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Colunistas


Obrigado, catequistas

Sábado, 25/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O ser humano tem múltiplas necessidades e necessita de muitas pessoas com variados dons e competências para responder a estas carências. Do mesmo modo a Igreja se entende como Povo de Deus. Um povo ordenado que necessita de muitas pessoas com diferentes dons e carismas e que exerçam ministérios diferentes para que ela realize a sua missão e ajude os seus membros. As comunidades cristãs se movimentam, vivem, se renovam e realizam sua missão com a colaboração de milhares de voluntários. Pessoas que se sentem convidadas por Deus e pelas necessidades da comunidade a prestarem um serviço. Sabem que sua vida é missão e respondem ao chamado recebido.


No último domingo do mês de agosto, a Igreja Católica fala, reza, convida e agradece estes serviços prestados pelos leigos nas comunidades. Entre tantos ministérios quero destacar os catequistas. São milhares, das mais diferentes idades, condições sociais, formação acadêmica e profissional. Estão presentes em todas as comunidades com qualificação muito variada. As deficiências da formação são supridas pela dedicação e o amor que tem pelos catequizandos.


A palavra catequista tem a sua origem no verbo ecoar. Por isso, catequizar é fazer ecoar no catequizando uma notícia que já foi anunciada e que agora está chegando aos ouvidos daquela criança, ou jovem ou adulto. A notícia a ser anunciada é Jesus Cristo. “Deus nos ama, mas nosso pecado nos impede de acolher este amor, por isso ele enviou seu Filho Jesus Cristo que morreu na cruz e ressuscitou e assim nos salvou. Jesus Cristo é a nossa vida, nossa alegria: Ele é tudo para nós. O que Jesus fez por mim, pode fazer por você também.


O ser humano é um ser aberto à transcendência, ao religioso. Faz perguntas sobre a origem, o sentido da vida e a eternidade. A catequese se torna um espaço propício para refletir sobre estas perguntas existenciais que começam a incomodar desde a tenra idade. Perguntas que necessitam serem levadas a sério por fazerem parte da formação integral do ser humano.


A catequese levanta muitos assuntos do cotidiano e não poderia ser diferente. Os ensinamentos de Jesus Cristo destinam-se a ensinar a relacionar-se com Deus e com a pessoas. Propõem um modo de bem viver, de se relacionar, de superar as tensões. Quando é refletido o tema do perdão vem à tona os conflitos existentes no ambiente escolar e familiar muitas vezes acompanhados de violência física. Os catequistas nesta hora ocupam um papel importante ouvindo as dores dos catequizandos, o relato dos conflitos, administrando a agressividade, procurando diminuir as tensões e apaziguando os conflitos. Os catequistas se aliam aos pais e professores na educação.


A catequese para alcançar seus objetivos organiza e sistematiza os ensinamentos da religião; como também necessita de pedagogia adequada, tempo e periodicidade. São muitos dias e horas de dedicação. Isto exige compromisso, fidelidade e um grande amor pelos catequizandos. “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (Documento de Aparecida nº 29). É esta convicção e alegria que move os catequistas.


A todas as (os) catequistas o nosso profundo reconhecimento e gratidão. Que Deus lhes conceda uma vida feliz e abençoada.




Obrigado, religiosos e religiosas

Sábado, 18/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O terceiro domingo do mês vocacional, celebrado na Igreja Católica, propõe falar, rezar e convidar para a vocação à vida consagrada. Para falar da história dos 47 municípios que compõem a área da Arquidiocese de Passo Fundo, o mesmo vale para outras regiões, não pode ser ignorada a presença viva e atuante das Congregações Religiosas. Atuaram e atuam nas mais diferentes áreas. Algumas obras têm maior visibilidade, outras são menos visíveis, mas não menos importantes. Como exemplo, merece destaque todo trabalho desenvolvido na área da educação. Hoje temos várias e grandes escolas que procuram oferecer uma educação de primeira qualidade e que tem como diferencial apresentar e desenvolver os valores cristãos. Destaco também, todo trabalho realizado nas comunidades paroquiais pela presença, pelas visitas, catequese. E por fim, o “Projeto Transformação” que reúne várias Congregações. Hoje, no território da Arquidiocese de Passo Fundo, temos 10 Congregações Masculinas, presentes em 24 comunidades e 15 Congregações Femininas formando 47 comunidades. Eles são uma presença marcante através da presença e através das atividades que realizam. Se faz necessário falar destas pessoas e destas obras e reconhecer a sua importância para o desenvolvimento religioso, cultural e econômico de nossas cidades.


A sociedade faz uma pressão sobre as pessoas cobrando delas eficiência. Valoriza muito o “fazer”, a produtividade. Sim, isto é justo e necessário, pois cada um tem o dever de colaborar e ajudar a construir. Porém não pode ficar esquecida a dimensão do “ser”. A dimensão do ser é fundamental para a vida religiosa. São, em primeiro lugar, religiosas e religiosos e depois realizam atividades decorrentes deste ser.


A vida religiosa é uma vida consagrada que evidencia a doação integral de si a Deus, de serviço total a Ele e às pessoas. O sinal visível da consagração na vida religiosa é a profissão dos chamados “conselhos evangélicos ou votos”: pobreza, obediência e castidade. Ao escolherem livre e conscientemente este modo de ser e viver, a vida deles adquire peculiaridades próprias. Uma opção de vida que muitas pessoas têm dificuldades de entender e até de respeitar.


A vida religiosa tem uma importância fundamental para Igreja e para a sociedade. No voto de pobreza os religiosos abrem mão de terem bens em nome próprio. Os bens são colocados em comum, para a congregação e servem para todos os seus membros: alimentação, vestuário, moradia, saúde e a realização das atividades. Isto se constitui uma provocação para a sociedade que tem a marca da concentração da renda nas mãos de muitos pouco em detrimento de uma multidão que vive com o mínimo ou que até não tem o mínimo necessário. É um modelo de administração dos bens que faz pensar no próximo.


O voto de obediência situa-se no âmbito de aderir livremente aos projetos comunitários da Congregação e da Igreja. É abrir mão de causas pessoais e abraçar projetos que não são oriundos da própria vontade. Este voto é uma provocação contra a visão individualista e egoísta de viver. Se somente os interesses pessoais forem prioritários, a convivência humana fica inviável. O voto de castidade situa-se no âmbito do amor incondicional a Cristo e na colaboração do seu projeto de anunciar e propagar o Reino de Deus. Aponta para as realidades transcendentes, da espiritualidade, da oração.


Muito obrigado a todas as religiosas e religiosos pelo vosso ser, pela presença e missão. Deus os abençoe.




Obrigado, pai!

Sábado, 11/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

As datas comemorativas do calendário provocam temas importantes que, se não estivessem lá, poderiam passar desapercebidos. O Dia dos Pais merece estar no calendário. Provoca os filhos e os próprios pais abrindo a reflexão para muitos aspectos existenciais da vida familiar, tais como: ser pai, agir como pai, autoridade paterna, ser filho, honrar os pais, parceria, cuidado, doação, gratidão, perdão, amor.


De forma surpreendente, Jesus começou a falar de Deus como Pai. A tradição judaica tinha duas maneiras de tratar o pai: uma familiar e cotidiana e outra mais solene e elevada. Jesus chama a Deus da forma familiar, com palavras de criança, abbá = papai. Os humanos para falarem de Deus, de vivências espirituais, de grandes emoções necessitam usar uma linguagem humana, mesmo que ela seja imperfeita e limitada diante daquilo que se quer dizer. Como é dito tantas vezes: “Não tenho palavras”. Chamando a Deus de Pai estabelece-se uma relação entre o pai humano e Deus Pai e, ao mesmo tempo, destaca-se o lado divino da paternidade.


Partindo dos ensinamentos de Jesus Cristo sobre paternidade de Deus se destacam algumas características que também são próprias dos humanos. O pai é princípio de amor que dá vida gratuitamente gerando novas vidas. É fonte de vida. O pai é fonte de cuidado, particularmente na fraqueza, na doença, na correção dos erros, na misericórdia ao acolher o filho que se afastou e deseja voltar. Também, Deus é pai porque se mantém em diálogo constante com os homens em profunda intimidade, em intensa proximidade. É companheiro que acompanha a jornada fazendo viver, levando à autonomia e à liberdade e oferece assistência. Jesus morre nas mãos do Pai: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23, 46), mas também “Deus ressuscitou este mesmo Jesus” (Atos 2, 32).


O papa Bento XVI refletindo sobre este tema, assim se expressa: “A lembrança deste Pai ilumina a mais profunda identidade do ser humano: donde vimos, quem somos e quão grande é a nossa dignidade. Nós provimos naturalmente dos nossos pais e somos seus filhos: porém, nós vimos de Deus, que nos criou à Sua imagem e nos chamou a sermos seus filhos. Por isso, não é o acaso ou a concorrência do destino que se encontra na origem de cada ser humano, mas um plano de amor divino. Isto nos revelou Jesus Cristo, verdadeiro filho de Deus e homem perfeito. Ele sabia de onde vinha e de onde vimos nós todos: do amor do Seu Pai e de nosso pai”.


Na sequência do Dia dos Pais a Igreja realiza, no Brasil, a Semana da Família que neste ano tem como lema: “O Evangelho da família, alegria para o mundo”. Proclamamos que o Evangelho e os ensinamentos de Jesus Cristo são motivo de alegria, de esperança e orientação para o mundo. A Semana da Família proclama o valor inviolável das famílias e sua nobre missão de gerar, educar, proteger, confortar e cuidar da vida desde a concepção até a morte natural. Lugar especial para exercitar o amor, como ensina a primeira carta aos Coríntios 13, 4-8: “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará”.
A todos os pais a gratidão e o abraço dos filhos e a bênção divina para confortar, orientar fortalecer e iluminar.




Obrigado, padre!

Sábado, 04/08/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No dia 04 de agosto é celebrado o “Dia do Padre”, tendo como referência a celebração de São João Maria Vianney, falecido em 04 de agosto de 1859. Ele foi canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e proclamado patrono dos párocos em 1929. Vianney nasceu em 1786 e foi ordenado padre em 1815 e partir de 1819, até a sua morte, foi pároco na aldeia de Ars, na França. A história nos conta que a implantação dos ideais da Revolução Francesa foi extremamente conflitiva gerando muita violência, perseguição e pobreza. Além disso, houve recuos e uma alternância de modelos de governo. Foi neste contexto que se desenvolveu a missão pastoral do Pe. João Maria. A sua dedicação incansável revolucionou a vida espiritual, os costumes e o atendimento aos pobres na aldeia de Ars. Sua fama se espalhou pelo mundo e os peregrinos iam lá para ouvi-lo, confessar-se e vê-lo.

 

Olhando para a história das nossas cidades, em sua maioria, a atuação do padre foi importante para o seu desenvolvimento. Gostaria de citar mais três exemplos que fazem parte do nosso cotidiano. O Pe. Theodor Amstad, padre jesuíta, originário da Suíça, chegou ao Brasil em 1885: atuou em várias paróquias das colônias alemãs. Trouxe consigo as reflexões que se desenvolviam na Europa sobre o cooperativismo. Visitando as colônias incentivava este modelo de cooperação entre os colonos. Várias cooperativas foram se criando que continuam vivas. Há poucos dias festejamos os 100 anos do Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo. Não podemos esquecer que na sua origem está o pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Pe. Raphael Jop que, junto com os Vicentinos, impulsionou o atendimento dos doentes. Ainda cito o Mons. João Benvegnú pároco de São Domingos do Sul, de 1935 a 1986. Morreu com fama de santidade, já declarado Servo de Deus, sendo que seu túmulo é muito visitado e, no começo de janeiro, se realiza uma grande romaria vocacional.

 

Através destes exemplos, quero homenagear todos os padres. Eles estão presentes nas grandes cidades e nas pequenas. Realizam a sua missão de múltiplas maneiras: algumas vezes tem maior visibilidade e reconhecimento público; mas a maioria das ações são silenciosas e quase invisíveis e o reconhecimento vem de pessoas individuais sem publicidade. Visitam e confortam, com a Palavra de Deus e os sacramentos, os doentes. Acolhem, ouvem e orientam indivíduos e famílias; ouvem confissões e administram a graça do sacramento do perdão. Quantas horas dedicadas para confortar famílias enlutadas e lhes anunciando a esperança da ressurreição.

 

Os padres acolheram o chamado de Deus para serem e viverem como padres, com suas virtudes, qualidades, limitações e fraquezas. Para fazer a escolha abriram mão de outras opções. Uma escolha feita com liberdade e plena consciência para colocarem-se nos passos do mestre Jesus Cristo e partilhar da Sua vida. É um ato de fé e de comunhão com o projeto de Jesus Cristo, denominado de Reino de Deus.

 

O seguimento gera responsabilidades para o padre que são sintetizadas em três grandes áreas. A primeira e a fundamental é anunciar o Evangelho, despertando a fé e o seguimento de Jesus Cristo e a formação da Igreja. A segunda é santificar o Povo de Deus. O padre é um homem ligado ao sagrado. Munido pelo poder recebido no sacramento da Ordem, ele torna-se ministro e servidor das coisas que se referem a Deus para o bem das pessoas. E a terceira missão do padre é conduzir e orientar a comunidade eclesial. Agregar as pessoas, fortalecendo-as e animando-as na vivência cristã. A realização vocacional do padre ocorre na abertura para os outros, no exercício daquilo que lhe é próprio.

 

Parabéns a todos os padres e Deus os abençoe.




Pôr a prova

Sábado, 28/07/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

É muito conhecida a passagem do Evangelho da multiplicação dos pães (João cap. 06), também relatada pelos outros evangelistas. Numa leitura rápida, e talvez superficial, destaca-se somente o sinal da multiplicação de cinco pães e dos dois peixes que foram capazes de alimentar uma multidão. É uma parte do conjunto dos ensinamentos, além disso os desdobramentos do fato provocam a sociedade.


O pão é símbolo do alimento que mata a fome, seja ela física, interior, emocional, de paz, de unidade, etc. O ser humano tem, por primeira necessidade, matar a fome de cada dia. Saciar-se cotidianamente é possível porque existe a colaboração mútua, e ela é indispensável. Basta lembrar as necessidades não satisfeitas, algumas delas inclusive vitais, durante a greve dos caminhoneiros.
O evangelista conta que uma multidão avança e Jesus provoca o discípulo Filipe. Como resolver o problema da fome daquelas pessoas? O texto bíblico afirma que a pergunta era “para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer” (Jo 6,6). Resolver o problema da fome e das outras necessidades humanas é responsabilidade de quem? Ao envolver os discípulos que vão a campo para encontrar uma saída, fica explícito que a preocupação e a busca de soluções para os problemas da humanidade não podem ficar restritos a algumas pessoas, ou instituições, ou governos. Na verdade, cada um é responsável por todos e todos por cada um.


A primeira proposta que Filipe apresenta é, simplesmente, uma quantidade de dinheiro que seria necessária para matar a fome naquele momento. Porém este dinheiro não estava disponível, não estava em suas mãos. Deu a entender que tendo dinheiro se resolve o problema da fome da humanidade.


Outro discípulo, de nome André, vai busca de alguém que tivesse comida consigo e encontra um menino com cinco pães e dois peixes. Já é uma outra atitude, pois vai ao encontro das pessoas famintas e procura entre elas alguma saída. Vale o famoso adágio: “Ninguém é tão pobre que nada possa dar e ninguém é tão rico que não precise receber”.


Foi a colaboração e o envolvimento dos necessitados que abriu o caminho a solução da fome. O menino, talvez ainda não contaminado pela ganância, abriu mão da sua refeição. Correu o risco de não se fartar e da incerteza do que viria pela frente. A atitude dele permitiu que fosse realizada uma grande partilha. Uma partilha, não voluntariosa, mas organizada. Jesus pediu as pessoas que se sentassem e se organizassem e somente depois o alimento fosse distribuído de forma organizada. O que foi feito indica a necessidade de planejamento. Uma nação com planejamento consegue incluir e repartir, e sem planejamento, somente os primeiros vão se fartar.


É provocativa a seguinte ordem: “recolhei os pedaços que sobraram”. O que é desperdiçado fará falta para alguém. Não faltam estudos indicando a quantidade de alimentos que vão para o lixo. Para quem fica um pouco atento percebe facilmente que em qualquer festa, mesmo aquelas promovidas pelas nossas comunidades, ao final, uma boa parte do sagrado alimento é jogado fora. O que vai fora não me pertence, mas é de quem passa necessidade.


Aquele que envolveu os discípulos, a multidão faminta, ensinou a repartir e a não desperdiçar é reconhecido, somente por alguns, como “aquele que deve vir ao mundo”. Outros não aprenderam esta lição e preferiram ver em Jesus um mágico, por isso Ele foge deles.






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