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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 20/08/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Cumprimentando
As cidades cresceram e perderam algumas características da vida comunitária. Uma delas é o hábito de cumprimentar as pessoas nas ruas. Antigamente os cidadãos saudavam a todos indistintamente. O bom dia não era restrito aos amigos e conhecidos. Sim, a boa educação manda saudar a todas as pessoas. Pode ser um simples olá ou mesmo uma reverência com a cabeça. Mantenho o hábito de cumprimentar os conhecidos. Muitas vezes na dúvida, se conheço ou não conheço alguém, faço o mesmo pelo exercício natural de uma conduta ou apenas por um simples gesto. Observo que alguns, também com emplacamento antigo, mantêm o hábito de cumprimentar. Muitas pessoas eu aposto que não me conhecem, mas me cumprimentam porque são bem-educadas. Saudar é uma reverência aos semelhantes. Pode ser um gesto com a cabeça, com ou sem o auxílio das mãos, sonoro ou silencioso. Quando possível até paramos para um aperto de mãos, um abraço singelo, um exagerado quebra-costelas ou uma troca de beijos. Já na correria, disparamos indagações que expressam o nosso carinho. Tudo bem? Como vai? E aí? Ou simplesmente dizemos o nome da pessoa. Cumprimentar faz bem. Deixar de cumprimentar é uma falta de educação.

Cumprimentos

Que me desculpem aqueles que carregam concepções metropolitanas, mas por aqui neste nosso imenso interior a gente sabe quem é quem. E, quando não sabemos, respeitamos e recepcionamos com um sorriso e um bom dia. Infelizmente, agora, um simples gesto pode ser mal interpretado. Em algumas circunstâncias reside um antagônico risco de avaliação. De um lado observo que muitas pessoas esperam por um cumprimento, porém na antípoda podem compreender como ultraje ou desrespeito. Há circunstâncias em que fica difícil ser elegante, pois puxamos o freio de mão para não avançarmos o sinal. E, diante de um risco interpretativo, ficamos tolhidos no exercício da boa educação. Essa dúbia interpretação dos gestos é repressiva e até pode prejudicar a libido.

Cumprindo

Linda, jovem e com roupa fitness ela vinha em caminhada pela Brasil. Eu fazia o caminho inverso e nos cruzamos na esquina da Bento. Não havia como não observá-la. Exuberante, irradiava tentação com silhueta elegante e um detalhe característico da obra clássica do designer alemão Ferdinand Porsche. Observei muito bem e não consegui disfarçar a minha compulsiva admiração. Então ela retribuiu com um discretíssimo olhar. E foi assim, naquele rápido cruzamento dos olhos quando, automaticamente, mexi a cabeça e os lábios num cumprimento bem acanhado. Sorrindo, ela retribuiu. Pensei que estava rindo da minha conduta, classificando meu gesto como pretencioso ou algo errado. Mas, como os cruzamentos não estão limitados às ruas, ela surgiu do nada no Facebook. Foi muita coincidência, é claro. Ou sorte? Então olhei várias vezes para aquela teclinha ‘adicionar aos amigos’. Respirei fundo, me enchi de coragem e cliquei com força. E, acreditem, ela aceitou! Até aí tudo bem. Mas e agora, o que eu faço?

Trilha sonora
Pavarotti e Annie Lennox cantando juntos? Sim, Pavarotti & Eurythmics: There Must Be An Angel
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Teclando

Segunda-Feira, 13/08/2018 às 08:00, por Luiz Carlos Schneider

As convivências
Já que somos sociáveis, a convivência em sociedade é uma necessidade. Uma relação com os semelhantes que inicia na vida a dois, com a família e a vizinhança. Depois vamos agregando os colegas de escola ou de trabalho e as amizades que surgem do nada pelo trajeto todo. Conversamos, sorrimos, choramos, amamos e brigamos. Vamos dos relacionamentos profundos aos convívios rasos. Além de semelhantes, encontramos em todas as formas da comunicação um elo fundamental para enlaçar o grupo em que vivemos. A natureza está repleta de exemplos de convivências em grupo, que vai dos formigueiros aos cardumes. Observem que em todos esses grupos os seus indivíduos seguem algumas regrinhas, comportamento que mantém a unidade de suas sociedades. Já nós, que somos racionais, muitas vezes exageramos no pensamento e relaxamos em relação à conduta. Criamos algumas suposições prepotentes que atiçam os gestos egoístas. Como egoísmo e prepotência não combinam com convivência, é quando inicia a desfragmentação da tribo e pode até vir a cheirar mal.

As inconveniências
A solidão faz mal. Mas há momentos em que compreendo o gesto dos ermitões, que deram um chute na bunda da sociedade em busca da paz solitária. É quando o ser humano deve colocar na balança as desvantagens da solidão e as da sociedade mal-educada. As boas vibrações da vivência grupal são consumidas pela má conduta de alguns indivíduos. É quando entra em cena o desrespeito atiçado pelo egoísmo. Assim, num somatório de egoísmos, temos uma prepotência com abrangência coletiva. É exatamente isso o que ocorre no Centro de Passo Fundo, onde a poluição visual é adequadamente acompanhada por uma insuportável trilha sonora. Além de desviar das mercadorias expostas pelas calçadas, os indivíduos ainda têm seus indefesos ouvidos massacrados.

As impenitências
Meus cumprimentos aos lojistas que retiraram os alto-falantes direcionados às calçadas. Mas alguns estabelecimentos continuam nos agredindo com indesejados decibéis. Também temos a barulheira insuportável que vem dos carros de som. No sábado, foram mais de 15 em estridente procissão. Sim, apenas do circo eram quatro! Deve existir uma legislação sobre isso e, obviamente, requer fiscalização. Porém, entre uma moção de apoio e outra de repúdio, bem que os legisladores poderiam dedicar um tempinho para abafar esses alto-falantes. Nossa saúde ficaria agradecida e a convivência social fortalecida.

As incongruências
Impressiona a quantidade de abelhas na área central da cidade. É raro ver tantas abelhas em um ambiente urbano. Em pleno inverno, na ausência das flores, buscam doces nas lixeiras. Parecem tranquilas e bem ambientadas. Certamente já assimilaram o estilo de vida passo-fundense, pois algumas até batem ponto nas xícaras de café do Oásis.

As indivisências
Há um casal amigo que eu adoro e admiro-os muito pela cumplicidade. Tanto que tomei a liberdade de chama-los de “casal controle remoto”. Ela é o controle, claro.

Trilha sonora
Gravada originalmente em 1970 pela banda Badfinger, do País de Gales, a música de Pete Ham e Tom Evans ganhou magníficas interpretações. Estourou com Harry Nilsson e depois intercalou décadas nas paradas. Ficou ótima na voz de Mariah Carey - Without You
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Teclando

Segunda-Feira, 06/08/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

A porcaria
No início dos anos 1960, o American way of life mexeu com a vida dos brasileiros. Uma influência comportamental que não ficou restrita à música e à moda. Além do borbulhar do consumismo, ditou regras no quintal alheio. Enquanto mascávamos chicletes, éramos proibidos de consumir a banha de porco, que foi substituída por uma maravilha chamada óleo de soja. Manteiga? Nem falar, a moda impunha o consumo da moderníssima margarina. Os litros de leite, que eram entregues pelos leiteiros, foram quebrados e substituídos por latas com leite em pó. Logo depois, os ovos acabaram condenados pelas mais graves acusações que um alimento poderia sofrer. No boca a boca, a primeira e a maior rede social, o fake news já servia aos escusos interesses. Plantaram a ideia de que a banha faria mal à saúde. Ao tirarem a banha da cozinha, fizeram um estrago nos chiqueiros, atingindo porcos, criadores, matadouros, frigoríficos e sua cadeia econômica. Entraram nos galinheiros e depenaram as galinhas. Assustaram o rebanho e ficamos com as vacas magras. Mas o estrago maior foi na saúde dos brasileiros. Iludidos pelas novidades, deixamos de consumir alimentos de qualidade e colocamos porcarias na mesa. Éramos saudáveis, mas queríamos ser moderninhos e acabamos doentes.

Mimimi

As exigências sanitárias são indispensáveis, mas não podem transformar o natural, artesanal e de origem conhecida em bandido. Assim, o produto industrializado assume o papel do mocinho nessa história. Ora, mal sabemos o conteúdo e a origem daquilo que vem encoberto por lindas embalagens. Mais uma vez, estamos trocando comida nobre por porcarias. Há proibições que fazem mal à saúde e irritam o nosso bom senso. É muito mimimi. Essas restrições atingem os pequenos e beneficiam os gigantes. Banha não faz mal, manteiga é excelente e ovo é um alimento maravilhoso. O que faz mal é a fome.

Entidades

Na semana do município, a Prefeitura de Passo Fundo enalteceu as entidades de classe que contribuem para o desenvolvimento econômico do município. Sábado, o prefeito Luciano Azevedo homenageou essas instituições, durante jantar na Casa do Bosque. Iniciativa exitosa, com ingressos esgotados antecipadamente e um maravilhoso buffet com o talento de Ricardo Menta.

Mesa Um

Na última quinta-feira, o Clube Comercial foi palco para mais uma sessão solene da Mesa Um do Bar Oásis. O encontro teve como paraninfo o confrade Saul Ferreira que, acompanhado pelo Gregório, recepcionou a eclética congregação. Mantendo a tradição, a parte burocrática coube ao Aldo Battisti, nosso convocador-oficial juramentado. A caipirinha do Pagode e as postas de Espadarte (Meca) grelhadas pela Lisete ganharam aplausos. Ao final, foi servido o famoso pudim do Biazi. A receita ele não conta, mas descobrimos que a fórmula secreta é original de Linha Esperança Alta, em Aratiba. Cumprimentos, Saul, tudo estava ótimo.


Trilha sonora
Bons tempos aqueles em que os nossos ouvidos eram acariciados pela maravilhosa música franco-italiana. Obras como esta de Toto Cutugno: L'ete Indien (Africa).
https://bit.ly/2naffIG




Teclando

Segunda-Feira, 30/07/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Preconceito religioso
De tempos em tempos, aparece alguém para incitar a intolerância religiosa. O estopim para as diferenças é o desrespeito às doutrinas. Pois não é que, agora, tramita na Câmara Federal um projeto de lei que tenta proibir a utilização de animais pelas religiões afro-brasileiras? A finalidade da proposta não é a proteção dos animais. O texto do projeto não traz novidades em relação às normas já existentes em defesa dos bichinhos. Mas fica explícito e objetivo o intuito preconceituoso em relação às religiões afro. A proibição é exclusiva, de acordo com o próprio texto, “em virtude da realização de rituais religiosos”. Opa! Então, se aprovada, a lei também valerá para toda e qualquer festa religiosa. Ou seja, para todas as religiões. Assim, estarão proibidas as festas de igrejas com aquelas mesas fartas em galinhas, perus, porcos, ovelhas e vacas. Até mesmo os jantares de massa com galinha, se promovidos por alguma instituição de cunho religioso, também estarão enquadrados como crime. Se as galinhas e vacas foram abatidas para uma festa religiosa, então, obviamente foram sacralizadas. Ou seja, como no texto do projeto “em virtude da realização de rituais religiosos”. Se a proibição valerá para uns, também deverá valer para todos. Isso, claro, por absoluta, justa e indispensável isonomia.

Discriminação
Essa proposta, ao primeiro olhar, até poderia parecer como se estivesse em defesa dos animais. Mas, na verdade, utiliza os bichos como apelo. Dá a entender que os animais seriam “sacrificados”, passando uma falsa ideia de sofrimento ou de supostos maus-tratos. Mas não há maus-tratos. Ao contrário. As galinhas abatidas em frigoríficos vivem pouco e nunca enxergam sequer uma estrela, pois são criadas com iluminação artificial para se alimentarem à noite. Depois, até lembram as sardinhas em lata durante o transporte. Muitas chegam machucadas aos frigoríficos, outras morrem no percurso. Já as galinhas destinadas à sacralização em rituais afros são criadas com muito espaço, recebem atenção especial, crescem naturalmente e vivem por muito mais tempo. E são muito, mais muito mais bonitas. A diferença está na dignidade com que foram tratadas. Ora, então o problema não está nos terreiros.

Falta de ética
Sabemos que o país passa por uma crise institucional, um momento delicado especialmente para a classe política. Há muito para fazer em busca da igualdade, do entendimento e da evolução da sociedade. Ora, então não é época adequada para atiçar o preconceito religioso. Além das mordomias e imunidades no cargo de deputado federal, o autor da proposição teria muito mais com o que se preocupar. Principalmente com a ética, especialmente por se tratar de um parlamentar religioso por ofício. Ora, essa é mais uma proposta discriminatória, que já provoca mobilizações em todo país. Amanhã, em Porto Alegre, haverá uma manifestação denominada Tamboraço. É o Povo de Axé na rua para lutar pelos seus direitos com o tema “a tradição alimenta, não violenta”. Chega de intolerância!

Trilha sonora
Bons tempos aqueles em que a música orquestrada tinha espaço no dial. Era assim em 1972, quando o maestro francês Paul Mauriat gravou Taka Takata
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https://bit.ly/2uVtEwS

 




Teclando

Segunda-Feira, 23/07/2018 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Somos ridículos
“Não existe nada mais ridículo na face da terra do que o ser humano”. A frase é do saudoso amigo Fernando Antonio Nascimento, parceiro de balcão nos bons tempos do Gringo, em Itapema. Fernandão, aproveitando o rápido revezamento da mão direita entre o violão e o copo, sempre tinha uma boa tirada. Para isso não faltavam inspirações, pois vivíamos num cenário riquíssimo e até exótico. Em afinadíssima predisposição à crítica comportamental, estávamos num paraíso. Na parte interna, o Ernesto destilava um finíssimo humor com algumas doses de ranço portenho. Sentados em banquetas na calçada, convivíamos com todos que passavam por ali. Posicionados ao lado do Rio Bela Cruz e da Ponte de Pedra, recebíamos altas vibrações. As mais fortes faziam tremer o balcão. Isso, claro, quando passavam os ônibus amarelos da Praiana ou os verdes do transporte municipal. Os condutores desses coletivos eram estopins para uma abordagem direta sobre a ridicularia. Nosso foco era a velocidade excessiva para ruas estreitas. Uma imprudência que poderia resultar em tragédia. De acordo com nossos cálculos etílicos, havia até projeções sobre o cruzamento simultâneo do verdinho com o amarelinho sobre a ponte. Mas, ainda bem, nunca ocorreu a materialização do choque entre os ridículos.

Ridicularizando
Calçadas e pistas estreitas parecem não sensibilizar ridículos governantes. Para não obstruir o passeio público ficávamos grudados ao balcão, instalado num janelão. A pista da avenida é um trecho remanescente da estrada Itajaí – Canto Grande, uma das mais antigas linhas do litoral catarinense. E tudo passava pela ponte. Pequenos acidentes eram rotina e incidentes uma constante. Fatos que, invariavelmente, comprovavam como é ridículo o ser humano. Motos invadiam a calçada e até desciam pela escada para pedestres na ponte. Muitas vezes deixamos o copo no balcão para auxiliar vítimas de acidentes com carros, motos, bicicletas e até skates. Tudo isso a poucos metros ou a alguns centímetros de onde estávamos! Certamente éramos protegidos por Iemanjá, enquanto o rio conduzia pétalas de rosas brancas para o mar.

Ridicularização
A uma quadra da prefeitura, era o local preferido pelos políticos. Nas segundas, após sessão na câmara, dividíamos o espaço com vereadores e secretários. Então o ridículo explícito permitia gargalhadas, ao ponto de o Gringo querer cobrar couvert artístico. Entre nativos e importados, estávamos com novos ricos, filósofos retornando a pé de Woodstock, ótimas cabeças e alguns acéfalos. Assim, nunca faltaram ingredientes para o exercício da ridicularização. Sofríamos mesmo era com a agressividade da barulheira dos carros, quando os ridículos ouviam músicas mais ridículas do que os próprios. E ainda davam uma ridícula paradinha antes da ponte. Hoje, continuamos convivendo com ridículos deste naipe. O Fernando, que deixou o plano dos ridículos no ano passado, estava coberto de razão. De fato, o ser humano se esforça para ser cada vez mais ridículo.

Trilha sonora
Lançada em 1967, 40 anos depois ganhou uma nova roupagem com o finlandês Ville Valo e a polonesa Natalia Avelon. O resultado ficou ótimo: Summer Wine
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https://bit.ly/2ytasdJ

 




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