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Colunistas


Para pensar, enquanto aguardamos o final da copa

Sábado, 14/07/2018 às 06:00, por Jorge Anunciação

“Favoritismo em futebol é desculpa para adversário” (Emerson, jogador)
“Em futebol é necessário atacar como time grande e defender como time pequeno” (Zagalo)
“Quando o jogador passa pela imprensa sem tirar os fones do ouvido é porque perdeu a posição” (Darci Filho, repórter)
“Jogador de futebol não pode ter posição fixa – futebol não é loteamento” (João Saldanha, técnico e jornalista)
“Os jogadores de futebol nunca sabem porque são substituídos até que se tornem técnicos (Bobby Robson, técnico inglês)
“Em futebol é assim: se eu andar sobre as águas vão dizer que não sei nadar” (Berti Vogts, técnico alemão)
“Futebol não dá prestígio político; Mussolini foi campeão do mundo e morreu enforcado” (João Saldanha)
“A diferença no futebol entre um jogador caro e um barato pode ser só o preço” (Ibsen Pinheiro, dirigente, político e jornalista)
“Conheço duas pessoas com muita sorte no futebol: Pelé e eu (Ênio Andrade, técnico de futebol)
“Quase toda criança ganhou uma bola de futebol na infância – parece que muito jornalista de futebol foi aquela criança que não ganhou a bola” (Dunga, técnico de futebol)
“Tem técnico de futebol que fala, tem técnico que grita, tem técnico que caminha e - quando perde – tem técnico que marcha” (Carlos Nobre, humorista)
“O único exercício intelectual de um jogador de futebol é assinar a súmula” (Carlos Nobre)
“Em futebol não existe clássico meigo” (Abel, técnico)
“Já se sabe antes o que vai acontecer com uma equipe de futebol ruim quando entra em campo motivada: vai perder – motivada (Luis Carlos Silveira Martins, ex-dirigente)
“Das coisas menos importantes da vida, o futebol é a mais importante” (ditado popular)
“Qualquer menino pode jogar futebol apenas com uma parede como parceria e, por isso, é o titular de todos os jogos da infância” (Jorge Valdano, técnico de futebol)




Sociedade Alternativa

Sábado, 30/06/2018 às 06:00, por Jorge Anunciação

Saudades de Salvador onde há sete anos brindamos bodas de prata. Cayo, meu irmão mais jovem, praticamente baiano, conduziu-nos ao tour: Itapoã, Mercado Modelo, Rio Vermelho, Liberdade, Tororó, Fonte Nova, Pelourinho, Nosso Senhor do Bomfim. Fomos à Gantois, na casa de Mãe Menininha. O marcante, no entanto, foi uma visita ao Jardim da Saudade até avistar uma placa na grama: Raul dos Santos Seixas, falecido em 21/8/89. O maluco beleza que encantou minha geração, a geração adolescente igual a todas que se rendem ao diferente. Raul e Secos & Molhados eram diferentes, eram a contracultura. As criações dele e Paulo Coelho oriundas da arte associada ao momento psicodélico-lisérgico jogavam a mente da gente a um novo aeon. Havia um mundo de discos voadores e muita gente usava óculos escuros ao não disporem de colírio. Ali, no chão, na fria placa azulada, a meus pés, repousava Raul. Confesso que chorei lágrimas de gratidão. Raul era o cara, talvez somente daquela época, talvez da eternidade.
A Sociedade Alternativa foi fundada em 1971 quando Raul e Paulo Coelho passaram a ler sobre discos voadores e sobre a obra do ocultista Aleister Crowley (1876-1947). Aleister, muito doidão, pregava a liberdade total de espaço&tempo&semente&colheita e a busca do milagre, “não de caminhar sobre a água mas, caminhar sobre a terra”, sem lenço e sem documento. A repetição da propaganda da Sociedade Alternativa em todos os shows do então midiático Raul fez com o presidente Ernesto Geisel esmiuçasse para ver do que realmente se tratava, imaginando que se referia a um movimento revolucionário contra o governo. Raul foi preso, torturado e “convidado” a passear nos Estados Unidos, por uns tempos. Prá gente disseram que ele havia ido visitar John Lennon, outro admirador de Aleister, ao ponto de sua estampa figurar na capa do álbum Sergeant Pepper’s. Raul voltou logo, com a permissão do general-presidente porque seu hit Gita bombava demais. Na boa, a ideias da Sociedade eram da liberdade de cada um, não de grupos, não de setores, “faz o que tu queres pois é tudo da lei”.


O Brasil busca uma sociedade alternativa contrapondo a que os bandidos se apoderaram de quase tudo: dos três poderes, das estatais, de parte da imprensa num mecanismo praticamente infalível chamado de “aparelhamento”. A esquerda, sempre na vanguarda, abriga os artistas e intelectuais, uns patrocinados e outros fascinados. É charmoso ser “gauche”, é inebriante ser do contra. Mas, quase tudo pertence a ciclos – infância, adolescência, madurez, senescência – e tudo se explica dentro do subjetivismo-perspectivismo, ou deveria se explicar.


A verdade é que agora com os cabelos brancos, com o cenho e as cicatrizes que a vida dá, fito meus filhos e alunos; seus olhos, ora brilhantes tal qual eram os meus na época de Raul, ora de insegurança marcada pela realidade que se estampa em todas revistas, jornais e mídias sociais e o que se vê e lê? Capitais dominadas pelo narcotráfico, enxames de universidades criando um país de doutores e contraditoriamente escolas abandonadas, ensino fundamental sucateado, medo de andar na rua de noite e de dia, ladroagem solta e recidivante. Acho que devíamos olhar o macro e entender Raul: uma sociedade começa a se estruturar a partir das individualidades, a revolução interior e aí, sem lisérgicos, deixar um país que nossos filhos se orgulhem em habitar.




A copa de cada um

Sábado, 16/06/2018 às 06:00, por Jorge Anunciação

Senti satisfação em participar do encontro promovido por Ari Machado na Planalto de quinta juntamente com meu amigo Elmar Floss. O espaço de debate extinto pela grade de programação da nova direção da rádio deixou um vácuo difícil de ser preenchido. Ali, entre as 13-14 horas de todos os dias circularam Marco Susin, Emeri Tonial, José Osmar Teixeira, Edson Scandolara, César Lopes (Meclo), Claudio Della Méa, Tadeu Karczeski, Marco Citolin e eu. Os programas sem pauta definida agilizavam as trocas de ideias no imenso brainstorminge a receptividade era muito pronunciada. O encontro com Elmar deu-me a impressão da necessidade de historiar as vivências e deixar relatos que marcam nossas trajetórias. O Brasil não foi campeão, embora favorito, em 1966, pela desorganização dos dirigentes e porque na segunda e terceira partidas (contra Hungria e Portugal) os árbitros ingleses escalados permitiram os abusos de faltas violentas contra Pelé que, aparentemente, era o único craque brasileiro a desequilibrar a nosso favor; na final, seguindo o raciocínio exposto, a Inglaterra venceu o torneio através de uma irregularidade contra a Alemanha. Ou seja, algo estava pré-estabelecido. Em 1974, os heróis do tricampeonato estavam envelhecidos e talvez entediados por entenderem que a vitória era certa. Mário Lobo Zagallo não observou a laranja mecânica de Johan Cruyff, Reps, Neesken e Rejsbrink que jogou futebol como os brasileiros deveriam ter jogado. Marchamos como se marcha quando não há craques a desequilibrar quando a contenda é parelha. Há exceções, evidentemente, porque o futebol não é ciência exata. Os jogadores sofrem influências de toda ordem (emocional, financeira, sexual...). São humanos. A Hungria de 1954, a Holanda de 1974, o Brasil de 1982 foram as seleções que brilharam mas, não venceram e futebol é faixa no peito e taça no armário. O futebol é pragmático, é como a vida, é como o pensamento americano (winner or looser). Ainda bem que vencer na vida permite várias considerações como vencer financeiramente ou sentimentalmente ou isso...ou aquilo.


Palpite, pergunta Ari Machado, nenhum. Vencerá quem tiver o craque a desequilibrar. Quais são os nossos craques? Neymar e...Os melhores jogadores da Espanha são CR7,Messi e Suarez; Os melhores da França são Neymar e Cavani.


Minha melhor copa foi a que não assisti, a de 66. Jogamos mal contra a Bulgária mas, Pelé e Garrincha garantiram o 2x0; depois perdemos para Hungria e Portugal. Minha melhor copa, estranha o leitor. Foi a copa em que não havia TV na minha vida mas, eu a via através dos olhos e comentários de meu pai. Como me faz falta. O futebol foi um importante elo que nos ligou. A paixão pelo Guarani de Cruz Alta, Grêmio, Gaúcho de Passo Fundo me fez aproximar pelo coração leve do meu velho que, mesmo em enormes dificuldades financeiras, era capaz de sorrir e torcer e esquecer da vida, nem que fosse por noventa minutos. A magia do esporte está aí, na curtição e não necessariamente no objetivo único da vitória. É como nossas vidas, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo mas, sempre aprendendo a jogar.




A cara do Brasil

Sábado, 09/06/2018 às 06:00, por Jorge Anunciação

Vitor Nósseis, ex-líder do Partido Social Cristão (PSC), cujo presidente é Pastor Everaldo (que segundo a Polícia Federal pediu dinheiro a Cunha) e que tem como um dos expoentes o deputado Marco Feliciano e por quem Jair Bolsonaro teve breve aproximação, foi pego em delito gastando grana do fundo partidário para se deliciar com as garotas de programa Samantha e Keila. Não que seja ruim usar os prestimosos serviços das meninas mas, com a nossa verba? O governo liberou 2.5 bilhões de reais aos partidos para serem usados na próxima eleição e deve ser uma coisa bacana assim, dinheiro à vontade, as nossas custas para pagamento de tudo, incluindo farras. Foi o que ouvi agora pela manhã na sensacional Rádio Jovem Pan entre as 07-09 horas da manhã desta sexta, aqui em, Higienópolis. Marco Antônio Villa comenta, com fundamento as manchetes do dia, revelando um submundo estranho ao conhecimento e interesses do cidadão comum.


Dizem por aí que o político brasileiro representa o cidadão brasileiro; que o político é a cara do que se pensa e faz no cotidiano. Na greve dos caminhoneiros teve gente (e não foi pouca) que superfaturou preços de combustíveis e itens de alimentação em absoluto conluio de aproveitar o momento, tal qual o matreiro que abraça criancinhas e se senta com pobres para comer no bandejão, desde que haja um fotógrafo por perto, é claro. Há um registro no Youtube à cerca de um motorista de caminhão morto em acidente de estrada e que a população aproveita para sequer a carga. Surpresa? Nem tanto. Primeira vez que acontece? Claro que não e não será a última.


Não é somente no Brasil que há exemplos de que o homem é o lobo de si mesmo. O zagueiro Sergio Ramos do Real Madri, por exemplo, costuma realizar strikes nos seus oponentes e causou o que causou contra o Liverpool para o mundo inteiro assistir. Tem gente que gosta porque entende que o importante no futebol é vencer, de qualquer forma e nessa guerra vale tudo, assim como na política. Sergio Ramos representa o modelo vencedor, mesmo na marra. Há um conceito populista nisso tudo. O populismo revela aos súditos aquilo que se quer ouvir e detona, de maneira ditatorial, todo o pensamento contrário. Joga-se para a torcida, joga o jogo do politicamente correto. Nada mais detestável que o politicamente correto.


Reinaldo Azevedo escreve na Folha dessa sexta que Bolsonaro é o candidato oficial da Lava Jato. Em outras palavras, representaria o único dos candidatáveis que acena com austeridade aos desmandos éticos dos poderes constituídos. O cidadão comum está cansado; ao contrário do que se alardeia aos não simpatizantes ao candidato, ninguém deseja ditadura militar ou o retorno da situação de exceção. O que se quer é zelo com dinheiro público, diminuição do número e gastos de parlamentares, transparência na condução dos negócios das estatais sem que a direção técnica das mesmas obedeça a comandos políticos da hora e basta à farra, com putas ou se putas, como o dinheiro do bravo cidadão que trabalha 25 horas por dia.


Se é para nos f... queremos Keila e Samantha no páreo de outubro, mesmo que não haja beijo na boca.




Há 50 anos – para nunca esquecer

Sábado, 02/06/2018 às 06:00, por Jorge Anunciação

Há 50 anos, 1968, eu tinha 11 onze anos e curtia Roberto Carlos (Quando, Ciúme, Você Não Serve Pra Mim...), Roberto Rivelino, Os Incríveis...nem pensava em namoradas. O mundo fervia em agitações com focos locais, com alguma interface, movidos por jovens estudantes, universitários ou não. Os jovens dos Estados Unidos se rebelavam à guerra do Vietnã, ao assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy. Surgia o movimento hippie, psicodélico e cabeludo que, infelizmente, sucumbiu ao lisérgico. Ronald Reagan, governador da Califórnia, dizia que eles se vestiam como Tarzan, tinham os cabelos da Jane e fediam como a macaca Chita.Cada vez. Na Primavera de Praga, os tchecos tentavam exorcizar as garras do stalinismo; na França, a greve dos trabalhadores por aumento de salários somadas ao descontentamento estudantil frente a uma política de condicionar vagas universitárias ao mercado de trabalho fez surgir conflitos entre polícia e estudantes que saíram da periférica Nanterre e desabrocharam à Sorbonne. No Brasil havia, por um lado, o florescimento do teatro moderno, do Cinema Novo, da Bossa Nova, da Tropicália e, por outro lado, a política de censura imposta pelo governo militar que permitiu exageros que culminaram como assassinato do estudante Luis Edson no restaurante de quinta categoria Calabouço, no aterro do Flamengo; a partir daí, com os ânimos acirrados, a polícia baixou o cassete nos atores da peça Roda Viva (de Chico Buarque) quando, na verdade, o objetivo era acabar com a encenação de outra peça, no mesmo teatro, em que um ator defecava em um capacete da polícia. O caldeirão efervescente global aliado à morte de Che Guevara (abandonado a própria sorte por Fidel, conforme narrativa de Flávio Tavares em As Três Mortes de Che Guevara) gerou grupos de subversivos da luta urbana como a Aliança Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e grupos de apoio rural como os de Carlos Lamarca e os do Triângulo Mineiro e Araguaia lançaram o país no AI 5. A repressão veio forte até os anos de 1973-74.
Há 50 anos os estudantes queriam liberdade de tudo o possível, queriam romper as amarras de seus pais que presos ao mercado de trabalho eram condicionados a ouvir e a não emitir opiniões. A onda era atingir o subjetivismo, o exercício do eu, ideia da liberação do desejo sexual. A linha de pensamento de que a tecnologia, ou seja, o conhecimento servia ao poder e não para estabelecer paz mundial gerava ações de rebeldia os jovens que tudo o que almejavam era poetizar a vida.


Passados 50 anos os jovens recrudesceram e voltaram ao mercado de trabalho, o individualismo fez submergir a visão crítica e a utopia foi pro saco; quedaram ao poder das mídias e ao modelo capitalista-consumista. Estamos atrelados aos modelos partidários e ao acúmulo de poder.


Antes éramos nós (os bons) contra eles (os maus). Agora é eu, eu, eu, eu (fragmentados e desunidos) e eles, agregados e solidários numa festa em que colaboramos com tributos. Acabada a greve dos caminhoneiros a conta passará a todos. Queremos segurança, educação e saúde; queremos políticos comprometidos com ideia de pátria. Queremos um futuro, todos diziam que a gente era o país do futuro. Se há futuro, ele deve ser construído em comunidade e não por esparsos lamentos em rede social. Mas, a turma está aí, cada um por si. Martin Luther tinha um sonho, em 1968. The dream is over?




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