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Colunistas


“Um ambiente salubérrimo”: as preocupações com saúde e higiene em Passo Fundo, no final da década de 1930.

Sábado, 27/07/2019 às 07:00, por Arquivo Histórico Regional

Alex Antônio Vanin e Roberto Biluczyk
Mestrandos em História – PPGH/UPF

Nos primeiros anos de República, o Brasil enfrentou severos problemas sanitários, especialmente nos espaços urbanos que cresciam em ritmo acelerado. A população, por sua vez, não contava com infraestrutura e instrução adequadas, padecendo de enfermidades, muitas com surgimento repentino.
Endemias, epidemias e pandemias tinham livre trânsito no país, uma vez que as pessoas, com pouco esclarecimento, deixavam-se levar pela desconfiança e conservavam hábitos inadequados. Diante de avanços na ciência, por meio da microbiologia e o surgimento de vacinas, esse panorama começa a se alterar paulatinamente, aumentando a preocupação com a saúde e a higiene.
Durante o governo do presidente Rodrigues Alves (1902-1906) foram promovidas medidas de reforma urbana na capital do país, então a cidade do Rio de Janeiro, espelhando-se em ações desenvolvidas em Paris, no decorrer do século XIX. As residências da área central da capital, em geral, não contavam com quaisquer estruturas sanitárias, abrigando algumas delas, inclusive, criações de porcos. O saneamento básico era precário naquele que era considerado o cartão postal do país. Especialmente em 1904, a falta de sutileza e convencimento do governo ante ao público fez com que opiniões sobre o tema se apresentassem controversas, reforçando a indignação popular. Anos mais tarde, perante a conscientização e a constatação de resultados nas ações, saúde e higiene passaram a ser temas de ampla discussão.
Em 1939, publicou-se o “Guia Ilustrado Comercial, Industrial e Profissional da Cidade de Passo Fundo”. Por meio dele é possível constatar que a cidade recebia naquele ano transformações urbanísticas alusivas à infraestrutura, especialmente relativas ao saneamento básico. A cidade, de vasto território, com doze distritos, alguns deles distantes do núcleo principal, despontava como um núcleo de rápido desenvolvimento.
Iniciou-se naquele período, conforme o Guia, a distribuição de água encanada e determinou-se regras de “linhas de edificações”, em conformidade com os “princípios de higiene e asseio”, para “modificar velhos hábitos de vida”. De acordo com o texto, o descuido com a higiene causava “o perigo constante de enfermidades contagiosas”, as quais vinham desaparecendo diante das atitudes, que demarcavam “civilização e progresso”. Anúncios de hotéis, escolas e armazéns enfatizavam os ambientes salubérrimos – ou seja, muito salubres – que caracterizavam os locais, em discursos que salientavam as práticas higiênicas como qualidades diferenciais.
A fim de aprimorar as medidas de saúde na cidade, o poder público instalou, em 22 de maio de 1939, na Rua Uruguai, próximo à Praça Tamandaré, o Posto de Higiene de Passo Fundo. De competência estadual, o setor era comandado pelo médico Armando Vasconcellos (1888-1966), disponibilizando vacinas e imunizações contra febre tifoide – considerada endêmica na cidade naquele período –, varíola – doença atualmente erradicada no mundo – e difteria. Também executava políticas de prevenção e informação sobre doenças venéreas, lepra e endemias rurais, sensíveis preocupações da área, além de cuidados de saúde em geral, como exames de pré-natal.
Diante da atuação do órgão estadual, o município, por sua vez, desenvolveu um departamento auxiliar, denominado Delegacia de Saúde, sob responsabilidade do médico Arthur Leite (1890-1941). Leite faleceria pouco tempo depois da publicação do Guia, inspirando vinte anos mais tarde, ações de promoção à educação sanitária de um Clube de Saúde que levaria seu nome. Já Vasconcellos lideraria o Posto de Higiene local até 1946, atuando também junto ao Rotary Club e viabilizando a criação da Sociedade de Auxílio à Maternidade e Infância – SAMI.
A criação do Posto de Higiene na cidade proporcionou a entrada da esfera pública em ações permanentemente relevantes na área da saúde, que apresentou constante evolução frente aos desdobramentos científicos e educacionais produzidos nos anos porvindouros.




A imprensa passo-fundense e as relações de poder local

Sábado, 29/06/2019 às 06:00, por Arquivo Histórico Regional

Em Passo Fundo, no ano de 1947, assim como no restante do Brasil, já havia ocorrido a reorganização das forças políticas elevando os partidos de cunho regional para nacional, a exemplo do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PSD (Partido Social Democrático) e MTR (Movimento Trabalhista Renovador). A diretriz do jornal Diário da Manhã (DM), com relação aos tradicionais políticos locais que constituíam a base PSD e o posicionamento do O Nacional (ON) com relação aos dissidentes trabalhistas locais, permitiram perceber o posicionamento de cada jornal com relação à política partidária.

 

Tanto o DM – de Túlio Fontoura - quanto o ON – de Múcio de Castro - possuíam proprietários ativos na vida política, com preferências partidárias e candidaturas a funções públicas. Por esta representatividade, nos centramos nas notícias para contagem dos nomes mais representativos nas páginas destes dois jornais, cientes das motivações que os levavam à publicidade nos mesmos, marcando estes sujeitos como os mais citados pela imprensa.


Nove nomes foram mais recorrentes nas 5049 edições analisadas do ON e nas 4079 edições do DM. A diferença de recorrência em um impresso e outro ficam bastante explícitas quando observamos os nomes de Benoni Rosado (ON 32%, DM 68%), Daniel Dipp (ON 80%, DM 20%), Mário Menegaz (ON 90%, DM 10%), Múcio de Castro (ON 100%, DM 0%), Nicolau Araújo Vergueiro (ON 12%, DM 88%), Túlio Fontoura (ON 0,5%, DM 99,5%) e Wolmar Salton (ON 75%, DM 25%). Ela é relativa apenas quando se tratam de Armando Araújo Annes (ON 53%, DM 47%) e César José Santos (ON 46%, DM 54%).


A maior parte destes sujeitos teve destacada representação política de 1947-1964: Armando Annes foi prefeito em 1947; Nicolau Vergueiro foi suplente de deputado federal em 1950; César Santos foi deputado estadual em 1947 e deputado federal em 1950; Daniel Dipp foi vice-prefeito em 1947, Deputado estadual em 1951, prefeito em 1952, deputado federal em 1954 e 1958, candidato a vice-prefeito em 1960 e suplente de deputado federal em 1963; Benoni Rosado foi vice-prefeito em 1956 e prefeito em 1960; Wolmar Salton foi vereador em 1947 e 1951 e prefeito em 1956; Mário Menegaz foi vice-prefeito em 1951, prefeito em 1955, candidato a prefeito em 1960 e prefeito em 1964; Túlio Fontoura foi candidato a vereador em 1951; Múcio de Castro foi deputado estadual em 1954.


Desta lista, temos duas linhas políticas herdeiras do coronel Gervásio Lucas Annes: Armando Araújo Annes (filho) e Nicolau Araújo Vergueiro (sobrinho). Se fossemos relacionar os nove sujeitos em uma relação sucessória – considerando a influência para ingresso na vida pública de ambas vertentes, teríamos a seguinte representação: Nicolau Vergueiro (Túlio Fontoura); Armando Annes (Múcio de Castro, Wolmar Salton, Daniel Dipp, Benoni Rosado e Mário Menegaz).


Nota-se que o único fora desta relação é César Santos, pois seu ingresso na política se deu em 1940 e um pouco diferente dos demais. César Santos fundou o PTB em 1945, permanecendo como presidente por 15 anos. Com o falecimento de Nicolau Araújo Vergueiro, em 1956, e com a ruptura interna do PTB em 1958, este organograma sofreu alteração vinculando Túlio Fontoura a César Santos. Nesta reconfiguração, o quadro político se apresentou da seguinte maneira: César Santos (Túlio Fontoura), Daniel Dipp (Mário Menegaz, Múcio de Castro, Wolmar Salton e Benoni Rosado).


Estas estruturas mantiveram-se em constante transição até 1964, motivo pelo qual é necessário perceber a formação partidária destes sujeitos, a fim de entender as representações de poder inseridas nas páginas dos impressos. O posicionamento político-partidário de Múcio de Castro e de Túlio Fontoura permitiram a observação da imprensa enquanto uma forma simbólica de atuação pelos partidários políticos do PSD, PTB e MTR.

 

Gabriela Tosta Goulart
Doutoranda em História PPGH/UPF




Da festa ao funeral festa de São Miguel

Sábado, 25/05/2019 às 06:00, por Arquivo Histórico Regional

Na busca por informações sobre a Passo Fundo de outrora, nas páginas dos almanaques do cotidiano (jornais) citadinos, nos deparamos com informações sobre transporte, serviços, atendimentos, questões públicas da Intendência Municipal, artigos de opinião, mas também registros do cotidiano local. Na edição d´O Nacional datada do dia 01 de outubro de 1927, em meio aos registros da realização da festa de São Miguel, vislumbra-se o destaque dado a um acontecimento não condizente com o espírito devocional e festivo que é marca desta celebração religiosa e social. Com a participação de “numerosa multidão”, como salienta o autor do artigo, a festa se desenrolava normalmente até cerca de 16 horas, quando incidentes deram início a um “trágico desenlace”.

 

A festa em honra a São Miguel data do século XIX, quando teria iniciado por ação de membros da família Isaías, com base em uma estátua trazida da região das missões jesuíticas em 1871, segundo as narrativas. Desde então, anualmente a data dedicada ao santo (29 de setembro) teria mobilizado a comunidade para participar do evento religioso e festivo. Todavia, em 1927, o clima festivo foi alterado quando “um violento conflicto, de consequencias brutaes, veio fazer debandar precipitadamente a maioria do povo, trazendo a todos graves aprehensões”.


O tumulto derivou de uma desavença entre praças do 2º. Batalhão do 3º. Regimento de Infantaria, aquartelado em Passo Fundo, e players do Sport Club Gaúcho – estes teriam sido os denunciantes do caso à polícia que fora então obrigada a intervir. Da intervenção policial teria iniciado um conflito entre forças municipais e do exército, evoluindo a situação para troca de tiros que geraram pânico entre os presentes, ferimentos em alguns e o falecimento do cabo da polícia municipal, Alcides Rodrigues, ferido na face por um tiro de revólver que o levou à óbito. O incidente culminou com tensões ampliadas que levaram Gervásio Annes, Sub-Intendente e Delegado de Polícia, a solicitar o aquartelamento e o não policiamento noturno da cidade para evitar novos conflitos. Da Intendência foi despachado um telegrama ao Presidente do Estado, Borges de Medeiros, relatando o ocorrido, informando o aquartelamento dos policiais para evitar atritos com membros do exército, e solicitando providências para normalizar a situação na cidade de Passo Fundo.


O tema continuou na pauta da publicação divulgada no dia 05 de outubro, tendo descritos alguns pormenores do conflito. No artigo “Ainda a tragédia de São Miguel” descreve-se o falecimento de Alcides Rodrigues e listam-se os demais feridos, com riqueza de detalhes aos ferimentos. Oswaldo Roesch, Argemiro Ramos da Silva, Avelino França de Oliveira, Octacilio Alves Paim foram os membros do 2º. Batalhão do exército que tiveram ferimentos durante a festa. Pelo lado das forças municipais foram lesados Antonio Pereira Fortes e Vicente Maciel dos Santos. Por fim, registra o artigo, o civil João Baptista dos Santos, jornaleiro, foi ferido com uma pedrada. A edição também destaca o restabelecimento do policiamento na cidade, após conferência entre o Intendente, Armando A. Annes, e o Major Vasco Antônio Lopes.


Para além das notícias, os jornais da primeira metade do século XX eram os responsáveis pela socialização de informações pessoais que davam condições aos leitores e interessados para acompanhar também a vida privada de muitos cidadãos. Nascimentos, convalescenças, casamentos, viagens, agradecimentos e eventos fatídicos eram ali apresentados. Na festa de São Miguel de 1927 vimos questões privadas – entre jogadores e membros do exército - terem um desenlace trágico em um evento público de destaque na cidade que pôs frente a frente as forças policiais e membros do exército. Naquela festa, a celebração final não foi de júbilo, mas de pesar pelo falecimento de um policial e pelo ferimento de vários outros envolvidos. Naquele ano, não foram as enchentes de setembro que deram o tom das comemorações. Desta vez a festa findou no cemitério.

 

Gizele Zanotto – Historiadora PPGH/UPF




A Revolta dos Motoqueiros: do tiro nas costas à comoção popular (1979)

Sábado, 02/03/2019 às 06:00, por Arquivo Histórico Regional

Em 1979, ano de intensas transformações e encaminhamentos que mudariam o panorama político brasileiro nos anos seguintes, Passo Fundo era considerada uma cidade violenta, dominada pela atuação de criminosos. Devido a isso, era conhecida de maneira pejorativa como “Chicago dos Pampas”, em alusão ao centro urbano estadunidense associado aos altos índices de criminalidade nos tempos de Al Capone. Tudo isso ocorria em pleno contexto de Ditadura Militar.


No dia 5 de fevereiro de 1979, uma ação desastrada de três membros da Brigada Militar vitimou o jovem Clodoaldo Teixeira, morador da Vila Annes. Atuando profissionalmente como mecânico em uma oficina no Centro da cidade, Teixeira, à época com 17 anos de idade, voltava para casa em sua motocicleta quando foi abordado pelos três brigadianos. Por não possuir habilitação, colocou-se em fuga, temendo seu destino. A atitude gerou uma perseguição ao longo das ruas da cidade, que terminou em frente à casa de Clodoaldo, quando um dos policiais desferiu um tiro nas costas no jovem mecânico. Conduzido ao hospital, Clodoaldo não resistiu ao ferimento.


A notícia sobre o assassinato do jovem correu pela cidade, causando comoção e indignação. A brutalidade policial, dado ao tiro ter sido desferido em situação de impossível defesa, fez com que os moradores da cidade se organizassem em protestos. Na ocasião, a atuação dos motociclistas que se agremiavam em um clube foi fundamental para que os protestos passassem à História, conhecidos como a Revolta dos Motoqueiros. Cerca de dez mil pessoas participaram do cortejo fúnebre de Clodoaldo, no dia seguinte à sua morte, em direção ao Cemitério do bairro Petrópolis.


A continuidade dos protestos gerou hostilidade em relação aos militares, que receberam os manifestantes a tiros de metralhadora no centro da cidade. Dessa forma, mais duas pessoas – Adão Faustino e Joceli Joaquim Macedo – foram fatalmente vitimadas nos confrontos, piorando ainda mais a imagem da Brigada Militar frente ao público. O comando da instituição, por sua vez, informava versões diferentes e contraditórias aos acontecimentos retratados nos jornais e descritos por testemunhas. Uma tia de Adão Faustino bradou em meio ao enterro do jovem, conforme o jornal O Nacional em 9 de fevereiro daquele ano: “Mais um morto pelos brigadianos. Ao invés de proteger, eles estão nos matando”.


A instabilidade observada em Passo Fundo após a manifestação dos motoqueiros e dos manifestantes em geral e da morte de mais dois jovens na sequência começou a arrefecer a partir da intervenção do Exército Federal, por meio do 3º Regimento de Cavalaria do município, comandado pelo Major Isauro Corrêa, através de marcha sobre a cidade, ordenando com megafones a dispersão dos manifestantes.


A repercussão do caso refletiu no cenário político, fazendo com que ARENA e MDB, os dois partidos políticos da época, se manifestassem sobre o ocorrido. Enquanto a ARENA, sustentáculo da Ditadura Militar, buscava discurso mais ameno, repudiando a atuação dos policiais, o MDB chegou a trazer deputados estaduais para averiguação do caso.
Os primeiros passos para a penalização dos policiais envolvidos foram dados junto à Justiça. O cabo que efetuou o disparo contra Clodoaldo foi enquadrado como autor do crime, sendo indiciado por homicídio qualificado. Igualmente, os dois soldados presentes à ocasião foram apresentados como coautores do crime.


Ao final de 1979, a edição de 31 de dezembro de O Nacional, em retrospectiva, retrata a manchete “Passo Fundo 79: Um pesadelo”, enfatizando, principalmente, por meio de fotografias, a comoção local à morte de Clodoaldo. Na matéria, contabiliza-se que 1979, como um todo, não foi fácil para os habitantes da cidade. A morte de Clodoaldo “levantou” literalmente a cidade, conforme a publicação, fazendo com que houvesse reação à violência policial. “Viver em Passo Fundo em 79, significou viver no Brasil, de modo muito intenso”. Em meio a uma ditadura desgastada, a população começava a despertar sua indignação frente aos acontecimentos.

Alex Antônio Vanin e Roberto Biluczyk
Mestrandos em História – PPGH/UPF




Uma eleição diferente: o Plebiscito de 1993 nas páginas de revistas e jornais

Sexta-Feira, 16/11/2018 às 06:00, por Arquivo Histórico Regional

Há 25 anos, o eleitorado brasileiro foi convocado a participar de uma inusitada votação: o Plebiscito sobre a Forma e o Sistema de Governo. Concretizado em 21 de abril de 1993, uma quarta-feira, o expediente versou sobre a escolha entre a monarquia e a república, o presidencialismo e o parlamentarismo, como mecanismos de governabilidade do Brasil.


Sua realização esteve diretamente relacionada à Assembleia Constituinte, que definiu a Constituição de 1988. Durante as discussões, movimentos parlamentaristas buscavam viabilizar a implantação de seu ideário, justificando-o como mais adequado ao país. No entanto, a proposta foi rejeitada e o presidencialismo, oficializado no Brasil, sem direito a novos debates naquele espaço. Ao mesmo tempo, o deputado paulista Cunha Bueno procurava maneiras de eliminar uma cláusula pétrea, datada de 1889, que impedia qualquer contestação à república, como forma de governo. Defensor da monarquia, o parlamentar conquistou seu objetivo, propondo a realização de um plebiscito, onde a população indicaria se daria continuidade à república ou se preferia um rei como chefe de Estado.


Com a adesão dos parlamentaristas, houve a inclusão dos sistemas de governo na mesma votação. E assim, em 1988, aprovou-se que, cinco anos mais tarde, o eleitor legitimaria sua preferência pelo voto. Em agosto de 1992, a data original prevista para a eleição, 7 de setembro de 1993, foi antecipada para 21 de abril.


Na ocasião, o presidencialismo se encontrava abalado por denúncias de corrupção atribuídas ao presidente, Fernando Collor, deposto no final de 1992. Com isso, às vésperas da realização do Plebiscito, a república parlamentarista contava com grande preferência popular, comprovada por pesquisas de opinião.


Ao regulamentar a campanha, o presidente Itamar Franco vetou o modelo inicialmente proposto para a cédula de votação – o Plebiscito é anterior às urnas eletrônicas. De tal modo, um novo estilo foi elaborado. A nova cédula também não agradou, visto que possibilitava a escolha de uma monarquia presidencialista, algo impensável e inexistente. No entanto, foi com ela que a eleição se deu naquele abril.


O Plebiscito de 1993, assim como nas tradicionais eleições democráticas, contou com campanha e horário eleitoral gratuito em rádio e televisão, onde os políticos mais destacados de então, de variados partidos, com diversas plataformas, uniram-se para defender as ideias que julgavam mais adequadas ao país.


Conforme a campanha foi se desenvolvendo, percebeu-se o desinteresse do eleitor, que não dominava os assuntos das discussões que lhe eram ofertadas. O presidencialismo saiu em defesa das eleições diretas para presidente, rememorando o movimento das Diretas Já, de 1983 e 1984. Já os monarquistas, em conflito sobre quem de fato assumiria o trono brasileiro em caso de vitória, utilizavam o slogan “Vote no Rei”, mesmo sem personificar o voto. Os parlamentaristas, por sua vez, encontraram dificuldades em se explicar quanto ao papel do povo na escolha do mandatário da nação. Com isso, perdiam fôlego a cada semana. O resultado da disputa consagrou a república presidencialista, mantida até hoje, com considerável diferença de votos em relação às ideias concorrentes.


A História vem contemplando novas formas de abordagem em suas pesquisas. Paradigmas inovadores oferecem a possibilidade de o historiador, sob um olhar crítico, utilizar-se dos veículos da imprensa para obter informações sobre fatos mais recentes, na chamada História do Tempo Presente. O Arquivo Histórico Regional (AHR) disponibiliza para consulta local inúmeros periódicos de comunicação social, como o jornal O Nacional e as revistas IstoÉ e Veja, sendo esta última a fonte para a pesquisa descrita neste texto. A preservação desses materiais ajuda a escrever a história e apresentá-la ao grande público, por meio de pesquisas científicas, livros e artigos.

 

 

Roberto Biluczyk
Acadêmico do curso de História da UPF




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