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Colunistas


Oração pelas mães

Sábado, 12/05/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Louvado sois Deus criador pela mãe terra lugar de geração, acolhida e desenvolvimento de todos novos os seres vivos. Cada dia experimentamos uma irrupção de novidades e renovação por todos os lados. Ensinai-nos a respeitar e a cuidar da mãe terra.


Louvado sois Deus Pai que para realizar a obra da redenção escolhestes precisar de uma mãe. Jesus foi acolhido no ventre da mãe Maria, sentiu o cuidado e o calor do colo humano. Foi educado pela sabedoria de sua mãe. E, com esta escolha, ressaltais a dignidade inviolável e a santidade da maternidade.


Louvado sois Senhor pela minha mãe. Como filho não é preciso qualifica-la. Ela é simplesmente minha mãe. Ela presenteou-me com o dom da vida, cercou-me de cuidado e deu-me alimento. Ensinou-me que devo amar a Deus.


Louvado sois Deus providente por todas as mães que vivem alegremente o dom da maternidade. Graças a elas a vida se renova, se multiplica e a criação vai se perpetuando.


Suplicamos, ó Senhor Deus forte, por todas as mães que estão inseguras na missão materna diante de um futuro incerto. Concedei a elas a confiança de que cuidando bem agora dos filhos estão educando-os para o amanhã.


Suplicamos, ó Senhor Deus da vida, pelas mães que tem o desejo de abortar. Iluminai as suas consciências para que tomem uma decisão em favor da vida.


Suplicamos, ó Senhor Deus presente, pelas mães que na medida em que os filhos cresceram, também se distanciaram até o quase total esquecimento. Os filhos talvez esqueçam as mães, mas as mães certamente não esquecem os filhos.


Suplicamos, ó Senhor Deus libertador, pelas mães dos encarcerados. Fizeram de tudo para afastá-los de caminhos tortuosos, mas não conseguiram e agora ainda sofrem de vê-los nessa condição, mas mesmo assim, não os deixam abandonados.


Suplicamos, ó Senhor Deus da partilha, pelas mães que veem os filhos crescerem sem poder dar o mínimo necessário para um desenvolvimento digno. Marginalizadas não poupam esforços para incluí-los na sociedade e a partilhar o pouco que tem.


Suplicamos, ó Senhor Deus da cura, pelas mães que têm filhos com doenças crônicas e incuráveis. Pela necessidade de cuidado desdobram-se para darem conta das tarefas diárias e mais o atendimento aos filhos enfraquecidos pelas doenças. Quanta doação e quanta esperança que um dia uma boa notícia de cura ouvirão. Dai-lhes Senhor a serenidade no sofrimento, pois é um sofrer por amor.


Suplicamos, ó Senhor Deus fonte da vida, por todas as mulheres que desejam ser mães. Alimentai nelas um amor incondicional pelos filhos que vão gerar; dai-lhes a sabedoria e a fortaleza necessárias para a missão que estão se preparando.


Suplicamos, ó Senhor Deus compassivo, por todas as outras situações de sofrimento, que são muito mais amplas do que as citadas. Perdão se alguma situação importante deveria ser lembrada, mas vós conheceis as necessidades de todas as mães.


Suplicamos Senhor da vida que as mães ensinem a todos os homens a amar a vida. Pela intercessão da Mãe Maria, Deus abençoe as mães.




O sagrado direito ao descanso

Sábado, 05/05/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Na tradição judaico-cristã o repouso semanal é tão importante que adquire valor sagrado, pois sua origem não é humana, mas divina. São João Paulo II na carta apostólica Dies Domini – O Dia do Senhor - de 31 de maio de 1998 reaviva para os cristãos católicos o sentido e a importância do domingo. Partilho alguns ensinamentos desta carta para enriquecer a reflexão.


Na primeira página da Bíblia, Deus aparece como exemplo de “trabalho” e também de “repouso” para o homem. Lançou “um olhar contemplativo, que visa a novas realizações, mas sobretudo a apreciar a beleza de quanto foi feito; um olhar lançado sobre todas as coisas, mas especialmente sobre homem, ponto culminante da criação” (nº 11). A contemplação gera admiração e ajuda a libertar de interesses utilitários.


Ligado a este “descanso” divino da criação está o preceito do descanso no sábado como recordação de uma época que não deveria voltar. “Lembra-te de que foste escravo no Egito, mas o Senhor teu Deus te tirou de lá com mão forte e braço estendido” (Dt 5,15). No pentateuco desenvolve-se uma legislação religiosa-civil sobre o descanso para proteger os mais fracos e colocar limites na ganância. ”Seis dias trabalharás e no sétimo descansarás, para que descansem também o boi e o jumento, e possam tomar fôlego o filho de tua escrava e o estrangeiro” (Ex 23, 12).


Na tradição cristã acontece a passagem do sábado ao domingo. O governador romano da Bitínia, Plínio o Jovem, no início do segundo século, escrevia ao imperador dizendo que os cristãos “se reúnem num fixo, antes da aurora, para entoarem juntos um hino a Cristo, como a um deus”. No século V escrevia o papa Inocêncio I: “Nós celebramos o domingo, devido à venerável ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo”. Testemunha um costume já consolidado originado pela Páscoa cristã que unânime testemunha que foi neste dia, o “primeiro dia depois do sábado”, que Jesus ressuscitou.


Durante séculos os cristãos viveram o domingo apenas como um dia de culto, um dia de celebração, em especial da celebração da Eucaristia. O imperador Constantino decreta no ano 321: “Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol”. Desde o ano 312 ele estava se aproximando do cristianismo certamente por influência da mãe Santa Helena e por razões políticas e religiosas, mas só recebeu o batismo em 337 no leito de morte. Por isso, são discutíveis as reais motivações de Constantino para estabelecer um dia de descanso no Império Romano, independente das razões o fato é que introduziu um dia de descanso semanal. O dia escolhido para o descanso foi o dia do “Sol” que coincidia com o dia que os cristãos se reuniam, depois denominado de domingo. Aos poucos, o dia de descanso foi se expandido pelo mundo.
O papa Francisco na carta encíclica Laudato Sí, numa perspectiva de ecologia integral e cuidado da criação, inclui o tema do direito ao descanso. “Este dia, à semelhança do sábado judaico, é-nos oferecido como dia de cura das relações do ser humano com Deus, consigo mesmo, com os outros e com o mundo.” O domingo por ser dia da ressurreição, é o primeiro da nova criação, integra na espiritualidade cristã o valor do repouso e da festa; a ação humana é preservada do ativismo e da ganância desenfreada e da busca apenas do benefício pessoal. “O repouso é uma ampliação do olhar, que permite voltar a reconhecer os direitos dos outros” (LS 237).




O direito ao trabalho

Sábado, 28/04/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Em 15 de maio de 1891, o papa Leão XIII, publicou a carta encíclica “Rerum Novarum” (Das coisas novas) sobre a condição dos operários e o mundo do trabalho. A carta é fruto das profundas mudanças que a Revolução Industrial havia provocado. Novas possibilidades de trabalho foram criadas como também novas relações entre trabalhadores e empregadores se estabeleceram. Caminhos se abriram e sérios problemas apareceram. As mudanças continuam acontecendo velozmente. Surgem novas modalidades de trabalhos, novas profissões, outras diminuem de valor e até desaparecem. Se é importante aquilo que é produzido, porém o mais importe são as pessoas que trabalham. 

 

A Doutrina Social da Igreja tem colaborado com seus ensinamentos para orientar os cristãos sobre o trabalho humano e seus múltiplos aspectos. Um deles é o direito ao trabalho, como ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI) no nº 287: “O trabalho é um direito fundamental e é um bem para o homem: um bem útil, digno dele porque apto a exprimir e a acrescer a dignidade humana. A Igreja ensina o valor do trabalho não só porque este é sempre pessoal, mas também pelo caráter de necessidade. O trabalho é necessário para formar e manter uma família, para ter direito à propriedade, para contribuir para o bem comum da família humana. A consideração das implicações morais que a questão do trabalho comporta na vida social induz a Igreja a qualificar o desemprego como uma “verdadeira calamidade social”, sobretudo em relação às jovens gerações”.


Sendo o trabalho um direito de todos, a garantia deste direito envolve os indivíduos, a sociedade civil e o Estado. “Os problemas do emprego chamam em causa as responsabilidades do Estado, ao qual compete o dever de promover políticas ativas do trabalho ... incentivando para tal fim o mundo produtivo. O dever do Estado não consiste tanto em assegurar diretamente o direito ao trabalho de todos os cidadãos .... “quanto em secundar a atividade das empresas, criando as condições que garantam ocasiões de trabalho, estimulando-a onde for insuficiente e apoiando-a nos momentos de crise” (DSI, 291). Em época de globalização, a cooperação e a colaboração entre os Estados e instituições internacionais é fundamental para a promoção da justiça e da paz civil.


A garantia do direito ao trabalho também passa pela a sociedade civil com as suas diferentes organizações empresariais e sociais. “Eles se oferecem ao mercado como um variegado setor de atividades trabalhistas que se distinguem por uma atenção particular à componente relacional dos bens produzidos e dos serviços dispensados em múltiplos âmbitos: instrução, tutela da saúde, serviços de base, cultura” (DSI 293).


A cada direito corresponde um dever, neste sentido se a pessoa tem direito ao trabalho, também tem o dever de trabalhar. Vários textos bíblicos exortam que não é justo viver à custa dos outros. O cristão é chamado a trabalhar não só para conseguir o seu pão, mas também “suscita aquelas energias sociais e comunitárias que alimentam o bem comum, a favor, sobretudo, dos mais necessitados” (DSI 266).




Unidade no essencial

Sábado, 21/04/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No dia 20 de abril terminou a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - que teve como tema central a aprovação de “Diretrizes para a formação dos presbíteros na Igreja do Brasil”. São diretrizes que foram aprovadas, isto é, direcionamentos essenciais que devem ser seguidos em todos os Seminários e Casas de Formação de padres no Brasil para manter a unidade da Igreja. As diretrizes aprovadas aplicam para o Brasil a “Ratio Fundamentalis Institutiones Sacerdotalis (O Dom da Vocação Presbiteral), de 08 de dezembro de 2016, da Congregação para o Clero do Vaticano, que traça diretrizes universais da formação de presbíteros.


É dessa maneira que a Igreja Católica vive a unidade. Cada diocese deve seguir as orientações gerais e maiores, mas isto não impede de tomar iniciativas locais. Uma diretriz maior não diminui a criatividade local, pois o esforço de aplicar a norma geral cabe a cada diocese. Desse modo se mantém a unidade nas coisas essenciais. Ter diretrizes gerais para a formação é uma necessidade, pois o padre atua em nome da Igreja e a repercussão do seu trabalho pastoral ultrapassa os limites locais.


O objetivo das diretrizes é formar presbíteros. O referencial absoluto é Jesus Cristo, mestre, sacerdote e pastor. O processo formativo procura levar progressivamente o candidato a configurar-se a Cristo no modo de pensar, de agir e abraçar a missão de anunciar do Evangelho.


As Diretrizes aprovadas oferecem elementos progressivos da formação presbiteral. O ponto de partida é o contexto atual do mundo, com seus desafios e possibilidades. É dentro deste contexto que nasce, cresce e se desenvolve a opção vocacional dos jovens. O primeiro desafio para o jovem é se conhecer, dar-se conta de suas habilidades, seus gostos, seus dons. Em linguagem religiosa falamos fazer o discernimento e a opção vocacional a partir da fé. Cremos que no plano amoroso de Deus há um chamado para cada batizado. É no diálogo de fé que vai acontecendo o primeiro discernimento vocacional. Escolher bem permite viver uma vida mais realizada e feliz.


Dados os primeiros passos, o processo formativo presbiteral vai direcionando os candidatos para a formação mais específica que acontece no seminário maior. Numa visão de conjunto são trabalhadas cinco dimensões. Em primeiro lugar, vem a dimensão humana que é o fundamento de toda formação presbiteral. É promover o crescimento integral do formando para atingir a maturidade necessária para o futuro exercício do ministério ordenado. Uma segunda dimensão é a comunitária capacitando para a convivência fraterna e ser líder de uma comunidade. A dimensão espiritual leva a cultivar uma profunda comunhão com Deus e o seguimento de Jesus Cristo. Alimentar-se de Deus para ser dispensador das graças divinas aos fiéis. A quarta dimensão é a pastoral-missionária, pois os chamados foram escolhidos e são enviados para conduzirem o povo de Deus, a exemplo de Jesus Cristo o Bom Pastor. A quinta dimensão é a formação intelectual que se desenvolve normalmente através das faculdades de filosofia e de teologia. As dimensões são desenvolvidas simultânea e harmonicamente.


A unidade da Igreja não é feita só de boas intenções, mas é feita através de instrumentos de trabalho, de ajuda mútua. A CNBB, ao elaborar conjuntamente as diretrizes, faz este exercício de comunhão, de partilha e unidade no essencial.




56ª Assembleia da CNBB

Sábado, 14/04/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – está realizando, entre os dias 10 a 20 de abril, a 56ª Assembleia Geral ordinária, na cidade Aparecida, SP. A CNBB foi fundada em 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, onde também funcionou a primeira sede, que depois foi transferida para Brasília – DF - em 1977. Desde a fundação as assembleias acontecem regularmente.

A origem e a finalidade da Igreja Católica não são iguais a outras organizações da sociedade. A sua origem remonta à vontade de Deus Pai, ela se configura com as ações de Jesus Cristo e continua no mundo sob a ação do Espírito Santo. A finalidade da sua existência é anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Tendo presente isto, os 10 dias da assembleia, iniciam com a celebração da Santa Eucaristia com a oração das Laudes e durante o dia acontecem outros dois momentos de oração comunitária, Hora Média e Vésperas, da Liturgia das Horas que é o livro oficial de orações da Igreja. Além disso, o final de semana é dedicado a um retiro espiritual.Mesmo que a origem da Igreja seja divina, mas é destinada a pessoas humanas com suas fragilidades. A Igreja sabe que é santa pela sua origem, mas é pecadora por causa dos seus membros. A condução da Igreja é feita por pessoas humanas limitas, por isso os humanos que a dirigem devem deixar-se conduzir pelo Espírito Santo.

A Igreja realiza a sua missão evangelizadora no mundo. Ser Igreja hoje é ser Igreja neste Brasil real que vivemos. Não é possível amar a Deus e ao próximo de forma abstrata e atemporal. Quando lemos o Evangelho percebemos que os ensinamentos de Jesus Cristo estão envoltos nos fatos históricos. Jesus mostra a todos os ouvintes qual é a vontade de Deus nestes acontecimentos e o que deveria mudar para que as pessoas e a sociedade tivessem vida em abundância. É neste mundo que acontece a Assembleia da CNBB que faz refletir, rezar, opinar e discernir a vontade de Deus no tempo presente.

Todos os pronunciamentos oficiais emanados na Assembleia são fruto de muito diálogo, debate, estudo. Há espaço e liberdade para cada bispo manifestar o próprio ponto de vista. Os assuntos passam por pronunciamentos individuais, estudos de grupos até chegarem ao debate no grande plenário. E quando um assunto ainda não chegou à maturidade suficiente não é aprovado e não é assumido como orientação do episcopado brasileiro.

Por sua natureza a Igreja procura construir a unidade, pois todos somos irmãos. Buscar a unidade na diversidade é sinal de quem quer construir. Submeter a visão pessoal sobre um assunto à verificação de uma assembleia é um sinal visível de quem quer edificar,  de quem busca o bem comum. Bem no início do Cristianismo, lemos no livro dos Atos dos Apóstolos 15, 1-35, que apareceu uma questão que estava dividindo a Igreja. Os apóstolos se reúnem, falam abertamente, restabelecem a unidade e a alegria volta a reinar na Igreja.  Terminam a reunião dizendo: “Porque decidimos, o Espírito Santo e nós... “ (15, 28).

A CNBB congrega os bispos do Brasil para que cada bispo realize da melhor maneira a sua missão em sua diocese. Os bispos são servidores da Igreja e por isso não podem agir isoladamente, mas a sua missão precisa estar em comunhão com o Papa Francisco e com os irmãos bispos. Temos o desafio de sermos bons pastores a exemplo de Jesus Cristo O Bom Pastor.






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