PUBLICIDADE

Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 15/01/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Foguetórios de formatura

Nas décadas de 1970 a 1990, as formaturas da UPF eram centralizadas no Cine Teatro Pampa. Cerimônias bastante concorridas, com muita gente de pé pelos corredores ou no saguão, além das 1.500 poltronas ocupadas pela plateia. Ao final da colação de grau parava o centro de Passo Fundo. O auge ficava por conta da queima de fogos na Praça Marechal Floriano. E não eram foguetórios comuns. Eram ruidosas e intermináveis baterias de fogos. Na verdade havia uma disputa entre as faculdades de Direito, Medicina, Agronomia e Odontologia, onde a grandiosidade da formatura era proporcional à barulheira dos fogos. Enquanto a fumaceira e o cheiro de pólvora pairavam por algumas horas nas imediações da praça, a elegância dos vestidos e dos trajes propiciava um desfile de moda pelas calçadas. Na manhã seguinte, havia dezenas de pássaros mortos ao pé das árvores. Outros tantos, assustados, perdiam-se pela cidade. Os cães e os gatos foram massacrados pelos grandiosos foguetórios. Alguns morreram. Mas por décadas isso foi, sim, uma tradição passo-fundense.

Fogos silenciosos

Então, depois de muitos e muitos anos, acabaram os foguetórios de formaturas na praça. Não sei precisar o ano, mas o grito dos ecologistas ecoou pelas alamedas da universidade e despertou a conscientização. A tradição errada deve mudar. E mudou. Agora, um grande exemplo veio do Notre Dame em sua tradicional Cantata Natalina. Não faltou o colorido dos fogos que provocam suspiros na plateia. Mas desta vez não ouvimos os estampidos, pois utilizaram os fogos silenciosos. Uma tradição que não perdeu o seu encanto, evoluiu e inovou em tecnologia para respeitar ao meio ambiente. A evolução é constante e não pode tropeçar na preservação dos erros.

Ouvidos humanos

Continuamos evoluindo. O prefeito de Passo Fundo, Luciano Azevedo, quer proibir o comércio e o uso de fogos que produzem estampidos. Dentre os incentivadores da proposta está o vereador Rafael Colussi, que havia apresentado projeto semelhante. A medida, além de proteger dos riscos de acidentes, é para evitar a perturbação aos enfermos, idosos e animais. Enfim, algo contra a barulheira. Agora, espero que alguém proponha a proibição do uso de alto-falantes nas portas das lojas ou pelas ruas. Já protegemos os pássaros e estamos iniciamos a proteção aos cães e gatos. E os ouvidos humanos, quando estarão imunes desses malditos alto-falantes?

Iracélio
Nesse calorão, Iracélio resolveu fazer uma ‘visita surpresa’ ao casal Bruna e Léo em Ernestina Beach. O problema é que ele não sabe nadar e foi impossível encontrar colete salva-vidas na sua exagerada numeração. Sempre prestativo, o muy amigo Acioly levou o Turcão numa antiga borracharia da Vera Cruz e resolveram o problema. Então, domingo, transformou-se em enorme atração nas águas da barragem. Ele chegou com a maior boia já vista na região: uma câmara de pneu de um velho FNM. “É segura, não afunda”, explicava Iracélio já meio sem jeito.

Trilha sonora
Rita Lee faz o que quer com a voz e tem uma dicção invejável. Paula Toller (no meu imaginário apenas Paulinha) tem o timbre da sensualidade. Então, juntas, e com Oswaldinho do Acordeon, é demais. Literalmente, Desculpe o Auê.
Use o link ou clique
https://bit.ly/1EQ2WlT




Teclando

Terça-Feira, 08/01/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Patrulhamento censurador
Há um ranço no ar. Não é de agora e está aumentando. A divergência política fermenta nas redes sociais e exala um cheiro ruim. Ser a favor ou contrário é normal, faz parte do jogo democrático. Porém, houve a invasão das mentiras, que o estrangeirismo batizou de ‘fake news’. A partir disso acabou a credibilidade e não se sabe onde foi parar a verdade. Além disso, o ódio está explícito nas mensagens e nos comentários. Basta uma manifestação política contrária ou favorável que o circo pega fogo. O bom humor, então, desapareceu. Tente, por exemplo, fazer um comentário irônico e logo você será apedrejado. Pior. As respostas já chegam colocando rótulos disso e daquilo, além de vir com um tom ameaçador. Há um patrulhamento explícito que não permite o contraditório. Isso é equivalente à censura. O debate é salutar, mas exige o respeito e é necessário dar espaço para todas as ideias. Será que em tempos de redes sociais desaprendemos os princípios da reciprocidade numa discussão? E, o mais importante, da boa educação? Ora, no jogo político sempre houve telhados de vidro. Isso é normal. A argumentação é necessária e as piadas são o lado divertido da crítica. Já a falta de argumentos é apenas ignorância.

Febeapá

A vida pública brasileira sempre carregou piadas prontas. Surgiram, e continuam surgindo, muitas figuras caricatas pela maneira de ser ou pelo despreparo. Ora, também são piadas prontas. Tanto que lá por 1966, Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto, escreveu um livro dedicado a essas preciosidades. É o Febeapá - Festival de Besteira que Assola o País. O excedente de matéria-prima permitiu uma série: Febeapá I, II e III. Se Sérgio Porto ainda estivesse entre nós, pois morreu em 1968, neste ano poderia lançar o Febeapá LIV. Ah, com certeza, esse 54º volume teria tudo para figurar entre os mais divertidos.

Asfalto

Já que as mudanças estão na ordem do dia, bem que poderiam abolir aquela lei que exige que os remendos na pavimentação asfáltica sejam desiguais ao original. Sim, deve existir uma norma que determina a obrigatoriedade de remendos diferentes. Isso vale para as rodovias e para o perímetro urbano. Alguém já viu uma emenda que não fique diferente do asfalto da pista? Não, né? Então deve ser lei. Existe, ainda, aquela mania de remendar com material frio onde deveria ser utilizado material quente. Sem falarmos na base que depois cede e surgem as famosas panelas. Não tenho conhecimentos sobre pavimentação asfáltica. Apenas convivo com os remendos. Isso, claro, quando já não são os reparos dos reparos. Basta reparar.

Iracélio

No Oásis, mas de olho em Brasília, Iracélio observou que o início do novo governo bate direitinho com as previsões do Pai Magno. Isso foi o suficiente para deixar o Turcão apavorado. “Vai que ele me acerta também no futebol”? De acordo com Magno, há chances de o Inter erguer uma taça. E isso para o Iracélio é inadmissível.

Trilha sonora
Em 1968, a música do compositor Nonato Buzar estava em alta. Era a Turma da Pilantragem, um swing-bossa bem brasileiro, onde um dos expoentes foi Wilson Simonal: Vesti Azul

Use o link ou clique:
https://bit.ly/2AubAwo




Teclando

Quarta-Feira, 02/01/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

A virada

Um novo ano traz uma carga forte de sentimentos. Numa simples troca de data, depositamos as mais diversas expectativas. Assim, quando esperamos pelo novo estamos ansiosos pelas novidades que estão chegando. Neste salto de um ano para o outro, somos aventureiros prontos para explorar o desconhecido. É o inesperado que está vindo, o inusitado que está acontecendo. E é exatamente ali, naquela virada, onde parece que tudo mudou. E muitas coisas mudam de fato pela força da nossa própria energia. Isso, claro, é um otimismo contagiante. Mas se a cada novo ano tudo melhorasse, já estaríamos no paraíso. Se em todas essas viradas jogamos fora aquilo que não presta, de onde vem tanta maldade? Se tudo melhora nos anos que chegam, por que os problemas persistem? Ora, o Réveillon não faz milagres. É apenas um marco, um ponto de chegada e ao mesmo tempo de início. Compulsoriamente, estamos embarcando para mais uma viagem. Então, começar de novo!

 

 

Aprendizado

Ah, que ano louco foi 2018. É o que a gente escuta por aí. Mas e os anos anteriores também não tiveram acontecimentos marcantes? Um ano nunca será igual ao outro. Porém, com o passar do tempo, fica a impressão de que teriam sido a mesma coisa. Parece que ainda não aprendemos a lidar com o tempo. Isso que no presente podemos olhar para o passado e ficar de olho no futuro. Como era, o que é e o que será. Um ano começa e termina nos dando a chance de um grande aprendizado em 365 dias.

 

Bipartidarismo

No Brasil iniciam profundas mudanças políticas. São novidades que prenunciam o inusitado ou o inesperado, diante de condutas sociais já consolidadas em nosso meio. Mudanças exigem cautela e também geram incertezas ou, no mínimo, alguma preocupação. O que não podemos confundir é iminência com eminência, pois mudanças abruptas indicam extremismos. Não importa o lado, a divisão está escancarada. Aliás, não me lembro de um momento com posições tão extremas. Esse comportamento de oito ou oitenta poderá nos levar de volta ao bipartidarismo. Que prevaleça o bom senso.

 

Equilíbrio

Pelos búzios do Pai Magno, teremos em 2019 um ano muito movimentado. Mas ele também deixa claro que sob o comando de Xangô teremos justiça e equilíbrio. Como as previsões do Magno vêm sendo muito certeiras, isso já nos dá um alento para começar o ano.

 

Sicredi

Já é tradicional o encontro de final de ano com a imprensa promovido pelo Sicredi. Num rápido balanço, o presidente Ari Rosso apresentou os números que comprovam o grande crescimento da cooperativa. Chamou a minha atenção uma evolução patrimonial de 20% em apenas um ano. Isso é para poucos. Consolidado, o Sicredi não para de crescer.

 

Iracélio

Depois de transportar Papai Noel na véspera do Natal, Iracélio dedicou a semana seguinte à logística que garantiu os brinde no Réveillon. O Turcão, em rápida passagem pelo Oásis, disse que estava muito atarefado e nem pensou em ir à Brasília para a posse. Iracélio não troca o certo pelo duvidoso.

 

-------------

Trilha sonora

Sucesso dos anos 1970 na voz de Alcione, a música de Totonho e Paulinho Rezende ganhou muitas interpretações. Mas a de Cauby Peixoto é uma aula de cadência: O Surdo

Use o link ou clique o QR code

https://bit.ly/2EZYHgH

 

Imagens Relacionadas

Clique nas imagens para ampliá-las.




Teclando

Quarta-Feira, 26/12/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Essas festas
O final de ano é aquele período de alguns dias quando o gráfico das emoções oscila entre os seus limites. Ou melhor, dos nossos limites. Vai dos encantos às chatices. Como ocorre em todos os anos, com o passar dos próprios vai ficando repetitivo. Não estou ranzinza e nem perdi a sensibilidade da convivência social. É apenas uma espiada com olhar crítico, pois, pela correria, fim de ano parece o fim do mundo. O ridículo do ser humano surge em alguns comportamentos coletivos, quando todos fazem as mesmas coisas. Algumas são maravilhosas, como as mesas fartas, singelas ou sofisticadas, montadas com muito carinho pelas mãos hábeis das mães e avós. O Natal carrega a mística das vibrações e compartilhamos a felicidade. Alguns surpreendem quando, quase num passe de mágica, ficam bonzinhos e por breves instantes até enxergam a igualdade nos semelhantes. Já o Ano-Novo traz uma conotação contábil em nossas vidas. Eu, por exemplo, há mais de 50 anos prometo que vou parar de beber no réveillon. Mas aí chega o momento dos brindes. Abraços, sensibilidade à flor da pele, olhos contendo lágrimas, mais um brinde, mais um golinho e sigo bebendo por mais 365 dias. Então, champanhe (com a permissão dos franceses) na taça e vamos brindar. Que sejamos todos felizes e saudáveis para sobrevivermos a muitos finais de ano.

Alegrias e tristezas
Além da alegria do departamento hidráulico, Natal e Réveillon têm tudo a ver com a interação dos humanos. São festas que atiçam as comunicações. Um beijo, um abraço, um aperto de mão e recebemos mais votos do que a maioria dos candidatos obtém nas urnas. Há muitos anos, era praxe enviar cartões de boas festas pelos Correios. Logo chegavam por e-mail e agora entopem as redes sociais. Algumas surpreendem, outras emocionam. Assim, com a sensibilidade aguçada, chegamos às festas com o imaginário em busca de ausências. Nesta época, passam pela nossa janelinha do tempo as alegrias e as tristezas. A saudade também entra na festa. Mas em clima de comemoração não há espaço para as lamentações, que, rapidamente, são abafadas pelos sorrisos.

Voando a jato
Cabral aportou por aqui, numa espécie de alternativa para quem seguia à Índia. Foi na Páscoa, mas no pacote colonizador do cristianismo também desembarcou o Natal. Até parece que foi ontem, pois o costume que veio do Hemisfério Norte permanece praticamente inalterado há 518 anos. Ainda enfeitamos as árvores natalinas com algodão ou isopor para representar a neve. Isso numa temperatura de 30º C. Positivos! Quem mais sofre é Papai Noel, que vem de botas e luvas, além das renas que saem do Polo Norte para enfrentar o calor tropical. E não surge nenhuma voz para defender o bom velhinho e os maltratados cervídeos. Mas, a bem da verdade, já houve épocas melhores. Foi nos bons tempos do “Papai Noel voando a jato pelo céu”. Sim, pela Varig, Varig, Varig. Impossível não lembrar a Varig nesta época do ano.

Otimismo
Que todos tenham um excelente final de ano. E nos próximos também.

Trilha sonora
Apesar dos pesares, será um novo ano e, tomara, sem penares. Então, para o pensar de todos os pensares, Louis Armstrong - What a Wonderful World
Use o link ou clique
https://bit.ly/2c5041q

 




Teclando

Segunda-Feira, 17/12/2018 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Em tempo de ansiedade
Acertar a velocidade na vida é algo muito complicado, pois sempre achei difícil andar no tempo certo. Sabe quando você está em voo planado e parece que o mundo anda com o manete no esbarro? Pois é exatamente assim que me sinto nos últimos tempos. Além disso, ainda há o agravante de me encontrar na reta final quase cruzando a cabeceira. Mas o controle reporta orientações exigindo manobras rápidas. Estou preparado para tocar o solo e a pista sumiu de baixo. Sei que nós não temos o controle do tempo, mas contamos com o registro do tempo vivido. E quando criamos uma expectativa para determinado período, então, esse tempo torna-se infinito. Isto é a ansiedade, um elemento capaz de cristalizar relógios e transformar segundos em meses. Entendo que a física deveria ampliar os estudos sobre a ansiedade, uma força poderosa que resulta nas mais complexas consequências. Até pode ser fatal, mas muitas vidas também foram concebidas no relapso de um momento de ansiedade. Entretanto, assim como em relação ao tempo, ainda não temos o controle absoluto sobre a ansiedade. Ansiosos, não vemos o tempo passar. E se o tempo não passa, ficamos com ansiedade. Mas sei que tudo isso é uma questão de tempo. Especialmente se não houver tempo para a ansiedade. Pois bem, agora já não sei se estou de mal com o tempo ou isso seria apenas ansiedade?

Fiscalizar é preciso

A falta de fiscalização pode criar problemas crônicos. Os problemas crônicos transformam-se em corriqueiros e ganham o status da normalidade. Muito pior. Tornam-se intocáveis. Nessa sequência, através de uma leitura bem mais lógica, o errado de hoje será o certo de amanhã. E, além disso, a ilegalidade sem controle será um novo modelo. Há casos em que essa variante até poderia ser uma evolução, permitindo um desenvolvimento do ser humano. Mas, na maioria das circunstâncias, é um explícito incentivo à ilegalidade. Fiscalizar é um ato para manter a ordem social. Então, enquanto houver carência de fiscalização, é porque estão abertas as portas do desrespeito rumo à desordem. Ou, quem sabe, estariam abandonando as regras consagradas para abrir caminhos aos exageros e novos rigores?

Peço desculpas
Sábado, o amigo Wiss Gabriel realizou o tradicional encontro de encerramento do ano. Além da turma da Mesa Um do Bar Oásis, somaram-se integrantes das confrarias de outros cafés: Xock’s, Paris e Riviera. Desta vez não pude comparecer e peço desculpas ao Wiss, Zilá e familiares, sempre impecáveis anfitriões. Além do costelão e da famosa ovelha do Joãozinho, tinha chope da Brahma (Zandoná, favor entrar em contato com o departamento comercial). Enfim, não vi o Wiss, porém me contaram maravilhas sobre o encontro às margens do Capinguí. O azar foi meu, mas em 2019 tem mais.

La Fontaine
Pelo que falam e propalam por aí, La Fontaine está em alta. De fato, vivemos uma fábula.

Trilha sonora
A sonoridade de um sax tenor é sempre envolvente. É assim com Kirk Whalum: My All
Use o link ou clique
https://bit.ly/2PHmT9a

 






PUBLICIDADE