PUBLICIDADE

Colunistas


Teclando

Quarta-Feira, 01/04/2020 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Imediatismo e futuro

Não é apenas um período de tempo que separa o imediatismo do futuro. Entre eles há um longo caminho construído pelo conhecimento, sedimentado pela experiência e consolidado pelo bom senso. Num momento delicado, mesmo sob uma forte pressão, o prefeito Luciano Azevedo vem mantendo um raciocínio lógico. Parte do respeito à ciência, cujos conhecimentos representam a evolução do próprio ser humano, para decidir pela preservação da vida. As decisões do prefeito têm importância amplificada, tanto como exemplo ou como consequência, pois Passo Fundo é uma cidade-polo. Mais do que isso, é um referencial em saúde. Então, além das orientações dos especialistas mundiais e nacionais, Passo Fundo também segue a linha dos seus profissionais da área.

Eles conhecem o cenário e sabem muito bem sobre a importância em manter as pessoas em casa. Sem imediatismos, essa ponderação pode preservar o prefeito de ter seu nome responsabilizado no futuro pelas mortes do presente. Ao contrário, respeitando os especialistas, Luciano Azevedo segue confiante para grafar o seu nome na história. Certamente, será lembrado por evitar muitas mortes. Sabemos que o tempo é o senhor da razão. Assim como o amadurecimento aproxima as pessoas do futuro. Mas não basta apenas o prefeito seguir às orientações das autoridades médicas. Todos devem fazer a sua parte. Por isso, quem puder, fique em casa!

Politicagem
Nossas políticas de saúde pública sempre deixaram muito a desejar. Mas a saúde sempre foi um forte argumento de campanha para os políticos. Agora, estamos vivendo a mais grave situação epidemiológica mundial contemporânea. Mesmo diante de um momento assustador, a saúde descambou para a politicagem. Estamos contaminados por um jogo sujo, rasteiro, traiçoeiro, inconsequente e desumano. Se por um ângulo necessitamos de infectologistas e sanitaristas, por outro está escancarada a carência de psiquiatras. Desdenhar da ciência é desequilíbrio. Ou, dependendo do caso, instinto genocida.

Voando baixo
A pandemia do novo coronavírus infectou a aviação. Em todo planeta a maioria dos aviões está no chão. No Brasil o fluxo semanal era de 14.781 voos, agora reduzido para 1.241. Das 106 cidades atendidas por empresas de linha aérea, apenas 46 permanecem com algumas frequências. As empresas priorizaram os voos entre as capitais. Passo Fundo está entre as 60 cidades que, por um período, ficam sem o serviço regular.

Lavando a quarentena
- Como está a quarentena? Respondo que estou lavando. – Ah tá levando numa boa? Não. Não estou levando. Estou lavando. Lavando as mãos, lavando roupas, lavando panelas, lavando portas, lavando louça...
- Num momento tão delicado e até alarmante, fico indignado com a conduta de alguns seres semoventes. Com tanta mensagem boa para repassar, por que só pulverizam o ódio político? Isso também é uma doença grave.
- Essa é da nossa coleguinha Lauriane. “Quanto mais desinformação, pior é a crise”.
- Há quantos dias não uso óculos de sol?
- Saí do banho e, automaticamente, passei perfume atrás das aurículas e nos pulsos. Então fui para a cozinha picar uma cebola.
- Além de hospitais, também necessitamos de manicômios de campanha.
- Estamos desenhando hoje o gráfico das mortes que será publicado amanhã.

Trilha sonora
O talento resulta da sensibilidade da alma do artista. Os músicos gaúchos são bem assim e abrem a boca para cantar na hora certa. Para passar a mensagem, Edu Meirelles liderou um grupo que tem o passo-fundense Maurício Chaise, meu primo Caetano Maschio Santos ao bandolim e meu amigo Carlinhos Carneiro: Brasil, Fica em Casa.
Use o link ou clique
https://bit.ly/3aAynXp





Teclando

Quarta-Feira, 25/03/2020 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Quarentena na Quaresma
Há uma semana estou em quarentena. Quando criança, eu passei por situações semelhantes por causa de sarampo, caxumba e outras doencinhas bem controláveis. Mesmo com comidinha na boca e todos os cuidados necessários, permanecer em casa era um tormento. Desta vez, com muitas rotações no meu hodômetro, estou em quarentena coletiva. E, no mais belo e puro português, trabalho em casa. Agora, em absoluta solidão, o cenário é bem diferente daqueles dos tempos de piá. Obviamente, sofro com o exílio. Estou acostumado a conversar com dezenas de pessoas diariamente. Telefone e outros meios têm o ranço da impessoalidade. Ora, como faço sem um espresso (o legítimo é com “s”) do Oásis? Um chope no Bokinha? Ou um rock no Batatas? Não é pelo café, chope ou música. É pela ausência de companhias. Somos sociáveis e sofremos com o isolamento. No entanto, mais vale um isolamento temporário do que o silêncio da eternidade.
 
Hoje vivemos uma pandemia mundial e o inimigo é uma incógnita. O período é uma espécie de eclipse no calendário, pois estamos na Quaresma. Independente da religião é uma época de recolhimento, inclusive para os nossos Orixás. Parece que há uma ordem coletiva que nos manda para casa. Ou melhor, suplica para não sairmos às ruas. Simples e pura racionalidade, pois sem a movimentação de pessoas praticamente inexiste contágio. A resposta está na matemática, através da fórmula da progressão geométrica. Na rua potencializamos o multiplicador, seja como receptores, transmissores ou incautos transportadores do vírus. Então, quem não respeitar essas determinações está cometendo um crime, colocando em risco terceiros além da sua própria vida. Há exceções, aqueles que se movimentam para cumprir importantes papéis em dias difíceis. Mas, infelizmente, ainda observo muita gente simplesmente passeando por aí como se nada houvesse. Seriam apenas irresponsáveis ou foram abduzidos pela idiotice? Fiquem em casa!

O desperdício
Nesses dias de total dedicação aos afazeres domésticos, o aprendizado é imenso. A primeira constatação é que desperdiçamos comida, saúde, energia, vida, espiritualidade, tempo e, o menos importante, dinheiro. Então, naturalmente, aperfeiçoamos nossa conduta para não desperdiçar. Isso vale para um pedacinho de batata ou uma gota de álcool gel. A pandemia assusta, mas também transforma.

Esterco digitalizado
Enquanto a tecnologia avança e nos propicia grandes facilidades de comunicação, os seres humanos não acompanham essa evolução. Não falo sobre conhecimentos em informática. O problema é o péssimo uso da tecnologia ou os instrumentos em mãos não habilitadas. Em época de pandemia e amedrontados pelo desconhecido, ainda somos alvo da distribuição de um festival de insanidades. Ora, fiquem em casa. Mas, por favor, parem de repassar aquilo que as mentes insanas produzem. Ou seja, esterco.

Chamem o Síndico
Segundo Tim Maia, o Brasil era o país onde prostituta tinha orgasmo, cafetão sentia ciúmes e traficante cheirava. Agora também pisamos em solo achatado pelo explícito desrespeito à ciência. Quem deveria dar bons exemplos num momento crítico, chuta o balde do conhecimento para espalhar o ódio político. Já não bastasse o risco de uma contaminação viral, ainda temos a ameaça de uma insanidade coletiva.

Trilha sonora
Então vamos chamar o Síndico: Tim Maia – Gostava Tanto de Você
Use o link ou clique o QR code
https://bit.ly/2Jfl56O



 




Teclando

Quarta-Feira, 18/03/2020 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Desinfecção da ignorância

Lave bem as mãos. Não me lembro de ter vivido uma situação análoga ao momento em que estamos passando. Há riscos, mas não pode haver pânico. A questão comportamental pode ser mais letal do que a própria doença. A falta de conhecimento ajuda na propagação de falsas informações. Mas lave as mãos. A ficção supera a imaginação de Ian Fleming, criador de James Bond. Há, ainda, um criminoso interesse para politizar uma pandemia. Chegam ao cúmulo de dizer que o vírus é comunista! Uau, será que também come criancinhas? Isso, claro, quando não parte de homens públicos que desdenham dos fatos e da ciência para colocar a culpa na imprensa. Ora, a imprensa não é vetor de vírus. A imprensa apenas espalha informações. Uma delas diz para lavar as mãos. O momento exige muita cautela com o inescrupuloso passa e repassa pelas redes sociais. É o moderno vetor do vírus da insanidade. 

Numa época em que todos se acham profissionais de mídia, circulam as mais absurdas idiotices. É a pulverização da desinformação que ocupa o espaço da verdadeira informação. Isso confunde as pessoas e pode ser letal. Antes de acreditar nas postagens cheias de milagrosos conteúdos, apenas lave as mãos. Escolha bons exemplos e vire o rosto para a irresponsabilidade, além de tapa-lo para espirrar. Fico pasmo diante daquilo que pessoas, até então tidas como esclarecidas, repassam pelo zap-zap. Recebi um vídeo onde algum idiota leu no rótulo de um aerossol desinfetante de ambientes que o mesmo seria eficaz contra vários vírus. Inclusive o coronavírus. Mas a lata foi produzida muito antes do surgimento da atual ameaça. Então, lá vieram as mais absurdas conclusões e teorias conspiratórias. Ora, coronavírus são uma família de vírus há muito conhecida da ciência. O Covid-19 que é a novidade. Então lavem bem as mãos e deixem de lado essas postagens. Ou logo entraremos no Guinness World Records no topo da idiotice. Ou muito pior, caso não lavarmos as mãos.

Quando a ignorância bate à porta

Quando batem a porta para a racionalidade, então a ignorância bate à porta. Quando fecham a porta para o conhecimento, a pesquisa e o ensino, escancaram a porta para a ignorância. Quando as portas estão fechadas para o diálogo, a ignorância fardada pela truculência já se instalou. Quando não há mais portas para o contraditório, a razão evaporou pela janela. Quando não encontramos portas para a igualdade, a ignorância oprime vidas pelo ralo. Quando a ignorância desafia a verdade, abrem-se as portas para as mentiras. Quando a ignorância desdenha da ciência, a evolução dá com a cara na porta da insensatez. Quando há portas abertas para a discriminação, a ignorância se esbalda. Quando a ignorância passa pela porta, surge o inconsciente coletivo. Quando a ignorância bate à porta, acaba a inteligência e a civilidade. Então, feche as portas para a ignorância!

 

Trilha sonora
Semana para receber o outono, admirar os plátanos e pisar nas folhas caídas pela Praça Tamandaré. Momento para ouvir Eric Clapton -Autumn Leaves
Use o link: http://bit.ly/2Qp8stC

 

 




Teclando

Quarta-Feira, 11/03/2020 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Achataram a racionalidade

No shopping, deparei-me com vários globos terrestres na vitrine de uma livraria. Parei para observar a Terra em escala reduzida. Um globo é sempre atrativo à curiosidade do nosso olhar e nos acompanha desde o ensino primário. Naquela época, os estudantes eram fotografados ao lado de um globo terrestre para as tradicionais lembrancinhas escolares. Tínhamos um globo em casa que, seguidamente, servia para compreensão visual do fuso horário etc. Mas os atuais, que vi nesta vitrine, são bem mais modernos e têm recursos de iluminação. São lindos, porém foram obsoletizados por empíricas baforadas do embuste. De acordo com aquilo que pregam por aí, agora a Terra seria plana. Sim, achataram o planeta para transformá-lo em pizza politiqueira. Sem recheio e com bordas para contenção da ignorância. Ou seja, a Terra que era uma bola foi transformada, literalmente, numa chatice.

Mas, além dessa, há tantas outras chatices invadindo as cabeças ocas ou com recheio inconsistente. A falsidade ganhou livre-trânsito com o passaporte do americanismo e, sob a chique alcunha de fake news, tem propagação geométrica. Ora, assim vem atropelando a lógica. Isso ocorre sistematicamente. E não é por acaso, pois obviamente tudo foi planejado para insuflar a sempre maleável classe média. Logo despontam pessoas recalcadas, carregadas de ódio que estão ensandecidas de raiva e querem, de qualquer forma, aquilo que imaginam ser uma espécie de vingança. São viúvas ou, como diria o Brizola, “filhotes da ditadura” que não admitem a igualdade democrática. Não há mais diálogo e o debate virou arcaico, enquanto a ciência, os estudos ou as pesquisas foram esbarrados para a linha de fundo. A eficácia da inverdade já colhe os excelentes resultados obtidos. A mentira suplantou a racionalidade e a legalidade. E será dificílimo reverter este imenso retrocesso. Infelizmente.


O pratinho do Iracélio
Acompanhando a logística do Acioly, a temporada propiciou que Iracélio marcasse presença no litoral catarinense. Em cada ida à Itapema o nosso Turcão se esbaldava na praia. A criançada observava com cautela até desvendar o mistério: uma boia gigante ou um cetáceo? Mas fora d’água ele também se esbaldou. E muito! Num almoço, preparado com todos os requintes pela Tânia, ele mandou ver. E ainda contou os detalhes no Oásis. “Tinha massa com anéis de lula, camarão com creme e salmão grelhado. Eu nem sabia como começar. Então enchi um pratão, misturei tudo e mandei bala. Que coisa boa”, conta Iracélio com os olhos ainda brilhando.

Poeira
Obra viária gera poeira. Isso é óbvio. Mas uma água pode amenizar em muito os efeitos nocivos e desagradáveis da poeira. Ora, as sequelas não podem ofuscar a magnitude da obra.

A multiplicação dos eleitores
Não sei exatamente quantos eleitores estão inscritos em Passo Fundo. Mas, de acordo com pretensos candidatos a vereador, já devemos ter ultrapassado marca de 500 mil eleitores. Ou mais. Um deles, que se autodenomina ‘um grande puxador de votos’, diz que fará 12 mil votos. Outros, um pouco menos entusiasmados, têm estimativas que oscilam entre seis e sete mil. Mas alguns são bem mais modestos e garantem que contam com uns três mil eleitores garantidos. Votos infalíveis, segundo eles. Somando as estimativas, logo chegaremos a 1 milhão de eleitores.


Trilha sonora
Em 1981, quando a mentira era apenas uma mentirinha, Erasmo Carlos veio com essa: Pega na Mentira .

 




Teclando

Quarta-Feira, 04/03/2020 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

A festa que eu vi

O carnaval continua sendo uma contagiante festa popular. Sábado, fui à passarela do samba instalada na Avenida Sete junto ao Parque Gare. Vi muita gente bonita. Vi as pessoas felizes. Vi muita alegria desfilando ou aplaudindo. Com tudo aquilo que vi, reafirmei o meu conceito de que o nosso carnaval de rua é, de fato, uma grande expressão da cultura popular passo-fundense. Pena que algumas escolas tradicionais, como a minha Visconde do Rio Branco, sucumbiram nas trocas de calendários. Mas deixaram raízes, lindas histórias na memória e formaram gerações das costureiras aos passistas para levar as escolas para a avenida. Ora, temos tradição no carnaval, sim! Caso contrário não haveria tantas histórias sobre os desfiles de rua. Grandes enredos ainda estão na lembrança de muitos e muitos personagens ainda enfrentam a passarela. Mas o carnaval de rua sempre foi alvo do ranço dos insatisfeitos. Respeito àqueles que não gostam, contanto que não incomodem quem gosta. Por que alguns falam mal? Convenhamos, ficar discutindo abobrinhas ou criticando detalhes é espelho da mesquinhez. Ou falta de respeito à arte popular.

Por décadas, os desfiles eram realizados na Avenida Brasil com palanque oficial ao lado do Clube Comercial no antigo Altar da Pátria. A passarela deveria ter uns 400 metros. E, como lembrou nossa eterna Rainha, Magda Cavalheiro, ao sambar era necessário cuidar para não enterrar o salto na fuga dos paralelepípedos. Depois, já no asfalto, a passarela foi para a Sete, em frente às antigas instalações de O Nacional, passando em seguida para a Gare. O carnaval de rua é o momento mais eclético de Passo Fundo. Não há distinções e, entre sorrisos e aplausos, todos participam da mesma festa. Foliões de carteirinha como a Dagmar e o Juarez, que nunca perderam um desfile de rua, estavam na arquibancada transmitindo a alegria de sempre. A volta do carnaval de rua, organizado pela Liga das Escolas, foi um importante resgate cultural. O desfile teve quatro escolas e, confesso, todas me surpreenderam. Carros alegóricos, baterias, porta-bandeiras, mestres-salas e lindas coreografias brilharam nos 200 metros de asfalto. Sem conotação competitiva, não houve concurso e a proposta era mostrar que temos muitos talentos. O objetivo foi cumprido com nota dez.

Caminhos alternativos

Adoro traçar rotas diferentes das que habitualmente as pessoas utilizam. Meus caminhos alternativos até viraram piada aqui na redação. Agora, com as obras na Avenida Brasil, a solução é evitar o centro de Passo Fundo. É o momento certo para criar e adotar rotas alternativas. Antes de reclamar sobre o trânsito, faça a sua parte e não congestione ainda mais o fluxo. Aproveite novos caminhos para mudar um pouco a paisagem. Faz bem, pois assim a gente ainda enxerga um pouco mais de Paso Fundo. Não utilize a Brasil. E, claro, lave as mãos!

Autogolpe?

Dizem que golpista não tem cura. Quem gosta de golpe galopa por cima da lei e até pode enaltecer as mais hediondas facetas antidemocráticas. Mas será que um golpista de carteirinha chegaria ao extremo de um autogolpe? Não duvido de mais nada, pois uma vez golpista sempre golpista.

Quem?

Nunca vi tamanha expectativa pelo anúncio de um nome. Todos querem saber quem será o candidato a prefeito indicado por Luciano Azevedo. Candidato ou candidata?

Trilha sonora

Esta é para Maria M. que faz biquinho para uma aprimorada pronúncia francesa. Jaques Brel: Ne Me Quitte Pas

Use o link: https://bit.ly/39iWysU






PUBLICIDADE