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Colunistas


As pequenas ações

Sábado, 16/06/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O desenvolvimento tecnológico nos permite ter, em tempo real, informações do mundo inteiro, tanto dos fatos bons quanto dos desastres que causam mais comoção e recebem ampla divulgação. Mesmo que geograficamente sejam acontecimentos distantes, estamos cientes que vivemos num mundo pequeno e tudo tem efeito global. A quantidade e a grandiosidade dos problemas podem conduzir as pessoas ao desespero e esperar sempre soluções grandiosas e impactantes. Soluções que os outros devem propor e realizar.


É muito provocativa a maneira como Jesus Cristo aborda as ações humanas e sua influência no mundo. A liturgia católica deste domingo lê e medita duas parábolas tiradas do mundo vegetal e que trazem uma mensagem muito clara. O evangelista Marcos 4, 26-34 escreve: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo ... O Reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra... cresce e se torna a maior do que todas as hortaliças...”.


Impressiona, em muitos ensinamentos de Jesus, a insistência na realização de pequenas ações: dar um copo de água, um alimento, uma roupa, uma visita, uma palavra... O modo como Jesus Cristo viveu a maior parte da sua vida, mesmo sendo Deus, foi de participar efetivamente da vida rotineira de uma família. Na vida pública foram poucos os sinais grandiosos, mas dedicou bom tempo para realizar gestos pequenos e ao atendimento individual de pessoas.


Nas parábolas Jesus ressalta a força intrínseca da semente e das condições da terra para fazê-la germinar e se desenvolver. Como também a semente pequena manifesta a sua grandiosidade na planta. A primeira vista, pode parecer que as coisas de Deus sempre devem ser marcadas pela grandiosidade e a excepcionalidade. Esta parábola oferece outra visão, justamente passando a ideia da pequenez e da discrição, mas simultaneamente ressaltando um grande potencial daquilo que é discreto.


Se somente grande ações fossem válidas elas ficariam restritas a poucas pessoas e instituições. Pequenas ações estão ao alcance de todas as pessoas, de todas as condições sociais, econômicas e culturais. É uma forma de permitir que todos sejam protagonistas na construção da sociedade e na solução de seus problemas. Provoca a pessoa a sair da condição de expectador para tornar-se ator ou de torcedor para jogador.


Na vida não faltam oportunidades que solicitam a nossa contribuição efetiva. O temporal acontecido nesta semana, em poucos minutos, colocou muitas pessoas em situação de emergência, com danos materiais além dos emocionais. Não temos condições de impedir o temporal e nem controlar o sofrimento oriundo do desastre. Mas temos condições de sermos solidários para amenizar a dor e restabelecer a esperança.


“Toda ação reta e séria do homem é esperança em ato... Desse modo se contribui a fim de que o mundo se torne um pouco mais luminoso e humano, e assim se abram também as portas para o futuro... O nosso agir não é indiferente diante de Deus e, portanto, também não o é para o desenrolar da história. Podemos abrir-nos a nós mesmos e ao mundo ao ingresso de Deus: da verdade, do amor e do bem”. (Bento XVI, Spe Salvi, n. 35)




Dia dos Namorados

Sábado, 09/06/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Faz alguns anos, uma jovem me perguntou se ela deviria casar com seu namorado. Se era a pessoa certa? Se estavam preparados depois de vários anos de namoro? Ainda me lembro desta conversa, pois se tratava de uma jovem sincera, queria ajuda e desejava ir ao sacramento do matrimônio mais segura. Daquele diálogo retomo três convicções que transpareceram na jovem: o namoro tem um tempo; precisava de critérios para fazer o discernimento e ela queria fazer uma opção duradoura.


Uma vez lançados do mundo, todas as pessoas precisam fazer escolhas para construir a própria história. Algumas escolhas são mais simples e com pouca repercussão na vida; outras são determinantes e que marcarão toda a vida. São opções existências das quais não se pode fugir. É possível até protelar, encontrar novos argumentos para fugir, mas chega uma hora que a falta de escolha cria um vazio, uma angústia e uma falta de sentido na vida. Mesmo que, aparentemente, seja é um estilo de vida agradável e confortável. Gosto da reflexão que o filósofo e poeta cristão Soren Kierkegaard faz sobre este modo de viver. Diz o pensador: Se tu não fizeres a escolha, a vida decide por ti. Se isto acontecer, é bem provável que a tua vida vá tomar um rumo que não desejavas. É o que aquela jovem estava constando que o tempo de namoro já era suficiente e estava na hora de se definir. Não podiam simplesmente continuar namorando, pois, o tempo do namoro é provisório e limitado. É um tempo importante para permitir escolher um modo de viver.


No diálogo a jovem procurava critérios para orientar o discernimento. Já se havia dado conta das qualidades e das fragilidades de seu namorado. Já não era mais alguém idealizado, mas alguém real. Diante disto ficava a dúvida se era sobre o namorado ideal ou sobre aquele real que deveria projetar o futuro. No ritual do sacramento do matrimônio católico, a primeira pergunta que é feita para o casal é a seguinte: “É de livre e espontânea vontade que o fazeis”? Um dos elementos de um ato livre é o conhecimento. Neste caso, parte-se do princípio que o casal se conheça e saiba dos compromissos inerentes o casamento.


Percebi na jovem o drama entre o idealizado e a realidade. Havia uma excessiva idealização. Os sonhos são necessários para não se acomodar com a situação atual e a mediocridade. Mas eles necessitam ser conjugados com a possibilidade de serem concretizados. Tanto ela quanto o namorado eram limitados. Ao se casarem estavam assumindo as limitações de ambos. As expectativas para a vida futura no matrimônio não podiam ser colocadas num horizonte tão distante que gerasse cada dia frustrações, tristeza e um sentimento de não conseguir realizar um belo projeto de vida.


A jovem tinha consciência que a formação de uma família era uma opção duradoura. Vivendo num contexto de “cultura do provisório”, onde tanta coisa é descartável, inclusive as pessoas e as relações afetivas passam a ser descartáveis. Ela acreditava na unidade, na fidelidade e no sim dado por toda vida, mas também tinha medo de arriscar. Sendo uma jovem com vivência religiosa, queria formar uma família cristã e via na família um dom, isto é, um presente de Deus, um santuário de vida, uma comunidade de vida e de amor conjugal, um lugar destinado para o bem dos esposos, um lugar para gerar filhos. Um projeto que exigia entusiasmo, heroísmo e coragem, porém somente as forças humanas não seriam suficientes, por isso precisam da bênção divina.




Ser santo

Sábado, 02/06/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O Dia dos Namorados e as Festas Juninas têm sua origem nas celebrações religiosas de Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa e de São João Batista. A partir da vida destes santos, surgiram estas datas e eles nos provocam pelo seu testemunho, pela retidão moral, pela causa defendida e dedicação ao próximo.

Pessoas de grande competência profissional, de quaisquer áreas, têm uma grande admiração da sociedade. Ganham visibilidade, ocupam lugares públicos, formam opinião e parte delas enriquece. Tornam-se competentes pelos dons naturais, pelas oportunidades e pelo esforço consciente de progredirem no conhecimento e nas habilidades. Estas pessoas estimulam outras a alcançar os mesmos níveis.


Para alcançar a santidade, isto é, a competência ética e moral, parece que não há tanto empenho e nem encantamento. Reclama-se da ausência de profissionais em algumas áreas específicas, mas também temos a carência pessoas exemplares para convivência fraterna, na fidelidade familiar, no trato das coisas públicas, nas instituições, na superação das injustiças e da violência, no serviço ao próximo.


Com o desejo de ajudar os cristãos católicos e a todos os que se interessarem, o papa Francisco escreveu uma exortação apostólica: “Alegrai-vos e exultai” (Mt 5,12): sobre o chamado à santidade no mundo atual”. Com a carta o papa objetiva atualizar o chamado à santidade encarnando-o no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades. A busca por uma vida santa desacomoda, livre de uma vida medíocre, superficial e indecisa.


Em cinco breves capítulos, o papa desenvolve o tema conduzindo o leitor a dar-se conta que a santidade não é assunto impossível e nem é projeto de vida para os outros, mas é desafio para cada pessoa. Citando o filósofo espanhol Xavier Zubiri recorda: “Não que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão” (nº 27). Ela se realiza em todas as atividades cotidianas, no empenho de se entregar de corpo e alma na realização de cada compromisso. É realizar as ações ordinárias de maneira extraordinária.


Quando se fala de santidade, a referência são sempre os ensinamentos e as atitudes de Jesus Cristo. Todos os santos reconhecidos foram pessoas extraordinárias, mas limitadas e pecadoras, como também os profissionais competentes nem sempre acertam. Diz o papa: “Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; assim o fez quando nos deixou as bem-aventuranças (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23)” (nº 63). É um modo de viver “bem-aventurado”, isto é, “feliz”.” O papa, refletindo sobre estes ensinamentos do mestre Jesus Cristo, aponta para as seguintes orientações de vida: ser pobre no coração; reagir com humilde mansidão; saber chorar com os outros; buscar a justiça com fome e sede; olhar e agir com misericórdia; semear a paz ao nosso redor; abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas.


Olhando mais de perto a cultura de hoje, o papa ressalta mais algumas atitudes a serem cultivadas que contribuirão para qualificar a vida. Aponta a mansidão e a paciência como remédio para curar o ambiente hostil e agressivo. Citando os ensinamentos do capítulo 12 da Carta aos romanos relembra que não se deve pagar o mal a ninguém com o mal, nem fazer justiça por conta própria, nem deixar-se vencer pelo mal, mas vencer o mal com o bem. Recorda que é preciso viver a vida com alegria e senso de humor, claro sem perder o realismo. Também lembra que a santidade é ousadia, é impulso, é coragem, é risco que supera a acomodação e o medo curando o que cheira a mofo e o ambiente doentio.




Doar-se e partilhar

Sábado, 26/05/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Na próxima quinta-feira, dia 31 de maio, a Igreja Católica celebra a solenidade litúrgica do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida como Corpus Christi. Ela abre espaço para uma infinidade de reflexões, entre elas, concentro-me na narrativa da instituição da Eucaristia, segundo o evangelista São Marcos 14, 22-24: “Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão, pronunciou a benção, partiu-o e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Depois, pegou o cálice, deu graças, passou-o a eles, e todos beberam. E disse-lhes: “Este é o meu sangue da nova Aliança, que é derramado por muitos”. O evangelista São Lucas acrescenta: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22, 19).

 

Cada vez que a Igreja realiza esta memória está trazendo para o presente a vida, a morte, a ressurreição de Jesus Cristo, tornando-o presente no mundo. Não se trata, porém, de uma simples recordação histórica, informativa para satisfazer a curiosidade. Fazendo a memória dos acontecimentos relacionados a Cristo educa-se o fiel a realizar aquilo que está celebrando desafiando-o a pensar e agir daquela maneira.

 

Da fala e da atitude de Cristo, no acontecimento da instituição da Eucaristia, evidenciam-se a doação e a partilha. Para os cristãos católicos e todos os que desejarem, poderíamos lançar um olhar sobre o mundo sob estes pontos de vista: doação e partilha. Nunca é demais lembrar que cada um é mundo, é corresponsável por ele. Os ensinamentos de Cristo raramente eram dirigidos a destinatários específicos, por isso são ensinamentos válidos para todos.

 

O dicionário tentando definir o verbo doar fala em transmitir gratuitamente, consagrar-se, dedicar-se, devotar-se, dar-se. Na definição aparece claramente um duplo sentido: dar algo externo, ou seja, um bem, uma coisa e o outro sentido é dar-se. Jesus falou claramente que estava se dando: isto é o meu corpo, isto é o meu sangue. É a oferta de sua vida para dar vida aos favorecidos.

 

Conseguir com o suor do rosto os meios necessários para ter condições de vida digna para si e dependentes é uma obrigação de cada um. Porém, para consegui-los precisamos dos outros e estabelecemos relações profissionais, comerciais, etc. É preciso estar atento para não transformar todas as relações em comerciais, isto é, tudo deve ser concluído com pagamentos.

 

Os apelos que constantemente nos vem para doar coisas e doar-se são um santo remédio. As pessoas e a sociedade curadas têm mais vitalidade e alegria. Apelos de trabalhos voluntários em instituições já existentes e em novas que podem ser criadas; doação de sangue e órgãos para quem se enquadra nas condições exigidas; doação de alimentos e roupas não nos deixam indiferentes.

 

A segunda palavra é partilha, isto é, dividir, repartir. Na Ceia Pascal Jesus tomou o pão, o partiu e distribuiu, e o mesmo fez com o cálice partilhando o vinho. Um gesto que aponta para quem está ao lado e estimula a repartir para manter a unidade.

Matematicamente aquele que divide fica com menos, porém considerando outras dimensões da existência humana, a partilha é soma, é mais, é comunhão, é inclusão social, é dignidade de vida.




Oração ao Espírito Santo

Sábado, 19/05/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Os cristãos celebram, neste domingo, a Festa de Pentecostes - relatada no livro dos Atos dos Apóstolos no capítulo 2. Passados 50 dias da morte e ressurreição de Jesus Cristo, os simpatizantes, os discípulos deste Cristo, ainda não estavam convictos da força transformadora e salvadora dos atos e ensinamentos do mestre, além de terem dúvidas se eram capazes de levar à frente o Evangelho. O texto relata o efeito do Espírito Santo nos discípulos: unidade, compreensão, alegria, coragem, anúncio da verdade.

 

O mundo em que vivemos nos deixa perplexos e para muitos problemas não sabemos o que fazer, o que pensar, como agir. Um dos desafios do mundo é a convivência fraterna e respeitosa entre os cristãos e as diferentes religiões. Há muitas atitudes de fanatismo. Um dia, os discípulos se queixaram com Jesus que não conseguiam resolver um problema e recebem como resposta que lhes faltava fé e oração (cf Mc 9,29; Mt 17, 20-21). O CONIC - Conselho Nacional de Igreja Cristãs – há muitos anos promove neste período a Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos. Partilho esta Oração ao Espírito Santo de um autor desconhecido.

 

Vem, ESPÍRITO DE LUZ, ilumina, esclarece, conscientiza. Faze-nos penetrar no interior das coisas, por trás das aparências. Sem a tua presença, tudo é sem sentido e a história sem rumo. Que em tua Luz, vejamos a luz.

Vem, ESPÍRITO TRANSFORMADOR, desperta, dinamiza, multiplica as energias escondidas do teu povo. Sem a tua força, tudo está parado, estagnante, desintegrado. Vem, transforma a face da terra.

Vem, ESPÍRITO CRIADOR, renova, constrói, reinventa o futuro do qual nós somos responsáveis. Sem a tua coragem, somos velhos e incapazes de atos novos, de ação libertadora. Vem, cria o homem novo aberto ao Espírito.

Vem, ESPÍRITO UNIFICADOR, arranca-nos da nossa solidão. Ensina-nos a partilhar, a dividir, a solidarizar, a não desistir. Sem a tua ajuda, somos egoístas e orgulhosos. Ensina-nos a sabedoria na intimidade.

Vem, ESPÍRITO CONSOLADOR, sara, consola os corações aflitos, as chagas escondidas. Sem o teu apoio, tudo é triste, sem vida. Na tua presença, júbilo sem fim.

Vem, ESPÍRITO PACIFICADOR, une os povos, as raças, as comunidades, as famílias divididas. Dá-nos teu perdão. Sem teu amor, somente há luta e briga. Vem, Espírito de paz.

Vem, ESPÍRITO DE URGÊNCIA, apressa os tempos, queima as etapas. O Cristo está à porta e bate. Vem, encaminha a história para o Reino.

Vem, ESPÍRITO ESCONDIDO, Espírito Prometido, Espírito dos Profetas, de Jesus, de Maria, da Igreja Nascente. Revela-te a teu povo reunido, à tua Igreja em oração. Espírito misterioso, Espírito de Deus, derrama o teu Amor. Amém. Aleluia.






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