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Colunistas


Mariana Bola de Neve se sente diferente

Sexta-Feira, 06/12/2019 às 14:00, por Gilberto Cunha

Quando o autismo caiu-lhe, literalmente, no colo; ao ter uma filha diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o escritor Marco Aurélio Barbiero não se resignou a aceitar o fato como mero desígnio divino e nem adotou a postura negacionista de muitos pais, que, embora merecedora do nosso respeito, relutam a aceitar a verdade. Teve o que podemos chamar de atitude proativa. Apoiado pela família, estudou o assunto com afinco e com a sua prosa refinada produziu obras seminais, genuinamente passo-fundenses, sobre a temática autista. A primeira foi “Mariana no mundo dos saltisonhos”, que lançou luzes sobre TEA na literatura local, e, em 2019, o livro infantil “Mariana Bola de Neve se sente diferente”. Dois livros que são complementares. O primeiro possibilitou que leigos tivessem um melhor entendimento do Transtorno do Espectro Autista e o segundo, voltado ao público infantil, visou a estimular o autoconhecimento da criança autista e a geração de empatia de quem convive com ela; especialmente a aceitação das diferenças no ambiente escolar.
Barbiero é um escritor de talento imensurável. Inspirado na experiência vivenciada com o tema do autismo soube criar personagens e cenas fictícias (ou nem tanto) que expressam mais a realidade do que a própria realidade. O seu texto não soa piegas e nem desperta compaixão. Ao contrário, aporta conhecimento e amplia a nossa visão humanista de mundo. A criatividade do escritor não tem limites. A construção das cenas do dia a dia da família Bola de Neve e a criação dos personagens Mariana, Larissa, Tonico, doutor Perfumado, doutor Óculos Grandes, etc. são primorosas. Culminando com a escolha do sobrenome Bola de Neve, para a personagem Mariana, que diz tudo, uma vez que bola de neve representa uma característica da maioria dos TEAs.
No mundo de Marianas e seus diferentes graus de TEA, apesar das palavras atenuadas do texto de Barbiero, nem tudo são flores. A convivência com uma criança autista não é fácil. Afinal, é preciso entender uma criança que não gosta de experimentar coisas novas, que tem medos que para a maioria podem parecer infundados, que não suporta barulhos e nem odores fortes, que se apavora com animais, que se preocupa com detalhes, que tem dificuldade de integração e pode ser indiferente ou não apreciar demonstrações de afetos e que, não raro, pode ter “chiliques” que, para os desavisados, aparentam apenas birra. Felizmente, realça Barbiero, o avanço da Medicina e do conhecimento geral sobre TEA, com intervenções precoces e o uso de terapia intensiva e atenção multidisciplinar, estão a demonstrar que bons resultados são alcançáveis.
Enfim, eis um livro local (quem disse que não temos escritores locasi?), produzido pelo selo Saluz da Editora do IFIBE, raro e importante. Edição bem cuidada sob a coordenação de Rodrigo Roman, diagramação de Diego Ecker e ilustração de Dirceu Veiga. É o primeiro da linha infantil da série Autismo, indicando que outros estão sendo gestados. Aguardamos!
Ouso sugerir, sem qualquer pretensão a autoridade, que o livro “Mariana Bola de Neve se sente diferente”, de Marco Aurélio Barbiero, deveria ter seu uso priorizado nas escolas, começando por Passo Fundo e atingindo outras esferas. Fica a dica ao senhor secretário de educação de Passo Fundo, professor Edemilson Brandão, e as coordenadorias pedagógicas das escolas locais. O livro trabalha, essencialmente, de como podemos lidar melhor com as diferenças. E se quisermos construir uma sociedade que seja “indiferente às diferenças”, sejam elas de credo político ou religioso, raciais ou de orientação sexual, apenas como exemplos, devemos começar pela Educação. A leitura de “Mariana Bola de Neve se sente diferente” seria útil, inclusive, para muitos adultos que, por ora, destilam seus ódios pelas redes sociais, sem entender que a única indiferença que não se justifica é sermos indiferentes às diferenças sociais que avultam a dignidade da pessoa humana.




A tradução segundo Borges

Sexta-Feira, 29/11/2019 às 07:00, por Gilberto Cunha

Nas memoráveis conferências que Jorge Luis Borges proferiu, em 1971, na Universidade de Columbia/EUA, sobre a formação de escritores, uma delas, especificamente, tratou do oficio da tradução. A transcrição das falas desses encontros, que contaram com a participação de professores e estudantes do programa de escrita da Universidade de Columbia, deu origem ao livro Borges on Writing, publicado em 1973 nos EUA, com edição de Norman Thomas di Giovanni, Daniel Halpern e Frank MacShane, cuja primeira versão para o espanhol veio a público em 2014, pela tradução de Julián E. Ezquerra (Buenos Aires: Sudamericana, 2014. 176p.).
Na visão de Borges, há duas maneiras de traduzir: uma literal e outra que faz uma espécie de recriação do original. E exemplifica com o caso do livro das mil e uma noites. O orientalista Jean Antoine Galland quando verteu esse título do árabe para o francês o fez como As Mil e uma Noites (Les Mille et une Nuits), que, aliás, frise-se, até bem pouco tempo, as versões dessa obra que eram lidas no Brasil tinham como origem a tradução francesa de Galland passada para o português (a 1ª tradução direta do árabe para o português, de Mamede Mustafa Jarouche, surgiu em 2005). Por sua vez, o Capitão Burton, na sua famosa versão do árabe para o inglês, optou por traduzir o título literalmente, dando origem ao clássico O Livro das Mil Noites e uma Noite (The Book of the Thousand Nights and a Night). O titulo dado por Burton, para os nativos das línguas inglesa e latinas, surpreende pela singularidade, adquirindo certa beleza por soar estranho aos nossos ouvidos, o que não acontece com os falantes do árabe, pois, literalmente, é entendido assim.
Borges não descarta que a tradução, pela recriação, pode ser uma possibilidade de aperfeiçoamento do original. Um limite muito tênue de atuação do tradutor, que não raro é causa de atritos com editores e autores /ou herdeiros de obras, sob a alegada modificação de sentido do original, independentemente do direto de parafrasear o que foi feito. O exemplo de recriação, com aperfeiçoamento, pela tradução, é o caso da bem conhecida sentença latina sobre ciência: Ars longa, vita brevis. A versão que Chaucer fez para o inglês não foi simplesmente a literal “Art long, life short” (Arte longa, vida curta), mas sim a opcional “The life so short, the craft so long to learn”, algo como “A vida tão breve, o ofício de aprender tão longo”, que tem uma espécie de poesia e musicalidade que não encontramos no original. A transliteração com dicionário é vista como uma forma inferior de tradução.
A dificuldade de tradução de um diálogo, que pode aparentar certa facilidade, só não é maior que a de um poema. Um fragmento poético pode ser impossível de traduzir. Estamos falando em sentimentos e não em rimas, que não é poesia por ser deveras previsível. E sem esquecer que a prosa de uma época é uma reflexão daquela época, fato que exige do tradutor mais que o mero domínio de línguas. Entender o texto e a intenção do autor é obrigação de quem traduz profissionalmente. O pior de uma tradução não é traduzir mal algumas palavras, mas sim traduzir mal o tom e a voz do autor; segundo J. L. Borges.
O grande dilema do tradutor é como traduzir algo que foi originalmente mal escrito. Se vier a traduzir tal qual consta no original pode ser acusado de ter feito uma má tradução. Indiscutivelmente, coisas mal escritas não podem ser traduzidas literalmente. Eis a razão, dizem, porque as melhores traduções, na maioria das vezes, apenas tocam no original.
Rendemos, pois, nosso tributo aos tradutores. Sem eles, eu e, talvez, você leitor nunca teríamos tido acesso aos cânones da literatura russa e aos clássicos das línguas germânicas. E, sem Jean Antoine Galland, quem sabe, também não conheceríamos a história de “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, que, segundo alguns estudiosos, não existia nos originais, podendo ter sido uma espécie de licenciosidade e criação do próprio Galland (fato não confirmado).




O homem que (agora) conversa com Deus

Sexta-Feira, 22/11/2019 às 07:00, por Gilberto Cunha

O jornalista que, nos últimos 68 anos, manteve os passo-fundenses com os ouvidos, literalmente, colados no rádio e os olhos atentos às páginas dos jornais e com o foco nas telas dos canais locais de televisão, aos 84 anos, nos deixou no dia 18 de agosto de 2019. Antonio Augusto Meirelles Duarte foi, sem sombras de dúvida, o profissional que por mais tempo atuou nos veículos de comunicação de Passo Fundo. Começou no rádio, passou pelos dois jornais diários da cidade e, sempre se reinventando, chegou às telas da TV Passo Fundo, pelo canal 26 da Net local, e, via Web, se fez presente em todos os lugares do mundo.
Antonio Augusto Meirelles Duarte nasceu, em Passo Fundo, no dia 19 de novembro de 1934. Filho do tenente Delmar Duarte, que integrava a Brigada Militar, e da professora de música Zaida Meirelles Duarte. Casou com Mary Raymundi Duarte e é pai do César Augusto, professor de inglês, Luis Felipe, advogado e engenheiro-agrônomo, e do Márcio Alexandre, que atua na área de comunicação. Além de avô do Gabriel, da Fernanda e da Beatriz.
Ao encerrar a sua jornada na Terra em 2019, Meirelles Duarte cumpriu uma caminhada de 68 anos no jornalismo. Iniciou em 1951, nos microfones da Rádio Vera Cruz, no município de Getúlio Vargas. No ano seguinte, em fevereiro de 1952, foi contratado pela Rádio Passo Fundo, onde se destacou como repórter e locutor esportivo. Teve passagem pela extinta Rádio Municipal. Foi colunista dos jornais Diário da Manhã e de O Nacional. Também foi correspondente, entre 1954 e 1971, da extinta Companhia Jornalística Caldas Junior. Criou e editou o Agro-Jornal, que, durante sete anos, circulou em 10 cooperativas agrícolas do RS. Dotado de múltiplos talentos, Meirelles Duarte trabalhou em rádio, em jornal e em televisão. Até pouco tempo antes da sua morte, além da coluna semanal em O Nacional, comandava três programas na TV Passo Fundo.
Na política local, Antonio Augusto Meirelles Duarte exerceu cinco mandatos de vereador, pelos quadros do PTB e do PMDB, sendo, em 2007, agraciado com o título de vereador emérito de Passo Fundo. Bacharel em Ciências Políticas, Jurídicas e Sociais, pela UPF, em 1979, foi escolhido orador da turma. Ingressou na Academia Passo-Fundense de Letras, em 1988, tendo presidido essa agremiação por cinco gestões. E foi Patrono da 21ª Feira do Livro de Passo Fundo, em 2007.
O que não faltou na vida de Meirelles Duarte foram medalhas, diplomas e títulos honoríficos: duas medalhas Fagundes dos Reis (1972 e 2002); Comunicador Destaque do Interior (2000); medalha Negrinho do Pastoreio (governo Pedro Simon); medalha Coronel Atílio Escobar (2007); Cronista Emérito da FGF (1982); Sócio Honorário da FGF (2002); e Sócio Honorário do Sport Club Internacional (2006), entre tantos outros.
Em 2018, Meirelles Duarte, acometido de um linfoma (câncer das células do sistema imunológico), iniciou o seu périplo de hospitalizações, tratamentos, períodos de melhoria e de recidivas da doença. Após 92 dias internado no Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo, no começo de 2019, Meirelles deixou o leito 809 do HC, onde, segundo confidenciou, passou incontáveis horas conversando com Deus (não rezando). Parecia curado e em memorável recepção auspiciada pelo empresário Pedro Brair, que dirige a Rede de Farmácias São João, no dia 8 de março, foi reverenciado por familiares, amigos e admiradores, pela sua trajetória pessoal e profissional. Depois, seja vitimado pela recidiva do linfoma ou, poeticamente, no último dia 18 de agosto, chamado por um Deus saudoso das conversações mantidas durante o período de convalescência hospitalar, subiu à Casa do Pai. E as notícias que chegam do Paraíso dão conta que a sua inconfundível voz aveludada já é destaque no Céu. Requiescat in pace Meirelles Duarte!
CONVITE – Sessão Solene de Panegírico em louvor à memória do acadêmico Antonio Augusto Meirelles Duarte (1934-2019). Nesse sábado (23), às 10h, na Academia Passo-Fundense de Letras (Av. Brasil Oeste, 792). Venha prestar a sua reverência a Meirelles Duarte!




Te vejo!

Sexta-Feira, 15/11/2019 às 06:00, por Gilberto Cunha

Quem sabe, antes de nos embrenharmos na defesa da necessidade de construção uma nova ética para lidarmos melhor com as grandes questões que afligem a humanidade, o que precisaríamos, de fato, não seriam uma nova ótica e uma nova óptica. É isso mesmo: uma nova ótica e uma nova óptica. Afinal, essas são as ciências que na física estudam o som e a luz e tem as suas contrapartes em biologia que tratam da audição e da visão. Pois, foi com o enfoque de, antes de qualquer coisa, “ouvir” e “ver”, que Roberto Crema (psicólogo e antropólogo da Unipaz/Universidade Internacional da Paz) elaborou a linha mestra da conferência magna que tive o privilégio de assistir no VIII Workshop de Editoração Científica provido pela Associação Brasileira de Editores Científicos, realizado em Campos do Jordão/SP, de 10 a 13 de novembro de 2014, sob o título “Liderança na área da autoria científica”.

 

"Ouvir” e “ver”, antes de qualquer coisa, são peças fundamentais por serem a base de hermenêutica (a ciência da interpretação) ou, para quem preferir, por estarem essas palavras expressas no primeiro mandamento das Leis de Deus e na tradição xamanística dos zulus na África do Sul. “Ouve/Escuta Israel!” (Deuteronômio 6:4-9) ou o “Shema Israel!” (da Torá) que formam a base do monoteísmo judaico-cristão dizem tudo. É pela relevância não só de ver, mas sentir a presença, nas relações interpessoais, que os zulus, em vez dos nossos protocolares cumprimentos - “bom dia/boa tarde/boa noite”, “como vai?”, “Oi, tudo bem?, “Olá, eu vou bem, obrigado/obrigada!”, etc. - , optam pela peculiar saudação “sawubona”, que significa “TE VEJO!”, e pela inusitada resposta “sikhona”, que literalmente traduz-se por “ESTOU AQUI!”. É isso. Simples assim: TE VEJO... ESTOU AQUI! E se foi o Senhor Deus que ordenou e se os Xamãs assim o querem, quem somos nós para questionar?

 

Roberto Crema tratou do exercício da liderança alheia aos cargos ocupados na hierarquia das corporações, que se dá, acima de tudo, pela escuta, pelo olhar e pelo sentir a presença do outro. Algo aparentemente simples, mas de difícil concretização prática no mundo das organizações, em que, não raro, são territórios em que reinam absolutos chefetes de plantão, cujo respeito que recebem dos pares não transcende os contornos dos cargos que ocupam. Entenda-se que escutar não é meramente ouvir. Audição é função biológica, mas a nossa referência é INTERPRETAR, que exige a pluralidade dos sentidos, num mundo que, metaforicamente, vivemos a crise da surdez, decretando-se a falência da hermenêutica. Precisamos, especialmente no universo científico, transgredir a NORMOSE, expressão forjada por Jean Yves Leloup na França e por Roberto Crema no Brasil, que significa a patologia da normalidade ou a doença da estagnação evolutiva, da qual muitos nós, mesmo imperceptivelmente, sofrem, quando nos deixamos dominar pelas coisas pequenas, pela mediocridade e pelo egocentrismo exacerbado, perdendo a capacidade de “ouvir” e “ver”, passando a atuar, por mais elevadas que sejam as titulações acadêmicas, como imbecis funcionais, que acreditam ser possível encontrar a solução dos problemas usando o mesmo paradigma que criou os problemas.

 

Roberto Crema tem uma fala suave e uma aura espiritualizada, estilo guru Nova Era, que, mesmo abusando de frases de efeito, cuja autoria original, para ouvidos atentos, pode ser facilmente identificada, se não nos convence, pelo menos nos deixa mais reflexivos. São referências, coisas como: “o maior perigo da humanidade é um cientista alienado” (Robert Oppenheimer); "vida é o que acontece enquanto estamos ocupados fazendo outros planos" (John Lenon); e “é preciso parar o mundo para conseguir ver” (Carlos Castañeda, A erva do Diabo, 1968). E as que eu não consegui identificar as fontes: “todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer”; “nós não nascemos humanos, nós nos tornamos humanos”; “acenda uma vela em vez de apenas reclamar da escuridão”; e, a minha preferida, “ressentimento é um veneno que a gente bebe e fica esperando que o outro morra”.




Biografia atualizada da Feira do Livro de Passo Fundo

Sexta-Feira, 08/11/2019 às 06:00, por Gilberto Cunha

“A Feira do Livro de Passo Fundo nasceu no ano de 1977”. É assim, no convencional estilo da melhor tradição enciclopédica dos escritores de biografias, que encontrei aquela que julguei ser a maneira mais adequada de começar a contar a história da Feira do Livro de Passo Fundo, que esse ano chegou a sua 33ª edição. E se há que se atribuir uma paternidade ao evento, segundo os relatos do professor Welci Nascimento, essa deve ser dada ao professor Athanásio Orth, que, na época, ocupava a Secretária Municipal de Educação e Cultura, na administração Wolmar Salton e Firmino Duro.

 


Entre as metas do professor Athanásio Orth, estava a criação de uma Feira do Livro em Passo Fundo. Uma reunião com os livreiros foi convocada pelo titular da pasta municipal da educação para debater o assunto. Outras tantas aconteceram, com a participação ampliada por educadores e empresários da cidade, até que, finalmente, foi designado Welci Nascimento como coordenador da 1ª Feira do Livro de Passo Fundo, que seria realizada no final do ano de 1977, como parte das homenagens dos 20 anos da Faculdade de Educação. E assim, com o apoio do executivo municipal, que forneceu transporte para trazer livros de Porto Alegre, recursos para a construção de barracas e subsídios para a vinda de escritores, se fez, no final de 1977, a 1ª Feira do Livro de Passo Fundo, nas dependências da Praça Tamandaré, com a participação de Josué Guimarães, em sessão especial de autógrafos.

 


A segunda edição da nossa Feira do Livro aconteceu em 1978, dessa vez na Praça Marechal Floriano, com quatro barracas de livreiros e a presença de escritores, como Cyro Martins, autografando suas obras. A feira do Livro começava a se consolidar e o evento se repetiria nos anos seguintes, no mesmo local, até a 6ª edição, em 1982, com as presenças ilustres de Josué Guimarães, Sergio Capparelli e Jayme Caetano Braun, entre outros. Em 1982, por obra e graça do evento El Niño de 1982/83, a estrutura da feira foi abalada por um forte temporal, que trouxe prejuízos e tristes lembranças aos expositores. Algo parecido se repetiria no El Niño de 1997/98.

 

 

Entre meados dos anos 1980 e início dos anos 1990 (até 1993, especificamente) há um hiato na história da Feira do Livro de Passo Fundo. A Feira foi retomada em 1993, dessa feita no pavilhão anexo à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, sendo iniciada a tradição de escolha de patronos, cuja honraria coube à professora Tania Rösing. Desde então, sucederam-se no posto de patrono: Dalva T. M. Bisognin (1994), Antonio Kurtz Amantino (1996), Pe. Elli Benincá (1997), Neusa Rocha (1998), José Johann (1999), Mário Maestri (2000), Jaime Sirotsky (2001), Alberto da Costa e Silva (2002), Airton Lângaro Dipp (2003), Ignácio de Loyola Brandão (2004), Carlos Henrique Iotti (2005), Alcione Araújo (2006), Antonio Augusto Meirelles Duarte (2007), David Coimbra (2008), Gilberto R. Cunha (2009), Eduardo Bueno (2010), Luiz Carlos Tau Golin (2011), Carlos Urbin (2012), Paulo Monteiro (2013), Juremir Machado da Silva (2014), Jorge Alberto Salton (2015), Mariane Loch Sbeghen (2016), Luis Fernando Verissimo (2017), Luiz Coronel (2018) e Pablo Morenno (2019).

 


Em 1994, o evento foi para o Ginásio do Sesi, sendo realizado com o apoio dessa instituição. No ano seguinte, 1995, não foi realizada a feira, que voltou em 1996, na Praça Marechal Floriano, na Avenida General Netto, em frente à Catedral, local onde seria realizada, anualmente, até 2014. Entre 2015 e 2018, a Feira do Livro de Passo Fundo foi realizada nas dependências do Bourbon Shopping.

 

 

Esse ano, mais um sobressalto. O evento, que pela decisão, unilateral e de última hora, de não cedência do espaço no Bourbon Shopping, conforme planejamento incial, teve a sua realização ameaçada. Mas, pelo empenho da Associação dos Livreiros de Passo Fundo, que, desde a sua criação, em 2008, tem assumido a coordenação e se responsabilizado pela sua realização, acabou acontecendo no estacionamento do Passo Fundo Shopping, de 1º a 10 de novembro de 2019.






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