PUBLICIDADE

Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 29/05/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Brincando com a chuva

Choveu, chove e choverá. A mesma água que representa vida, também se transforma em desgraça quando em excesso. A chuvarada é um fenômeno natural que pode ter tristes consequências pela má-conduta humana. Começa pelo fato de habitar áreas de alagamento, passa pela falta de planejamento urbano e é agravada pelos detritos que espalha. Sim, mas e quando chove em excesso, como agora? Culpa da natureza? Não. Como não é habitual, é um fenômeno. Porém, esse fenômeno é natural, pois pode acontecer em períodos aleatórios. Mas nós, os racionais, atiramos a culpa na natureza. Esquecemos de que já sabíamos que volta e meia acontecem cheias, enchentes, alagamentos e inundações. Portando, tudo isso é previsível. São situações que conhecemos bem. Talvez, ainda não aprendemos a lidar com elas.

Chovendo no molhado

Nos últimos dias jorrou muita água. Enchentes em muitos pontos do Rio Grande do Sul que, em alguns casos, transformaram-se em inundações. Situações de emergência aqui e em outros estados. E, segundo a Dona Meteorologia, nesta semana continua o aguaceiro. Essa previsão não é nada boa. Depois de tanta chuva o solo está bastante encharcado e, com mais chuva, aumentam os riscos de alagamentos e desmoronamentos. Um perigo iminente não apenas para as áreas já atingidas. Devemos ficar atentos aos possíveis alagamentos nas cidades e também às quedas de barreiras nas estradas.

Na beira do rio

Em algumas cidades as enchentes são cíclicas e, portanto, um fenômeno aguardado. E não adianta colocar a culpa em ninguém. É o caso de muitos locais escolhidos pelos imigrantes europeus, que se instalaram em áreas de solo fértil à beira de rios. Nesses vales, de tempos em tempos, ocorrem inundações. São locais classificados como áreas de inundações, mesmo que fiquem muitos anos sem registar problemas. É o exemplo de Blumenau, seguidamente atingida pelas águas do Rio Itajaí-Açu. Nessas mesmas áreas, as enchentes também são mais frequentes e atingem a população ribeirinha.

Pensando na chuva

Já os alagamentos urbanos, também ocorrem em consequência de fenômenos naturais. Nas cidades o ser humano ainda dá uma mãozinha para piorar a situação. O desleixo com o lixo, sacolas plásticas e outros entulhos acaba agravando a situação. Aí um rápido alagamento se transforma em uma perigosa inundação. Isso geralmente acontece naqueles mesmos locais, áreas próximas aos rios e galerias. Ocorre que não pensamos muito na chuva do futuro e, raramente, encontramos uma cidade que tenha esgotos pluviais planejados para um extraordinário volume de água. Basta uma pancada forte de chuva para inundar ruas e calçadas. Depois que a chuva passa, parece que nos esquecemos de que ela vai voltar. Tomara que alguns pingos dessa chuvarada refresquem a consciência. Está na hora de planejar e construir pensando (grande) na chuva de amanhã.

Trilha sonora

Em 1967, a Bossa Nova era moda nos Estados Unidos e o pianista Sérgio Mendes estava em alta com seu Brasil’66, que reuniu músicos brasileiros e norte-americanos e as vocalistas Lani Hall e Janis Hansen. Com produção do trompetista Herb Alpert, gravou Jorge Ben Jor: Chove chuva.

Use o link ou clique o QR code

http://migre.me/wHCSu




Teclando

Segunda-Feira, 22/05/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Os interésses

Os últimos acontecimentos, ou melhor, as últimas revelações chacoalharam com o País. Foi impactante, claro. Muitos ficaram surpresos ou escandalizados diante das denúncias. Confesso que não me admirei com a tamanha fedentina da safadeza. Sempre soubemos que a patifaria existe e é exercida com intensa regularidade. Quando a cidadania é ofuscada ou vilipendiada, podemos encontrar um rumo nos fundamentos do Estado. Assim, recorrendo àTeoria Geral do Estado, recordo do professor Dárcio Viera Marques enfatizando o Bem Comum como objetivo do Estado. Porém, a praxe transformou os fundamentos. O bem e o mal se confundem na penumbra da ganância, enquanto o incomum transformou-se em comum. Infelizmente, a corrupção foi institucionalizada como um novo elemento do Estado. E, pior ainda, um elemento objetivo! Deteriora poderes e determina comportamentos retrógrados para a sociedade. Age do vértice à base e vice-versa. O Brizola tinha razão quando nos alertava sobre os interésses. São essesinterésses que produzem a incontrolável energia que movimenta a corrupção.

Os interessados

A primeira tijolada veio de uma grande empreiteira. Depois, o monopólio da carne deu um bife na cara. O construtor e o açougueiro seriam os únicos coniventes? Se a grande empreiteira e o conglomerado de frigoríficos fizeram um estrago desses, será que isso seria tudo? Não. É óbvio que não. Num exercício de imaginação com uma dose de lógica, como seriam as relações das sempre alvissareirasinstituições financeirascom o poder público? Ou esse seria um exercício de lógica com apenas uma pitada de imaginação? Para compreensão dos interesses, necessitamos conhecer os principais interessados.

As condutas

A corrupção, a propina ou os desvios de verbas têm em comum o mau-caráter dos envolvidos. Se roubarem serão desonestos, nem que seja pelo desvio de uma agulha. Honestidade, sabemos muito bem, não é nenhuma virtude. É uma obrigação. Então, para ocupantes de cargos públicos em todas as esferas a probidade é indispensável. Mas muitos políticos desconhecem esse conceito, pois, quando em campanha, alardeiam a sua (pretensa) honestidade. Pouco importa se já nasceram corruptos ou foram corrompidos. Nas duas situações estará em evidência a má-índole.

As peças

Aqueles que seriam bonzinhos ficaram ruins. Os que eram ruins agora são péssimos. A enfadonha discussão entre A e B perdeu o rumo no cruzamento dos culpados. Diante das ratazanas no palco da vergonha, a plateia ficou ambidestra. Nelson Rodrigues não poderia ficar de fora dessa tragédia, apenas para lembrar que toda unanimidade é burra. Então, até queponto issopode ser um risco à própria sociedade?Não sabemos, pois nesse imenso tabuleiro observamos apenas o movimento das peças. Mas ainda não enxergamos quem as movimenta. Vamos aguardar, para saber o quê vem por aí?

Trilha sonora

O filme é de 1970, com música de StelvioCipriani. O tema principal ganhou a bela interpretação de Fausto Pepetti ao sax: Anonimo Veneziano
http://migre.me/wEIhL.




Teclando

Segunda-Feira, 15/05/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nosso cenário

 Na escola nos ensinaram que temos verão, outono, primavera e inverno. Aqui em Passo Fundo, área subtropical, temos as quatro estações bem definidas. O clima é classificado como temperado, porém o ideal seria dizer que é bem temperado, pois no verão suamos de calor e no inverno trememos de frio. Mas entre esses extremos estão as estações intermediárias, o outono e a primavera. No outono nos encantamos com um cenário único: as folhas douradas nos plátanos da Praça Tamandaré. Já na primavera, abundam árvores floridas por todos os lados. Lindo né? Mas, juntamente com esse colorido encantador, outono e primavera trazem variações bruscas de temperatura. O ar seco do outono e o ar primaveril provocam espirros, resfriados e alergias. Mesmo assim, nós não temos o que reclamar da paisagem. Entre um espirro e outro, observe a beleza das folhas em tom pastel levadas pelo vento.

Baderna I

Aumentaram as ações do poder público para conter a baderna nas noites passo-fundenses. Um trabalho que será ainda mais eficaz quando vigorar a lei que proíbe o consume de bebidas alcoólicas em vias públicas. Mesmo assim, a situação vai ganhando novos e perigosos contornos. Vai além do barulho e da bebedeira, pois já queimam pólvora. De quem é a culpa? Ora, os principais culpados são os próprios baderneiros. É uma questão comportamental. Resolveram beber nas calçadas e, assim, virou moda. Um hábito que deu início à baderna, um quadro que noite a noite vem piorando.

 Baderna II

É claro que a instrumentalização do poder público será essencial nessa luta. Mas não é apenas isso, pois a solução não virá num passe de mágica. A questão está em outras duas pontas: baderneiros e fornecedores. Para os baderneiros o remédio deve partir do berço: educação. Na outra ponta estão os vendedores do kit tragédia, que compõem a bebida acessível dos baderneiros. Ao invés do fechamento de pontos de venda, ocorre o contrário. Ali, no olho do furacão, surgiu mais um local oferecendo o kit tragédia. Ora, isso é no mínimo irresponsabilidade. É a sociedade remando contra a própria sociedade.

Bolso

Sábado, véspera do Dia das Mães, tinha movimento nas ruas e muita gente nas lojas. Os presentes foram comprados, mas isso não significa que houve um grande faturamento. Pelo que pude ouvir nas lojas, a maioria optou por adquirir presentes mais acessíveis. Por um lado foi positivo, pois as pessoas não deixaram de comprar. Por outro, foi negativo porque gastaram menos. Não é necessário um tratado de economia para entender que isso é normal. O gasto é proporcional ao tamanho do bolso.

 Antônia

Alguém sabe o que é uma ansiedade coletiva? Pois passamos por isso nos últimos meses aqui na redação. Uma ansiedade que acabou na noite de sexta-feira passada. Enfim, Antônia chegou! Linda e paparicada por todos, raiou com ares de princesa. Agora vivemos uma alegria coletiva. Mas nada que se compare aos imensuráveis sorrisos da Cissa Battistella e do Antônio Carlos Mira. Bem-vinda, Antônia. Beijos.

Trilha sonora

Bons tempos em que a música italiana era ouvida por aqui. Foi assim em 1970, quando Guido Renzi gravou Tanto Cara.

Use o link ou clique o QR code

http://migre.me/wCdsm

 




Teclando

Segunda-Feira, 08/05/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Chateando

Não quero ser chato. Muito menos o próprio. Mesmo porque falar de chato é uma chatice. Mas não dizer nada sobre os chatos seria permitir ser achatado. Chato é tão chato que é difícil encontrar uma definição adequada. É bem mais fácil identifica-lo. Para o chato não tem hora ou local, pois será um chato em qualquer circunstância. Uma característica indissociável do chato é classificar as outras pessoas como chatas. O chato sempre conta alguma história sobre alguém, dizendo que o cara é um chato. E ouvimos sabendo que o chato é o próprio com quem estamos conversando. Dizer que alguém é chato, parece confortável ao próprio chato. Para o chato é terapêutico falar que outra pessoa é chata. E não podemos dizer nada, nem pra chatear. Espero que ninguém fique chateado. Até porque chato chateado fica ainda mais chato.

Maionese I

No futebol, quando tudo dá certo é uma maravilha. Mas quando a maionese desanda ninguém mais segura. Este ano desandou a maionese no Vermelhão da Serra. Houve uma sucessão de erros que provocou um efeito dominó. A contratação de pessoas inadequadas para funções cruciais desencadeou o processo. A inoportuna troca de técnico teve o efeito de uma implosão. Com o time mal em campo, os resultados negativos atingiram as bilheterias. Nos últimos jogos do Passo Fundo, na beira do gramado o clima era de velório. Uma decadência que culminou com o rebaixamento iluminado pela lanterna.

Maionese II

Sem arrecadação e com patrocínio limitado, além do tombo em campo, o time do Vermelhão opera no vermelho. Nos moldes sartorianos, foi parcelado o pagamento de atletas e funcionários. Agora o futebol é uma grande incógnita. Copinha? Nem falar. E como disputar a Divisão de Acesso em 2018, sem os recursos distribuídos para a Primeira Divisão? No mínimo, complicado. O momento é muito delicado e exige uma reação. Se houve erros está na hora de assumi-los. Agora as circunstâncias exigem a unidade interna. E muito cuidado para que diferenças ou vaidades não azedem ainda mais a maionese.

Capa branca

A cerveja sempre esteve associada aos alemães. Mas, cá entre nós, é brasileiríssima. A loira gelada encaixou-se como uma luva no clima tropical. Houve uma época em que cada região tinha a sua própria cervejaria, quando a preferência era puro bairrismo. Em Passo Fundo a Brahma, em Getúlio Vargas a Serramalte, em Estrela a Polar, em Caxias do Sul a Pérola e assim por diante. Hoje temos um festival de marcas e rótulos nas prateleiras. As grandes marcas oferecem mais opções e ganharam a companhia das artesanais. Assim como ocorreu com o vinho, o brasileiro ficou mais exigente em relação à cerveja. As pequenas cervejarias estão reassumindo um espaço que já foi das fábricas locais. Temos uma excelente combinação: opções e consumidores. Com colarinho, lógico.

Trilha sonora

Nos anos 1960 a 1980, a música europeia marcava presença no Brasil. Leia-se música italiana e francesa. Em 1975 um dos mais ouvidos foi o francês Joe Dassin: Et Si Tu N'existais Pas

Use o link ou clique o QR code

http://migre.me/wA3FQ




Teclando

Terça-Feira, 02/05/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Trinta de abril

Domingo, a data de 30 de abril mexeu com meu arquivo pessoal. Primeiro pelos 99 anos de Erechim, minha terra natal. Em 1918 Erechim, então oitavo distrito, foi emancipado de Passo Fundo. O 30 de abril também marcou os 60 anos da Rádio Guaíba. Para mim, guaibeiro de carteirinha, a data é muito significativa. Acredito que antes de aprender a falar eu já era apaixonado por rádio. E a Guaíba, à época uma emissora de vanguarda, logo conquistou meus seletivos ouvidos. A credibilidade da Caldas Júnior e o tom de serenidade foram os atrativos. Outro diferencial era a locução comercial feita ao vivo por dois locutores. Mas o destaque tinha o timbre marcante na voz, dicção perfeita e impecável pronúncia de Milton Ferretti Jung no Correspondente Renner. E, claro, o bom gosto musical: a música da Guaíba. Uma programação bem elaborada, excelentes profissionais e qualidade técnica, criaram uma linha da qual não abro mão: o Padrão Guaíba.

Valores explícitos

A música é um melódico arquivo de história. Os contadores dessas histórias mudam de geração em geração. Belchior foi um desses. Ele decifrou os pensamentos da minha geração e, além disso, desmistificou-os. Mas a sua obra é ainda mais importante por instigar o pensamento. Ele cantou aquilo que estava escondido em nossas mentes. A música de Belchior permitiu que compreendêssemos um pouco mais sobre nós mesmos. Propiciou um autorretrato do nosso ridículo. Conquistou-nos com uma linha cotidiana para falar em sonhos e realidade. Não inventou nada. Apenas disse como somos. Ouvíamos e a ficha caia.

Valores expostos

Mostrar para as pessoas que elas são apenas pessoas. Assim resumo o significado da obra de Belchior. Certamente, isso tem muito a ver com o sucesso que obteve. Recordo dele no corredor do antigo prédio da Rádio Planalto. Chegou fumando cachimbo para gravar um programa especial com o José Ernani. Estava no auge, e continuou em alta por muitos anos. Depois protagonizou um sumiço, reapareceu e retomaria a carreira. Mas nunca mais voltou aos palcos e acabou morrendo aqui no Rio Grande do Sul. Belchior teve um final enigmático. Logo ele que ajudou-nos a desvendar os nossos próprios mistérios.

Armando Annes

Armando de Araújo Annes foi intendente de Passo Fundo (1924 a 1928) e prefeito duas vezes (1932 a 1934 e 1947 a 1952). Passou uma temporada em Paris, de onde trouxe ideias da modernidade. Abriu um banco em Passo Fundo, a Casa Bancária Armando Annes, que financiou ao município a importação de um gerador para a Usina Municipal. Como prefeito, deu atenção especial à urbanização e calçamento da cidade. Mas a sua grande obra foi particular, ao vender terrenos para operários e pessoas que sonhavam com a casa própria. Bem melhor do que o antigo BNH, pois eram longos prazos, prestações fixas, sem juros ou correção monetária. Fico intrigado ao não ver o seu nome em uma grande praça, rua ou avenida. Armando Annes merece uma homenagem proporcional ao que representou. Foi um altruísta de avant-garde.

 

Trilha sonora

Belchior na voz de Elis: Como Nossos Pais

Use o link ou clique http://migre.me/wxDHy




PUBLICIDADE


PUBLICIDADE