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Colunistas


O Brasil que ajudo a construir

Sábado, 08/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Passada a Semana da Pátria aproxima-se, no Rio Grande do Sul, a Semana Farroupilha. Os líderes e outras pessoas envolvidas naqueles acontecimentos, certamente, sonharam e tinham perspectivas de profundas mudanças para melhorar vida da população. Ainda mais que se tratava de implantar um novo modelo de governo. Claro, não se vive só do passado recordando e cantando aqueles feitos, porém eles não podem ser esquecidos, perdidos e nem relativizados. Também, o desenvolvimento histórico não é só ascendente e nem isento de crises. Chegamos ao momento presente no qual os atuais cidadãos assumem a responsabilidade de construírem o Brasil e o Estado. Tarefa que não pode ser simplesmente delegada para alguns.


A Doutrina Social da Igreja tem entre seus ensinamentos o princípio da subsidiariedade. “É impossível promover a dignidade da pessoa sem que se cuide da família, dos grupos, das associações, das realidades territoriais locais, em outras palavras, daquelas expressões agregativas de tipo econômico, social, cultural, desportivo, recreativo, profissional, político, às quais as pessoas dão vida espontaneamente e que lhes tornam possível em efetivo crescimento social” (Compêndio da DSI, nº 185). Do Estado se espera uma atitude em sentido positivo que se expressa em ajuda econômica, institucional, legislativa oferecida às entidades sociais menores e outra de implicações negativas, que impõem ao Estado abster-se de tudo o que venha a restringir o espaço vital das células menores e essenciais da sociedade.


Outra forma fundamental de ajudar a construir a pátria é a participação do cidadão para contribuir na vida cultural, econômica, política e social da comunidade a que pertence. A participação pode ser individual ou de forma associativa. A participação é um dever a ser conscientemente exercido por todos, de modo responsável em vista do bem comum. Deve ser favorecida a participação das pessoas mais marginalizadas e com menos poder de influência. A alternância dos representantes das formas associativas evita que se instaurem privilégios para estes representantes.


Uma forma muito importante de participação é o voto que exige dos votantes um grande processo de discernimento para fazer a melhor escolha possível. As próximas eleições desafiam os cidadãos a dedicarem um bom tempo para escolher em quem e como votar para Presidente, Senador, Deputado Federal, Governador e Deputado Estadual. É indispensável fazer uma leitura da realidade; saber distinguir as funções e competências de cada função; fazer o discernimento sobre os candidatos: postura ética, propostas, a competência.


“Voto não tem preço, mas tem consequências” é um ditado que vai se afirmando. Cada eleitor ao votar em alguém, ou votar em branco ou anular o voto está revelando o que pensa, como está colaborando com o país, quais as mudanças que aponta como necessárias. Qualquer alternativa diante da urna é uma tomada de posição que cada cidadão deve assumir responsavelmente diante do país. Nos regimes democráticos a participação é a garantia da permanência da própria democracia, pois o povo atribui aos representantes poderes e funções a serem exercidos em seu nome, por sua conta e em seu favor. O poder dos cidadãos é delegado e, por isso, a legitimidade legal e moral do exercício de quem exerce o poder requer a presença, a escuta e o envolvimento de quem o delegou.




Semana da Pátria

Sábado, 01/09/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A Semana da Pátria é uma oportunidade para olhar para o passado. É necessário recordar, estudar e aprofundar a história para compreender o presente e para projetar o futuro. Os cidadãos brasileiros são fruto de uma multiplicidade de origens étnicas e culturais, de nativos e imigrantes. Isto gerou um país de múltiplas faces, com elementos positivos e também muitos conflitos, muitos deles ainda não resolvidos. Este processo de formação da pátria brasileira foi relativamente rápido e continua acontecendo com a chegada diária de imigrantes.


A história de um país não se resume a alguns personagens e a alguns fatos coletados nos livros. É verdade que alguns acontecimentos são mais decisivos e envolvem pessoas que exerciam funções de liderança, mas não podem ser esquecidos os cidadãos anônimos e as comunidades locais ou municipais que contribuíram decisivamente. A valorização do local situa o cidadão dentro do país. Aquela parte faz parte do todo e o todo só existe por causa das partes. Valorizar o local é colocar os pés no chão.
Qual é a situação da nossa pátria no presente? Por que o Brasil está assim? De quem é a responsabilidade? Vive-se neste contexto real. Fazer uma análise de conjuntura que seja verdadeira e objetiva é uma tarefa extremamente desafiadora. Cada cidadão tem seu ponto de vista a partir do qual olha, julga e projeta o país. Mas, permanecer no próprio ponto de vista e não se abrir a outros pontos de vista fixa a pessoa numa visão restrita da realidade.


Temos que admitir que a situação do Brasil poderia e deveria ser muito melhor considerando a nossa história, os recursos culturais, naturais, econômicos, etc. Entre os maiores problemas existentes podem ser citados: a marginalização de uma multidão de brasileiros; a injusta desigualdade social; as diversas formas de violência; um deficiente sistema educacional; o limitado acesso à saúde; a manutenção legal de um pequeno grupo de privilegiados; a falta de reformas em estruturas que há muito tempo necessitam ser revistas.


Uma leitura adequada da realidade presente permite projetar o melhor possível para o amanhã. A quantidade de problemas a serem enfrentados não tem solução fácil, imediata, como também os recursos existentes são limitados. O ensinamento social da Igreja tem alguns princípios para a construção da sociedade. O primeiro e fundamental princípio que agrega todos os outros é “a dignidade da pessoa humana”. A pessoa humana é o centro e a finalidade de toda estrutura estatal, da política e da economia. Nenhuma pessoa pode ser instrumentalizada e nem ser diminuída em sua dignidade.


Da dignidade, unidade e igualdade de todas as pessoas derivam os outros princípios: bem comum, destinação universal dos bens, subsidiariedade, participação, solidariedade, caridade e os valores fundamentais da vida social: verdade, liberdade e justiça. Como existem diferentes leituras da realidade, assim também existem diferentes propostas de construção do país. Os princípios servem de norte para os planos a serem definidos, como também critério de avaliação da qualidade das propostas.


Informações verdadeiras sobre o país, como valor fundamental da vida social, é um direito de todos os cidadãos, mesmo que não sejam agradáveis de serem admitidas, porém são o começo da construção do futuro. Foi decepcionante ler a manchete numa coluna de jornal: “Candidato que falar toda verdade não se elege”. Tomara que não seja verdade.




Obrigado, catequistas

Sábado, 25/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O ser humano tem múltiplas necessidades e necessita de muitas pessoas com variados dons e competências para responder a estas carências. Do mesmo modo a Igreja se entende como Povo de Deus. Um povo ordenado que necessita de muitas pessoas com diferentes dons e carismas e que exerçam ministérios diferentes para que ela realize a sua missão e ajude os seus membros. As comunidades cristãs se movimentam, vivem, se renovam e realizam sua missão com a colaboração de milhares de voluntários. Pessoas que se sentem convidadas por Deus e pelas necessidades da comunidade a prestarem um serviço. Sabem que sua vida é missão e respondem ao chamado recebido.


No último domingo do mês de agosto, a Igreja Católica fala, reza, convida e agradece estes serviços prestados pelos leigos nas comunidades. Entre tantos ministérios quero destacar os catequistas. São milhares, das mais diferentes idades, condições sociais, formação acadêmica e profissional. Estão presentes em todas as comunidades com qualificação muito variada. As deficiências da formação são supridas pela dedicação e o amor que tem pelos catequizandos.


A palavra catequista tem a sua origem no verbo ecoar. Por isso, catequizar é fazer ecoar no catequizando uma notícia que já foi anunciada e que agora está chegando aos ouvidos daquela criança, ou jovem ou adulto. A notícia a ser anunciada é Jesus Cristo. “Deus nos ama, mas nosso pecado nos impede de acolher este amor, por isso ele enviou seu Filho Jesus Cristo que morreu na cruz e ressuscitou e assim nos salvou. Jesus Cristo é a nossa vida, nossa alegria: Ele é tudo para nós. O que Jesus fez por mim, pode fazer por você também.


O ser humano é um ser aberto à transcendência, ao religioso. Faz perguntas sobre a origem, o sentido da vida e a eternidade. A catequese se torna um espaço propício para refletir sobre estas perguntas existenciais que começam a incomodar desde a tenra idade. Perguntas que necessitam serem levadas a sério por fazerem parte da formação integral do ser humano.


A catequese levanta muitos assuntos do cotidiano e não poderia ser diferente. Os ensinamentos de Jesus Cristo destinam-se a ensinar a relacionar-se com Deus e com a pessoas. Propõem um modo de bem viver, de se relacionar, de superar as tensões. Quando é refletido o tema do perdão vem à tona os conflitos existentes no ambiente escolar e familiar muitas vezes acompanhados de violência física. Os catequistas nesta hora ocupam um papel importante ouvindo as dores dos catequizandos, o relato dos conflitos, administrando a agressividade, procurando diminuir as tensões e apaziguando os conflitos. Os catequistas se aliam aos pais e professores na educação.


A catequese para alcançar seus objetivos organiza e sistematiza os ensinamentos da religião; como também necessita de pedagogia adequada, tempo e periodicidade. São muitos dias e horas de dedicação. Isto exige compromisso, fidelidade e um grande amor pelos catequizandos. “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (Documento de Aparecida nº 29). É esta convicção e alegria que move os catequistas.


A todas as (os) catequistas o nosso profundo reconhecimento e gratidão. Que Deus lhes conceda uma vida feliz e abençoada.




Obrigado, religiosos e religiosas

Sábado, 18/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O terceiro domingo do mês vocacional, celebrado na Igreja Católica, propõe falar, rezar e convidar para a vocação à vida consagrada. Para falar da história dos 47 municípios que compõem a área da Arquidiocese de Passo Fundo, o mesmo vale para outras regiões, não pode ser ignorada a presença viva e atuante das Congregações Religiosas. Atuaram e atuam nas mais diferentes áreas. Algumas obras têm maior visibilidade, outras são menos visíveis, mas não menos importantes. Como exemplo, merece destaque todo trabalho desenvolvido na área da educação. Hoje temos várias e grandes escolas que procuram oferecer uma educação de primeira qualidade e que tem como diferencial apresentar e desenvolver os valores cristãos. Destaco também, todo trabalho realizado nas comunidades paroquiais pela presença, pelas visitas, catequese. E por fim, o “Projeto Transformação” que reúne várias Congregações. Hoje, no território da Arquidiocese de Passo Fundo, temos 10 Congregações Masculinas, presentes em 24 comunidades e 15 Congregações Femininas formando 47 comunidades. Eles são uma presença marcante através da presença e através das atividades que realizam. Se faz necessário falar destas pessoas e destas obras e reconhecer a sua importância para o desenvolvimento religioso, cultural e econômico de nossas cidades.


A sociedade faz uma pressão sobre as pessoas cobrando delas eficiência. Valoriza muito o “fazer”, a produtividade. Sim, isto é justo e necessário, pois cada um tem o dever de colaborar e ajudar a construir. Porém não pode ficar esquecida a dimensão do “ser”. A dimensão do ser é fundamental para a vida religiosa. São, em primeiro lugar, religiosas e religiosos e depois realizam atividades decorrentes deste ser.


A vida religiosa é uma vida consagrada que evidencia a doação integral de si a Deus, de serviço total a Ele e às pessoas. O sinal visível da consagração na vida religiosa é a profissão dos chamados “conselhos evangélicos ou votos”: pobreza, obediência e castidade. Ao escolherem livre e conscientemente este modo de ser e viver, a vida deles adquire peculiaridades próprias. Uma opção de vida que muitas pessoas têm dificuldades de entender e até de respeitar.


A vida religiosa tem uma importância fundamental para Igreja e para a sociedade. No voto de pobreza os religiosos abrem mão de terem bens em nome próprio. Os bens são colocados em comum, para a congregação e servem para todos os seus membros: alimentação, vestuário, moradia, saúde e a realização das atividades. Isto se constitui uma provocação para a sociedade que tem a marca da concentração da renda nas mãos de muitos pouco em detrimento de uma multidão que vive com o mínimo ou que até não tem o mínimo necessário. É um modelo de administração dos bens que faz pensar no próximo.


O voto de obediência situa-se no âmbito de aderir livremente aos projetos comunitários da Congregação e da Igreja. É abrir mão de causas pessoais e abraçar projetos que não são oriundos da própria vontade. Este voto é uma provocação contra a visão individualista e egoísta de viver. Se somente os interesses pessoais forem prioritários, a convivência humana fica inviável. O voto de castidade situa-se no âmbito do amor incondicional a Cristo e na colaboração do seu projeto de anunciar e propagar o Reino de Deus. Aponta para as realidades transcendentes, da espiritualidade, da oração.


Muito obrigado a todas as religiosas e religiosos pelo vosso ser, pela presença e missão. Deus os abençoe.




Obrigado, pai!

Sábado, 11/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

As datas comemorativas do calendário provocam temas importantes que, se não estivessem lá, poderiam passar desapercebidos. O Dia dos Pais merece estar no calendário. Provoca os filhos e os próprios pais abrindo a reflexão para muitos aspectos existenciais da vida familiar, tais como: ser pai, agir como pai, autoridade paterna, ser filho, honrar os pais, parceria, cuidado, doação, gratidão, perdão, amor.


De forma surpreendente, Jesus começou a falar de Deus como Pai. A tradição judaica tinha duas maneiras de tratar o pai: uma familiar e cotidiana e outra mais solene e elevada. Jesus chama a Deus da forma familiar, com palavras de criança, abbá = papai. Os humanos para falarem de Deus, de vivências espirituais, de grandes emoções necessitam usar uma linguagem humana, mesmo que ela seja imperfeita e limitada diante daquilo que se quer dizer. Como é dito tantas vezes: “Não tenho palavras”. Chamando a Deus de Pai estabelece-se uma relação entre o pai humano e Deus Pai e, ao mesmo tempo, destaca-se o lado divino da paternidade.


Partindo dos ensinamentos de Jesus Cristo sobre paternidade de Deus se destacam algumas características que também são próprias dos humanos. O pai é princípio de amor que dá vida gratuitamente gerando novas vidas. É fonte de vida. O pai é fonte de cuidado, particularmente na fraqueza, na doença, na correção dos erros, na misericórdia ao acolher o filho que se afastou e deseja voltar. Também, Deus é pai porque se mantém em diálogo constante com os homens em profunda intimidade, em intensa proximidade. É companheiro que acompanha a jornada fazendo viver, levando à autonomia e à liberdade e oferece assistência. Jesus morre nas mãos do Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23, 46), mas também “Deus ressuscitou este mesmo Jesus” (Atos 2, 32).


O papa Bento XVI refletindo sobre este tema, assim se expressa: “A lembrança deste Pai ilumina a mais profunda identidade do ser humano: donde vimos, quem somos e quão grande é a nossa dignidade. Nós provimos naturalmente dos nossos pais e somos seus filhos: porém, nós vimos de Deus, que nos criou à Sua imagem e nos chamou a sermos seus filhos. Por isso, não é o acaso ou a concorrência do destino que se encontra na origem de cada ser humano, mas um plano de amor divino. Isto nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de onde vinha e de onde vimos nós todos: do amor do Seu Pai e de nosso pai”.


Na sequência do Dia dos Pais a Igreja realiza, no Brasil, a Semana da Família que neste ano tem como lema: “O Evangelho da família, alegria para o mundo”. Proclamamos que o Evangelho e os ensinamentos de Jesus Cristo são motivo de alegria, de esperança e orientação para o mundo. A Semana da Família proclama o valor inviolável das famílias e sua nobre missão de gerar, educar, proteger, confortar e cuidar da vida desde a concepção até a morte natural. Lugar especial para exercitar o amor, como ensina a primeira carta aos Coríntios 13, 4-8: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará”.
A todos os pais a gratidão e o abraço dos filhos e a bênção divina para confortar, orientar fortalecer e iluminar.




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