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Colunistas


Tecnologia, qualidade e exportação

Sexta-Feira, 06/07/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

A 12ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, realizada essa semana (3 a 5 de julho de 2018), em Passo Fundo, além da apresentação de novas tecnologias, em genética e manejo de cultivos, que irão constituir as informações técnicas para a produção desses cereais no País em 2019, nessa edição, ampliou, por meio de palestras e painéis de discussão, o debate sobre a construção de novos modelos de negócio visando à ampliação, especialmente, da produção de trigo no Brasil.


Há muitos anos que se discute a viabilidade da produção do trigo no Brasil e a resposta ao questionamento, assaz conhecida, frise-se, tem sido a mesma: SIM. O Brasil possui condições de ambiente, domínio tecnológico e estrutura de produção que permitiriam, imediatamente, uma produção de trigo muito maior do que atualmente estamos obtendo. E isso se levando em consideração apenas a região tradicional de cultivo, no Sul do País, independentemente da ocupação de áreas no bioma Cerrado, que poderia alterar substancialmente a geografia de produção desse cereal no mundo. Mas, por que isso não acontece? Resposta elementar: porque não temos conseguido posicionar competitivamente os nossos custos de produção frente aos principais países exportadores de trigo no mundo. Ignoramos que somos tomadores de preço no mercado mundial e que fazemos parte de um bloco econômico chamado Mercosul, cuja competividade do trigo nacional com o trigo argentino acaba sendo definida pela paridade do preço de importação, que faz com que, pelas dificuldades de escoamento desse cereal das regiões de produção para a zonas de consumo, nossa competição mercadológica fique limitada ao redor de um raio de 500 km.


O caminho a ser seguido, nesse caso, seria a redução dos nossos custos de produção e assim se ganhar em margem. Quando se toca nesse ponto, muitos se alvoroçam, alegando que vai implicar em menor uso de tecnologia, que seria um retrocesso no processo produtivo, etc. Evidentemente, essas alegações apressadas não procedem. O que se propõe, nesse caso, é melhorar o uso de tecnologia por uma gestão efetiva da produção em substituição ao modelo, que tem ganhado cada vez mais adeptos, de práticas agronômicas calendarizadas, que envolvem o uso de insumos caros, nem sempre embasadas em critérios técnicos justificáveis e, não raro, visando ao alcance de resultados duvidosos.


Há um ponto que não se discute, pois não há alternativas: temos que primar cada vez mais pela qualidade tecnológica do trigo brasileiro. Evoluímos muito nesse quesito. Nossos obtentores vegetais fizeram, em pouco mais de duas décadas de trabalho, o que em outros países do mundo se mede em séculos. Não há espaço para crítica, mas para elogios nesse tema. Mas, não podemos ignorar que a construção de uma identidade para o trigo brasileiro, que seja respeitada pelo mercado, exige cuidados permanentes, pois, além da interação genótipo x ambiente, que não raro tem sido subestimada, outros segmentos do complexo agroindustrial do trigo no Brasil, especialmente no tocante a segregação do trigo e no padrão de armazenagem (infestação de pragas, por exemplo) podem comprometer o produto colhido no campo.


O caminho da exportação, embora pareça algo visionário, tem sido realidade nos últimos anos, especialmente quando suportado por algum mecanismo de apoio à comercialização do Governo Federal. O desafio é produzir trigo para a exportação, competitivamente, aos preços tomados do mercado mundial. Esse novo modelo de produção de trigo para exportação vem sendo desenvolvido pela Embrapa Trigo com o apoio de algumas cooperativas gaúchas, que têm validado a proposta nos seus campos de produção. Os resultados obtidos nas validações a campo têm sido alvissareiros, mostrando a plausibilidade desse modelo de produção.


E, por fim, não podemos ignorar o potencial de uso do trigo para o consumo animal, quer seja para produção de silagem, pastejo direto, duplo propósito (pastejo e produção de grãos) ou como ingrediente de rações.




Há sempre um livro à sua espreita

Sexta-Feira, 22/06/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

George Steiner, no instigante ensaio “Aqueles que queimam livros”, baseado na fala que deu na Feira do Livro de Turim, em 10 de maio de 2000, foi taxativo na afirmação: “aqueles que queimam livros, que banem e matam poetas, sabem exatamente o que fazem.” E sabem o que fazem porque são conscientes do poder imprevisível de transformação que um texto bem escrito pode ter sobre um leitor. Entre os “queimadores de livros”; ou censores, se preferirem, estão, em geral, os fundamentalistas mais aguerridos, que, em dados momentos da história, não hesitam sequer em propor que sejam “queimadas” as constituições nacionais legitimamente aprovadas. A censura – “a fogueira dos livros/textos” – é tão antiga e onipresente quanto a própria escrita. Nada está imune a essa sanha avassaladora que tenta, a qualquer custo, banir aquilo que não concorda e pode, potencialmente, abalar o status quo vigente.


Ainda que a oralidade no mundo seja a tônica e a escrita, por mais incrível que possa parecer, a exceção; é sobre essa que, geralmente, recai a ira dos “queimadores de livros”. São sabedores que é do encontro “livro” e “leitor”, em um processo dialético de reciprocidade, que, potencialmente, pode surgir algo maior do que o “livro” ou o “leitor” individualmente. Ninguém ignora que, para o bem ou para o mal, ao mesmo tempo em que lemos um livro também esse livro “nos lê”. E, nesse caso, pode ser mais simples “queimar o livro” do que “incinerar” o leitor.


Não raro, o encontro entre “livro” e “leitor”, a exemplo do que aconteceu com o homem ou com a mulher que mudou a sua vida, dá-se casualmente. Esse livro que tem a capacidade de converter a nossa fé, que nos faz aderir a uma ideologia ou que dá um sentido à nossa existência pode estar à nossa espreita naquele balaio de saldos da feira do livro. Ou, talvez, seja aquele livro coberto de poeira, no fundo da estante da obra que você buscava numa livraria qualquer. Ou aquele que encontrou, casualmente, numa busca pela Internet. Não hesite em pegar e abrir esse livro, se porventura a sonoridade do titulo ou o nome do autor despertarem a sua atenção. Nunca se sabe o que pode acontecer nesse inusitado encontro “livro” e “leitor”. Os livros são a chave de acesso para nos tornarmos melhores (a regra) ou, eis a justificativa usada pelos “queimadores de livros”, piores (a exceção) do que somos.


Um livro, nesse processo dialético de leitura, pode suscitar reações diferentes, dependendo do momento da vida de cada leitor. Esses textos que estamos nos referindo podem ser tanto da lavra dos legítimos pensadores clássicos quanto não passarem de banalidades expressas em best-sellers de vida efêmera. Não sejamos preconceituosos em relação aos best-sellers! Não abra mão do prazer da descoberta que uma obra desconhecida pode lhe proporcionar. Essa obra seminal na sua vida pode ter estado ali à sua espreita por muitos anos. Esperando, sem pressa, para ser lida por você. Ei mais uma razão porque não se justifica “queimar livros”, pois, graças a esse tipo de espera (e posterior descoberta), muitas das ditas “grandes obras” devem a sobrevivência e o reconhecimento que por ora gozam.


O ato clássico da leitura requer silêncio, concentração, intimidade com o texto, certa cultura literária e, para o domínio pleno do conteúdo, consultas frequentes a obras de referência, dicionários, etc. Em tempos de pessoas apressadas, quem se dispõe a ser esse leitor? Felizmente, apesar da conectividade digital dos tempos atuais, esse tipo de leitor sobrevive e, diferente do que muitos imaginam, em especial entre os jovens. O legado deixado pelas Jornadinhas de Literatura – Viva a Professora Tania Rösing e equipe UPF! – está materializado em um publico de jovens leitores (com vocação para a escrita) que Passo Fundo nunca teve na sua história. Duvida? Olhe à sua volta. Converse com pais de adolescentes e com o pessoal das livrarias locais, antes de tirar qualquer conclusão apressada. Não é uma guerra de gerações, mas as mais jovens são mais leitoras do que a minha e a sua, prezado leitor!




O Poeta Serrano

Sexta-Feira, 15/06/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Tenebro dos Santos Moura, no grupo dos poetas gauchescos, quer seja pelo vocabulário ou pela temática que versejou, é o arquétipo do Poeta Serrano. Mas, apesar desse epiteto regional – Serrano – não lhe cabe o rótulo de poeta regionalista. E não lhe cabe esse designativo porque, diferente de outros pretensos poetas, não sucumbiu à tentação de, ao querer tanto ser regional, o ser falsamente. Tenebro soa autenticidade!


Se a condição, para que uma obra seja reconhecida como regional, é que seu autor trate de um tema regional; então a obra de Tenebro dos Santos Moura é regional. Todavia, nela, a paisagem serrana não se justifica por si mesma. Ao contrário, ao fundir o geográfico e o humano da serra gaúcha, o poeta conseguiu expressar, via a sua emotividade criadora, uma nova estética regional, que, por intermédio dos seus versos, ganhou ares de universalidade.


O poeta Tenebro dos Santos Moura, ao versejar sobre a temática serrana gaúcha, não ficou preso ao passado e ao tradicionalismo. Não há, nos seus poemas, excessos de passado e de tradicionalismo de ocasião. Ele não apenas cantou os símbolos e os sentimentos serranos. Ele os vivenciou! E assim, com conhecimento de causa e sensibilidade apurada, o nosso Poeta Serrano por excelência, por meio de versos refinados, pode afrontar o seu presente e vislumbrar futuros.


Tenebro dos Santos Moura nasceu em Palmeiras das Missões no dia 21 de março de 1906. Por contingências do destino, lutou nas revoluções de 1923, 1930 e 1932. E foi em 1930, quando em São Paulo, defendendo a posse de Getúlio Vargas como Presidente da República, que, tomado pelo sentimento de saudade da terra natal, escreveu Palmeira, o seu primeiro poema.


Foi militar, professor, alfaiate e funcionário da Prefeitura Municipal de Passo Fundo. Casou três vezes. Viúvo em dois matrimônios. Pai de 8 filhos. Autor de um livro: QUERÊNCIA.


Na área cultural, Tenebro dos Santos Moura destacou-se como ator de teatro amador, no Grupo Delorges Caminha, fundador, em 1952, e membro, em muitas gestões, da patronagem do CTG Lalau Miranda, poeta, jurado de concursos nativistas e festivais de folclore, funcionário da Biblioteca Pública Municipal e membro da Academia Passo-Fundense de Letras.


Tenebro dos Santos Moura viveu intensivamente, ainda que longe de Porto Alegre, os primeiros momentos do que hoje chamamos de Movimento Tradicionalista Gaúcho, cujo marco zero, apontado por muitos, foi a criação do Centro de Tradição Gaúcha - CTG 35, em 1947, na Capital do Estado. O grupo de jovens que criaram o movimento, sob a liderança de Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, compilou uma antologia de poesias crioulas, para peões e prendas declamarem, durante as tertúlias, nos noveis CTGs. Nascia, em 1951, a coletânea As Mais Belas Poesias Gauchescas. Todavia, ainda que, nessa época, Tenebro dos Santos Moura estivesse envolvido com o movimento tradicionalista gaúcho em Passo Fundo, nenhum poema seu foi incluído na aludida antologia. Merecia estar lá, mas não estava. E, se isso serve de consolo, aqueles jovens, por não conhecerem e não por preconceito, literalmente, para estranheza de qualquer pessoa minimamente iniciada em poesia gauchesca, também ignoraram Aureliano de Figueiredo Pinto.


Foi em Passo Fundo que Tenebro dos Santos Moura viveu a maior parte da sua vida. Criou os filhos. Exerceu atividades como funcionário público municipal. Presidiu a Cooperativa dos Municipalistas de Passo Fundo – CAPASEMU. Escreveu poemas e publicou o seu único livro – QUERÊNCIA, com edições em 1985 e 1987. Em reconhecimento, foi agraciado, pela Câmara Municipal de Vereadores, com o título de Cidadão Passo-fundense. E foi nessa cidade que, vitimado por uma parada cardíaca, morreu em 29 de agosto de 1994.


Tenebro dos Santos Moura: O POETA SERRANO, o livro, que será lançado como parte das comemorações da Semana do Município de Passo Fundo, em 2018, é um tributo da Academia Passo-Fundense de Letras à memoria e à obra daquele que, seguramente, foi, e ainda é, o mais importante poeta gauchesco de Passo Fundo.




Dreyfus e Zola

Sexta-Feira, 08/06/2018 às 17:03, por Gilberto Cunha

Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que, na noite de 14 para 15 de julho de 1789, impulsionaram a queda da Bastilha, determinando o fim da idade moderna e a entrada da humanidade nos tempos contemporâneos, pareciam que não estavam mais tão arraigados assim, na França, no último quartel do século XIX. As opiniões de cunho nacionalista e reacionárias, impregnadas pelo ódio chauvinista, os preconceitos de ordem religiosa e raciais e a luta de tradições, envolvendo a disputa entre a clerical, monarquista e conservadora, de um lado, e a republicana, radical e laica, do outro, tomavam conta do debate público na terra das liberdades. E foi nesse contexto que se deu o famoso caso Dreyfus, que, em tempos de intolerâncias como os que ora estamos vivendo no Brasil, talvez seja oportuna a sua rememoração, especialmente pelas tristes lições deixadas como herança.


O processo Dreyfus, considerado por muitos como um notório caso de antissemitismo político envolveu intrigas, denuncias falsas, julgamentos apressados e condenações injustas. Corria o ano de 1894, quando Alfred Dreyfus, francês de origem judaica, ao galgar postos na carreira militar, começou a se tornar mal visto entre os colegas. Eis que surge um documento, subtraído da Embaixada da Alemanha, supostamente enviado ao adido militar alemão Schwartzkoppen, tratando do repasse de informações confidenciais que ameaçavam a segurança da França. Uma trama foi urdida para condenar Dreyfus por alta traição. Peritos em caligrafia ora são vagos quanto a autoria do documento e ora, pela similaridade da letra, são taxativos na afirmação que fora escrito por Dreyfus. O acusado foi condenado. Um afã nacionalista conspirava contra ele. Os jornais sensacionalistas o atacaram com virulência. Em14 de outubro de 1894, sentenciado com a deportação para a prisão na Ilha do Diabo, Dreyfus foi preso.


Alfred Dreyfus insiste que é inocente. O processo tem idas e vindas. Surgem fatos novos. Um bilhete da amante do coronel Schwartzkoppen incrimina Walsin-Esterházy, oficial de origem húngara, como o verdadeiro traidor. Outro julgamento acontece. Esterházy é inocentado. A condenação de Dreyfus é mantida. Eis então que Émile Zola entra em cena, publicando, em 13 de janeiro de 1898, no jornal L'Aurore, um documento que percorreu o mundo com o nome francês “J`Accuse”. Uma carta indignada ao presidente da França, Félix Faure que, em apertada síntese, pode ser assim resumida: “Acuso o tenente coronel Du Paty de Clam de ter sido o diabólico fator do erro... Acuso o general Mercier de cumplicidade... Acuso o general Billot de ocultar provas... Acuso o general Boisdeffre e o general Gonse de cúmplices do mesmo crime... Acuso o general Pellieux e o comandante Ravary de parcialidade... Acuso os peritos calígrafos de informes falsos e fraudulentos... Acuso as Oficinas de Guerra de campanha abominável na imprensa... Acuso o Conselho de Guerra de ter condenado um inocente e absolver um culpado... e encerrava... Meu protesto é o grito de minha alma...Me façam comparecer aos tribunais!”.


Após a publicação de J'accuse, Émile Zola foi processado por difamação e condenado a um ano de prisão. Exilou-se em Londres e só regressou quando o processo foi reaberto. Em novo julgamento, após a admissão pelo comandante Hubert-Joseph Henry que havia forjado provas, a condenação de Dreyfus, mesmo assim, foi mantida, mas ele recebeu um indulto. O que estava em jogo era a honra do Exército francês.


Émile Zola e sua esposa morreram asfixiados por emanações de monóxido de carbono de uma chaminé defeituosa, no seu apartamento em Paris, em 28 de setembro de 1902. Há quem vincule o episódio com o seu envolvimento no caso Dreyfus.
Nova revisão do processo aconteceu em 1906. A condenação foi anulada. Dreyfus foi reintegrado ao Exército e agraciado com a Legião de Honra. Mas, a sua inocência só pode ser comprovada, efetivamente, em 1930, quando os documentos de Schwartzkoppen foram publicados. Afred Dreyfus morreu em Paris, em 12 de julho de 1935.




Agricultura em transformação

Sexta-Feira, 18/05/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

A agricultura brasileira, retratada pela experiência que transformou uma nação que, até os anos 1970, padecia de insegurança alimentar em um dos principais países produtores/exportadores de alimentos no mundo, foi destaque, essa semana (15), em evento especial organizado pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI) e pela Embrapa, em Washington D.C./USA. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, foi o palestrante principal do encontro e tratou, especificamente, do tema “Transformando a agricultura: experiências e insights do Brasil e além". As palestras do evento, vídeos e slides, estão disponíveis no sítio Internet do IFPRI: https://www.ifpri.org/event/transforming-agriculture-experiences-and-insights-brazil-and-beyond.


Efetivamente, a agricultura brasileira moderna começou a ser construída a partir do reconhecimento que um país, cujo território está, majoritariamente, inserido na faixa tropical do planeta, com solos ácidos e quimicamente pobres, exigia tecnologia especifica e, não raro, diferente daquelas tradicionalmente usadas em regiões de clima temperado no mundo. A opção, em 1973, pelo investimento público em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), tanto em pesquisa básica quanto aplicada, em melhoramento genético de plantas e animas, em práticas de manejo de solos, cultivos e rebanhos, paralelamente ao desenvolvimento de novos produtos e processos, transformaram a realidade da agricultura brasileira, convertendo esse setor em um dos mais importantes da economia nacional na atualidade.


O caminho trilhado, nos últimos 45 anos, não foi nada fácil, como podem aparentar os indicadores atuais de desempenho da agricultura brasileira. A primeira fase, dessa verdadeira revolução agrícola, incluiu a conversão de solos ácidos e pobres em terras férteis, com a tropicalização de cultivos e de sistemas de produção animal, sob os auspícios de políticas públicas e subsídios governamentais específicos para o setor. A soja, cujo cultivo, por exemplo, era, originalmente, restrito ao sul do Brasil, conseguiu, pelos programas brasileiros de melhoramento genético, usando genes de juvenilidade, avançar para o norte do País, conquistando, em paralelo com a correção química dos solos, boa parte do bioma Cerrado. Nesse rol de tecnologias, inclui-se a consolidação de práticas de base conservacionista, caso do sistema plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, que, isoladamente, representa, nos 35 milhões de hectares cultivados de soja, uma economia de gastos pelos produtores rurais da ordem de US$ 13 bilhões por ano em fertilizantes nitrogenados.


A segunda etapa dessa trajetória, acompanhando tendências mundiais, tem primado pela obediência ao paradigma da sustentabilidade. Nesse escopo, incluem-se a necessidade da observação de normas que estão positivadas em marcos legais que regulam o uso da terra, do solo, da água e da exploração da biodiversidade nacional (a exemplo do Código Florestal ora vigente no Brasil, Lei 12651, de 25 de maio de 2012). Além de outras convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. Estima-se que 63% do território brasileiro, contabilizando 563.736.030 ha, estão, atualmente, preservados, por meio de marcos legais ou pelo tipo de uso em curso. Isso, necessariamente, leva à necessidade de intensificação da nossa agricultura, que ocupa 32,0 % das terras com cultivos e pastagens, visando à manutenção ou à elevação da produção nacional. A nova expansão de fronteira agrícola no Brasil, possivelmente, será pela recuperação das chamadas áreas de pastagens degradadas, que são estimadas em 50 milhões de hectares.


Em termos de futuro, avanços são esperados na integração de sistemas (lavoura – pecuária – floresta), na exploração da multifuncionalidade da agricultura (alimentos, fibras, energia, serviços ambientais, turismo rural, etc.) e em bioeconomia da chamada nova agricultura tropical.




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