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Colunistas


Ódios sem líderes

Quinta-Feira, 15/03/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

A cizânia inadiável à viabilidade política do país apresenta-se como abismo, sem lados que o sustentem. Puro espanto é explicar o desplante de um grupo que dirige a nação e ao mesmo tempo em soturna porfia, projeta seu enterro. Expliquemos: Do presidente ao mais singelo assessor, todos aplicam o dedo podre contrariando a expectativa popular mínima, desprezando regras morais ativando o desrespeito à lei. Vejam, por exemplo, a publicação do decreto presidencial de indulto, que contraria totalmente a seriedade exigida nas manifestações populares contra a corrupção. Temer, contrariado, pela decisão liminar do ministro Luís Barroso, recorre da liminar no Supremo, para afrouxar a pena dos envolvidos na Lava Jato. Vejam só! O indulto natalino foi usado para ampliar a leniência presidencial, ajudando criminosos do colarinho branco. Mais uma vez, além da amortização do crime por trabalho escravo, Temer capitaliza para si a gratidão dos malsinados de mãos sujas. Que vergonha! Precisou intervenção de um ministro do STF para barrar a malandragem de Temer. Ele derrubou Dilma e o PT, e daí! Está fazendo pior, justamente quando é necessário respeitar a ira do povo, que clama por punição e justiça! Nem a oposição acende a esperança, neste ano eleitoral. O privilégio do desgoverno promove o ódio da maioria fragilizada. Não há liderança confiável para uma disputa que gere esperança!

 

Aécio, Lula e Jucá
Salvo manobra inédita o Brasil verá Aécio Neves e o senador Jucá, respondendo por sérias denúncias. De outro lado, fecha-se o cerco pela concretização da prisão de Lula, já condenado. Esses são os momentos inéditos da ação do judiciário, que não pode falhar.

 

Verdade
Em diversos casos em que a verdade equivale à decisão judicial, a força dos poderosos apresenta-se em forma de ódio. A reação é antiga, desde os romanos: “veritas odium parit” (a verdade gera o ódio).

 

Joaquim Barbosa
Não há dúvida. Se o PSB contar com o nome de Joaquim Barbosa, concorrendo à presidência ou Senado, poderá fazer a diferença. Diferença no sentido de alguém capaz, acreditado e com posições definidas. O povo saberá avaliar isso. Dizem que o brasileiro não sabe votar. Errado! São os candidatos, via de regra, que não sabem ser candidatos, antes, durante e depois!

 

Pressão
O ministro Marun em tom de insulto contesta a decisão do magistrado Luís Roberto Barroso e da corte Suprema, na deliberação provisória que exclui condenados por corrupção, dos beneficiários pela lei do indulto presidencial. Ficam raivosos contra ordem que autoriza investigar encastelados do Planalto, especialmente no episódio escandaloso da mala de propina. Marun ameaça propor impeachment contra ministros do STF. De outra banda, tucanos, peemedebistas e petistas mostram-se irados contra o ex-procurador Janot, que os denunciou. Carmen Lúcia e Fachin são pressionados na confirmação de prisão para condenados em segunda instância. Que é isso? Que inversão é essa?

 

Os poetas
No dia de ontem foi lembrado o dia do poeta, da poesia. Engano dizer que a poesia é secundário instrumento na literatura. Dos atuais autores destacamos a enorme expressão de Chico Buarque denunciando o cruel anonimato do operário, em sua música Construção: “morreu na contramão atrapalhando o tráfego...” Corriqueiramente presenciamos o desdém inculto ao verso, justamente por desconhecê-lo no seu magnífico potencial literário social e humanístico. Castro Alves, utilizando-se do recurso retórico da prosopopéia e prenuncia a Volta da Primavera: “Já viste às vezes, quando o sol de maio/inunda o vale, o matagal e a veiga?/ Murmura a relva: - Que suave raio!/ Responde o ramo: - Como a luz é meiga!” O poeta fala do corpo e da alma ao mesmo tempo, imprimindo quilate à palavra e desafiando consciências.

 

Mara Duarte
Registramos a colação de grau em Direito da estimada Mara Regina Duarte, filha do compadre Caio Duarte. Parabéns e sucesso na advocacia.




Leniências e escândalos

Quinta-Feira, 08/03/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O que se discute hoje, perante a decisão do ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, de enfrentar a investigação rumorosa contra o presidente Temer, é o valor da lei para todos. Inclusive um presidente acusado de envolvimentos escabrosos. A nação ficou chocada com a conivência de um Congresso espúrio, que consagrou desproporcionalmente o privilégio de não julgar seu mandatário. Isso acontece em situações extremas onde a parcimônia de aliados, usa generosamente o poder legal para presentear um mandatário livrando-o da urgente obrigação de prestar contas de seus atos. A preservação da incolumidade de Temer e seus graves acólitos, evitando o processo nos escândalos é a lei que protege algumas decisões soberanas do Legislativo. O fato de proteger legal e politicamente o presidente não quer dizer, quase nada, que tenha sido ato de moralidade. É, no entanto, permissão legal da democracia, que magoou a opinião média do povo brasileiro. Democracia é a forma republicana, mas não é modalidade de perfeição.

 

Quebra de sigilo
O ministro Barroso determinou a quebra de sigilo do coronel João Batista Lima Filho, Rodrigo Rocha Loures e do presidente Temer. A tropa de choque do Planalto, não se sabe por que, não esconde a perplexidade. Revela-se um clima de apreensão, contra um princípio apreciável e democrático: a transparência. Não se fala ainda em condenação. É mera investigação. Além disso, a delação da JBS está vívida. Advogados do presidente em ação!

 

Ministros
Eliseu Padilha e Moreira franco, esteios do Palácio, são alvos de investigação, com recente ordem de elucidação para apurar repasses da Odebrecht. São citados no inquérito e permanecem no trono do poder. O ministro Fachin, da Lava Jato, incluiu Temer na lista dos investigados. Marun vocifera dizendo que o presidente não pode ser investigado. Por certo, o judiciário sabe que só poderá processar ministro ou presidente mediante autorização do Congresso. Trata-se, no entanto, de investigação policial, quase arquivada pelo ex-diretor da Polícia Federal, que foi demitido. Tudo isso está inserido no quadro democrático da República.


Saber a lei
A interpretação dos ministros do Supremo que autoriza a investigação das suspeitas é fruto de exaustivo conhecimento da lei, em nome da necessária austeridade. É conhecido o preceito hermenêutico “scire legem, hoc non est, verba eorum tenere, sed vim potestatem” (saber a lei não é apenas ler suas palavras, mas perceber sua força potencial).

 

Trapaças
A presença da salmonela, apontada na investigação da Polícia Federal segue as fraudes denunciadas na operação Carne Fraca. A burla da BRF, escondendo a salmonela pullorum, é mais grave pela falta de sinceridade dos procedimentos do que possa ser o dano direto à saúde pública. A trapaça, por si só, retira o critério da rastreabilidade dos produtos. Isso é grave para todo o contexto de produção do País. Facilmente vira escândalo, no exterior!

 

Rio Grande
O cancelamento da principal obra do Pólo Naval de Rio Grande abala dramaticamente o potencial econômico desta região do estado. A plataforma P-71 atraiu milhares de trabalhadores e investimentos paralelos preconizando cenário otimista para a cidade portuária. A frustração é triste para uma realidade que mostra apenas 80 mil toneladas de sucata. A Petrobas levará tudo para o Espírito Santo.

 

Agricultura
A agricultura vem salvando a economia do Brasil há muito tempo. É fonte mais original de subsistência. Traduz a versão de frutificação do trabalho e resume apreço que merece esforço técnico e cultural. Além de sua influência direta na sustentabilidade alimentar é referência fecunda com as fontes de renda e o meio ambiente. Todo o cuidado com este potencial de riqueza deve ser incentivado, tanto na grande como na agropecuária em escalas menores.

 

Distração
O uso de celular ou fone de ouvido não pode gerar destruição. Além da imprudência de quem dirige é preocupante a distração das pessoas nas travessias das ruas.




Segovia fissurou o metatarso

Quinta-Feira, 01/03/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O delegado geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, precipitou os fatos previsíveis, ansioso por proteger o presidente Temer. Extrapolando sua missão no comando da Polícia Federal, tentou resolver rapidamente o incômodo que vem causando a suspeita de envolvimento de Temer em trama de corrupção. Sua postura estranha alertou os gansos! Sua ousadia apostou na incapacidade do entendimento popular ao apreciar o mais explícito caso de propina protagonizado pelo deputado e assessor intimamente ligado ao presidente, Rocha Loures. Refestelou-se em demasia para agradar o Palácio, dizendo que “uma única mala de dinheiro não seria prova suficiente”. Por isso antecipou seu parecer pelo arquivamento do inquérito no envolvimento de Temer. Isso tudo, após audiência secreta com o presidente. Bastou para que a lépida tentativa de escoimar Michel acendesse os holofotes sobre tudo o que julgava afoitamente digno de arquivamento. Seus colegas estavam ainda inquirindo testemunhas para consolidar prova. Mesmo com o silêncio de alguns barões da imprensa, o assunto ficou mais sério quando o ministro Luís Roberto Barroso agiu rapidamente avocando ao supremo o pedido de explicações a Segovia. Tentou driblar a ética policial, mas foi infeliz na sua sabujice, pisou mal e fraturou o metatarso. A mídia, afinal, percebeu e acabou repercutindo um pouco menos que a lesão de Neymar.

 

Jungmann substitui

Em meio à estranha composição ministerial de Temer, a figura de Raul Jungmann tem sido espécie de exceção, diametralmente oposto ao descalabro de outras nomeações. Exonerou Segovia e levou o nome de Rogério Galloro ao Planalto. A escuderia infiltrada no Lava Jato foi surpreendida e não restou ao presidente alternativa senão aceitar a demissão do comandante da PF, que foi substituído.

 

Alerta
O ministro do Supremo, Luís Alberto Barroso há muito que está atento às manobras incríveis contra a investigação. Autorizou a prorrogação do inquérito com quebra de sigilo e outras providências.

 

Garagem do Jaburu
A procuradora Raquel Dodge resolveu mostrar que não estacionou na garagem palaciana. E encaminhou pedido ao Supremo para incluir Temer na investigação sobre o jantar no Jaburu. Tudo isso é sintomático. Ainda que seja prudente esperar pelas provas, o jantar envolve os ministros Padilha e Moreira, nomes de proa do PMDB, a exemplo de Temer, ainda em 2014. Dodge entende que o dever de investigar não é o mesmo privilégio previsto ao presidente e ministros para julgamento.

 

Jaques Wagner
Enquanto o vulcão de denúncias elucida o desastre do governo do Rio, no PMDB de Sergio Cabral, explode como uma bomba a denúncia de corrupção contra o petista da gema, Jaques Wagner. A sessão de terça no senado foi incisiva pela inocência do ex-governador citado para concorrer pelo PT à presidência.

 

Até os ossos
A investigação persecutória da máfia da prótese que falsificava e superfaturava material de implantes ortopédicos avançou até a lavagem de dinheiro. Esse lucro infame levou o médico Fernando Sanches a esquentar dinheiro em lojas de produtos infantis. A polícia conseguiu bloquear em torno de 20 milhões neste patrimônio espúrio.

 

Superação
Nesta sexta-feira, dia dois de março realiza-se o Seminário da Campanha da Fraternidade, no Colégio Bom Conselho. Será às 19h no auditório deste educandário engajado no tema Fraternidade e Superação da Violência. A campanha destaca o pensamento citado no evangelho de Mateus “vós sois todos irmãos”. As comunidades, além de esperar os efeitos defensivos do estado policial têm capacidade pacificadora na cooperação. Ver o próximo como merecedor de atenção evita ódios que violam a paz cotidiana. Debater esta pauta também é coragem perante o complicado relacionamento humano das diferenças.

 

Sorte e fé
O compositor Renato Teixeira fala sobre a vida, de esforço pessoal e fé. “A fé tem que ser mais forte que a sorte”.

 

Ricordi
O Coral Ricordi D’Itália retomou seus ensaios para mais um ano de música e arte. Está pronto o DVD de 2017.




Manobra presidencial

Quinta-Feira, 22/02/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O candidato do conservadorismo, Jair Bolsonaro, defende medida severa no governo do Rio, de intervenção militar, não o que entende apenas medida paliativa de intervenção federal, na secretaria de Segurança. Sob o ponto de vista republicano democrático, a visão de Bolsonaro e seu séquito delirante vem contra a idéia de solução em regime de liberdade. Numa coisa, no entanto, ele está certo. A necessidade de intervenção no território carioca surge evidente, mas do jeito que se apresenta semelha-se a mais um golpe político. Isso, por que não será dada solução à segurança pública num estado em que as causas de insegurança e crimes brotam nos tronos das mais sagradas instituições. O Exército nas ruas vai fazer a varredura capaz, como se espera. Não tocará, no entanto, num fio de cabelo dos corruptos que continuarão observando a briga das forças federais contra a plebe ignara. As taças dessa bacante nababesca e fria, das corrupções nas licitações, na Assembléia do Rio e até no Tribunal de contas do estado, prosseguem tilintando. Os morros das favelas vão tremer da cabeça aos pés, em poucos dias. Isso até que o presidente Temer anuncie “vitória contra os criminosos”. Os comandantes do tráfico, em seus apartamentos luxuosos voltarão a rir. Esses comandos, mais poderosos que as lideranças das celas dos presídios, permanecem incólumes, como a gang política corrupta. Com isso, o presidente citado com seus acólitos nas malas de dinheiro e milhões ilegais no apartamento de Gedell e em segredos com delatores das empreiteiras nas garagens do Jaburu, transfere toda a pecha aos favelados. Essa é a manobra a ser enfeitada como bandeja social de agenda positiva. Por isso até Bolsonaro, na sua postura soldadesca, percebeu que Temer quer popularidade a todo custo, e quer concorrer a presidente. Deseja sair como salvador e ocupar o proscênio.

 

Bota e tira
Além da confusão jurídica do temerário mandado territorial, que serve apenas para busca e apreensão e não para ato pessoal de prisão (que é personalíssimo), houve outro equívoco. A intervenção federal, uma vez aprovada pelo Congresso, não pode funcionar como instrumento meramente estratégico nas votações congressuais. O presidente que é doutrinador constitucionalista deveria ter previsto isso antes da gafe prenunciada do bota e tira do comando interventor. Sem brinquedo político!

 

Marun
O ministro Carlos Marun não é apenas um comprador de votos. É esperto e evitou constrangimento maior ao reconhecer que a reforma previdenciária terá que esperar, mesmo que necessária.

 

Ano escolar
Diferente de tantas cenas lamentáveis de uma era com ausência de valores, Passo Fundo celebra o início do ano escolar. A rede escolar municipal é tarefa nobilíssima da gestão municipal. Historicamente tivemos bom investimento na educação do município, meta reforçada na administração de Luciano Azevedo.

 

Mãe e criança
O judiciário passa a adotar jurisprudência de proteção infantil nos casos de gestantes presas ou mães que tenham filhos pequenos. A tendência não é privilégio casuístico como o foro privilegiado injustificável dos deputados e senadores. A tolerância da prisão domiciliar é justa em favor da criança inocente que precisa da mãe!

 

Fome, não!
Os povos latinos têm uma história de sofrimento. Os desalojados pela miséria política da Venezuela que chegam ao Brasil por Roraima é situação de calamidade. A dor da fome está acima das fronteiras e das facções políticas. E o Brasil pode melhorar esta acolhida!

 

Emprego
Está sério demais o desemprego no Brasil. A busca de trabalho está mais difícil. Até 2016 a espera era de 12 meses. No último ano é de 14 meses. Os empregados também sofrem. 61% de entrevistados tiveram redução de renda.


Ne toucher pas!

Pessoas que vão à feira comprar verduras, frutas, especialmente a uva, poderiam ter mais modos. Não tocar ou apertar os produtos. Os franceses gritam quando alguém exagera: “Ne toucher pas!” (não tocar!).




Flor da rebeldia na arte da rua

Quinta-Feira, 15/02/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O grito de rebeldia do povo brasileiro ecoou ao som dos tambores nos ritmos atávicos do samba. A passarela do samba transfigurou a dor do abandono dos trabalhadores angustiados com o desemprego e arrocho no custo de vida, num apelo dramático, no maior palco do mundo. O canto sofrido explodiu nas avenidas com a força dos ritmos musicais do samba como derradeiro reduto. A arte expressa em alegorias e movimentos dramáticos mesclou roteiros de pura aflição popular, cansada de recorrer aos foros formais de justiça social. Foram emoções brotando de todas as almas, contra a escalada da exploração e corrupção como instrumento de opressão aos pobres. A cuíca roncou de fome, como já disse João Bosco na recrudescida vilania da recente ditadura, onde sua música foi censurada.

 

Afasia do poder
As manifestações populares contra o governo e o impeachment de Dilma não motivaram suficientemente o Congresso Nacional, que seguiu a batida fúnebre encobrindo crimes, manipulando tudo. O centro de decisões políticas de Brasília colocou panos quentes na revolta popular. As ruas advertiram severamente para a deterioração do poder, muito mais que as paixões partidárias. O parlamento, o governo Temer e o capital gestor, preferiram oficializar a conduta de afasia, e seguiram decidindo tudo pelos interesses opressores. A decepção foi revelando que a corrupção ampla tem proteção absurdamente amarrada à injustiça social. Com a dor de não ser ouvido, o povo recorreu ao meio desgarrado dos cordões de títeres para derramar seu pranto na música evocando força na arte ancestral. Os protestos nos dias de carnaval sacudiram o país!

 

Paraíso da Tuiuti
A grande maioria do povo trabalhador entendeu a atitude missionária da arte popular de respeitável parcela do desfile de rua. “Meu Deus, meu Deus, não leve a mal se eu chorar...”, expressão de um povo assombrado pela escravidão secular, que impactou o pensamento em plena festa. “Ó pátria amada, por onde andarás, porque teus filhos já não agüentam mais...”, ou a Pietá – de Michelangelo, arte soberana da Europa, com a versão negra da mãe com o filho morto no colo. É protesto contra a violência, súplica de mães desesperadas por que estão perdendo seus filhos.

 

O protesto da alma
O sentimento de liberdade é como a fome da alma. A coreografia dos escravos acorrentados, o embalo da batucada, trouxe o rufar dos troncos das selvas africanas. Fez calar modelos fictícios da moderna comunicação. A arte que carrega sempre a alegria, mesmo sufocada, já fora comentada pelos romanos, como revela a crônica do repórter Geral Eliseo (que recebi do amigo Neto Sobrinho): “Ridendo castigat mores” (rindo moralizam-se os costumes.

 

Fora os grilhões
A cena chocante dos figurantes que representaram os antigos escravos, com grilhões e cadeados, emocionou no que a arte tem de mais sublime. No compasso pungente da aflição, foram rompidas as correntes da escravidão exprimindo o desejo de liberdade. O carnaval surpreendeu a todos. Resta saber se o grito por liberdade de espaços para viver dignamente chegará às hostes dos que vivem da injustiça social. Vejam só! O samba das ruas é o grande lamento, num palco feito para alegrias, tornado misto de esperança e crença na retomada dos rumos na relação do poder com o povo da nação.

 

Povo pensa
Se a violência transborda nos quadrantes brasileiros, além do Rio de Janeiro, não adianta recostar cotovelos na janela para observar vizinhos. A Venezuela serve para nos informar que a fome tira a liberdade de pensamento e suscita atitudes individuais ou coletivas imprevisíveis. O Brasil peculiar mostrou que ainda pensa na severa musa da igualdade, e buscou a festa do carnaval para dizer isso.

 

Trabalho
Está difícil pra quem trabalha. Muito mais difícil para quem não encontra trabalho e nada recebe!




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