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Colunistas


Sabedoria

Sábado, 22/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Existem muitas lendas, parábolas, ensinamentos que falam de sabedoria. Quem tem este dom é denominado sábio. Em geral estas pessoas são caracterizadas como idosos, serenos, introspectivos, moderados e sóbrios no falar, afastados da agitação do cotidiano e ao mesmo tempo muito cientes dos dramas existenciais e sociais, respondem de forma indireta obrigando a pessoa a colaborar na busca da resposta. 

 

Na Bíblia, existe um livro denominado “Sabedoria” que neste mês de setembro é objeto de estudo na Igreja. Além deste livro existem muitos outros textos bíblicos redigidos em linguagem sapiencial abrindo espaço um amplo estudo, pesquisa e múltiplas orientações vivenciais. Também não aparece uma definição unívoca, uma vez que fala de decisões para a vida e o cotidiano não se apresenta monocromático e nem rotineiro.


“A sabedoria é um espírito amigo do ser humano” (Sb 1,6). A característica fundamental e primeira da sabedoria é ela ser a “arte do discernimento para fazer aparecer o que favorece a vida ou, ao contrário, o que leva a morte”. Neste sentido, na arte da sabedoria conta a experiência pessoal, a comunhão com as pessoas do passado, a interpretação dos fatos ocorridos e a partir daí nascem lições para orientar as escolhas e o comportamento.


A sabedoria bíblica também tem outros aspectos. Reflete a sabedoria real necessária para quem governa. Governar exige discernimento para escolher o bem comum e executá-lo depois. O rei e seus conselheiros necessitam estar em harmonia com a sabedoria divina não podendo centra-se sobre si próprios, mas no bem de quem governam. Ser sábio é ter o “temor de Deus”. A fonte da vida e do sucesso deveria ser procurada na fidelidade aos mandamentos de Deus que são sábios caminho de vida. A sabedoria reflete os temas existenciais da vida: a morte, a imortalidade, o sofrimento e o sentido da vida. A sabedoria é um dom de Deus que transforma o coração do homem, e ao mesmo tempo, uma qualidade humana adquirida por meio do aprendizado.


A sabedoria se desenvolve com o trabalho da razão, da inteligência e dos dados das ciências. Reexamina ideias aceitas, slogans, provérbios e máximas do senso comum relacionando-os com as mudanças históricas. Ao fazer este processo ajuda a corrigir visões de mundo e análises de comportamento. Por outro lado, a sabedoria também faz ver os limites do saber humano e previne contra o perigo de confiar unicamente na inteligência e na racionalidade.


Sim, a sabedoria é um dom individual recebido gratuitamente e amadurecido com a vivência, o estudo e o esforço. Também é um desafio comunitário, isto é, formar uma comunidade ou um povo sábio. Não pode ser tratado como um privilégio de alguns, mas uma responsabilidade de cada um. Começa com a educação dos pais, a seguir agrega-se a escola que ensina a viver bem e feliz, além de outros meios coletivos. Uma comunidade é rica de sabedoria quando o bem do próximo está em primeiro lugar nas suas escolhas e relações, isto é, não exclui ninguém, não rejeita ninguém e não julga e nem mede somente pelas aparências, mas pela verdade. Uma comunidade sábia contagia vida.


E para concluir, um texto do livro dos Provérbios 6, 16-19: “Seis coisas detesta o Senhor e uma sétima sua alma abomina: olhos empinados, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projetos perversos, pés velozes para correrem ao mal, testemunha falsa, proferindo mentiras, e quem semeia discórdia entre irmãos”.




“Felizes os que promovem a PAZ, porque serão chamados FILHOS DE DEUS” (Mt 5,9)

Sábado, 15/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A história da humanidade não pode ser contada sem considerar as múltiplas formas de violência, oriundas das mais variadas pessoas, instituições e justificadas pelos mais diferentes argumentos. Sem desconsiderar o passado, o tempo presente, em particular o Brasil, tem fatos de violência, física ou verbal, suficientes para deixar a todos muito preocupados e desafiados a superar todas as formas de violência.


Escandalizar-se, repudiar, comentar e noticiar amplamente qualquer atentado contra a vida de qualquer pessoa, condição social, idade é muito importante, porém insuficiente. O remédio que Jesus propôs foi promover a paz. Apostou na metodologia de ensinar confiando na capacidade humana de aprender, de assimilar valores e de um estilo de vida pacífico. Olhando a história da humanidade percebe-se muitos avanços desde o tempo de Jesus em relação ao tema da violência. A geração presente é desafiada a dar mais passos.


O evangelista Mateus, após registrar a máxima de que promover a paz traz felicidade, bem-aventurança, qualidade de vida, registra que Jesus comenta leis importantes bem conhecidas dos ouvintes. “Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não cometerás homicídio! Quem cometer homicídio deverá responder no tribunal’. Ora, eu vos digo: todo aquele que tratar seu irmão com raiva deverá responder no tribunal; quem disser ao seu irmão ‘imbecil’ deverá responder perante o sinédrio; quem chamar seu irmão de ‘louco’ poderá ser condenado ao fogo do inferno”. (Mt 5,21-22).


Neste ensinamento, Jesus afirma que a origem de muitas violências está na palavra. Ela tem uma força que não pode ser subestimada, pois tem um incrível poder criador ou destruidor. Antes da violência física, normalmente, vem a agressão verbal. Chamar alguém de imbecil ou louco, ou qualquer outro adjetivo pejorativo é matar moralmente, é desqualificar, é tirar a dignidade, é provocar reações violentas. É muito interessante que Jesus trata o homicida físico e o homicida verbal da mesma maneira. Ambos devem ser apresentados ao tribunal e a condenação deve ser equiparada.


Até o advento dos atuais meios de comunicação e das redes sociais as palavras ditas, normalmente, ficavam num ambiente muito restrito. Agora, palavras ditas ao pé do ouvido são possíveis de serem ouvidas, em poucos minutos, no mundo inteiro. É um ambiente maravilhoso e macabro. O seu incalculável e incontrolável potencial fascina e assusta podendo gerar alegria, solidariedade ou alimentando ódio, raiva. Se já era grande a influência dos líderes, dos comunicadores, dos donos dos meios de comunicação, com o advento das novas tecnologias a responsabilidade aumentou ainda mais. Tudo o que for insistentemente repetido direcionará os pensamentos e as ações. Normalmente, a notícia de um fato de violência vem acompanhado de comentários, interpretações que vai direcionar o posicionamento dos receptores.


Os filhos de Deus são os promotores da vida e da paz e não os violentos. O critério para dirimir qualquer dúvida sobre a vontade de Deus a este respeito é observar atentamente as ações e palavras de Jesus Cristo. No séc. II o bispo Santo Irineu escrevia: “O esplendor de Deus dá a vida. Consequentemente, os que veem a Deus recebem vida ..., Participar de Deus consiste em vê-lo e gozar da sua bondade. Por conseguinte, os homens hão de ver a Deus para poderem viver. Por esta visão tornam-se imortais e se elevam até ele... Pois a glória de Deus é o homem vivo, e a vida do homem é a visão de Deus”.




O Brasil que ajudo a construir

Sábado, 08/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Passada a Semana da Pátria aproxima-se, no Rio Grande do Sul, a Semana Farroupilha. Os líderes e outras pessoas envolvidas naqueles acontecimentos, certamente, sonharam e tinham perspectivas de profundas mudanças para melhorar vida da população. Ainda mais que se tratava de implantar um novo modelo de governo. Claro, não se vive só do passado recordando e cantando aqueles feitos, porém eles não podem ser esquecidos, perdidos e nem relativizados. Também, o desenvolvimento histórico não é só ascendente e nem isento de crises. Chegamos ao momento presente no qual os atuais cidadãos assumem a responsabilidade de construírem o Brasil e o Estado. Tarefa que não pode ser simplesmente delegada para alguns.


A Doutrina Social da Igreja tem entre seus ensinamentos o princípio da subsidiariedade. “É impossível promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da família, dos grupos, das associações, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas expressões agregativas de tipo econômico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, político, às quais as pessoas dão vida espontaneamente e que lhes tornam possível em efetivo crescimento social” (Compêndio da DSI, nº 185). Do Estado se espera uma atitude em sentido positivo que se expressa em ajuda econômica, institucional, legislativa oferecida às entidades sociais menores e outra de implicações negativas, que impõem ao Estado abster-se de tudo o que venha a restringir o espaço vital das células menores e essenciais da sociedade.


Outra forma fundamental de ajudar a construir a pátria é a participação do cidadão para contribuir na vida cultural, econômica, política e social da comunidade a que pertence. A participação pode ser individual ou de forma associativa. A participação é um dever a ser conscientemente exercido por todos, de modo responsável em vista do bem comum. Deve ser favorecida a participação das pessoas mais marginalizadas e com menos poder de influência. A alternância dos representantes das formas associativas evita que se instaurem privilégios para estes representantes.


Uma forma muito importante de participação é o voto que exige dos votantes um grande processo de discernimento para fazer a melhor escolha possível. As próximas eleições desafiam os cidadãos a dedicarem um bom tempo para escolher em quem e como votar para Presidente, Senador, Deputado Federal, Governador e Deputado Estadual. É indispensável fazer uma leitura da realidade; saber distinguir as funções e competências de cada função; fazer o discernimento sobre os candidatos: postura ética, propostas, a competência.


“Voto não tem preço, mas tem consequências” é um ditado que vai se afirmando. Cada eleitor ao votar em alguém, ou votar em branco ou anular o voto está revelando o que pensa, como está colaborando com o país, quais as mudanças que aponta como necessárias. Qualquer alternativa diante da urna é uma tomada de posição que cada cidadão deve assumir responsavelmente diante do país. Nos regimes democráticos a participação é a garantia da permanência da própria democracia, pois o povo atribui aos representantes poderes e funções a serem exercidos em seu nome, por sua conta e em seu favor. O poder dos cidadãos é delegado e, por isso, a legitimidade legal e moral do exercício de quem exerce o poder requer a presença, a escuta e o envolvimento de quem o delegou.




Semana da Pátria

Sábado, 01/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A Semana da Pátria é uma oportunidade para olhar para o passado. É necessário recordar, estudar e aprofundar a história para compreender o presente e para projetar o futuro. Os cidadãos brasileiros são fruto de uma multiplicidade de origens étnicas e culturais, de nativos e imigrantes. Isto gerou um país de múltiplas faces, com elementos positivos e também muitos conflitos, muitos deles ainda não resolvidos. Este processo de formação da pátria brasileira foi relativamente rápido e continua acontecendo com a chegada diária de imigrantes.


A história de um país não se resume a alguns personagens e a alguns fatos coletados nos livros. É verdade que alguns acontecimentos são mais decisivos e envolvem pessoas que exerciam funções de liderança, mas não podem ser esquecidos os cidadãos anônimos e as comunidades locais ou municipais que contribuíram decisivamente. A valorização do local situa o cidadão dentro do país. Aquela parte faz parte do todo e o todo só existe por causa das partes. Valorizar o local é colocar os pés no chão.
Qual é a situação da nossa pátria no presente? Por que o Brasil está assim? De quem é a responsabilidade? Vive-se neste contexto real. Fazer uma análise de conjuntura que seja verdadeira e objetiva é uma tarefa extremamente desafiadora. Cada cidadão tem seu ponto de vista a partir do qual olha, julga e projeta o país. Mas, permanecer no próprio ponto de vista e não se abrir a outros pontos de vista fixa a pessoa numa visão restrita da realidade.


Temos que admitir que a situação do Brasil poderia e deveria ser muito melhor considerando a nossa história, os recursos culturais, naturais, econômicos, etc. Entre os maiores problemas existentes podem ser citados: a marginalização de uma multidão de brasileiros; a injusta desigualdade social; as diversas formas de violência; um deficiente sistema educacional; o limitado acesso à saúde; a manutenção legal de um pequeno grupo de privilegiados; a falta de reformas em estruturas que há muito tempo necessitam ser revistas.


Uma leitura adequada da realidade presente permite projetar o melhor possível para o amanhã. A quantidade de problemas a serem enfrentados não tem solução fácil, imediata, como também os recursos existentes são limitados. O ensinamento social da Igreja tem alguns princípios para a construção da sociedade. O primeiro e fundamental princípio que agrega todos os outros é “a dignidade da pessoa humana”. A pessoa humana é o centro e a finalidade de toda estrutura estatal, da política e da economia. Nenhuma pessoa pode ser instrumentalizada e nem ser diminuída em sua dignidade.


Da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas derivam os outros princípios: bem comum, destinação universal dos bens, subsidiariedade, participação, solidariedade, caridade e os valores fundamentais da vida social: verdade, liberdade e justiça. Como existem diferentes leituras da realidade, assim também existem diferentes propostas de construção do país. Os princípios servem de norte para os planos a serem definidos, como também critério de avaliação da qualidade das propostas.


Informações verdadeiras sobre o país, como valor fundamental da vida social, é um direito de todos os cidadãos, mesmo que não sejam agradáveis de serem admitidas, porém são o começo da construção do futuro. Foi decepcionante ler a manchete numa coluna de jornal: “Candidato que falar toda verdade não se elege”. Tomara que não seja verdade.




Obrigado, catequistas

Sábado, 25/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O ser humano tem múltiplas necessidades e necessita de muitas pessoas com variados dons e competências para responder a estas carências. Do mesmo modo a Igreja se entende como Povo de Deus. Um povo ordenado que necessita de muitas pessoas com diferentes dons e carismas e que exerçam ministérios diferentes para que ela realize a sua missão e ajude os seus membros. As comunidades cristãs se movimentam, vivem, se renovam e realizam sua missão com a colaboração de milhares de voluntários. Pessoas que se sentem convidadas por Deus e pelas necessidades da comunidade a prestarem um serviço. Sabem que sua vida é missão e respondem ao chamado recebido.


No último domingo do mês de agosto, a Igreja Católica fala, reza, convida e agradece estes serviços prestados pelos leigos nas comunidades. Entre tantos ministérios quero destacar os catequistas. São milhares, das mais diferentes idades, condições sociais, formação acadêmica e profissional. Estão presentes em todas as comunidades com qualificação muito variada. As deficiências da formação são supridas pela dedicação e o amor que tem pelos catequizandos.


A palavra catequista tem a sua origem no verbo ecoar. Por isso, catequizar é fazer ecoar no catequizando uma notícia que já foi anunciada e que agora está chegando aos ouvidos daquela criança, ou jovem ou adulto. A notícia a ser anunciada é Jesus Cristo. “Deus nos ama, mas nosso pecado nos impede de acolher este amor, por isso ele enviou seu Filho Jesus Cristo que morreu na cruz e ressuscitou e assim nos salvou. Jesus Cristo é a nossa vida, nossa alegria: Ele é tudo para nós. O que Jesus fez por mim, pode fazer por você também.


O ser humano é um ser aberto à transcendência, ao religioso. Faz perguntas sobre a origem, o sentido da vida e a eternidade. A catequese se torna um espaço propício para refletir sobre estas perguntas existenciais que começam a incomodar desde a tenra idade. Perguntas que necessitam serem levadas a sério por fazerem parte da formação integral do ser humano.


A catequese levanta muitos assuntos do cotidiano e não poderia ser diferente. Os ensinamentos de Jesus Cristo destinam-se a ensinar a relacionar-se com Deus e com a pessoas. Propõem um modo de bem viver, de se relacionar, de superar as tensões. Quando é refletido o tema do perdão vem à tona os conflitos existentes no ambiente escolar e familiar muitas vezes acompanhados de violência física. Os catequistas nesta hora ocupam um papel importante ouvindo as dores dos catequizandos, o relato dos conflitos, administrando a agressividade, procurando diminuir as tensões e apaziguando os conflitos. Os catequistas se aliam aos pais e professores na educação.


A catequese para alcançar seus objetivos organiza e sistematiza os ensinamentos da religião; como também necessita de pedagogia adequada, tempo e periodicidade. São muitos dias e horas de dedicação. Isto exige compromisso, fidelidade e um grande amor pelos catequizandos. “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (Documento de Aparecida nº 29). É esta convicção e alegria que move os catequistas.


A todas as (os) catequistas o nosso profundo reconhecimento e gratidão. Que Deus lhes conceda uma vida feliz e abençoada.




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