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Colunistas


70 anos da Catedral

Sábado, 18/01/2020 às 07:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No dia 20 de janeiro de 1950 foi criada a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. No ano seguinte, em 22 de julho de 1951 foi instalada a Diocese de Passo Fundo e a igreja Nossa Senhora Aparecida tornou-se a Catedral da nova diocese. A partir desta data, a história da Paróquia da Catedral passa a confundir-se com a história da diocese. O que é uma Catedral?
O cerimonial dos Bispos define assim a igreja catedral: “É aquela em que está a cátedra do Bispo, sinal do magistério e do poder do pastor da Igreja particular, bem como sinal da unidade dos crentes naquela fé que o Bispo anuncia como pastor do rebanho. (...) Depois, deve considerar-se como imagem figurativa da Igreja visível de Cristo (...). Neste sentido, a igreja catedral deve ser considerada como o centro da vida litúrgica da diocese”. 


A palavra catedral deriva da palavra latina cathedra, isto é cadeira. Neste sentido a catedral é a sede, o centro da diocese a partir do qual o bispo exerce seu ministério. O primeiro ministério do bispo é o magistério, é a pregação da Palavra de Deus. Recorda o que Jesus Cristo fazia prioritariamente que era de ensinar. As pessoas aderem a Jesus Cristo, são despertadas e amadurecidas na fé e depois se vinculam à Igreja porque foram ensinadas. Uma fé autêntica fundamenta-se no uso da razão e na compreensão do que se crê. Diante desta responsabilidade que o bispo tem de ensinar, explicar e aprofundar a fé existe uma tradição antiga na Igreja que só o bispo pode sentar-se na cátedra da catedral. Ficando evidente, deste modo, a missão de presidir a diocese.
A catedral também é o lugar a partir da qual o bispo exerce a missão de santificar o Povo de Deus através das celebrações litúrgicas, especialmente da Sagrada Eucaristia. Numa única celebração eucarística presidida pelo bispo, ao redor do único altar, o bispo, os presbíteros e os fiéis se reúnem para prestar culto e glória a Deus, como também santificarem-se com as graças sacramentais.


Uma liturgia anual que destaca esta dimensão é a Missa Crismal celebrada na quinta-feira santa que é “uma das principais manifestações da plenitude do sacerdócio do Bispo e um sinal da íntima união dos presbíteros com ele. Ao longo desta celebração, juntamente com o óleo dos enfermos e o óleo dos catecúmenos, é consagrado o santo crisma, sinal sacramental de salvação e vida perfeita para todos os que renascem pela água e pelo Espírito Santo”.


A catedral se “constitui de certo modo a Igreja-mãe e o centro de convergência da Igreja particular”. A Arquidiocese de Passo Fundo abrange uma área de 47 municípios, nos quais temos a presença de 53 paróquias e cada uma delas é subdividida em comunidades que somam 865. Para todos os católicos que residem nesta área e nestas paróquias o centro de convergência é a catedral.
A catedral se torna um símbolo visível da unidade da Igreja que é uma das características fundamentais da Igreja Católica. A unidade faz parte da identidade católica e nasce da fé no Deus uno e trino. Portanto, não se trata de uma questão organizativa, mas a organização é decorrente de um fundamento de fé. Numa Igreja com uma grande variedade de dons, carismas e organizações a unidade não acontece automaticamente, mas ela deve ser desejada, estimulada e construída. A catedral é um lugar que convida para a unidade, por isso, os fiéis são convidados a terem uma grande estima e consideração por ela.


Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo
17 de janeiro de 2020




Gratidão

Sábado, 28/12/2019 às 07:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No final do ano se concentram, em poucos dias, muitas datas significativas gerando muitos eventos. Os cristãos são convidados a viverem o mistério do Natal intensificando a vivência litúrgica e religiosa. Celebrarem, de forma simples e solene, o nascimento de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador e direcionarem as atenções a este acontecimento histórico que dá sentido as outras tradições dele decorrentes.
Também é o final do ano escolar, civil, contábil .... gerando formaturas, festas, amigos secretos, balanços, planejamentos, férias, viagens .... Cada um chega neste período conforme foi o ano: mais cansado, estressado, outros aliviados, outros decepcionados, outros tristes, outros com energia para fazer festas... Temos que admitir que é preciso muita sabedoria para administrar e vivenciar bem este período.
Terminando o ano quantas vezes se escuta dizer que “mais um ano se passou e como passou rápido”. Esta simples constatação é salutar e provocativa. Desencadeia um processo e alerta que os dias não podem ser vividos de forma rotineira, automatizada. Este modo de viver pode passar uma falsa sensação que tudo vai muito bem, tudo está sólido, tudo está sob controle, mas, talvez, não seja esta a realidade.
Chama atenção que nos evangelhos Jesus, muitas vezes, alerta sobre a vigilância, estar prevenido, rever o dia a dia, enfim que a pessoa viva conscientemente e se dando conta do onde está e do que está acontecendo com ela. É uma atitude sábia e necessária avaliar o ano que passou. Tomar coragem de recolher-se num ambiente favorável, com tempo suficientemente longo para permitir a recordação da vida. É um exercício a ser feito de modo individual, mas também com a família, com os colegas de trabalho, com os amigos e outros.
Olhar com gratidão o ano que passou. Reconhecer os benefícios recebidos e alegrar-se com o que aconteceu. Vivemos e realizamos as nossas atividades com os outros e para os outros. Para vivermos precisamos dos outros com suas qualidades e capacidades humanas e profissionais. Estas pessoas merecem o reconhecimento e a gratidão, a começar pela simples presença passando pela colaboração nos trabalhos.
Reconhecer e agradecer as bênçãos de Deus que se manifestam de múltiplas formas. Em primeiro lugar, a mãe terra que nos acolheu que nos encanta com sua beleza de seres, cores e oferece todos os meios para conservar a vida. Agradecer aos sábios ensinamentos dos textos sagrados que constantemente educam, iluminam o caminho e consolam. Agradecer a Igreja ou comunidade religiosa que se reúne para cultivar laços de fé e obras de caridade.
Na avaliação certamente aparecerão fatos, pensamentos, palavras e ações realizadas que fizeram mal a nós próprios, ao próximo, à sociedade e à natureza. Assumir e confessar os erros e pecados revela maturidade e desejo de aperfeiçoamento, como também é um apelo de compreensão e de perdão das pessoas ofendidas.
É um tempo favorável para projetar o ano, rever ou propor novas prioridades, sejam elas pessoais ou familiares. Penso que também não pode faltar espaço para sonhar com toda a humanidade. Quais são as grandes mudanças que devem ocorrer e como efetivamente vou colaborar para que elas se tornem realidade? Tirar tempo para fazer serviços voluntários como sinal de doação, desprendimento e que permitem estabelecer novos laços de solidariedade.
Um abençoado ano de 2020!

 




Presépio: um sinal admirável (2ª parte)

Sábado, 21/12/2019 às 07:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O presente texto continua apresentando partes da carta apostólica do Papa Francisco “Admirabiles Signum”, de 1º/12/2019, sobre o significado e valor do presépio. “Armar o Presépio em nossas casas ajuda-nos a reviver a história sucedida em Belém. Naturalmente os Evangelhos continuam a ser a fonte, que nos permite conhecer e meditar aquele Acontecimento; mas, a sua representação ajuda a imaginar as várias cenas, estimula os afetos, convida a sentir-nos envolvidos na história da salvação, contemporâneos daquele evento que se torna vivo e atual nos mais variados contextos históricos e culturais. (...) O Presépio é um convite a «sentir», a «tocar» a pobreza que escolheu, para Si mesmo, o Filho de Deus na sua encarnação, tornando-se assim, implicitamente, um apelo para O seguirmos pelo caminho da humildade, da pobreza, do despojamento, que parte da manjedoura de Belém e leva até à Cruz, e um apelo ainda a encontrá-Lo e servi-Lo, com misericórdia, nos irmãos e irmãs mais necessitados” (cf. Mt 25,31-46).
O Papa comenta os elementos do presépio e seus significados. “Em primeiro lugar, representamos o céu estrelado na escuridão e no silêncio da noite”. Na vida se experimenta noites escuras e abandono. Aparecem as perguntas existenciais. “Quem sou eu? Donde venho? Por que nasci neste tempo? Por que amo? Por que sofro? Por que hei de morrer? Foi para dar uma resposta a estas questões que Deus Se fez homem. A sua proximidade traz luz onde há escuridão, e ilumina a quantos atravessam as trevas do sofrimento (cf. Lc 1,79)”.
“Uma grande emoção se deveria apoderar de nós, ao colocarmos no Presépio as montanhas, os riachos, as ovelhas e os pastores! Pois assim lembramos, como preanunciaram os profetas, que toda a criação participa na festa da vinda do Messias. Os anjos e a estrela-cometa são o sinal de que também nós somos chamados a pôr-nos a caminho para ir até à gruta adorar o Senhor”.
“O Presépio leva-nos à gruta, onde encontramos as figuras de Maria e de José. Maria é uma mãe que contempla o seu Menino e O mostra a quantos vêm visitá-Lo. (...) O coração do Presépio começa a palpitar, quando colocamos lá, no Natal, a figura do Menino Jesus. Assim Se nos apresenta Deus, num menino, para fazer-Se acolher nos nossos braços. Naquela fragilidade, esconde o seu poder que tudo cria e transforma. Parece impossível, mas é assim: em Jesus, Deus foi criança e, nesta condição, quis revelar a grandeza do seu amor, que se manifesta num sorriso e em suas mãos estendidas para quem quer que seja. O nascimento duma criança suscita alegria e encanto, porque nos coloca perante o grande mistério da vida.
Na “festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles sábios e ricos senhores (...) puseram-se a caminho rumo a Belém para conhecer Jesus e oferecer-Lhe presentes: (...) o ouro honra a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade; a mirra, a sua humanidade sagrada que experimentará a morte e a sepultura”.
“Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de ser evangelizador. Cada um torna-se portador da Boa-Nova para as pessoas que encontra, testemunhando a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor. (...) Queridos irmãos e irmãs, o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé. (...) o nosso «obrigado» a Deus, que tudo quis partilhar conosco para nunca nos deixar sozinhos”.

 




Presépio: um sinal admirável

Sábado, 14/12/2019 às 07:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No dia 1º de dezembro de 2019, o Papa Francisco escreveu a carta apostólica “Admirabiles Signum” sobre o significado e valor do presépio. É uma bela carta dirigida a comunidade católica e todas as pessoas que desejarem compreender melhor o sinal admirável do presépio. Uma tradição que está chegando aos 800 anos e que necessita constantemente ser renovada para ser um sinal lúcido que indique para Jesus Cristo. Nesta semana e na próxima vou compartilhar parte da carta e recomendo a leitura na sua íntegra.
“O Sinal Admirável do Presépio, muito amado pelo povo cristão, não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Representar o acontecimento da natividade de Jesus equivale a anunciar, com simplicidade e alegria, o mistério da encarnação do Filho de Deus. De facto, o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo em que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele.
Com esta Carta, quero apoiar a tradição bonita das nossas famílias prepararem o Presépio, nos dias que antecedem o Natal, e também o costume de o armarem nos lugares de trabalho, nas escolas, nos hospitais, nos estabelecimentos prisionais, nas praças… (...) Almejo que esta prática nunca desapareça; mais, espero que a mesma, onde porventura tenha caído em desuso, se possa redescobrir e revitalizar”.
Na origem do presépio está o que foi descrito pelo evangelista Lucas: “Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (2,7). “Jesus é colocado numa manjedoura, que, em latim, se diz praesepium, donde vem a nossa palavra presépio”. É colocado no lugar onde os animais vão comer. Dando sua interpretação Santo Agostinho escreveu: “deitado numa manjedoura, torna-se nosso alimento”.
Depois o papa Francisco descreve como foi à origem do atual presépio que remonta a São Francisco de Assis. O livro “As Fontes Franciscanas narram, de forma detalhada, o que aconteceu em Greccio. Quinze dias antes do Natal, Francisco chamou João, um homem daquela terra, para lhe pedir que o ajudasse a concretizar um desejo: «Quero representar o Menino nascido em Belém, para de algum modo ver com os olhos do corpo os incômodos que Ele padeceu pela falta das coisas necessárias a um recém-nascido, tendo sido reclinado na palha duma manjedoura, entre o boi e o burro». No dia 25 de dezembro de 1223 muitos frades e moradores da região foram ao local, trazendo flores e tochas. Francisco encontrou a manjedoura como havia pedido, com palha, o boi e o burro. Naquela ocasião “não havia figuras: o Presépio foi formado e vivido pelos que estavam presentes”.
O papa afirma que “com a simplicidade daquele sinal, São Francisco realizou uma grande obra de evangelização. (...) Por que motivo suscita o Presépio tanto enlevo e nos comove? Antes de mais nada, porque manifesta a ternura de Deus. Ele, o Criador do universo, abaixa-Se até à nossa pequenez. O dom da vida, sempre misterioso para nós, fascina-nos ainda mais ao vermos que Aquele que nasceu de Maria é a fonte e o sustento de toda a vida.”




Símbolos do Natal

Sábado, 07/12/2019 às 07:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A origem da palavra “símbolo” nos ajuda a penetrar no seu sentido mais profundo. São duas palavras syn=mesmo, igual, idêntico + ballo=ação, movimento. Trata-se, então, da realidade (pessoa, objeto, ação, rito ...) que une, liga, identifica. Portanto, o símbolo não é uma coisa ou objeto pronto e acabado mas supõe sempre uma relação a ser criada, uma ponte a ser construída. Ele é composto por dois elementos: visível e invisível, significante e significado, mas sempre relacionados, entrelaçados, completando-se mutuamente.
Devido a grandeza do Natal foram surgindo na história, através das liturgias cristãs ou através de tradições espontâneas, vários símbolos que preparam o ambiente. Estes ressaltam, a seu modo, algum aspecto do mistério natalino fazendo com que o fato do histórico do Natal esteja ligado ao tempo presente. Eles ajudam a estabelecer pontes e comunicar o mistério do Natal. Saint Exupéry, no Pequeno Príncipe, escreveu que “o essencial é invisível aos olhos” e o símbolo sempre leva ao essencial.
A Coroa do Advento tem como elementos principais o verde e a luz. Trata-se de uma coroa, em geral feita de ramos verdes, enfeitada com quatro velas, envolta de uma fita vermelha. As velas são progressivamente acesas nos quatro domingos do tempo litúrgico do Advento. Em muitos ambientes é colocada nas portas e com isto não é possível colocar as velas. Universalmente a coroa simboliza o triunfo e a recompensa pela vitória conquistada. O círculo quer simbolizar o tempo, desde a criação do mundo até o fim dos tempos. As velas, isto é, a luz do mundo vai iluminando sucessivamente esse tempo da história. O tempo da criação, a 1ª vela; a ação libertadora de Deus na história do povo de Deus no Antigo Testamento, na 2ª vela; o aparecimento do próprio Deus na história em Jesus Cristo, na 3ª vela; e Jesus Cristo presente no hoje da história da Igreja e da humanidade até o fim dos tempos, na 4ª vela.
A coroa do Advento também simboliza as alianças de Deus com a humanidade e da humanidade com Deus. Nas escrituras são apresentadas várias alianças: com Noé, com Abraão, com Moisés no Sinai e por fim através Jesus Cristo é feita a nova e eterna aliança e que hoje se renova. Recordando essas alianças do passado, a comunidade vai preparando sua aliança a ser renovada no santo Natal. A fita vermelha que vai envolvendo a coroa lembra estas alianças. As alianças se realizam pelo sangue, expressão de amor até a morte, como foi a aliança definitiva em Cristo Jesus.
A Árvore de Natal, geralmente da família das cuneiformes, é uma das poucas árvores que conservam o verde nos invernos mais rigorosos. É a árvore da vida e da felicidade. Torna-se fácil descobrir nela a árvore da vida do paraíso. Representa também a árvore da qual foi feita a cruz que Jesus carregou ao calvário. Não podemos separar o Natal e a Páscoa por serem complementares. O verde que não se desfaz representa a presença de Deus na história da humanidade suscitando a esperança. A esperança salva por provocar o movimento e a busca de saídas para uma situação melhor.
A vela acesa está muito presente nas celebrações do Natal. Mesmo que existam tantas outras formas de luz nas decorações natalinas, a vela acesa não é luz artificial e cria um ambiente de intimidade e de confraternização. Cristo é a luz do mundo.
A estrela guiou os magos ao encontro do recém-nascido. A celebração do Natal é estrela que mostra o caminho para encontrar Jesus Cristo, adorá-lo e deixar-se iluminar por Ele.

 






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