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Colunistas


Declaração Universal dos Direitos Humanos

Sábado, 15/12/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, feita há 70 anos, é, sem sombra de dúvida, um dos fatos mais relevantes da história para responder de modo eficaz às exigências da dignidade humana. Declarar conjuntamente os direitos fundamentais dos seres humanos não fere a autonomia dos países, das convicções religiosas, dos costumes locais, das visões de mundo e de homem. É reconhecer, sim, que a dignidade humana é o ponto convergente. A Igreja Católica, no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, nos parágrafos 152 a 159, apresenta de forma sintética o seu posicionamento sobre o tema.


São João Paulo II num discurso à Assembleia das Nações Unidas, em 1979, definiu a Declaração como “uma pedra miliária no caminho do progresso moral da humanidade” e por ocasião dos 50 anos da mesma afirmou: “permanece uma das mais altas expressões da consciência humana do nosso tempo”. Em meio às contradições e violações que persistem a Declaração é um referencial indiscutível, que existem avanços e que não se pode retroceder.


“A raiz dos direitos do homem, com efeito, há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano. Tal dignidade, conatural à vida humana e igual em cada pessoa, se apreende antes de tudo com a razão”. (nº 153) Para o cristianismo, esta dignidade natural se mostra ainda mais sólida à luz sobrenatural. Jesus Cristo assumindo a condição humana, o mistério da encarnação, celebrado no Natal, revela ainda mais a dignidade e a grandeza das criaturas humanas.


“A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio homem e em Deus seu Criador. Tais direitos são ‘universais, invioláveis e inalienáveis’. Universais, porque estão presentes em todos os seres humanos, sem exceção alguma de tempo, de lugar e de sujeitos. Invioláveis, enquanto inerentes à pessoa humana e à sua dignidade e porque seria vão declarar os direitos, se simultaneamente não se envidassem todos os esforços a fim de que seja devidamente assegurado o seu respeito por parte de todos, em toda parte e em relação a quem quer que seja. Inalienáveis, enquanto ninguém pode legitimamente privar destes direitos um seu semelhante, seja ele quem for, porque isso significaria violentar a sua natureza”. (nº 153) São direitos que não estão à venda, nem sujeitos a legislações ou interesses. Persistem mesmo sendo violados.


Quando se fala de direitos não se pode deixar de falar de deveres, estão indissoluvelmente unidos e são complementares. “Intimamente conexo com o tema dos direitos é o tema dos deveres do homem. (...) No relacionamento humano, a determinado direito natural de uma pessoa corresponde o dever de reconhecimento e respeito desse direito por parte dos demais. O Magistério sublinha a contradição ínsita numa afirmação dos direitos que não contemple uma correlativa responsabilidade”. (nº 156)
“O campo dos direitos humanos se expandiu aos direitos dos povos e das nações. (...) O Magistério recorda que o direito internacional se funda no princípio de igual respeito dos Estados, do direito à autodeterminação de cada povo e da livre cooperação em vista do bem comum superior da humanidade”. (nº 157)




Nossa Senhora da Conceição

Sábado, 08/12/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Dia 08 de dezembro a Igreja Católica celebra a solenidade de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, esta data lembra o dia 08/12/1854 na qual o Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição, porém a festa já tinha longa tradição. Esta devoção tem profunda relação com Portugal e consequentemente com o Brasil, pois desde 08 de dezembro de 1147, Portugal consagrou seu país à Imaculada Conceição. Por isso, muitas paróquias e comunidades católicas no Brasil são a ela dedicadas.


A história da cidade de Passo Fundo nasce e se desenvolve simultaneamente com a devoção a Nossa Senhora da Conceição. Em 23/08/1835 foi inaugurada a primeira capela na “Gleba Nossa Senhora da Conceição Aparecida” doada pelo Cabo Neves. A lei do Padroado exigia que ao se iniciar um povoado deveria ser reservado um espaço para a construção de uma capela. A Paróquia Nossa Senhora da Conceição foi criada em 26/11/1847 e em 28/01/1857, em comum acordo, as autoridades civil e religiosa, escolheram-na como padroeira do Município de Passo Fundo. Em 28/06/1949 foi oficializado o feriado da padroeira da cidade para o dia 08 de dezembro.


A imagem de Nossa Senhora da Imaculada Conceição tem vários elementos interessantes, infelizmente, nem todas elas trazem os mesmos. Nossa Senhora está sobre o globo terrestre e esmaga a cabeça da serpente, símbolo do pecado original e a serpente fere o calcanhar, sinal de luta, isto está inspirado em Gênesis 3,15. Ela está de mãos juntas em atitude de oração e tem cabelos longos caídos sobre os ombros. Usa uma túnica branca e um manto azul, e muitas vezes apresenta uma coroa de 12 estrelas e a lua debaixo dos pés, conforme Apocalipse 12,1. Também aparecem anjos aos pés, revelando que Maria está no céu.


A Solenidade litúrgica da Imaculada Conceição de Maria aponta para uma história de total doação a um plano traçado por Deus. É a história de uma graça e de uma vocação excepcional marcada pela fidelidade e de dedicação total. Maria sendo concebida sem pecado - imaculada conceição – é o sinal da total escolha de Deus, é o símbolo da luta contra a serpente, como está na iconografia, onde a vitória definitiva se dá em Jesus Cristo.


A figura de Maria Imaculada, totalmente consagrada, é uma provocação para um exame de consciência da nossa história. À luz deste modelo mariano, o cristão poderia deixar transcorrer diante dos olhos o filme da vida para identificar as zonas escuras, perceber os obstáculos existentes para ter uma vida mais pura e retornar ao esplendor do paraíso, marcado pela harmonia com o mundo, com Deus e com o próximo.


Esta celebração também é uma exaltação da pureza entendida no sentido evangélico do amor e da disponibilidade. “Felizes os puros no coração, porque verão a Deus”. (Mt 5,8). Para ver a Deus não basta o entendimento, a racionalidade, mas precisa do coração. Por coração pode-se entender a totalidade humana onde se relaciona o corpo, a alma, o espírito. O coração deve ser puro, interiormente aberto e livre. Apresentar-se a Deus e as pessoas de “mãos limpas e coração puro”, como reza o salmo 24,3. Maria desenha diante dos olhos dos fiéis um itinerário de pureza, de fé, de esperança, de amor e de dedicação.




Ele vem morar conosco

Sábado, 01/12/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A Igreja na sua experiência e sabedoria de mãe vai educando continuamente os seus filhos. Ao aproximar-se o Natal ela deseja que seus filhos celebrem dignamente o mistério da encarnação de Jesus Cristo. Aquele que veio morar entre nós! (Jo 1,14). A Igreja através do tempo litúrgico do Advento e do Natal, pelo convite em participar dos encontros de preparação do Natal, a montagem de presépios e de outras modalidades proporciona a vivência do Mistério do Natal.


Na música Anunciação, Alceu Valença canta: “Tu vens, tu vens, já escuto os teus sinais...” Esta música popular pode nos ajudar a entrar no espírito do tempo do Advento seguindo os sinais que se apresentam aos sentidos. Os sinais que se apresentam são muitos e alguns confundem, por exemplo, o convite ao consumismo, Papai Noel, festas, etc. Em meio a tudo isso, o tempo do Advento vai direcionando a atenção ao foco central e faz o cristão clamar: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20). Deste modo, o Advento não se reduz simplesmente a um tempo de preparação do Natal, mas renova o ânimo e o desejo do encontro com Jesus na manjedoura.


O roteiro dos “Encontros de Natal” elaborado pelo Regional Sul 3 da CNBB, convida a refletir e rezar sobre o Natal a partir de quatro atitudes: acolher, dialogar, cuidar e encontrar. Natal é acolher! Deus não desiste dos homens e por isso sempre encontra meios de bater a nossa porta. “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa” (Ap 3,21). Em tempos de insegurança temos medo de abrir as portas e isto pode impedir de acolher o Senhor que quer habitar em nossa casa, fazer refeição conosco e oferecer a salvação. São tantas as batidas em nossas portas: telefone, whatsapp, vendedores ... Abrir a porta requer atitudes de discernimento, acolhida e hospitalidade.


Natal é dialogar! Deus para realizar o seu projeto de amor recebeu a acolhida de Maria. Inicia um diálogo com ela que termina com as palavras de Maria “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). O diálogo requer escuta, argumentação, proposição e respeito entre os dialogantes. O diálogo possibilita conhecer as pessoas e criar laços de solidariedade e amizade. O contrário do diálogo são os fundamentalismos. Que aprendamos a dialogar com Deus e as pessoas.


Natal é cuidar! Todas as criaturas necessitam de cuidado. O ser humano com a sua criatividade e inteligência tem uma imensa capacidade de desenvolver meios de cuidado e de destruição. Ao mesmo tempo em que assistimos imensos avanços na medicina para cuidar da vida, assistimos o desenvolvimento de tecnologias que geram a morte. “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa” (Mt 1,24). Deus restabelece a confiança de José em Maria e ele passa a cuidar de Maria e de Jesus. Cuidar uns dos outros é sinal de escuta da vontade de Deus.


Natal é encontrar! “Encontrarão um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12). Os pastores, em sua simplicidade, acolheram a mensagem do anjo e foram ao encontro do Deus menino, deitado na manjedoura. Só o encontraram por que abriram a porta da sua vida e assim estabeleceram um diálogo. 

“Vem Senhor Jesus, o mundo precisa de ti!”




Cristo Rei

Sábado, 24/11/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Para falar de certas realidades, mesmo tendo um vocabulário rico e variado, encontramos muitas limitações. Para falar de Deus e das realidades espirituais necessitamos a linguagem humana, pois é esta que está ao nosso alcance. A liturgia católica concluindo o Ano Litúrgico, neste domingo, celebra a solenidade de Cristo Rei. Chamar Cristo de Rei numa época em que prezamos a democracia, parece um tanto contraditório, além de criar problemas de interpretação.


O texto bíblico de referência é João 18, 33-37 que apresenta um diálogo de Pilatos com Jesus. Pilatos quer saber se Jesus é mesmo rei e recebe como resposta: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que não fosse entregue... Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”. Vale lembrar que neste tempo da história os sistemas de escolha dos governantes eram diferentes de hoje. Esta breve resposta de Jesus Cristo aponta elementos válidos para ser rei em qualquer tempo da humanidade. Além disso, o texto apresenta uma autorrevelação de Jesus e de seu reinado.


Em primeiro lugar, Jesus repudia o uso da força e da violência para legitimar a autoridade. Se o reinado dele fosse deste mundo ele usaria os guardas para lutar. A história da humanidade é pródiga em relatar governantes que usaram a força e a violência para chegar e se manter no poder e os consequentes rastros de sangue e morte que se seguiram. Deixa claro a Pilatos que o reinado dele não segue esta metodologia.


O reinado de Cristo está fundamentado e subsiste na verdade. Verdade e mentira no mundo estão continuamente misturadas. O discernimento do falso e do verdadeiro se torna um desfio permanente em todas as esferas e em todas as relações. Fica mais visível o conflito entre as informações verdadeiras e falsas nas campanhas eleitorais e na administração pública e das instituições. Porém, o mesmo conflito existe no ambiente familiar, na escola, no trabalho, nos negócios, etc.


A verdade é incômoda, mas é o guia mais seguro para sair da prisão de si, do subjetivismo em direção da verdadeira liberdade. Jesus se apresenta como “testemunha da verdade”, isto é, manifesta a realidade. Neste sentido, a Verdade é o verdadeiro “Rei” que dá a todas as coisas a sua luz e a sua grandeza. O Catecismo da Igreja Católica, nº 2468 ensina: “A verdade como retidão do agir e da palavra tem o nome de veracidade, sinceridade ou franqueza. A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar, guardando-se da duplicidade, da simulação e da hipocrisia”. A verdade se torna um princípio interior de vida moral e simplifica a vida. “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mateus 5,37).
O reinado é possível na medida em que alguém “escuta a minha voz”, diz Jesus. Escutar é uma postura ativa de quem recebe e depois submete o que ouviu à avaliação. A reação se torna um ato da vontade e uma decisão livre. Neste sentido, Cristo é rei para aqueles que escutam a sua voz e se deixam orientar por aquilo que ouviram.


O reinado de Cristo não pode ser entendido segundo as coordenadas políticas do termo, conforme respondeu a Pilatos. O seu reino propõe uma nova ordem de relacionamento e um apelo de colaboração para a construção de uma sociedade baseada na verdade, na justiça, na santidade, na graça, no amor e na paz.




Dia Mundial dos Pobres

Sábado, 17/11/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Em 2017 o Papa Francisco propôs aos católicos o Dia Mundial dos Pobres. Este ano vai ser celebrado no próximo domingo e a mensagem motivadora do papa é inspirada no salmo 34, 7: “Este pobre pediu socorro e o Senhor o ouviu, livrou-o de suas angústias todas”. A mensagem foi publicada no dia 13 de junho de 2018 na memória litúrgica de Santo Antônio. É costume nas igrejas dedicadas a Santo Antônio a bênção e a distribuição de pães. Um sinal que indica gratidão pelo alimento e o exercício da partilha.


Este texto é uma síntese da mensagem do Papa Francisco e todas as citações são daí tiradas. Constantemente nos “confrontamos com as mais variadas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs, que nos habitamos a designar com o termo genérico de ‘pobres’. O pedido de socorro daquele pobre se torna apelo a todos nós “rodeados por tantas formas de pobreza, compreender quem são os verdadeiros pobres para os quais somos chamados a dirigir o olhar a fim de escutar o seu clamor e reconhecer as suas necessidades”.


No salmo aparecem três verbos que caracterizam a atitude do pobre e a sua relação com Deus: pedir, ouvir e livrar. Pedir socorro revela que “a condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um brado que atravessa os céus e chega a Deus”. Nas situações de sofrimento, desilusão, solidão a forma mais eloquente de chamar atenção é pedir socorro. O desafio é escutar quem clama. “Necessitamos da escuta silenciosa para reconhecer a sua voz. Se nós falamos demasiado, não conseguiremos escutá-los a eles”.


O segundo verbo é ouvir que leva a responder. “A resposta de Deus ao pobre é sempre uma intervenção salvadora para cuidar das feridas da alma e do corpo, repor a justiça e ajudar a retomar a vida com dignidade”. O salmista sente-se atendido por Deus e partir disso fica esperando a nossa resposta. “O Dia Mundial dos Pobres pretende ser uma pequena resposta, dirigida pela Igreja inteira dispersa por este mundo, aos pobres de todo gênero e de todo o lugar a fim de não pensarem que o seu clamor caíra em saco roto. Provavelmente, é como uma gota de água no deserto da pobreza; e contudo pode ser um sinal de solidariedade para quantos passam necessidade a fim de sentirem a presença ativa dum irmão ou duma irmã”.


O terceiro verbo é livrar ou libertar. “O pobre da Bíblia vive com a certeza de que Deus intervém em seu favor para lhe devolver dignidade. A pobreza não é procurada, mas criada pelo egoísmo, a soberba, a avidez e a injustiça: males tão antigos como o homem, mas sempre pecados são... A salvação de Deus toma a forma duma mão estendida ao pobre, que lhe oferece acolhimento, protege e permite sentir a amizade de que necessita ... para integrar-se plenamente na sociedade”.


O Papa ressalta que “este Dia fosse celebrado sob o signo da alegria pela reencontrada capacidade de estar juntos”. As distâncias criadas entre as pessoas não podem ser alimentadas para criar um fosso ainda maior. Faz-se necessário criar um movimento de encontro, de aproximação e deste modo vão sendo superados vários preconceitos e medos. O resultado do encontro de pessoas sempre gera alegria, supera a indiferença. Dando-se “as mãos uns para os outros, se realize o encontro salvífico que sustenta a fé, torna concreta a caridade e habilita a esperança a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem”.






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