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Colunistas


Carnaval

Sábado, 10/02/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Vivemos dias de carnaval. Um feriado prolongado que permite as pessoas organizarem atividades fora da rotina. O que ganha destaque são as festas relacionadas com o carnaval: desfile de escolas de samba, os foliões se divertindo ao som dos trios elétricos, festas em clubes, entre outras modalidades. Outras pessoas se recolhem em retiros espirituais, visitam familiares, fazem turismo ou simplesmente ficam em casa. O carnaval mexe com os brasileiros, mesmo que o envolvimento individual seja diferente para cada um.

 

Creio que seja a maior festa popular do mundo e o carnaval brasileiro seja um dos mais famosos. Festa é reunião alegre para fim de divertimento, alegria, desconcentração, algo prazeroso que cria bem-estar. Porém, o carnaval vem acompanhado de excessos gerando graves preocupações com o trânsito, com a saúde, com o cuidado do corpo e com comportamentos morais questionáveis.

 

Os grandes desfiles das escolas de samba revelam uma criatividade ímpar. Desenvolver um tema através de uma letra, de uma melodia, de vestes, movimentos, cores, etc, exige intuição, inspiração, disciplina e harmonia. Toda esta criatividade revela a potencialidade do povo brasileiro. Revela que temos condições para encontrar saídas criativas para tantos outros problemas sérios que nos afligem cotidianamente.

 

O carnaval coloca milhões de brasileiros para viajar. É muito bom viajar e ampliar os horizontes. O simples fato de conhecer uma nova cidade, uma nova praia, novas pessoas enriquece o viajante. Temos informações suficientes sobre as nossas estradas, muitas delas limitadas que não suportam um fluxo extra, outras com pouca manutenção e sinalização. Mais grave do que as condições de trafegabilidade das estradas é o comportamento de alguns motoristas que desafiam as leis da física e o código de trânsito. Muito menos têm respeito e amor ao próximo que também está na estrada viajando. Os números de mortes nas estradas são um alerta contundente da necessidade de construir um comportamento de paz e fraternidade no trânsito.

 

Diversão é alegria e euforia, mas que continue na vida após a festa. Abusos de alimentos, bebidas, entorpecentes, comportamentos sexuais, podem causar euforia momentânea e depois resultar em doenças e sofrimento para a própria pessoa, a família e a sociedade. O apóstolo São Paulo sabiamente escreve aos cristãos de Corinto (1 Cor 6,19-20). “Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados por um preço muito alto! Então, glorificai a Deus no vosso corpo”.

 

A Igreja quer as pessoas e o povo feliz; por isso também promove festas nas comunidades. As festas de carnaval desejam alegrar o povo. Festejar não significa ignorar os problemas que a pessoa e o país têm, mas renovar as forças para alegremente enfrentá-los e criativamente encontrar soluções. Uma pessoa feliz, um povo feliz superam mais facilmente seus problemas.




Dia da Caridade

Sábado, 03/02/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

No dia 10 de maio de 2016, foi promulgada a lei Nº 5197 que institui o dia 11 de fevereiro como o Dia Municipal da Caridade na cidade de Passo Fundo. O projeto foi apresentado pelo Legislativo Municipal e a seguir foi sancionado e promulgado pelo Poder Executivo. A motivação de instituir o Dia Municipal da Caridade foi homenagear os 100 anos da fundação da primeira Conferência da Sociedade São Vicente de Paulo - fundada em 11 de fevereiro de 1916. Da caridade dos vicentinos nasceram obras como o Lar do Idoso Nossa Senhora da Luz, Casa de Apoio, Escola de educação infantil Notre Dame Santa Isabel e o Hospital São Vicente de Paula.


A caridade não é invejosa, não é interesseira, não é presunçosa, nem se incha de orgulho nos escreve São Paulo na primeira carta aos Coríntios 13, 1-13. Por isso é necessário e justo reconhecer todas as obras de caridade existentes na cidade de Passo Fundo, sejam aquelas ligadas às Igrejas ou à sociedade civil, aos órgãos públicos e aquelas incontáveis e invisíveis ações individuais. É bom parar, perceber e reconhecer que isto faz parte do cotidiano da cidade. Ignorar estas ações é fazer uma leitura parcial da realidade.
Uma data como o Dia Municipal da Caridade não delimita a ação caritativa. Jesus, em um ambiente conflitivo, pergunta aos legalistas: “Em dia de sábado, é permitido: fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar? (Mc 3,4). Para fazer o bem não existe dia, nem limitação moral, nem legal. Ter um dia da caridade é provocativo e faz refletir.


A caridade faz parte da história da humanidade e é ensinada e estimulada pelas grandes correntes religiosas e humanitárias. Ignorar a caridade na história da humanidade é fazer uma leitura superficial, pois, infelizmente, as páginas dos livros de história ressaltam em demasia violência e crueldade, que também existiram e continuam existindo.


A marca da caridade cristã está na sua referência a Jesus Cristo. É ele sua fonte, seu centro e seu fim. O cristão através da sua fé em Cristo e de sua comunhão viva com ele, está em condições de amar os homens como o próprio Cristo os amou e continua amando-os. Disso brotam algumas peculiaridades específicas da caridade cristã.


A caridade é uma virtude teologal, junto com a fé a esperança. Virtude é uma atitude firme, uma maneira habitual e constante de agir que regula os atos da pessoa. Não é um ato isolado, nem uma ação com segundas intenções. Ensina o catecismo que “pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem”. A fé, a esperança e a caridade formam um todo indissolúvel e mutuamente se chamam e se complementam.


Uma segunda característica é o caráter universal da caridade, por se dirigir a todos. Parte do princípio de que todos são irmãos (Mt 23,8), assim como Deus faz chover sobre os bons e maus (Mt 5,45). Outra marca da caridade cristã é que ela é um caminho de conhecimento de Deus e do ser humano. Conhecer em linguagem bíblica vai além do observar, memorizar, saber, mas atinge o plano das relações humanas.


Por fim, a caridade é uma realidade criadora e uma fonte fecunda de vida, ultrapassando os limites legais dos direitos e deveres. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica no nº 1829: “A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia; exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão”.




Ensinava com autoridade

Sábado, 27/01/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Os evangelistas testemunham que Jesus ensinava como quem tem autoridade e não como os mestres da lei. As pessoas ficavam admiradas com seus ensinamentos. Também em outras ocasiões reconheciam a autoridade de Jesus. Em que consistia esta autoridade? O que causava admiração? Comparavam Jesus com seus mestres e constataram nele algo muito diferente.


A sociedade e as instituições para funcionarem constituem autoridades e as revestem de poder. O modo como a autoridade é exercida tem profundas repercussões. O exemplo de um jogo de futebol ajuda a compreender a afirmação acima. Há jogos que acontecem num clima de alta tensão, como finais de campeonato, e não acontecem incidentes maiores pela atuação do juiz. Em outros, sem a mesma importância, o juiz, com sua a autoridade, cria situações conflitivas. Se a autoridade é imprescindível para o funcionamento social, do mesmo modo a maneira como é exercida também o é. Não basta ter legitimidade legal, precisa estar acompanhada de legitimidade moral.


O que dava autoridade a Jesus Cristo e aos seus ensinamentos? Creio que em primeiro lugar esteja o conteúdo que as palavras transmitiam. Ensinamentos que proporcionavam uma revisão no modo de ver a vida, o destaque dado aos elementos essências do relacionamento com Deus e as pessoas e a proposta de um novo modo de viver.


A coerência de vida entre o que ensinava e a sua maneira de viver. Ensinava a fraternidade e, consequentemente, se relacionava respeitosamente com todas as pessoas, de todas as classes. Mantinha o nível de convivência com quem concordava com Ele e quem era contrário. Ensinou a perdoar e quando foi crucificado e maltratado pede que Deus Pai perdoe os malfeitores.


Outra marca dos ensinamentos de Jesus é que falava o que as pessoas precisavam ouvir e não simplesmente aquilo que desejavam ouvir. Frequentemente, para justificar os próprios pecados e erros, desejamos que as pessoas concordem conosco. Porém confirmar o erro e se acomodar nele, fecha a possibilidade de mudanças necessárias.


Os ensinamentos de Jesus Cristo têm a marca da universalidade e de serviço aos ouvintes. Os ensinamentos essenciais têm validade para todos os seres humanos. Envolve todos os ouvintes pois todos tem a necessidade e a possibilidade de serem melhores e fazerem mais. Não cria o grupo dos puros e impuros, nem dos privilegiados.


O modo de ensinar de Cristo era transparente, não tinha “segundas intenções”. São Pedro exclama que as palavras de Cristo são vida e vida eterna. Todos usam abundantemente palavras. São falas que transmitem os mais diversos assuntos e com os mais diversos objetivos. Muitas são agradáveis, cheias de verdade, construtivas e outras são superficiais, vazias, ofensivas. Torna-se um verdadeiro desafio distinguir as palavras falsas das verdadeiras. Notícias falsas são criadas e divulgadas gerando situações constrangedoras.Falar de forma transparente para não perder a credibilidade é desafio permanente da comunicação interpessoal e do exercício do poder.


Jesus permanece como exemplo e modelo de uma palavra boa e potente. Os seus ensinamentos se impõe por si, porque são capazes de iluminar a inteligência, aquecer o coração, dar vigor à vida.




“A verdade vos libertará” (João 8, 32)

Sábado, 20/01/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

O momento que vivemos no país está deixando os brasileiros, em particular os mais pobres, atordoados. As investigações revelaram gigantescos esquemas de corrupção. E cada dia novos fatos surgem. É uma verdadeira praga. Há uma longa lista de acusados, com uma enxurrada de acusações, prisões, condenações, absolvições, recursos, liminares, interpretações, etc, etc. Fica a pergunta onde está a verdade? Quem está falando a verdade? O que é fato? O que é versão do fato?

 

Depois de ser preso, Jesus foi conduzido a Pilatos para ser interrogado. No interrogatório Pilatos faz uma pergunta a Jesus: “O que é a verdade?” (Jo 18,38). Certamente fez esta pergunta porque tinha informações de que Jesus era verdadeiro, falava a verdade, testemunhava a verdade, educava as pessoas à verdade e se tinha apresentado como a Verdade. A pergunta é feita durante um processo no qual Jesus era réu e havia a necessidade de fazer um julgamento e proferir uma sentença.

 

Para que uma sentença de absolvição ou condenação seja justa precisa revelar a verdade. Cada dia juízes, revestidos pelo Poder Judiciário, emitem sentenças. Somente os julgamentos e as sentenças de alguns personagens públicos despertam um interesse maior da sociedade. Torna-se um debate público, indo além dos tribunais. Isto é salutar para a sociedade e para o poder judiciário. A publicidade permite que a sociedade compreenda melhor o sistema judiciário, seus trâmites, seus limites e o serviço que presta.

 

Os processos revelam como é difícil chegar à verdade. Os recursos revelam que as partes não ficaram satisfeitas com a sentença, ou porque foram injustiças ou porque não querem admitir a acusação, reconhecendo a culpa. O recurso a instâncias superiores é um meio para um julgamento mais justo, pois um colegiado pode errar menos do que um único juiz.

 

E a pergunta de Pilatos: O que é a verdade? Não se encontra uma definição unívoca. O dicionário de filosofia de Nicola Abbagnano distingue cinco conceitos fundamentais de verdade: 1º A verdade como correspondência, é a definição mais importante e a mais difundida. Santo Tomás de Aquino a formulou assim: “correspondência entre o intelecto e a realidade”. 2º A verdade como revelação ou manifestação, tendo como formas fundamentais: uma empirista – ligada aos sentidos – e outra metafísica ou teológica. A ênfase está na evidência. 3º A verdade como conformidade com uma regra ou conceito. 4º A verdade como coerência e o 5º a verdade como utilidade, isto é, verdadeiro o que me é útil.

 

O Catecismo da Igreja Católica, nº 2468 ensina: “A verdade como retidão do agir e da palavra tem o nome de veracidade, sinceridade ou franqueza. A verdade ou veracidade é a virtude que consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar, guardando-se da duplicidade, da simulação e da hipocrisia”.

 

A verdade não pode ser refém de visões subjetivas e da arbitrariedade dos interesses pessoais ou de grupos para manter o poder. Tornaria a justiça impossível. As ditaduras na história se construíram e se mantiveram sobre mentiras. O ensinamento de Jesus que a verdade nos torna livres, é condição para restabelecer um clima de confiança para enfrentar os múltiplos problemas sérios que o país enfrenta em vista da construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. O amor incondicional pela verdade poderia ser simplificado nas palavras de Jesus: “Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mateus 5,37).




Férias

Sábado, 13/01/2018 às 06:00, por Dom Rodolfo Luis Weber

Muitas pessoas, nesta época do ano, têm a oportunidade de fazer as suas merecidas férias. Interromper a rotina de trabalho, de estudos e de outras atividades é salutar. Porém, férias não significa fazer nada, mas fazer coisas diferentes que o cotidiano nos obriga a fazer apressadamente. Planejar e vivenciar estes breves dias é necessário para alcançar os objetivos. O que fazer nas férias? Não existe um caminho único, pelo simples fato das pessoas exerceram atividades diferentes, terem habilidades e gostos diferentes.


Talvez a primeira descoberta a ser feita é o que me faz descansar? Do que devo abrir mão para distanciar-me daquilo que faço cotidianamente? Pois, mesmo mudando de ritmo ou indo em outros lugares, posso levar o trabalho comigo.


As férias são uma oportunidade para vivenciar o silêncio. Em certas circunstâncias, principalmente para recordar falecidos, se faz o minuto de silêncio. Não se diz nada, não se faz nada, mas pode constituir-se um momento forte. Não se trata de um silêncio vivido somente como um vazio, como uma ausência de rumores e de palavras. O que vale é a qualidade de silêncio, nesse caso qualidade de presença de escuta, grande concentração. Ouvir-se a si mesmo. Propor o silêncio é uma arte que pede muito cuidado e necessita ser preparado para não tornar-se insignificante e cansativo ou reduzir-se a um vazio e a uma ausência momentânea de rumor. O silêncio é, antes de tudo, uma qualidade de presença, de encontro consigo mesmo.


As férias também possibilitam uma convivência mais prolongada com a família e os amigos. Estar presente, ser presença é a prioridade. É uma escolha consciente. Administrar a presença onipresente dos diferentes meios de comunicação virtuais na convivência exige bom senso e sabedoria. A qualquer momento alguém de fora pode invadir e interferir a intimidade familiar gerando distanciamento ou indiferença.


É uma oportunidade de melhorar a capacidade de comunicação e de amar as pessoas próximas. Relações se constroem e melhoram com uma comunicação mais sincera, profunda e confiante. A falta dela rompe amizades, separa famílias e impede de resolver conflitos. A palavra se torna um instrumento para a realização do encontro das pessoas gerando a unidade, pois a palavra é criadora.


Para quem gosta de ler, lembro-me de uma recomendação dada por um professor quando iniciei a faculdade de filosofia. Recomendava-nos que não lêssemos somente livros de filosofia, mas das mais diferentes áreas. Ler algo diferente da área profissional amplia o horizonte daquele mundo que nos ocupa todo ano.


Tempo de férias é tempo propício para cultivar a espiritualidade. Para o cristão a espiritualidade é aproximar-se de Deus. Comungar com o Seu modo de pensar o mundo e as pessoas. É compartilhar os mesmos sentimentos de misericórdia, de solidariedade, de justiça e fraternidade. É ter compaixão com a dor alheia. É colocar-se em oração e diálogo de amor. É abrir-se ao espírito divino. É tomar consciência que somos mais que matéria finita. É dar tempo para estar com Deus.




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