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Colunistas


Nullius in verba e a covid-19

Quinta-Feira, 02/04/2020 às 16:25, por Gilberto Cunha

Para alguns de nós (e torço, sinceramente, para que você esteja nesse grupo), por enquanto, a ameaça da pandemia da covid-19, que assola o mundo e de resto o Brasil, pela falta de ter vivenciado a terrível experiência de perto, tem soado apenas como nullius in verba. Ou seja, as palavras de autoridades sanitárias, não raro acompanhadas de dados aterrorizantes e depoimentos sofridos daqueles que ora vivem o dia a dia nos hospitais que lidam com focos da doença, não parecem suficientes para nos convencer que o perigo que nos ronda é real e iminente. Então, que nos resta fazer? O bom-senso indica que seguir a orientação das autoridades investidas de poder para nos orientar nesse tipo de caso é o único caminho. Teorias conspiratórias e soluções milagrosas, que vicejam nas redes sociais, não nos tirarão do caos, seja na área econômica ou na saúde pública, que se prenuncia.
E a ciência? Bradam outros! Os cientistas da área médica que estão fazendo? Onde está a vacina? E a nova droga para o tratamento dessa virose, quando estará disponível? O protocolo para o tratamento dessa enfermidade está sendo gestado? A meta-análise integrando estudos independentes já foi publicada? Muitas perguntas e, por enquanto, poucas respostas; eis a nossa realidade nesses 3 de abril de 2020.
A solução para o mal que nos aflige virá, no devido tempo, pela via da ciência. Não há outro caminho a ser perseguido. A ciência alcançou o prestígio, que goza hoje no mundo, pela capacidade de produzir resultados, ainda que, nesse percurso, alguns interesses tenham sido contrariados. E, por ora, o que estamos precisando é de mais resultados científicos e menos opiniões (não raras eivadas de intenções obscuras), para lidarmos melhor com a covid-19.
Os especialistas em infectologia, nesse momento, deveriam merecer mais a nossa atenção do que vídeos compartilhados à exaustão pelas redes sociais. Não raro, meras peças publicitárias, pregando visões ideológicas afastadas da real dimensão do problema ou espalhando fake news para tumultuar ainda mais uma situação que já se apresenta demasiadamente conturbada. Não há razão para darmos ouvidos a discursos vazios sobre coisa nenhuma.
No caso da covid-19, assim como em outros do passado, será a atitude cientifica que levará a bom termo a solução dessa pandemia. Nesse momento, suponho uma vez que não posso afirmar, em diversos locais do mundo, equipes multidisciplinares se debruçam sobre o magno problema. As evidências disponíveis estão sendo manipuladas e os dados analisados, alguns eventos secundários, que obscurecem o problema, suprimidos, muitos novos equipamentos sendo projetados e construídos, modelos teóricos da ação e espalhamento da doença desenhados, drogas sendo testadas, resultados sendo gerados e relatórios elaborados. A solução sairá pela inteligência de alguns indivíduos e, por que não, também pelo aproveitamento da idiotice de outros. E para quando? Eis uma pergunta instigante e cuja resposta não escapa do lugar comum: quem viver verá. Teoria e experimentação nos legarão a solução para a covid-19.
A ciência, entendamos para que expectativas não sejam frustradas, tem os seus limites para responder algumas questões. Alguns desses limites pode ser apenas uma questão de prazo para que a resposta seja legada. Estejamos certos disso, não há limites para a ciência responder questões que a ciência pode responder. E o problema da covid-19, eu acredito nisso, é daqueles afetos aos domínios da ciência, cuja solução é uma mera questão de tempo.
No tocante aos problemas políticos e econômicos, que emergem paralelamente à pandemia da covid-19, não há solução científica. O que está em jogo, nesse tipo de questão, é o interesse público. Não é da comunidade científica das ciências da saúde que virão as respostas e as propostas salvadoras. Numa democracia plural e representativa, compete aos nossos governantes e representantes, legitimamente eleitos, a construção dos caminhos que melhor preservarão os interesses nacionais. E a saúde da população vem em primeiro lugar.




O IE e as letras locais

Quinta-Feira, 26/03/2020 às 17:18, por Gilberto Cunha

O Instituto Educacional de Passo Fundo (IE) completou, em 15 de março de 2020, cem anos de história. E o relato dessa trajetória foi muito bem contado, com reproduções de fotografias e documentos históricos e depoimentos de ex-alunos e ex-professores do famoso educandário azul e branco do Boqueirão, no livro “Instituto Educacional de Passo Fundo – Cem anos de história”. A obra foi publicada pelo selo editorial Acervus, sob a chancela do Instituto Educacional Metodista de Passo Fundo e do Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF), tendo como organizadores os ex-alunos Eduardo Pithan e Tania Rösing (na capa), além de Djiovan Carvalho (na ficha catalográfica), pelo IHPF, e do atual diretor do IE, professor Rubem Nei da Silva (na apresentação e no epílogo).
O livro relata a caminhada do IE desde o início, como Instituto Gymnasial (IG), no modesto pavilhão de madeira nos fundos da Igreja Metodista do centro de Passo Fundo, seguindo a diretriz da congregação para que junto aos templos religiosos funcionasse também uma escola. É narrada a história dos primeiros diretores, do quadro inicial de professores e da construção do majestoso Prédio Texas, inaugurado em 1923. E segue com as demais edificações (o prédio do internato, a casa do diretor, o ginásio de esportes, etc.). Passa pela mudança de nome para Instituto Educacional (IE), em 1943. Enaltece os símbolos da escola (a flâmula, o touro do Texas e os lemas Disciplina Praesidium Civitatis e Mente sã em corpo forte). Descreve as formaturas, os desfiles de 7 de Setembro, a banda marcial da escola, as Olimpíadas Metodistas, os concursos internos (oratória, declamação e desenho do mapa do Brasil), o Grêmios Literário Castro Alves, o grupo de escoteiros e bandeirantes Botucaris e a Festa do Dia das Mães (as mães Ienses). E, após reconhecer a trajetória de sucesso dos seus ex-alunos no mundo empresarial, na política, nas artes, na medicina, na educação, etc., chega aos dias atuais com um apelo à comunidade iense para que colabore com a restauração do Prédio Texas, visando a manter as tradições, os valores e o espírito da instituição.
Eu resumiria o sucesso alcançado pelo IE em poucas palavras: inovação, respeito à pluralidade , ensino de qualidade, e, paralelamente, primar por incutir valores nos alunos. O IE foi inovador, na época, ao adotar o modelo de escola mista para meninos e meninas e no sistema de internato para meninos. Mesmo sendo uma escola confessional (Metodista), perfilam, nas 162 páginas do livro, entre professores e alunos, luteranos, católicos, judeus, outros credos, espíritas, maçons, rotarianos e leões do Laions. Mas, os valores de solidariedade, de respeito à família e à individualidade, de competitividade e do primado da meritocracia, estão na raiz do sucesso alcançado pelos ex-alunos ienses.
Nós da Academia Passo-Fundese de Letras rendemos o nosso tributo de respeito e gratidão ao IE. As nossas raízes, que datam de 7 de abril de 1938, estão fortemente atreladas a essa instituição. O mentor do Grêmio Passo-Fundense de Letras foi Sante Uberto Barbieri, o jovem anarquista que se converteu ao metodismo e viraria bispo da congregação, estudou e trabalhou no IE. A nossa principal distinção honorística leva o nome dele: Comenda Mérito Cultural Sante Uberto Barbieri. Também não são poucos os ex-professores ou ex-alunos do IE que integraram, presidiram ou integram a Academia Passo Fundense de Letras. No passado, nomes como Antonino Xavier e Oliveira, Oscar Kneipp, Armando de Souza Kanters, Odette de Oliveira, Aurélio Amaral, César José dos Santos, José Pedro Pinheiro, Píndaro Annes, Herculano Annes, Odalgiro Gomes Corrêa, Sady Machado da Silva, Severino Ronchi e outros. E no presente, os ex-alunos Osvandré Lech e Hugo Lisbôa e a ex-professora Marilise Lech.
Acima de tudo, reconhecemos a importância, para as letras locais, do trabalho de duas ex-alunas e ex-professoras do IE. Tania Rösing, a eterna Dama das Jornadas Literárias de Passo Fundo, mentora e coordenadora dos eventos entre 1981 e 2015, e Fabiane Verardi, atual coordenadora.
Há muito DNA do IE nas letras locais.




O desejo de durar

Sexta-Feira, 20/03/2020 às 07:00, por Gilberto Cunha

Soa infeliz e dramática a frase que, amiúde, se atribui a Gustave Flaubert em seu leito de morte: “Eu morro como um cão e essa puta da Bovary vai permanecer”. Cruel, demasiadamente cruel, de parte do criador para com a criatura! Essa frase, de acordo com George Steiner, é a manifestação clara do paradoxo da angústia de um artista em face da sobrevida misteriosa da personagem, que surgida de palavras sem vida, rabiscadas em folhas de papel, seguindo o seu vaticínio, continuaria a viver.


Madame Bovary e Gustave Flaubert alcançariam, ambos, a imortalidade; apesar do pessimismo do escritor no leito de morte. E imortalidade no sentido de que, ainda hoje a criatura é lida e o criador lembrado e reverenciado. É a típica imortalidade que graceja quando um leitor qualquer, nas mais diferentes línguas que essa obra clássica ganhou traduções, abre o exemplar de um livro (ou manuseia um arquivo digital), trazendo criatura e criador à cena contemporânea.


Estamos falando da imortalidade da criação humana e, em particular de criação literária. E nesse sentido há que se fazer referência à mística heidggeriana, segundo a qual “somos falados” pela linguagem, que, no caso de um escritor poderia ser adaptada para o “ser escrito pelo texto”, ao estilo de Mozart quando dizia “uma sinfonia inteira me veio”, que são exemplificados por George Steiner à exaustão. Isso, que pode aparentar falsa modéstia, é criação.


Outra forma de imortalidade de um escritor pode ser alcançada por um erro de cópia do impressor, cujo exemplo mais notável, também muito citado por George Steiner, é a tradução que Thomas Nashe, dramaturgo e romancista elisabetano, fez para “Ballade des dames du temps jadis”, de François Villon, cujos versos “La clarté tombe des cheveux d`Hélène” (A claridade cai dos cabelos de Helena), que em inglês seria “Brightness falls from the hair”, mas, por uma falha tipográfica, resultou em “Brightness falls from the air” (A claridade cai do ar), transformando-se em um dos versos mais celebrados da língua inglesa e conferindo a imortalidade a Nashe. Queira Deus que a Gráfica Berthier cometa um erro desse tipo durante a impressão da obra de algum escritor passo-fundense!


Na essência do que chamou “As Gramáticas da Criação”, George Steiner questiona: Afinal, Deus criou ou inventou o universo? Um cientista cria ou inventa uma teoria? Um músico cria ou inventa uma melodia? Um matemático cria/descobre ou inventa um novo teorema? A responsa mais sensata pode ser encontrada na raiz da palavra grega “poiésis” que significa criar e não inventar (inventar deriva do latim inventare). Assim, quer seja nas ciências ou nas artes, a imortalidade somente pode advir da criação. É de “poiésis” que deriva a nossa palavra poesia, que, essencialmente, envolve criação.


Difícil falar em imortalidade literária ou em qualquer arte, quando, vivenciando uma crise cultural e de educação, o que vemos grassar são celebridades de talentos e gostos questionáveis, que, dificilmente serão lembrados pelas próximas gerações. Não é sem razão que uma alusão a um clássico encontra tanta dificuldade de ser entendida mesmo entre pessoas detentoras das mais elevadas titulações acadêmicas. Isso talvez seja explicável por, no Brasil, particularmente, vivenciarmos uma crise de leitura que afeta uma ou mais gerações, que se encontram espremidas entre as mais antigas e a atual, comprometidas (sequeladas) por sucessivas reformas de ensino que não deram os melhores resultados, uma vez que, nas Universidades, a preocupação maior foi com a difusão da cultura científica, relegando as Letras e as Humanidades a um segundo plano (inclusive nas notas exigidas para ingresso de novos alunos). E assim a ignorância se perpetua!


Por que Machado de Assis é imortal? Para você eu não sei, mas para mim porque ele, entre outras coisas memoráveis, criou Capitu, aquela mulher, personagem do romance Dom Casmurro, cujo olhar oblíquo, cheio de incertezas e de ambiguidades, sugeria quase tudo e revelava muito pouco. Olhe bem, que pode haver uma Capitu à sua espreita.




O assassinato do pensador

Quinta-Feira, 12/03/2020 às 18:05, por Gilberto Cunha

Uma mulher sentada e segurando um filho pequeno nos braços. Ao seu lado o marido, um prisioneiro recém liberado das correntes, aguarda pelo cumprimento da sentença de pena capital. Eis que entra no recinto um grupo de homens, majoritariamente jovens, e ela diz: “Vê, Fulano, está é a última vez que conversam contigo os teus amigos, e tu com eles!” E o marido faz o quê? Lança um olhar especial a uma pessoa do grupo e decreta: “Ciclano, faze com que a conduzam para a casa!” A mulher é levada contrariada, se debatendo e amaldiçoando o marido e seus amigos com coisas que só as mulheres são propensas a dizer em uma ocasião como essa.
Que tal a cena descrita? Não lhe parece certa insensibilidade do marido para com a mulher e o filho? Esse comportamento, ainda que ele quisesse falar de coisas mais elevadas com os amigos, seria justificável para alguém que está prestes a morrer? Não nos apressamos para tirar conclusões. A cena apesentada, acredito, pelo menos para os minimamente familiarizados com o Fédon, o mais popular e, possivelmente, mais lido dos diálogos de Platão, já foi identificada como a histórica passagem que relata a última conversa de Sócrates com alguns dos seus discípulos, na prisão e no dia que seria executada a sentença da sua condenação à morte. A mulher é Xantipa, a esposa de Sócrates, cognominada de megera, e Fédon é o jovem que narra os trágicos e derradeiros momentos do mestre.
Sócrates, dizem, morreu pelas suas ideias. Cometeu uma espécie de “suicídio” por não condescender com as acusações que lhe foram imputadas e não aceitar penas alternativas. Afinal, a morte, para um filósofo como Sócrates não era um mal em sim mesma, uma vez que via a filosofia como aprendizagem e preparação para a morte. A morte seria um início e não um fim. Assim, na cena do Fédon, Sócrates esbanja serenidade, mais do que os outros personagens, mesmo diante da morte iminente.
E quanto ao fato de ele ter mandado a mulher e o filho embora e preferido ficar com amigos? Há estudiosos dos clássicos, como Olof Gigon, que argumentam que Xantipa e o filho, na passagem do Fédon, representam o mundo da humanidade simples e não dedicada à filosofia, e que, apesar do respeito merecido, deveriam arredar um passo quando a filosofia entrava em cena. Entenda-se que, na época, “arredar um passo “ significava que a gente comum, sem sutileza filosófica, não devia contar quando um filósofo, ainda que, no caso, sendo o marido dela, abria a boca. Explica, mas, nos tempos atuais, eu sei, não justifica.
Sócrates gozava de popularidade, vivia cercado de jovens e, ao mesmo tempo, angariava inimigos com a sua ironia refinada. Acabaria, no ano 399 a.C., acusado de corromper a juventude e desdenhar o culto aos deuses que davam sustentação à democracia grega. Uma coisa era indagar sobre o cosmos e outra bem diferente era especular sobre convenções e práticas do discurso oficial que relacionavam divindades à estabilidade cotidiana do Estado. Seus comentários em defesa da aristocracia (como um governo dos melhores) e de ironia à democracia, como sendo a instituição pela qual um macaco podia se tornar um cavalo, bastando que um número suficiente de pessoas vote nesse sentido, lhe custaram a ida aos tribunais.
Há quem sustente que Sócrates não receberia a pena capital. Havia alternativas para o seu caso. O processo fora montado para forçar o pensador a retratar-se. Mas ele se mostrou inflexível e irritou os juízes quando, na tradicional pergunta sobre qual a pena o réu considerava justa para si próprio, teria respondido que, uma vez tendo prestado tantos serviços à cidade achava justo receber uma pensão vitalícia do Estado. Também declarou que não aceitaria o degredo. Foi o suficiente para ser condenado à morte. E tampouco aceitou as oportunidades de fuga que lhe foram facultadas.
Assim, no raiar de um dia (não precisado) do ano 399 a.C., o homem que, ao ser apontado pelo oráculo de Delfos como o mais sábio de todos, saiu-se com o “Só sei que nada sei” e nos legou a maiêutica e o lema “Conhece-te a ti mesmo”, seria executado ao beber um extrato de folhas de plantas da espécie Conium maculatum, a popular cicuta.




Expodireto – Um tributo a Gilberto Borges

Sexta-Feira, 06/03/2020 às 07:00, por Gilberto Cunha


Ouso sugerir, a você visitante da Expodireto Cotrijal 2020, que, ao passar pela Casa do Plantio Direto, um estande localizado no lado esquerdo e a poucos metros do pórtico principal de entrada da feira, ainda que simbolicamente, preste a sua reverência à memória de Gilberto de Oliveira Borges (1947-2002). Pois foi graças ao entusiasmo e ao idealismo desse engenheiro-agrônomo pelo Sistema Plantio Direto que a semente dessa feira um dia foi plantada, germinou, cresceu, foi manejada com esmero de ourives pela equipe da Cotrijal e rendeu e ainda renderá muitos frutos. Evidentemente, mesmo que capitaneando o movimento, Gilberto Borges nunca esteve sozinho nessa empreitada. Embora possa aparentar, aqui não se trata de culto a personalidades, mas também não nos parece descabido dar os devidos créditos a quem de direito merece receber.
Primeira correção histórica: NUNCA HOUVE UMA EXPODIRETO EM PASSO FUNDO! Há quem diga que a Expodireto começou em Passo Fundo. Não é verdade. Nossa cidade sediou diversos eventos ligados ao Sistema Plantio Direto (Seminários, nacionais e internacionais, Encontros, Reuniões, Feiras, etc.), mas nenhum que tivesse levado o nome Expodireto. Todavia, se alguém quiser dizer que houve uma primeira Expodireto, no RS, deve fazer referência a I Expodireto, que marcou os 10 anos do Clube do Plantio Direto com Cultivo Mínimo de Arroz Irrigado, realizada na Fazenda Cerro do Tigre, em Alegrete, nos dias 6 e 7 de janeiro de 1994. Inclusive, consta que, alguns anos depois, Gilberto Borges consultou o Clube do Plantio Direto de Arroz Irrigado, cuja diretoria prontamente anuiu, sobre a possibilidade de utilizar o nome “EXPODIRETO” para denominar um evento que estava organizando na cidade de Carazinho.
Sobre Expodireto e Passo Fundo, pode-se se dizer que quatros pessoas discutiram e trabalharam muito para materializar essa ideia. Gilberto Borges, pela Revista Plantio Direto, Antoninho Luiz Berton, pela Emater-RS, Rainoldo Alberto Kochhann, pela Embrapa Trigo, e Luiz Graeff Teixeira, como presidente do Clube Amigos da Terra de Passo Fundo. A realização da Expodireto´99 na propriedade de Luiz Teixeira, em Coxilha, foi cogitada. Mas, essa ideia não se viabilizou economicamente. Foi então que Antoninho Berton, que era amigo do diretor do Centro Rural de Ensino Supletivo (CRES), professor Celito Lorenzi, aproximou o grupo daquela instituição, e assim acabou sendo realizada a Expodireto´99 – I Exposição e Demonstração de Máquinas, Implementos e Tecnologias para Plantio Direto na área do CRES, em Carazinho, junto à Rodovia BR 285, de 24 a 27 de março de 1999. O evento foi um sucesso: público superior a 4200 pessoas, palestras no Clube Comercial de Carazinho, dinâmicas de máquinas e a presença com estandes de diversas empresas do segmento rural, que deram a tônica do que estava sendo plantado e o que seria possível colher futuramente.
A posição regional privilegiada, o sucesso da Expodireto´99 e a demanda de novas empresas para participar exigiam mais e melhor estrutura para os eventos futuros. E assim, novamente, Gilberto Borges, à frente da revista Plantio Direto, levou a ideia à direção da Cotrijal, que abraçou a causa e o resultado foi a Expodireto Cotrijal´2000, a primeira da série Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, de 21 a 24 de março de 2000.
Prestamos, nesse texto, nossos respeitos à memória de Gilberto Borges, o idealizador da Expodireto Cotrijal, que, no dia 31 de agosto de 2002, aos 55 anos, morreria repentinamente. Mas, não podemos ignorar o valor do grupo de pessoas que esteve com ele, desde a primeira hora, discutindo, apoiando e trabalhando em prol dessa iniciativa: Rainoldo Alberto Kochhann, hoje aposentado da Embrapa, um entusiasta do Sistema Plantio Direto e dos Clubes Amigos da Terra, Antoninho Luiz Berton, falecido em 17/05/2013, que viabilizou a aproximação de Gilberto Borges e a direção do CRES e era um batalhador da conservação de solos, e Luiz Graeff Teixeira, então presidente do Clube Amigos da Terra de Passo Fundo, um produtor engajado com a causa do plantio direto na palha.






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