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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 24/09/2018 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

A Era do Plástico

O plástico foi revolucionário. É um versátil material sintético que ganhou espaços em quase todas as atividades da humanidade. Substituiu a cerâmica, a baquelite, alguns metais e muitos materiais de origem orgânica. Houve época em que objetos confeccionados em matéria plástica eram considerados o máximo. Tomaram conta das prateleiras dos brinquedos, substituindo os caminhões de madeira e as bonecas de pano. Ou seja, deixamos de lado objetos confeccionados artesanalmente para brincar com novos e, então, ainda desconhecidos materiais. O sonho das crianças passou a ser moldado em plástico. E o dos adultos também. Baldes, vasos, potes, copos, pratos, cadeiras e outros utensílios passaram a ser de plástico. Era o que havia de mais moderno. Mas, cá entre nós, muitos desses objetos eram de um carregado péssimo gosto, como aquelas primeiras flores artificiais. As infindáveis variações em suas fórmulas permitiram o desenvolvimento de plásticos para todos os usos. Tomou conta das tubulações na construção, substituiu a palha dos garrafões de vinho, virou chapéu e até calçado, onde se destacam as sandálias femininas ainda em moda. Da tinta plástica ao documento plastificado, estamos envoltos em plásticos.

O plástico já era?

A versatilidade nas aplicações e o baixo custo justificam a utilização do plástico. Por outro lado, grande parte dos materiais confeccionados em plástico transformou-se em um risco para o planeta. O problema não está no uso, mas, sim, no descarte. Sequer necessitamos ir ao alto mar para constatar a presença nociva dos resíduos plásticos. Basta dar uma espiada no Rio Passo Fundo ali na ponte da Avenida Brasil. Plástico é o que não falta. Diante de uma iminência catastrófica, surgem restrições ao uso de sacolas não biodegradáveis e outros artefatos plásticos. Em alguns países da Europa iniciam as proibições à venda de copos e talheres descartáveis. No Brasil o canudinho é a bola da vez. Sim, aquele canudinho que é oferecido para beber sucos ou refrigerantes. No Rio de Janeiro está em vigor uma lei que obriga os estabelecimentos comerciais a utilizar canudos de papel biodegradáveis. Mas, para quem tem memória, a solução é bem mais simples. Muito antes de o canudinho plástico aportar por aqui, nós já utilizávamos os maravilhosos canudos de trigo. Sim, uma singela haste do trigo que vinha envelopada em papel. Natural, biodegradável e de produção local.

Nabo ou chicória?

É sempre agradável encontrar pessoas de bem com a vida. Uma dessas é a Renata, que atua no setor de hortifrúti do Borubon de Passo Fundo. Enquanto pesa os produtos, interage com as pessoas e está sempre com muito bom humor. Escutei quando ela falou para uma cliente sobre os nomes que escolheria para um futuro bebê. Se for menino será Nabo e se for menina Chicória, disse sorrindo. E arrematou dizendo que “aqui é tudo pela hortifrúti”. Então perguntei se era uma paixão pelo setor. Sorridente, Renata responde na hora: “aqui estamos sempre focadas no trabalho”. Focadas, simpáticas e atenciosas. Isso é ótimo. Os clientes agradecem.

Trilha sonora
Do querido amigo Ivo Sousa (ao microfone o impecável Oliveira Júnior) recebi a dica sobre a Rádio Relax da Ucrânia. Foi onde ouvi a trilha do compositor e maestro Vladimir Cosma – Les Compères
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Teclando

Segunda-Feira, 17/09/2018 às 11:19, por Luiz Carlos Schneider

Da racionalidade à docilidade
Ainda pequeninos, tudo aquilo que se passava em nossas mentes já chegava embalado pelos costumes e rotulado pelas forças do bem ou do mal. A embalagem na maioria das circunstâncias era compulsória. Ainda é, pois as crianças continuam recebendo informações já adequadas aos grupos sociais de origem. São condicionamentos para moldar nossas condutas religiosas, políticas e até mesmo esportivas. Os ancestrais continuam determinando como deverá ser o nosso comportamento em sociedade. Não questiono a validade da hereditariedade na boa educação dos filhos. O ruim é que, dentro dessas embalagens, o raciocínio lógico fica amordaçado e não permite o desenvolvimento do senso crítico. Somos moldados, ou seja, modificados pelas palavras que ouvimos em casa e na rua. O molde vai endurecendo e, com o passar dos anos, assume a condição de uma armadura intransponível. Consequentemente, a nossa cadeia de neurônios perde a sua disposição natural para questionar. Ora, assim ocorre o arrefecimento da curiosidade na personalidade. Ganhamos antolhos que não nos permitem olhar para os lados e perdemos nossa natural disposição em contestar. Desta forma há uma diminuição na capacidade de raciocínio. E essa diminuição na racionalidade acaba compensada por um aumento da docilidade.

O bem e o mal
Convivemos entre bons e maus, mas somos dóceis, controláveis e aceitamos as rotulações impostas pela sociedade. Deglutimos pacificamente uma razão asséptica que é pulverizada sobre o coletivo. Não contestamos a divulgação massiva. Ao contrário, nós acreditamos em tudo, pois fomos doutrinados para abominar o mal e agir pelo bem. Porém, não buscamos uma razão própria, pois a nossa capacidade racional já está embalsamada. Desta forma, em períodos eleitorais, encontramos pela frente uma prateleira de nomes com os rótulos do bem e do mal. E é exatamente aí que reside o grande perigo. Além da data de validade, necessitamos conhecer a autenticidade desses rótulos. São imagens feitas por seres humanos que tanto podem ser bons como maus. No mínimo necessitamos raciocinar para saber de onde eles vieram. Sem raciocínio não há senso crítico e, assim, é impossível saber quem representa o bem e quem representa o mal.

Iracélio
Figurinha reforçada e carimbada do Bar Oásis, Iracélio circulou pela Capital no final de semana. Antes de assistir a vitória do Grêmio na Arena, foi visitar a Estátua do Laçador. Iracélio, mais conhecido por Turcão, carrega no sangue uma disposição compulsória para um brique. Sua próxima investida será propor uma troca de monumentos: o Laçador de Porto Alegre pela Caravela de Passo Fundo. Iracélio ainda pretende levar uma grana de volta na transação, pois entende que a Caravela pode carregar vários laçadores. Tem lógica. Vai que dá?

Barulho
O circo foi embora e levou seus barulhentos carros de som. Mas não deu tempo de esgotar os ouvidos, pois já chegaram os alto-falantes da campanha política. Uma pena que não apareçam políticos dispostos a acabar com a barulheira.

Trilha sonora
E dizer que lá por 1966 a gente ligava o rádio e escutava Dusty Springfield -
You Don't Have To Say You Love Me
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Teclando

Segunda-Feira, 10/09/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

 

O triste fim das marquises
Cada vez fica mais difícil caminhar pelas calçadas de Passo Fundo. O espaço que deveria ser um passeio público foi transformado em mercado público. As calçadas são obstaculizadas através de ações itinerantes ou estabelecidas. A ação dos ambulantes oferece nuances especiais, lembrando as ruas enfeitadas com serragens coloridas para uma procissão. Um trabalho tridimensional, onde roupas, calçados e acessórios ainda ganham acompanhamento de pequenos aparelhos sonoros. Na prática, nós temos tapetes não-persas que até lembram um mercado persa, porém bem distantes da arte da antiga Pérsia. Pena que não contamos com tapetes voadores para passar por cima da quinquilharia. Já as ações estabelecidas se subdividem em vitrines a céu aberto e publicidade ostensiva. As vitrines a céu aberto são montadas sobre parte das calçadas para expor fogões, geladeiras, sofás e até enormes camas de casal. Já a publicidade ostensiva é feita com placas sobre o passeio público, mercadorias penduradas sobre a calçada e inoportunos vendedores de chips para celular ou de planos de sorteios. Ao desviar das mercadorias, esbarramos nas pessoas ou somos obrigados a caminhar na chuva. As marquises, que seriam para proteção e conforto dos pedestres, foram usurpadas. O lado bom é que, sem a proteção das marquises, recebemos a vitamina D do sol e hidratamos os cabelos com a água da chuva.

Mesa Um

Na semana passada foi realizada a Sessão Solene Ordinária da Mesa Um do Bar Oásis. Tendo como paraninfo o Dr. Luiz Juarez Nogueira de Azevedo, a seleta confraria reuniu-se no Restaurante Menta. Quórum elevado na afluência e no quilate. Um encontro histórico da Mesa Um que recebeu ilustres convidados. Tivemos o privilégio de conversar com o Dr. Augusto Trein, saudado, através de Medida Provisória, pelo presidente Ruy Donadussi. Também bateu ponto Múcio de Castro Filho, que aplaudiu o cardápio do sempre querido Ricardo Menta. O professor Juarez, que esteve acompanhado dos filhos Luciano e Aurélio, conseguiu reunir homens de fé pública, homens públicos e amigos de fé.

 

Iracélio
Personagem ao vivo e em cores do Oásis, Iracélio é um questionador nato. Mais conhecido pelo grande público como Turcão, atua no transporte executivo e está sempre de olho no comércio exterior. Ele não deixa de dar um pitaco do futebol à astrofísica. Nos últimos dias, de ouvidos atentos ao papo que rolava no bar, Iracélio estava intrigado com o badalado evento programado para o próximo domingo. Contestador precipitado, ouviu uma coisa e já interpretou a sua maneira. Preocupado, ele queria saber o que vai ser o “Achado Antagônico”? Foi difícil para o Lú explicar. Mas, com o auxilio do Acioly, finalmente ficou esclarecido que o correto é Assado Patagônico, programado para o espaço Calafat. Mistério elucidado e Iracélio, já de olho numa grana, está pensando em colocar a van no trecho Centro-São João.


Trilha sonora
Um cineasta na Academia Brasileira de Letras. O novo imortal é Cacá Diegues, que colocou as mais brasileiras palavras nos personagens de filmes como Bye Bye Brasil, Chica da Silva, Quando o Carnaval Chegar etc. A música título, de Chico Buarque, para o filme que Cacá rodou em 1973: Jeanne Moreau - Joanna Francesa
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Teclando

Segunda-Feira, 03/09/2018 às 07:01, por Luiz Carlos Schneider

As previsíveis previsões
Dos pequenos alagamentos às inundações, as chuvas sempre deixam consequências no mínimo desagradáveis, quando não perigosas. Um volume excessivo de chuva até poderia servir de justificativa para esses problemas. Mas não é um argumento lógico. Chuvas fortes e temporais não são constantes, mas são ocorrências cíclicas. Ora, se sabemos que de tempos em tempos enfrentaremos uma chuvarada, não é mais um fenômeno. Nem acidental, pois são ocorrências bem previsíveis. Assim, devemos estar muito bem preparados para enfrentar essas situações que, sabidamente, acontecerão. Ora, então necessitamos de uma infraestrutura maior para suportar essas chuvaradas. Um planejamento que começa pelos telhados, passa pelas calhas, calçadas, sarjetas e bocas-de-lobo, para desembocar nos esgotos pluviais. Abro parêntesis (por que esgoto pluvial fede como esgoto cloacal?) fecho parêntesis. Além dos dutos mal dimensionados, a água ainda esbarra no lixo acumulado pela má-educação. Mas logo vem o sol e tudo que fica por debaixo da terra acaba esquecido. Pelo menos até a próxima chuvarada. É uma pena que a chuva não refresque a memória, para pensarmos num futuro em que as águas não mais irão rolar. Chega de imediatismos, vamos olhar para o futuro! Não pelas previsões de uma pitonisa, mas pelos argumentos dos cientistas.

Redes do desrespeito
Enquanto bem-educada, respeitadora e bem-intencionada, a catequese política é bonita e saudável às estruturas da sociedade. Porém, jamais pode desrespeitar à nossa privacidade. A propaganda política quando excessiva é nauseante. Agora provoca enjoos pelas redes sociais, onde o dono de um perfil se dá ao direito de agir como se fosse um marqueteiro de campanha. Quem se utiliza de instrumentos como WhatsApp ou Facebook é vítima compulsória de um bombardeio politiqueiro. Pior para aqueles que estão trabalhando, na correria e aguardando por uma mensagem. Ouvem o sinal, vão conferir e lá está a fotografia de algum candidato. Geralmente, essas imagens vêm acompanhadas de palavras que reunidas não merecem ser uma frase.

Redes da maldade
Essas postagens não têm o mínimo encanto. Perderam a graça, transformaram-se em chatice, sem a mínima consideração e respeito aos incautos destinatários. Porém, além da má-educação, muitas também vêm carregas pela má-fé. Observando as repetitivas expressões de um vocabulário cerceado e cerceador, fica nítida uma origem comum. Chegam carimbadas pela ignorância e, na maioria dos casos, carregadas pela maldade. Além de nos incomodar, ainda ficam nos tirando para bobos. Sim, trazem o absurdo como verdadeiro e mostram o abstrato como concreto. Ou vice-versa. Produzir informações falsas é crime. Repassá-las, idem. Mas como são divulgações repetitivas, através de redes de distribuição, estão enquadradas também em outros crimes. Ou seja, agem criminosamente e ainda enchem-nos o saco. Até quando? Os caminhos da internet permitem rastreamentos para identificar e acompanhar as mensagens. Ora, diante de tantas ferramentas, por que ainda não desmantelaram essas redes? São quadrilhas. E quadrilhas têm chefes.

Trilha sonora
Agradeço ao Paulo Cirne pela preciosa dica. A obra do brasileiro Heitor Villa-Lobos na clássica Fender de um guitarrista inglês (ex-Yes). Steve Howe - Bachianas Brasileiras nº 5

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Teclando

Segunda-Feira, 27/08/2018 às 12:02, por Luiz Carlos Schneider

Privacidade escancarada
A privacidade deve ser preservada. É, certamente, a mais rica propriedade de um individuo. Qualquer gesto que a coloque em risco é classificado como uma invasão. Nos últimos anos, acompanhando os avanços cibernéticos, multiplicaram-se os acessos às informações. Diante de tanta acessibilidade, também me sinto desnudado no meu íntimo. A internet é um grande emaranhado sem ponta e sem nó. E nem me refiro aos hackers ou infinitos golpes que se multiplicam. Observem que através de redes sociais, sites de compras, instrumentos de pesquisas ou de buscas, nós deixamos rastros. São enormes pegadas que permitem que sejamos rastreados. Definitivamente, somos monitorados. Não importa a relevância das informações, pois é a nossa privacidade que está sendo invadida. Meus hábitos, gostos, preferências, necessidades ou aspirações não são da conta de ninguém. Os algoritmos e outros instrumentos podem limitar e direcionar os acessos. Obviamente fazem isso tendo como base algumas informações que fornecemos. Cruzam conhecimentos obtidos em nossas navegações e oferecem mercadorias que procuramos recentemente. Ao usarmos um computador ou um smartphone, a cada toque deixamos mais uma pegada que propicia rastros virtuais. Seriam instrumentos para facilitar nossas vidas, buscas, compras etc. Apenas isso?

Somos ficção
Podemos navegar pela internet sem deixar rastro, através de janelas anônimas. Devemos evitar sites de risco, não clicar em tudo que aparece etc. Mas, mesmo com todos esses cuidados, não enxergamos as ramificações das conexões. Até onde somos donos do nosso nariz? Ou, pior, até onde enxergam o nosso rabo? E qual o valor dessas informações? São dados de um conjunto que é determinante na tomada de decisões, beneficiando empresas, governos ou grupos extremistas? Aquilo que considerávamos ficção hoje é realidade. Os instrumentos inovadores, os inacreditáveis meios de controle da sociedade ou as fantásticas máquinas que adivinham pensamentos, saíram das telas do cinema e dos gibis. Hoje nós somos caricatas personagens, mesmo sem sabermos quem escreveu o roteiro ou quem está dirigindo a série sobre nossas próprias vidas.

As inteligências
Nessa invasão de privacidade somos utilizados para consolidar informações consistentes e de altíssimo valor. O problema não seria um simples perfil numa rede social. O que vale é o perfil traçado por uma nova inteligência virtual. Porém, por trás disso, claro, há inteligências humanas. Então fico preocupado, pois não sei quem são esses controladores. E é óbvio que não temos controle diante dessa explosão binária. Somos usuários de serviços, manuseamos uma tecnologia que determina as suas próprias regras e as nossas ações estão limitadas. Nós enviamos informações, mas não sabemos para onde elas vão. Ora, funciona com sentido único. Será que já não haveria um imenso controle central nos monitorando? Eis o grande perigo. Normalmente a ficção de ontem é a realidade de hoje e um alerta para o amanhã.

Trilha sonora
Um quarteto alemão que virou quinteto. É dedicado ao novo tango, mas também ataca de jazz, world music e muita nostalgia. Quadro Nuevo: Paroles, Paroles
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