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Colunistas


Congresso defende Temer

Quinta-Feira, 05/10/2017 às 07:30, por Celestino Meneghini

Do ponto de vista ético moral, teremos mais um momento pífio do Congresso Nacional, com gastos públicos enormes, para presenciarmos a hipocrisia explícita negando o seguimento do processo contra o presidente Temer. É apenas ato formal, destituído de valor representativo da vontade popular. A vergonha no sentido virtuoso exigível de representantes parlamentares será novamente desclassificada pelo caráter incestuoso na falta de isenção no Congresso envolvido nas denúncias de corrupção. Nenhum deputado terá iniciativa de declarar-se impedido por ser acusado. Além dessa artimanha que manipula a lei, restam os danos financeiros que recaem na conta do povo. Não é a democracia a vilã das atrocidades morais. São os titulares do proscênio no julgamento político. E mais, mesmo sendo político, não mereceria ser ultrajado o conceito de consciência política que deveria revestir-se de moral e ética. E já se atribui também, genericamente, a culpa aos eleitores. Isso é terrível. Virgílio advertia “qualescunque sumi viri sunt, talem civitatem habemus” (temos a representação de acordo com o grau de consciência dos cidadãos). É relativo. Não é possível que a grande maioria dos eleitores autorize deputados a empurrar o cisco pra baixo do tapete. Imagina-se que os votos pela autorização ao processo de Temer pelo Supremo sirvam, ao menos, para formalizar advertência à nação. As pessoas de bem querem que corruptos sejam processados. Os deputados podem resolver isso democraticamente, ou deixar a consciência de lado preferindo vantagens inconfessáveis.

Diferenças

Os reflexos da corrupção rebaixam as condições de vida do cidadão do estado roubado. Estima-se que metade desse dinheiro roubado do povo, pelos falsos guardiões, seria suficiente para recuperar a decência nas escolas, na saúde pública e em vários deveres do estado. Sem punição nem resgate do ouro que nos pertence, continua vibrando o vergalho da opressão e miséria para assegurar privilégios.

Asas aos psicopatas

A criminologia explica alguns aspectos sobre a ação deletéria de delinqüentes potenciais ou ativos. São psicopatas que se jactam na iniqüidade, prejudicando ou arrasando vidas inocentes. Esses doentes, portadores de extrema maldade, sem qualquer compaixão com suas vítimas são considerados em graus diferentes, ou (os contidos) pessoas que vencem essa pérfida inclinação. Mas todos eles sabem o que fazem, ferem ou matam. Apenas não sentem nada de afetivo ou de compaixão. Estupram e matam com requinte de crueldade, mas se apresentam hábeis, agradáveis, e até moralistas para seduzirem vítimas.

Esses não têm cura

A rigor é difícil entender nessa gente que tem dinheiro e grande poder, e usa os canais partidários para suas atrocidades de corrupção. A facilidade de enganar pessoas é maior através de funções reservadas aos mais confiáveis. Vejam os métodos empregados pelos psicopatas dos crimes cruentos. Eles agradam mais as vítimas. E fazem isso conscientemente. São inteligentes. Na política acontece também. E os predadores da política partidária, cantam como sereias nos palanques eleitorais, mas são tubarões ferozes no aquário de Brasília. E alguns são criminosos psicopatas, roubam sem piedade e roubarão sempre. Psicopatas não têm cura. Compreendem o caráter criminoso das ações que cometem, mas não se arrependem. Os contumazes corruptos que assolam o país são psicopatas (ditos moderados), que não têm cura!

Brasil Sem Fresta

Ao contrário do que ouvimos neste alvoroço ensurdecedor da desordem cívica partidária, Passo Fundo acende ardentia humanitária inusitada. Já havia falado antes com a empresária Maria Luiza Camozatto, a iniciadora do gesto social Brasil Sem Fresta. A idéia anda rápida e floresce quase do nada, muito mais da vontade solidária do que do dinheiro. As caixinhas de leite, vazias, lavadas, são juntadas para forrar paredes de muitos lares modestos. As voluntárias vêm ampliando o atendimento e já beneficiaram 171 moradias em Passo Fundo. O exemplo é mais que uma citação do quanto podemos, mas um apelo ao que devemos realizar pela comunidade.

 




Coluna Meneghini

Quinta-Feira, 28/09/2017 às 07:30, por Celestino Meneghini

Operação Abafa
Mesmo com o avanço decidido da operação Lava Jato, com investigações, prisões e condenações por crime de corrupção, presenciamos a denúncia de prosseguimento dessas práticas com a conivência palaciana. Vejam, os fatos flagrados, com malas de dinheiro e fortuna em malas no apartamento implicam na acusação aos mais íntimos próceres do governo Temer. É afronta demais às instituições de combate à iniqüidade. Além da mala de Rocha Loures, e o grande maleiro de Geddel, ex-ministro de Temer, uma série de pertinácias agravam a moralidade da presidência peemedebista. A presunção de estar acima do direito, da lei e da honestidade almejada está expressa na ousadia perversa ao delinqüir perante uma mega operação policial. “E existe um povo que a bandeira empresta, prá encobrir tanta infâmia e cobardia”, disse o poetastro libertário. O que acontece neste momento? A fortuna enfurnada descoberta no apartamento não abala o QG da corrupção, pois deve haver muito mais por aí! Começou a operação abafa. A liturgia especiosa da nova titular da Procuradoria, ao lado do réu presidente, ganha ares de véu fúnebre. Haverá nova investida para amenizar a denúncia contra Temer, buscando apoio na ala Gilmar Mendes. Ao mesmo tempo o frenético “argumentum ad crumenan” (argumento com a bolsa, mala, ou suborno) faz o vôo lúgubre sobre o Congresso em ritual espúrio. É a operação abafa! Se a segunda denúncia contra Temer é mais grave, a operação abafa será também mais escancarada. E a vergonha, já era! A operação limpeza corre o risco de parar na primeira fase que atingiu o grupo em torno do PT, sucumbindo no enfrentamento aos atuais ocupantes do poder, de Padilha, Cunha, Geddel e muitos outros sob a égide de Temer.


Conservadorismo
A obra de Juremir Machado da Silva – Raízes do Conservadorismo Brasileiro – é uma ampla análise sobre a escravidão no Brasil. Acabo de ler. Trabalho exaustivo de pesquisa. Textos da evolução na idéia libertadora da nação mostram ações de participantes na luta abolicionista, com lucidez. Em Juremir vê-se o resultado de busca inexcedível de textos no curso de séculos, valorizando registros implacáveis de nossa história. O debate sobre o abolicionismo foi coligido copiosamente, denunciando a iniqüidade secular na escravidão, a maior covardia de elites doentiamente prepotentes, pelo lucro.

Águia de Haia
Ao devassar momentos de tibiez de vários renomados brasileiros, Juremir ressalva a importância e solidez de Rui Barbosa, dissipando dúvidas sobre suas convicções humanitárias. Assim, na maior revolução do Direito Brasileiro, Rui é a figura que confirmou a vida útil de seu excelso conhecimento como Águia de Haia. Ao lado de outros heróis como José do Patrocínio (o Tigre da Abolição), Castro Alves, Joaquim Nabuco e tantos outros, tomou a causa da libertação como responsabilidade e honestidade das Ciências Jurídicas e Sociais. Um sábio com olhos de águia, que subia às alturas e enxergava a miséria de sua sociedade.

Atrocidade fundamentalista
As atrocidades fundamentalistas de uma sociedade deturpada na sua raiz criminosa escravocrata foram alvo de conclusões severas no arrazoado de Juremir. Salientou a mágoa de um relativismo perverso que permeia ainda hoje o desprezo pelos negros e pela pobreza.

Devastação
Como sucede na luta de vários autores, Juremir fez com vigor a denúncia sobre as conseqüências devastadoras da opressão vergonhosa contra as legiões de escravos. Uma delas é a dormência do país causada pelo senhorio que ficou séculos deitado na preguiça, usando a força de trabalho escravo. O negro imolou a vida, força e inteligência, para manter a opulência improdutiva do branco. Este atrasou o país por absurda preguiça. Sobrou uma elite atrofiada.

13 de maio
A obra desvenda generosamente as vertentes da declaração formal da abolição em 13 de maio. A abolição não foi um acaso em 1888. Fui fruto de lutas e vidas humanas.




Derrubando conquistas

Quinta-Feira, 14/09/2017 às 07:00, por Celestino Meneghini

Mais de 200 mil mestrandos e doutorandos atuavam, até o ano passado, no trabalho de pesquisa, no Brasil e outros países. Esse é o exército que defende a ciência e tecnologia, que recém desponta no cotejo com outros centros mundiais do conhecimento. A abrupta redução de recursos financeiros e logísticos (já comentamos sobre isso) aciona automaticamente o alarme. É o desenvolvimento do país em chamas! Os estagiários da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) estão sendo eliminados aos borbotões. Como se sabe, o Brasil acordou há pouco para o mundo da tecnologia. O CNPq foi instituído em 1951. Nossa agropecuária teve um salto imenso e demonstrou que a pesquisa e extensão geram impulso redistributivo, riqueza.

Sem propina

Houve um período em que o crescimento do orçamento para a ciência e tecnologia, a partir de 2003, chegou a oito bilhões, entre 2008 e 2009. A forma de investimento, que é submetida ao crivo permanente de equipes técnicas de alta envergadura e responsabilidade funcional, age como um filtro de transparência. A gestão nas diferentes áreas do conhecimento é mantida aos olhos de pessoas do mais elevado nível de fidelidade à finalidade prospectiva. São cientistas, mestres do saber, imbuídos da missão precípua nas pesquisas. Grande parte deles está cingida a uma remuneração apenas razoável, se formos comparar a outros setores do serviço público nacional, onde proliferam espertezas corporativas. Pesquisa exige enorme doação, que começa com a honestidade. Por isso, a circulação de tais recursos regiamente controlados além de orçamento singelo, não dá margem à propina ou à corrupção deslavada e cruel. Aí começa o desinteresse, que exclui a pesquisa científica da linha prioritária do que deveria ser um dos valores da nação. O orçamento caiu vertiginosamente, a um patamar inferior aos quatro bilhões de reais.

Arrocho errado

As universidades federais, chão das ciências, estão cortando despesas e nem sabem quantas vagas e portas deverão fechar. Laboratórios de pesquisas na agropecuária, que aceleraram a produtividade de alimentos e derivados, aos poucos são arrochados nas estruturas. A indústria de remédios paralisa e a saúde pública é ameaçada pela precariedade de dinheiro necessário ao combate de novas doenças. É muito grave o dano. Somente neste último ano, a queda nesta etapa do ensino aprofundado caiu 40%. Em troca, a tentativa indigesta do governo acena para entrega de especulação da Amazônia, para fazer caixa. Estão entregando também o Pré-Sal, uma das mais promissoras conquistas graças ao trabalho científico brasileiro.

Sem paradas

As grandes obras preferidas nos projetos de gestão, quando paralisadas por qualquer causa, podem ser retomadas logo adiante. A seqüência na pesquisa não pode parar, sem perder seu valor seqüencial de vários anos. Sem o crescimento técnico e científico, pela educação em escalas de acesso, fecham-se as portas das soluções, e espaços ficam a mercê do crime organizado.

Cúpula criminosa

As denúncias viraram processo até condenação a Lula e seus acólitos. Quanto a isso não resta dúvida de que será rigoroso o desenlace. Agora surge acusação contra a denominada cúpula criminosa do PMDB. Os mais íntimos de Temer, Loures, Geddel Vieira de Lima e Eliseu Padilha, além dos denominados “longa manus” (espécie de “mão do gato”), ou segundo escalão do crime organizado das propinas são investigados. E Temer também, diz o Supremo.

Mediocridade gritante

Era de se esperar. Temer pede impedimento de Rodrigo Janot e emite nota para “coibir barbárie de punição sem prova”. Pode o Supremo julgar Janot impedido. O PT é aliado natural de Temer nesta campanha.  Uma coisa é certa: quando alguém realiza algo arrojado e importante, forçosamente terá toda a mediocridade contra!

Retoque:

  • O povo que usa paradas de ônibus na cidade quer conserto das calçadas. Apelo à administração municipal.




Trabalho escravo

Quinta-Feira, 31/08/2017 às 07:00, por Celestino Meneghini

As violações nas relações de trabalho, onde o combate vinha ganhando alguma visibilidade, voltam com as costas quentes pela omissão do governo federal. O trabalho escravo, em propriedades rurais mais distantes e na mineração pelos garimpos, vinha combatido com certos avanços, embora os casos de enfrentamento criminoso por parte de exploradores. Esses casos têm resultado em crimes contra a pessoa e o trabalho, ofendendo conquistas principiológicas. A falta de recursos federais que abala a ordem de fiscalização parece obedecer a um sinal de soberba de fortes grupos de poder no governo. A volta ao desrespeito social ao trabalhador favorece grupos criminosos e significa a volta à escravidão. Por certo, esta nova forma de corrupção, que reduz a repressão ao crime, é caso pensado, e promessa de prêmio em proteção aos abusos. Escravizar o trabalhador é crime gravíssimo que deve ser combatido como todos os crimes cruentos. As instituições legadas ao trabalho estão denunciando redução propositada de recursos e retirada de apoio à fiscalização, para deixar livre a abominável exploração obreira. Isso não á capitalismo, é banditismo!

A devastação

O afrouxamento proposital de uma fiscalização mínima sobre cumprimento das normas de segurança do trabalho e observância ao meio ambiente mostra-se uma conexão urdida no prelibatório entreguista. Ao escancararem-se nossas reservas ambientais ao domínio estrangeiro, emergem negociações indecentes. Há flagrante redução na estrutura do IBAMA, paralelamente às escandalosas vendas de concessões para estrangeiros explorarem nossa mineração.

Sem diálogo

Os decretos de concessões para ocupação de áreas de preservação na Amazônia assustam autoridades e lideranças da militância ambientalista. Temer mostra que sustou o diálogo e acusa categoricamente que setores querem travar o desenvolvimento. Essa pressa alucinada em vender tais concessões sempre causou pânico, e não seria a escassa credibilidade de Temer a mudar o caráter temerário dos planos entreguistas.

Bolsonaro

Ao confirmar a condenação de Jair Bolsonaro, por ofensa pessoal à deputada Maria do Rosário, o STJ repudiou a alegação da defesa que se hospedou no na liberdade de expressão. O direito existe, sim. Mas no caso de Bolsonaro, o direito de livre manifestação não sobrepõe o dever de respeito à pessoa e à mulher. A expressão adotada pelo direito brasileiro é de que ninguém pode alegar a torpeza a seu favor. É o princípio “Nemo auditor propriam turpitudinem allegans” (ninguém pode alegar a seu favor a própria torpeza), oriundo do direito romano.

Nelson Tonello

O pároco da Conceição, padre Nelson Tonello completa 50 anos de sacerdócio. Fui aluno do Tonello, há mais de 50 anos atrás. Observo na sua trajetória uma caminhada de dedicação cristã humanitária. Sua devoção religiosa segue uma prática de luta em atenção a pessoas mais humildes. Teve uma vida de sofrimentos, mas de desprendimento, força que dá autenticidade à vocação sacerdotal. São jubilados também os padres Artêmio Foschiera e Aldino Barth, que sagraram suas vidas à missão fecunda pela comunidade. Parabéns a todos.

Retoques:

A corrupção de agentes políticos e empresários consome o dinheiro dos impostos do cidadão. Para combater esse crime devastador, vemos a assustadora delação premiada como única forma de processar e condenar criminosos. A delação negocia a pena mas cria aflição moral, embora legal, pelo benefício condicionado a mega bandidos. É a forma de implodir o poder corrupto. Aplica-se a estratégia de guerra “dividit et imperat” (divide e terás o comando). Lamentável, mas é o jeito!
É bem possível que a consciência dos brasileiros lembre com saudade da figura de Rodrigo Janot no comando da Procuradoria Geral. Ironizado pelos questionamentos, mantém-se firme.
No momento, aguarda-se a explicação do ministro Gilmar Mendes, sobre os compadrios e possível impedimento nas decisões judiciais. É aviso a Mendes e a quem quer que seja, que não existe ninguém acima da lei.




Anestesia geral

Quinta-Feira, 17/08/2017 às 07:00, por Celestino Meneghini

É intrigante essa apatia geral da sociedade cívica brasileira perante a necessidade urgente de apuração de denúncias graves no centro do poder. Um dos fatores que restou alterado é quanto ao repúdio popular. Com a redução considerável do clima ruidoso na mídia, logo após a condenação de Lula, a impressão repassada aos consumidores da informação é de mera transitoriedade, e reconsideração da ansiedade punitiva. A recente acusação grave contra mais um ministro de Temer, Blairo Maggi, por suposta corrupção, completa uma lista sem precedentes de envolvimento do primeiro escalão do Planalto. Isso, sem contar que o próprio presidente é acusado em grau gravíssimo. As pesquisas apontam queda vertiginosa de prestígio do governo do PMDB, e nada mais. A idéia repassada não é de indignação, uma vez que salienta apenas eventos pontuais de ajuda governamental que se dirigem ao único objetivo de blindar a figura do presidente. Uma coisa é certa: é impossível verificar-se queda de aceitação do governo, que já caiu demais. Esgotou!

Trump e Venezuela

Verdadeiro tormento abala o povo venezuelano com o despotismo de Maduro. A preocupação do presidente Trump, dos Estados Unidos não é novidade. Quer o que sempre quiseram os americanos, ou seja, o petróleo venezuelano. O problema do governo de Caracas é alimento e produtos de subsistência, em meio à inflação dramática. Para nós brasileiros a situação cria mais uma cortina de fumaça e deixamos de enxergar o mostro do desemprego que ruge em nosso quintal.

Maniqueísmo em rede

A truculência pragmática eleitoral ganha ênfase no vazio de opções da própria política partidária. Temos um paredão de culpados onde muitos são arremessados sem prévio julgamento democrático, apenas por uma suposta coloração. Se alguém defende creches públicas, saúde pública, cotas raciais, habitação ou distribuição de terras, cuidado! Lá vêm os maniqueístas dizendo que é comunismo. E essa idiotice coletiva cria um contágio em rede, com enorme expressão nas redes sociais.

Os tetos salariais

Além do desemprego galopante, o desdém pelos programas sociais na redistribuição de renda compromete mais ainda essa fenda em abismo das diferenças. Fala-se no teto salarial das castas do poder, como se isso fosse um ato de caridade aos mais pobres. Esse tom de generosidade para com a grande maioria aflita no país, além de fingido não é factível o suficiente. O direito adquirido de remuneração e vantagens do alto funcionalismo parece ser o único fadado à irredutibilidade. As renúncias fiscais, gratificações e ricas vantagens são cada vez mais intocáveis. Assim não dá!

Raízes conservadoras

Ainda estamos em meio à leitura da obra do jornalista Juremir Machado da Silva, Raízes do Conservadorismo Brasileiro – A Abolição na Imprensa e no Imaginário Social. Temos a sensação de haver encontrado uma fonte preciosa de respostas a várias inquietações que nos afligem em consultas a autores que falam sobre a abolição. Com propriedade, Juremir demonstra claramente que o a lei da abolição, em 13 de maio de 1888 não foi mero ato burocrático assumido por bondosos representantes usineiros ou mandantes da aristocracia. Foi o resultado de ações dos valorosos líderes negros e brancos, alguns sofrendo desterro social e até o sacrifício pessoal, incluindo-se a morte e tortura. A imprensa exerceu papel importante e heróico como se constata na luta de vários jornais da época. A mídia cultivava com muito maior presença a causa da liberdade, ainda que negada por forte aparato publicitário. A Igreja amarga acordos repugnantes com estado escravista. Impressiona a revelação do papel deprimente de José de Alencar, escritor clássico e talentoso, mas de péssima reputação social pelo apego à submissão de escravos em alegações sub-reptícias, como deputado. O 13 de maio marca a maior revolução social da história brasileira, que foi imolação de vidas que produziram riquezas no país. Falaremos mais sobre esta obra. 




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