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Colunistas


As lições do Eclesiastes

Sexta-Feira, 24/03/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Os sociólogos Jonathan R. Cole, da Universidade Columbia, e Stefhen Cole, da Universidade Estadual de Nova Iorque, em artigo publicado na edição de 27 de outubro de 1972 da revista Science, denominado “The Ortega Hypothesis”, rejeitaram, com base em análise bibliométrica de citações afeitas ao universo das ciências físicas, a hipótese Ortega, que, segundo eles, foi construída a partir da obra “La rebelión de las masas”, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset, podendo ser assim sintetizada: “La ciencia experimental ha progresado en buena parte merced al trabajo de hombres fabulosamente mediocres, y aun menos que mediocres”. Concluíram, pelos resultados que encontraram, que apenas uns poucos cientistas contribuem para o progresso da ciência. Alternativamente, em dois artigos publicados na revista Social Science Information, 1976 e 1979, Stephen P. Turner e Daryl E. Chubim, professores de sociologia vinculados à Universidade do Sul da Flórida e à Universidade Cornell; respectivamente, fizerem outra leitura dos resultados encontrados por Jonathan R. Cole e Stefhen Cole, embora sem negá-los, que ficou conhecida como hipótese Eclesiastes.

 

No evangelho de São Mateus e no livro do Eclesiastes, pela riqueza de exemplos, podemos encontrar paralelismos e uma gama de interpretações possíveis, consubstanciados nos textos bíblicos, para os mais diversos comportamentos do dia a dia do mundo real dos cientistas.

 

O reconhecimento da autoria de artigos científicos é exemplar. Quando, entre os autores, há um cientista de renome, em meio a outros desconhecidos, estilo “ninguém”, “ninguém” e “alguém”, independentemente da ordem de autoria, o artigo em questão é comumente referido como sendo de “alguém”. Há quem veja nisso a materialização das mesóclises da parábola dos talentos (Mateus, 25:29): “Porque a todo o que já tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância: e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem”.

 

A questão principal enfocada por Stephen P. Turner e Daryl E. Chubim, na sua hipótese Eclesiastes, é o uso dos talentos, entenda-se dos cientistas e suas contribuições, em meio a um sistema de ciência, tecnologia e inovação (C,T&I), cujo comportamento, supõe-se, tem algo de aleatório e, não raro, a marca da casualidade. Reviveram o Eclesiastes (9:11): “Eu me voltei para outra coisa, e vi que debaixo do sol não é o prêmio para os que melhor correm, nem a guerra para os que são mais fortes, nem o pão para os que são mais sábios, nem a riqueza para os que são mais doutos, nem a boa aceitação para os que são mais hábeis artífices: mas que tudo se faz por encontro e por casualidade”. Nessa mesma linha, sobre o papel do acaso, Maquiavel nos ensinou que temos o controle sobre a metade das coisas e a que a sorte é o juiz da outra metade; embora Pasteur tenha contrabalançado com a assertiva de que, em ciência, a sorte favorece apenas as mentes preparadas.

 

Pela hipótese Eclesiastes, não se trata de uma mera questão de exclusão da maioria dos cientistas do sistema de C,T&I, como uma leitura apressada da hipótese Ortega poderia sugerir, mas em se buscar uma maior eficiência na utilização dos talentos. Afinal, é equivocado imaginar que se pode medir eminência e se dar o devido reconhecimento a um cientista com base exclusivamente na métrica da sua produção de artigos e citações bibliográficas (a ciência da quantidade). São duas as categorias de cientistas: os eminentes e os obscuros. Um cientista adquire o status de eminência pela relevância do seu trabalho e reconhecimento, pelos pares e pela sociedade. E nessa questão da eminência, como bem frisa o Eclesiastes, o acaso pode desempenhar seu papel. Gregor Mendel é o exemplo de cientista, cuja relevância das suas leis da hereditariedade hoje ninguém desconhece, mas que foi sobejamente ignorado pelos seus contemporâneos. Qual teria sido o reconhecimento de Mendel, na sua época, se, em vez de um obscuro monge agostiniano, ele tivesse sido um catedrático da Universidade de Berlin? 




Clima e identidade nacional

Sexta-Feira, 17/03/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

A influência do clima na formação da identidade de uma nação é o tema do livro “Snow in America”, de Bernard Mergen, publicado pela Smithsonian Institution Press, em 1997. É evidente, pelo título, que trata da formação da identidade nacional dos Estados Unidos da América (EUA). Porém a sua base conceitual é aplicável para outros países ou, até mesmo, para regiões dentro de um país, incluindo o nosso tropical Brasil.

Desde a colonização, os EUA foram identificados como um país com as estações do ano claramente definidas. E a caraterística marcante do inverno era a neve, que ocorria em quantidade maior do que na Europa, de onde vieram os colonizadores britânicos. Sobreviver ao rigor do inverno era, para os colonizadores, um sinal de superioridade física e moral. Assim, a neve se constituiu em um referencial do inverno na sociedade americana. Thomas Jefferson, em suas notas sobre o estado de Virginia, manifestou-se em relação aos invernos, que estariam ficando mais quentes e com menos neve. Escreveu ele, em 1782: “nevascas são menos frequentes e menos profundas”. Também o dicionarista Noah Webster expressou o seu amor à neve na edição de 1828 do “American Dictionary of the English Language”. Concluiu a definição da palavra neve (“snow”) com a seguinte observação: “quando não há vento, os cristais caem em flocos ou em conjuntos que não se quebram, sendo, às vezes, extremamente bonitos”.

O culto americano à neve acentuou-se no século 19. Em 1834, a revista People’s Almanac trouxe a público o drama de Elizabeth Woodcock. Em 1799, durante uma viagem a cavalo entre Cambridge e Impington, Massachusetts, ela ficou presa na neve. Após oito dias na neve, ela foi resgatada. Seus pés tiveram de ser amputados e cinco meses depois ela morria. O infortúnio de Elizabeth motivou o mito da mulher congelada presa na neve. Músicas, poesias, pinturas retratavam o drama da mãe na tempestade de neve. Em algumas versões, mãe e filho morriam. Em outras, a criança era resgatada com vida.

E assim, ao longo do tempo, o surgimento de jogos de “guerra” com bolas de neve, brincadeiras envolvendo a construção de bonecos de neve e a cultura da limpeza da neve acumulada nas calçadas em frente às casas ajudaram a criar uma nova identidade nacional para os americanos, que não está baseada unicamente na sua realidade social e política, mas também na natureza. No inverno, a estrela maior é a neve. E o setor de turismo americano capitaliza isso muito bem. O natal com neve, em Nova York, atrai pessoas do mundo todo, por exemplo.

O Brasil também tem a sua identidade climática. E ela está ligada aos trópicos – sol e calor. Praias ensolaradas, Rio de Janeiro, alguns estados nordestinos e floresta equatorial (“rain forest”), Amazônia, são caracterizadores do nosso País no exterior. A corrente do determinismo geográfico, hoje ultrapassada, nos identificou com a chamada “preguiça tropical”. A falta de desafios impostos pelo meio físico forjaria um tipo humano acomodado. Mário de Andrade, com Macunaíma (o herói sem nenhum caráter) e sua clássica fala “Ai que preguiça!”, personifica bem esse mito.

Todavia, o Brasil é territorialmente muito grande. Possui diversidade de tipos climáticos. O Rio Grande do Sul, por exemplo, já faz algum tempo, por meio de campanhas publicitárias, buscou identificar-se com o frio. O objetivo foi o desenvolvimento de um turismo de inverno, enquanto o resto de País explora, e bem, o verão. A serra gaúcha, pelo setor de turismo, busca essa identificação regional para a sua sustentabilidade econômica, inequivocamente. Todavia, a criação de uma identidade baseada no clima não acontece em curto prazo, frise-se.

Por enquanto, ainda temos de lutar com a nossa identificação nacional, que, aos olhos do mundo, é de um país tropical – sol, praia, índios, carnaval e futebol – com um tipo humano acomodado pelo meio. Aliás, vale refletir, quem foi à Bahia e não voltou com a sensação de que lá não há pressa?




Que é ser um SER humano?

Sexta-Feira, 10/03/2017 às 08:45, por Gilberto Cunha


Somos seres eminentemente emocionais, embora abundem referências de que a nossa racionalidade é o que nos distingue dos outros animais. E os argumentos neste sentido são tantos e tão bem justificados que, sem uma maior reflexão, até acreditamos neles. Inclusive, insistimos que o que define nossas condutas como humanas é elas serem racionais, fazendo com que vivamos uma cultura que desvaloriza as emoções em função de uma supervalorização da razão. Nada mais falso que isso, conforme demonstra a biologia do conhecimento e as teorizações formatadas pelo neurobiologista chileno Humberto Maturana.
Por emoções, na teoria de Maturana, há que se entender os diferentes domínios de ações possíveis, nas pessoas e nos animais, e as distintas disposições corporais que os constituem. É em função das disposições corporais que emoções são fenômenos próprios do reino animal. E o que chamamos de humano é basicamente o entrelaçamento do racional com o emocional, na linguagem, fazendo desabar o imperialismo da razão. O peculiar do humano não está na manipulação, mas na linguagem e no emocionar. Acima de tudo, aceitar que não é a razão que nos leva a ação, mas a emoção.
A emoção fundamental que define o ser humano é o amor. E, no contexto da biologia do conhecimento, o amor é entendido como a emoção que constitui o domínio de ações em que nossas interações recorrentes com o outro fazem do outro um legítimo outro na convivência. Parece complicado de entender, mas não é. Basta a adoção de uma postura reflexiva no mundo em vivemos, com respeito por si mesmo e pelos outros, deixando de lado o sentimento de competição, marcado pelo eufemismo mercadológico da “livre e sadia competição”. A competição não é e nem nunca poderá ser sadia, porque se constitui na negação do outro.
A competição é um fenômeno cultural e humano e não, como se supõe, uma característica biológica intrínseca. Queiramos ou não, a vitória de um se constitui na derrota do outro. A competição se ganha com o fracasso do outro. O derrotado tolera o vencedor esperando por uma oportunidade de revanche. Assim, a tolerância é uma negação do outro suspensa temporariamente. Em razão disso é que foi cunhada a expressão: “as vitórias que não exterminam o inimigo preparam a guerra seguinte”.
O que chamamos de racionalidade, quase sempre, não passa de uma atuação baseada em premissas previamente aceitas, a partir de certas emoções (aceitas porque sim, porque agradam a alguém, aceitas pela preferência de alguém, etc.). A discordância entre pessoas se dá quando a diferença está nas premissas fundamentais que cada um tem sobre determinados temas. Em que cada qual aceita ou rejeita algo não a partir da razão, mas da emoção. São exemplos clássicos, discussões ideológicas ou religiosas. As premissas fundamentais de uma ideologia ou de uma religião são aceitas a priori e, portanto, não tem fundamentação racional. Não existindo erro lógico nos argumentos, estes são, obviamente, racionais para aqueles que aceitam as premissas fundamentais em que eles se baseiam; reforça Humberto Maturana. Por isso, em situações de conflitos ou de discordâncias, os chamados discursos racionais não convencem ninguém, quando aquele que fala e aquele que escuta tem como referências emoções diferentes.
Nem todas as relações ou interações entre seres humanos são sociais. É o caso daquelas baseadas na obediência, na exclusão, na negação e no preconceito, pois negam a condição biológica básica de seres dependentes do amor, que é aceitar os outros como legítimos outros na convivência. As relações hierárquicas, quase sempre, não se fundamentam na aceitação mútua e sim na negação mútua. Essas são instituições e práticas baseadas meramente no argumento da racionalidade e da obrigação.
Razão e emoção constituem o nosso viver humano. Sem a aceitação do outro no espaço de convivência não há fenômeno social. Isso explica porque a maior parte do sofrimento humano vem da negação do amor ou da emoção que permite a aceitação do outro como legítimo outro na convivência.




O dissenso do clima

Sexta-Feira, 03/03/2017 às 09:40, por Gilberto Cunha

Se há um assunto capaz de suscitar debates acalorados, com opiniões exacerbadas (favoráveis ou contrárias) e defesas de interesses corporativos (veladas ou nem tanto), esse é o que trata da mudança do clima global. Mas, afinal, a atividade humana é ou não é a principal responsável pelo aquecimento global que assola o planeta na atualidade? Há ou não há consenso, na comunidade científica, que a ação humana tem sido a principal responsável pelo aquecimento observado em escala planetária, especialmente a partir dos anos 1950? E, se há esse entendimento, então por que tanta controvérsia sobre o assunto?
Eis um tema que comporta muitas nuanças, mas, que, inquestionavelmente, desde 2007, quando saiu o quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), ao ficar estabelecido que “os gases de efeito estufa de natureza antropogênica têm sido responsáveis pela maior parte do inequívoco aquecimento da temperatura média global a partir da segunda metade do século 20”, não deveria mais suscitar dúvidas. Todavia, não é isso que se observa cotidianamente. A metodologia do “consenso”, adotada pelo IPCC, pode ser assumida como cientifica? Existe consenso cientifico? Há espaço para outro olhar (desinteressado) sobre o clima global?
A discussão da mudança do clima global, ainda que esteja presente internacionalmente, na esfera diplomática e científica, desde final dos anos 1980, mantém-se atual e relevante como nunca; especialmente com o advento da era Trump no comando da nação mais rica e poderosa do planeta (os EUA). Um novo momento histórico, em que as grandes questões ambientais, a exemplo da mudança do clima global, podem perder protagonismo e as opiniões da comunidade científica, por mais consolidadas que sejam, a exemplo dos relatórios do IPCC, relegadas; saindo vitoriosa, por conveniência de ocasião, a via do dissenso em vez do assaz bem trilhado caminho do consenso.
Não é de hoje, que os contrários à tese da responsabilidade humana na mudança do clima global acusam de falacioso o dito consenso científico que concluiu pela inequívoca natureza antrópica da elevação da concentração dos gases causadores do efeito estufa na atmosfera terrestre. Não raro, utilizam técnicas apurada de persuasão ou, quando não, buscam fazer valer a sua opinião pela força do poder econômico ou politico.
Insistem os céticos do aquecimento global, que não há espaço para “consenso” no universo científico; que a crença cega na tese da ação humana como responsável pela elevação dos gases causadores do efeito estufa (como aparenta nos relatórios do IPCC) é um pecado imperdoável; que o método científico, seguindo as premissas de Karl Popper, não opera por consenso; que hipóteses que não podem ser expressas quantitativamente não são suficientemente rigorosas para serem testáveis; usam e abusam de relatos de trabalhos que refutam a tese do aquecimento global (alguns, inclusive, que levam a assinatura de cientistas que gozam de certo reconhecimento nos meios acadêmicos, mas que não são necessariamente especialistas na área de clima); etc.
Indiscutivelmente, em parte, estão com a razão os céticos do aquecimento global: CONSENSO não é prova cientifica de nada. Mas, por outro lado, estão completamente equivocados ao não admitirem que esse suposto consenso, forjado a partir de resultados de pesquisas robustas, constitui-se, usando-se emprestada a definição de Thomas Kuhn, no atual paradigma dominante da ciência normal do clima. Sim, consenso implica em concordância; mas não necessariamente em unanimidade. Na ciência, e nesse caso em particular, consenso significa aquilo que a maioria dos especialistas aceita como válido. Então, diante do que está posto, resta, aos que são contra, derrotar o modelo presumido da responsabilidade humana na mudança do clima, para que essa teoria seja rejeitada e algo novo, como os apregoados ciclos naturais de variabilidade climática, possa, legitimamente, ocupar o seu lugar como o novo consenso científico. Simples, assim!




Em busca do nosso Fausto

Sexta-Feira, 24/02/2017 às 09:00, por Gilberto Cunha


São muitos os Faustos. Desde o personagem histórico que, pelo envolvimento com magia, adivinhações, alquimia e um pouco de charlatanismo, ajudou a forjar, na Europa Central, o mito do culto do Doutor Fausto - o homem que, conforme reza a lenda, vendeu a alma ao Diabo -, até o personagem literário imortalizado por Christopher Marlowe, Johann Wolfgang von Goethe, Paul Valéry e Thomas Mann, entre outros. Em meio a tantos Faustos, sobreviveu, principalmente, o mito criado pela genialidade de Goethe. Uma olhada na obra de Jayme Mason, “O Dr. Fausto e seu Pacto com o Demônio”, editora Objetiva (1989), conforme proposta dessas breves notas, talvez nos ajude a encontrar o outro Fausto, aquele que, sintetizando o confronto entre a tentação e o desejo, pode estar oculto em cada um de nós.
Mefistófeles e Dr. Fausto são os dois personagens centrais do drama imortalizado por Goethe. O primeiro representa o Príncipe das Trevas, o inimigo de Deus, aquele que tudo sabe e (quase) tudo pode. E o segundo o pecador que recebeu o fruto do conhecimento de tudo em troca de sua alma. No território das emoções, Mefistófeles é a tentação e Fausto o desejo, cujos desdobramentos, muito mais além da nossa herança judaico-cristã, em que é natural que a tentação seja representada pelo Diabo e o castigo por ceder a ela sempre sobrevenha.
O Dr. Fausto, misto de lenda, história e literatura, vive a nossa espreita em cada esquina. Nada mais sensato, então, que conhecê-lo um pouco melhor a partir de Goethe. O Fausto de Goethe é representado por um sábio que na velhice, recluso em seu gabinete, começa a se indagar se valeu a pena a vida de sacrifícios e estudos para dominar a ciência e a filosofia. A questão central, que também nos diz respeito, resume-se na busca de resposta à pergunta se o homem, entregue a seu livre arbítrio e exposto às atrações do pecado, conserva, ao fim e ao cabo, a sua bondade e consegue salvar-se; como bem sintetizou Jayme Mason.
Goethe escreveu o seu Fausto em três momentos diferentes. O Fausto Primitivo (Urfaust) data de 1775. É o embrião do Fausto I, de 1790, que foi publicado em 1806, vindo a se juntar ao Fausto II, de 1833, na completude, publicada post-mortem, da obra goetheniana. O titã de Weimar transferiu para os personagens da sua célebre obra, segundo Jayme Mason, o seu reconhecimento de vaidade e os despontamentos, que o suposto saber humano pode levar a cada um de nós a experimentar. O Fausto I é obra de um Goethe jovem e o Fausto II de um escritor já em idade avançada. Isso talvez explique as diferenças notórias entre ambos. O primeiro é mais simples e o segundo exige uma cultura clássica mais apurada de parte do leitor.
Um Fausto ansioso por abandonar o saber livresco torna-se presa fácil de Mefistófeles, que autorizado pelo Padre Eterno, lhe propõe o pacto de servi-lo por toda a vida, dando-lhe todos os prazeres desse mundo, em troca da sua alma depois da morte. Quantos de nós, pegos em idade avançada, resistiríamos a uma proposta como essa? Rememoremos a cena da Cozinha de Feiticeiras, que após alguns exorcismos, Fausto bebe a poção mágica que lhe devolve a juventude. Advém a conquista amorosa de Gretchen (Margarida), a morte do filho, o enlouquecimento e morte de Gretchen, o romance com Helena, a morte de Eufórion (homenagem de Goethe a Byron), a conquista de terras para o imperador, o confronto e a critica velada de Goethe à política latifundiária da Igreja, até a morte de Fausto idoso e seu enterro por Lêmures (espectros, fantasmas, duendes) com Mefistófeles à espreita da saída de sua alma para arrastá-la ao inferno. Enquanto isso anjos espalham rosas e lutam com o Diabo, Gretchen também aparece ... Quer saber o desfecho? Leia o Fausto de Goethe, sugiro.
Os versos de Goethe, por meio das experiências a que Fausto é submetido, trazem a tona muitas das nossas contradições ao lidar com coisas como o amor (o envolvimento com Gretchen), a beleza (o contato com Helena) e o poder (o acordo com o Imperador, o Fausto governante). Que cada um de nós identifique o seu Fausto e espante o seu Mefistófeles.




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