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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 24/04/2017 às 18:56, por Luiz Carlos Schneider

Pedrinho e o Capitão

O Capitão foi personagem de elevada prateleira no folclore passo-fundense. Tinha sido mecânico da aeronáutica e, com parafusos um pouco fora do torque, perambulava pelo centro de Passo Fundo. Entre a penúria e mais um gole, sempre tinha boas tiradas. Lá pelos anos 1980, estávamos na primeira mesa do Bar Oásis: Pedro Batista Nunes, Argeu Santarém, Waldir Sudbrack e eu. O tempo pra chuva atiçou os xaropes e provocou uma romaria de pedintes. Não conseguíamos conversar e Pedrinho estava indignado com os mordedores. Lá pelas tantas chegou o Capitão. Pedro bufou “era só o que me faltava”. Mesmo irritado, prevaleceu o bom coração. “Vai lá – apontando para a tribuna do canteiro central – discursa sobre o Brizola e não volta mais aqui”, disse entregando o que seria hoje uma cédula de R$ 50. O Capitão estava quase no canteiro quando resolveu voltar. Pedrinho ficou vermelho de raiva, levantou, mas não teve tempo para falar, pois do meio da rua o Capitão perguntou: “É a favor ou contra o Brizola?” As gargalhadas foram acompanhadas por várias “papo-amarelo”, apelido carinhoso da maravilhosa Pilsen Extra da Antarctica. E o discurso? Foi ótimo e mesmo sob um leve chuvisco reuniu muita gente. O Capitão era do ramo e o tema empolgante. A favor, claro!

O psicotécnico

Conhecemos o exame psicotécnico com um requisito para obtenção da carteira de motorista. Mas também é aplicado em concursos públicos e para recrutamento na iniciativa privada. Basicamente, é uma avaliação da personalidade. No caso das habilitações de motoristas é um instrumento para barrar pessoas desequilibradas.  Em outras situações avalia se, psicologicamente, há compatibilidade com a função a ser desempenhada. Interessante. Então, fico imaginando por que não é aplicado aos pretendentes de cargos públicos eletivos? Ora, se é exigido para conduzir um veículo, por que não é obrigatório para conduzir um país, estado ou município? Isso, claro, para cargos executivos e legislativos. Sou leigo em matéria de psicologia, mas acredito que um bom teste também deve detectar os sintomas da desonestidade. Se houvessem testes rigorosos para os políticos, com certeza, diminuiriam os atos prepotentes, os desmandos da insanidade e os índices de corrupção.

A caravela

O monumento da caravela, no Trevo do Sesec, é motivo para divergências desde a sua concepção. Nem cara e nem vela, nunca tive o mínimo fascínio pela embarcação de concreto, mas também não carrego total aversão. Na verdade, a caravela é tipo piada pronta. No imaginário já serviu para provocações políticas, alusões às deficiências de transportes e até comparações com a Arca de Noé. Então vamos gracejar. Se a homenagem é ao descobrimento a caravela está no lado errado da cidade. Nesta navegação faltou o astrolábio, pois ali onde está, fica em direção ao Oceano Pacífico. Ora, os portugueses chegaram pelo Atlântico, que fica para o lado da São Cristóvão. E em caso de dilúvio, quem seria o Noé passo-fundense?

 

O retrogresso

Num período de oito dias os supermercados não abriram em três.

Trilha sonora

Na tranquilidade da new age, a cantora, instrumentista e compositora irlandesa Enya gravou em 1995: Anywhere Is

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Teclando

Segunda-Feira, 17/04/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Caudas em calda

Falso ou verdadeiro, diz-se que brasileiro adora um escândalo. Podemos ser divididos entre os escandalizadores e os escandalizados. Vivemos um delicado período em que a podridão veio à tona. A lavanderia, outrora mais discreta, agora é uma escancarada vitrine. A plateia boquiaberta acompanha o desfile das grandes falcatruas. Não há ineditismo nesse filme triste, mais um capítulo da trilogia poder, dinheiro e corrupção. É muito interessante observar que nesta inflamada arquibancada não faltam corruptos e corruptores. Sim, agora a corrupção de pequeno porte está perplexa com a (má) conduta dos gigantes. Poxa, isso é oportunismo da hipocrisia. A troca de favores ou conhecidos quebra-galhos também são crimes de corrupção. Claro, justificados pela alvejante expressão “jeitinho brasileiro”. Pequenas empresas, pequenas propinas. Megaempresas, megapropinas. Ou mudando o comprimento do rabo a culpabilidade seria perdoada? Caudas pequenas e caudas compridas são servidas na mesma calda. E, em alguns casos, até muito bem emaranhadas.

Berço I

Em período delicado, logo após a morte do meu pai, aos 17 anos ingressei no Aeroclube de Erechim. Mais do que uma escola de aviação, encontrei um ambiente perfeito para um menino dar um salto e conviver com a barba que brotava no rosto. Um mundo fascinante, porém repleto de exigências. Tudo era atrelado aos padrões da aviação. Eram necessários estudos sobre navegação aérea, aerodinâmica, meteorologia e muito mais. Inspeções e manutenções eram constantes para respeitar os padrões de segurança. Mesmo cursando o segundo grau em boa escola pública, enfrentei rombos curriculares. Mas os meus instrutores no aeroclube, Ademir Roesler e Assis Fianco, me auxiliaram com os necessários conhecimentos de física e matemática.

Berço II

Graças aos ensinamentos obtidos no aeroclube, tirei de letra o vestibular e ingressei no Direito da UPF. Tive o privilégio de ser aluno de grandes mestres como Carlos Galves, Dárcio Vieira Marques, Luiz Juarez Nogueira de Azevedo, Celso Busato, Celso da Cunha Fiori, Verdi de Césaro e outros. A vida acadêmica flutuava em elevado nível, assim como as aulas teóricas e práticas do aeroclube. O velho hangar foi o meu segundo berço. Sala de aula, livros, macacão de voo, abastecimentos, pousos e decolagens. O cheiro da gasolina de aviação era um perfume. Logo descobri que eu não era mais um menino. Então, compreendi a importância dos aeroclubes na formação de cidadãos.

O brilho

Tendo como anfitriões Lorena e Aldrian Ramires, há 32 anos mantemos a tradição de apreciar um bacalhau na Sexta-feira Santa. Em 2017 erguemos um brinde ao confrade Antoninho Ferri que já se foi. O bacalhau na panela é carro-chefe, mas sempre surgem variações. A turma cresceu. Além de Maurício, Augusto e Ana Paula, Fernanda e Leonardo, chegamos à terceira geração dessa bacalhoada familiar com o Gabriel e a Sofia. E não faltou empolgação quando flambei os pimentões. O brilho nos olhos dos pais passou para os filhos e agora é dos netos. Bacalhau em ótima companhia é uma excelente penitência.

Trilha sonora

Em 1979, auge da carreira dos Bee Gees: Too Much Heaven 

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Teclando

Segunda-Feira, 10/04/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Bússola do discernimento

Modismos são idiotices. Sempre fico com um pé atrás quando surgem novidades transformadas em unanimidades. Não acredito em estrelas com vertiginosa ascensão nos cenários nacional e internacional. Nomes que repentinamente ganham excessiva notoriedade, merecem atenção e muita cautela. Como nas fábulas de La Fontaine, estariam a serviço do bem para combater o mal. Surgem disfarçados de salvadores da pátria, de justiceiros ou de ícones da modernidade. Representam um perigo ainda maior quando vêm acompanhados pelos feitiços midiáticos. São oportunistas que se aproveitam de períodos vulneráveis, pois o rebanho desnorteado irá segui-los. Ainda incipiente, a contemporaneidade digital foi transformada em plataforma da desorientação. A permissividade que pulveriza o que é verdadeiro, também pulveriza o que é falso. Vigora a desorientação, pois falta a bússola do discernimento. Cuidado! Fenômenos de hoje, decepções de amanhã.

Voar

Voar é um sonho da humanidade. É o sonho que está na mitologia com Dédalo e Ícaro, nos ensaios de Leonardo Da Vinci e no invento de Santos Dumont. Essa é a leitura básica da obra de Aldo Locatelli, o magnífico painel ‘A Conquista do Espaço’, no Aeroporto Salgado Filho. Quem nunca observou um pássaro e sentiu um desejo de voar? Aquele sonho com a sensação de liberdade? Esse desejose tornou realidade para os jovens passo-fundensesa partir de 1940, com a fundação do Aeroclube de Passo Fundo. Foi concebido aqui no Jornal O Nacional, quando o Comandante Ruy Della Méa recebeu o apoio e o incentivo de seu amigo Múcio de Castro. Desde então, o Aeroclube vem formando e aprimorando pilotos com atuação em linhas aéreas, aviação executiva e agrícola. E, claro, o mais importante: transformando em realidade o sonho de voar.

Safra

A engrenagem econômica é girada pelas energias vindas de vários setores. Todas as engrenagens são importantes para essa dinâmica, mas o impulso inicial da máquina vem do setor primário. Estamos na colheita de uma safra excepcional que, além do numerário, injeta ânimo em todos os segmentos. Da terra também brotam sorrisos.

Expectativa

A lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em áreas públicas de Passo Fundo, ainda tem um prazo de 134 dias para a sua regularização. A expectativa é grande, pois prevaleceu o bom senso do prefeito Luciano Azevedo que sancionou a lei e vetou as emendas que a descaracterizavam. Assim, a norma terá a eficácia necessária para acabar com a baderna.

Sambódromo

Pé-quente é desfilar pela primeira vez no Carnaval do Rio de Janeiro e sair campeão da Marquês de Sapucaí. Pois foi bem assim com os amigos Bruna e Léo Castanho. O casal passo-fundense desfilou pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Decisão da semana passada dividiu o título entre Mocidade e Portela. André Luiz Alves Teixeira, diretor da Mocidade, ligou para Passo Fundo agradecendo, pois os gaúchos teriam dado sorte à escola. Agora, Léo e Bruna estão preparando a comemoração da Mocidade em Passo Fundo. A festa terá o DJ Joy com o lançamento de um “inédito” flashback de carnaval. Promete.

Trilha sonora

Uma balada, um saxofone e um arranjo envolvente. Assim, em 1984, começou o sucesso do inglês George Michael: Careless Whisper

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Teclando

Segunda-Feira, 03/04/2017 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

Lei Falcão I
Nas reminiscências da exceção, os excessos produziram verdadeiras pérolas. Uma delas foi a Lei Falcão, de 1976, à época em que Armando Falcão era o ministro da Justiça. Foi uma norma que vigorou até 1985, determinando como era a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Os candidatos não podiam falar e não era permitida a utilização de música cantada. Na TV aparecia somente uma fotografia do postulante com seu número e partido. O áudio tinha apenas uma locução em off , apresentando um breve currículo do candidato a vereador, prefeito, deputado, senador e, depois, governador. Praticamente a mesma gravação era utilizada nos programas de rádio. A lei Falcão teria surgido após uma piada irônica do deputado gaúcho Getúlio Dias, ao vivo, durante a campanha de 1974. O formato dos programas eleitorais irritou candidatos, provocou muitas piadas, mas, em alguns casos, também protegeu os nossos ouvidos de muitas asneiras.

Lei Falcão II
Em 1982 tivemos a última campanha dentro das exigências da Lei Falcão. Foi, simultaneamente, em níveis municipal e estadual. A gravação e montagem dos programas eram exaustivas. O do PDT, produzido por Argeu Santarém, foi gravado nos estúdios da Planalto com a maestria técnica de Pedro Martins Dóro. Ao microfone o revezamento dos locutores Telmo Camargo, Flávio Caetano e eu. No currículo dos candidatos predominava a expressão ex. Tinha ex-síndico, ex-escoteiro, enfim, ex-tudo. A maior dificuldade era acertar o mesmo tempo para cada candidato. Muitas vezes o Santarém era obrigado e refazer os currículos. Numa dessas, nos entregou uma folha com um novo texto. Gravação em andamento e no meio da apresentação de conhecido candidato acabamos lendo o termo “ex-telionatário”... Foi difícil continuar gravando depois de tantas gargalhadas.

Bacalhau
Quaresma é um tempo de recolhimento e traz algumas penitências. Uma delas é não comer carne vermelha na Sexta-feira Santa. A tradição católica dos portugueses colocou o bacalhau à mesa dos brasileiros. Por muitos anos, era quase uma imposição. Algumas crianças, que eram obrigadas a comer, até detestavam o bacalhau. Mas o famoso peixe norueguês foi a além da Sexta-feira Santa, ganhou requinte e tornou-se iguaria. E, claro, também ficou bem mais caro. Hoje é oferecido nas mais variadas receitas e referencia os bons cardápios. A verdade é que a Sexta-feira Santa lembra bacalhau. Uma delícia de penitência.

Ronaldo
Ronaldo Bonfante não está mais no Sesi de Passo Fundo. Recordo quando, lá por 1993 ou 1994, ele visitou pela primeira vez O Nacional. Chegou bem acanhado e com muita simplicidade, trazendo informações sobre as atividades esportivas do Sesi. Foi com essa mesma simplicidade, que Ronaldo manteve um bom vínculo com a mídia durante todos esses anos para divulgar as realizações do Sesi. Aliás, essas tradicionais competições das indústrias sempre primaram pela boa organização. Ronaldo, com seu jeitão agregador, fará muita falta para os industriários de Passo Fundo.

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Trilha sonora
De Simon & Garfunkel, a música que marcou no clássico The Graduate (A Primeira Noite de um Homem) em 1968. Na voz da belga Dana Winner: The Sound Of Silence
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Teclando

Segunda-Feira, 27/03/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Bobagens e maldades

À noite todos os gatos são pardos. Antigamente, porém, distinguíamos facilmente os de cá dos de lá. Havia turmas, sabia-se quem era quem e cada qual no seu quadrado. A galera de um lado da cidade conhecia o pessoal de outras bandas. Incautas invasões territoriais até poderiam resultar em confusão. A época, claro, os jovens também faziam bobagens. Mas raramente cometiam besteiras por maldade. Predominavam as tolices juvenis. O importante é que acima das frívolas rivalidades pairava uma fidalguia. Então, o que mudou? Ora, a conduta social. O risco é quando grupos assumem uma índole coletiva, em supostas lutas entre o bem e o mal. É uma perigosa condição que, oscilando entre segurança e insegurança, segue um temerário caminho em meio ao certo e ao errado. E é exatamente quando a razão abraça a maldade, que todos se acham com a mais absoluta razão. Do passado ao presente, aprendemos que há uma grande diferença entre tolices e maldades.

Zazueira

Restam ainda 148 dias para a regularização da lei que proíbe beber em áreas públicas. Esse período, quase cinco meses, representa mais noites sem dormir para muitas pessoas, som alto, mais sujeira nas ruas, brigas, tiros e até mesmo alguma tragédia anunciada. Ora, então, será que não é possível agilizar esse processo? Seria a regulamentação um bicho de sete cabeças? Enquanto aguardamos, vamos cantando Zazueira com Jorge Ben Jor: a espera é difícil, mas eu espero sonhando...

Mesa Um

Foi reaberto o calendário de sessões solenes da Confraria da Mesa Um do Bar Oásis. Tendo como paraninfo José Osmar Teixeira, o primeiro encontro do ano foi sábado ao meio-dia na Casa do Bosque. À mesa desfilaram iguarias com assinatura do sempre talentoso Ricardo Menta. Uma deliciosa geleia de gengibre acompanhou o cordeio assado. Da raça Texel, é claro, criado pelos corredores dos ervais do anfitrião. A Mesa Um abriu a temporada em alto estilo.

Esses alemães...

A empresa alemã Fraport arrecadou em leilão o Aeroporto Salgado Filho. O grupo administra muitos aeroportos, inclusive o de Frankfurt que é um dos mais modernos do mundo. A primeira medida dos alemães, que são especialistas em aeroportos, será a ampliação da pista. Eles sabem que sem pista, não existe aeroporto! Em Passo Fundo, além da péssima localização, o grande problema do Aeroporto Lauro Kourtz é a pista. Foi por falta de pista que a Avianca foi embora. Ora, então aquela famosa verba (sic) de R$ 44 milhões deveria ser aplicada na pista. Ou será que por aqui a turma entende mais de aeroportos do que o pessoal da Fraport?

Cheirando mal

Parece que estão se lixando para o lixo. Há algo errado na programação e procedimento de coleta do lixo em Passo Fundo. Ouço muitas reclamações. No centro, há algo errado na Rua Capitão Eleutério, quadra entre General Osório e Independência. A falta ou atraso no recolhimento provoca um fedor insuportável. Na Vergueiro, a reclamação é do pessoal da Rua Gabriel Bastos, onde o recolhimento estaria desajustado ao cronograma da coleta. Lixo, além da questão sanitária, ainda fede.

Trilha sonora

Jorge Ben Jor, salve Jorge, salve simpatia. Da sua obra, uma das minhas preferidas é de 1979: Ive Brussel.

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