis pela maioria das despesas com educação e saúde, e essas áreas representam a maior parte de suas massas salariais.


Desde 2010, as despesas com pessoal dos governos estaduais vêm crescendo em termos reais, excedendo aquelas do governo federal, ao passo que os governos municipais têm aumentado seus gastos no mesmo ritmo que o governo federal. Entretanto, em termos de quantidade de servidores públicos, o governo federal possui 10% do total, o que indica que o governo federal gasta mais do que o dobro por servidor que os governos subnacionais. Embora as funções desempenhadas pelo governo federal sejam bem diferentes daquelas realizadas pelos governos subnacionais, essa grande diferença indica que a remuneração dos servidores federais é muito generosa.


O aumento da massa salarial federal ao longo das duas últimas décadas deveu-se, principalmente, ao aumento da remuneração, ao passo que, em nível subnacional, o crescimento da folha resultou de uma combinação entre aumentos salariais e contratação de mais funcionários.


Enfim, esse debate precisa ser feito, de maneira a NÃO tornar os servidores públicos vilões do serviço público. Precisamos aproveitar o momento eleitoral do país e discutir políticas de estímulos e aumento da produtividade, tornando os servidores públicos parte do processo de desenvolvimento e crescimento econômico do país, estados e municípios.




Desafio é a produtividade

Terça-Feira, 10/04/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Em 2016, 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), foi destinado a estímulos do emprego e produtividade. Ainda de acordo com o Banco Mundial (BIRD), o Brasil tem gasto muito dinheiro com políticas de apoio a empresas que são, em sua maioria, ineficientes, tais como: isenções fiscais, créditos subsidiados e transferências para setores específicos. O número segundo o Banco Mundial é nove vezes superior ao gasto com o Programa Bolsa Família.


A produtividade é um indicador de eficiência técnica que demonstra como as empresas, indústrias (grupos de empresas no mesmo mercado de produtos), setores (grupos de indústrias) ou o país transforma insumos medidos na produção de bens e serviços. As duas medidas de produtividade mais comuns são: a produtividade do trabalho (PT) e a produtividade total dos fatores (PTF). Embora esses dois conceitos sejam relacionados, eles são, de fato, distintos.


No setor automobilístico, o trabalhador brasileiro médio precisa trabalhar mais de cinco vezes o número de horas que um trabalhador canadense médio trabalha a fim de atingir o poder de compra necessário para adquirir um carro de tamanho médio (Toyota Corolla). Esse exemplo simples ilustra o conceito de produtividade. Quando os trabalhadores produzem mais a cada dia de trabalho - ou levam menos tempo para realizar as mesmas tarefas - a empresa fica mais competitiva. Isso é importante porque a empresa poderá baixar os preços, vender mais produtos e contratar mais trabalhadores, e, com o tempo, pagar salários mais altos.


O mesmo trabalhador canadense no setor automobilístico ganha, em média, mais de US$ 19,00 por hora; no Brasil, seu colega ganha pouco mais de US$ 6,00. Porém, a produção na fábrica canadense é maior e mais eficiente, e, em termos de produção por trabalhador, a fábrica brasileira é mais cara. Para compensar essa diferença - mais os custos de infraestrutura e impostos, os markups decorrentes da falta de concorrência e outros elementos do Custo Brasil - um Toyota Corolla vendido no Brasil custa 75 por cento a mais do que no Canadá. Os salários mais altos e os preços mais baixos deixam os trabalhadores canadenses do setor automobilístico em situação mais vantajosa.


No cerne da produtividade baixa e estagnada do Brasil existe um sistema econômico que desincentiva a concorrência e estimula a ineficiência e a alocação inadequada de recursos. As empresas brasileiras operam em um ambiente de custos elevados. Esses custos elevados, frequentemente chamados de Custo Brasil, são resultado de mercados financeiros ineficientes e taxas de juros altas, um sistema de impostos demasiadamente complexo e oneroso, uma infraestrutura nacional inadequada, um conjunto extenso de regras administrativas e outros desafios inerentes a operações em um país federativo com uma miríade de regras distintas em constante mutação.


Esse fenômeno não é recente; ele remonta, de modo geral, à adoção de políticas de industrialização da década de 1930, baseadas na substituição de importações. Muitos defendem o modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado brasileiro, que levou ao rápido crescimento observado durante o meio século após a introdução da política de substituição de importações. No entanto, a fase inicial de crescimento para compensar o atraso no Brasil acabou gerando grandes desequilíbrios macroeconômicos, e caracterizou-se pelo aumento da desigualdade (Soares, 2016).


A produtividade pode aumentar drasticamente com a introdução de um novo conjunto de políticas voltadas para abrir os mercados brasileiros à concorrência, reduzir os custos para fazer negócios, eliminar as distorções induzidas pelo governo e canalizar as despesas públicas para o apoio à inovação e aos ganhos de eficiência.


Quando o Brasil integrará as cadeias globais de valor, para se valer das oportunidades de co-aprendizado e tirar proveito de volumes maiores de vendas e ganhar na economia de escala. Em que momento a sociedade brasileira irá questionar seus lideres para essa necessidade?




O futuro do Mercado de Trabalho: estamos preparados?

Terça-Feira, 27/03/2018 às 06:00, por Adriano José da Silva

Tomando por base nosso relatório de janeiro de 2017 sobre automação, o mais recente estudo do McKinsey Global Institute, Jobs lost, jobs gained: Workforce transitions in a time of automation, avalia o número e os tipos de empregos que poderão ser criados em diferentes cenários até 2030 e os compara com os postos de trabalho que poderão desaparecer devido à automação. Os resultados revelam um rico mosaico de possíveis transformações ocupacionais nos próximos anos, com implicações importantes nas habilidades e nos salários dos trabalhadores. Nossa principal conclusão é que, embora possa haver trabalho suficiente para manter todos os empregos até 2030 na maioria dos cenários avaliados, as transições serão extremamente desafiadoras – igualando-se ou até mesmo superando a escala das mudanças na agricultura e na manufatura ocorridas no passado.


Anteriormente que cerca de metade das atividades que as pessoas são pagas para realizar em todo o mundo poderiam, em teoria, ser automatizadas usando-se tecnologias já existentes. Pouquíssimas ocupações – menos de 5% – consistem em atividades que podem ser totalmente automatizadas. Entretanto, em cerca de 60% das ocupações, pelo menos um terço das atividades constitutivas podem ser automatizadas, o que implica transformações substanciais no local de trabalho e mudanças para todos os trabalhadores.


Embora a viabilidade técnica da automação seja importante, ela não é o único fator que influenciará o ritmo e a extensão com que essa automação será adotada. Entre outros fatores, há o custo de desenvolver e implantar soluções automatizadas para usos específicos no local de trabalho, a dinâmica do mercado de trabalho (incluindo qualidade e quantidade da mão de obra e os respectivos salários), os benefícios da automação que vão além da substituição da mão de obra, e a aceitação regulatória e social.


O potencial impacto da automação sobre o emprego varia conforme a ocupação e o setor (veja quadro interativo acima). As profissões mais suscetíveis à automação são aquelas que envolvem atividades físicas em ambientes previsíveis, como operar máquinas e preparar refeições rápidas (fast food). Coletar e processar dados são duas outras categorias de atividades que podem ser realizadas de maneira cada vez melhor e mais rápida por máquinas. Isso pode levar à eliminação de grandes quantidades de mão de obra – por exemplo, em originação de crédito imobiliário, assistência jurídica, contabilidade e processamento de transações de back-office.


A automação terá um efeito menor no caso de empregos que envolvem gestão de pessoas, aplicação de expertise e interações sociais, onde as máquinas ainda não conseguem reproduzir a performance humana. De modo geral, o trabalho em ambientes imprevisíveis – como o de jardineiros, encanadores ou cuidadores de crianças e idosos – também sofrerá menos automação até 2030, pois essas atividades são tecnicamente difíceis de automatizar e, muitas vezes, pagam salários relativamente baixos, o que torna a automação uma proposta de negócio menos atraente.


Em 2030, haverá no mínimo 300 milhões de pessoas acima dos 65 anos a mais do que em 2014. À medida que as pessoas envelhecem, seus padrões de gastos mudam, havendo um aumento acentuado das despesas com saúde e serviços pessoais. Em muitos países, isso criará uma nova e significativa demanda por diversas ocupações – médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, por exemplo – mas também por assistentes de saúde em domicílio, cuidadores e auxiliares de enfermagem. Estimamos que até 2030 surgirão em todo o mundo entre 50 e 85 milhões de novos empregos na área da saúde e afins, decorrentes do envelhecimento da população.


Todavia, as pessoas terão de descobrir o caminho para chegar até esses novos empregos. Do total de trabalhadores que perderam seus empregos, 75 a 375 milhões talvez precisem mudar de categoria ocupacional e aprender novas habilidades, segundo os cenários de adoção moderada ou rápida da automação. A grande dúvida é se nossas escolas sejam elas públicas ou particulares municipais ou estaduais, as faculdades e universidades, públicas ou privadas, estão abertas e propiciando esse debate. O futuro começa agora, as eleições de 2018, podem ser um bom momento para ouvirmos as propostas para o futuro da educação em nosso país e como iremos conduzir o processo da automação.

 

Fonte: Relatório McKinsey Global Institute novembro 2017




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