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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 09/07/2018 às 06:05, por Luiz Carlos Schneider

A taça não é nossa

Do ufanismo ao descaso, a Copa do Mundo é mais do que um acontecimento. O futebol vira epidemia e as consequências dependem, é claro, dos resultados. Se o Brasil fosse campeão, ninguém falaria mal da seleção, do técnico ou dos jogadores. Somos passionais. Quando em estado de euforia passamos uma borracha por cima de tudo, mas quando decepcionados encontramos os culpados e as mais inusitadas causas para o fracasso. Porém, muito além dessa bipolaridade pós-resultados, deveríamos mudar nossa concepção em relação às Copas. Neste Mundial, foram 210 equipes participantes, das quais apenas 32 entraram em campo na Rússia e somente uma será a campeã. Mas temos incutida uma ideia de que o Brasil sempre será o campeão? Por quê? Ah, dirão, que deu zebra? Ora, como pode ocorrer zebra numa competição que reúne somente seleções? Não existe favoritismo. Pela lógica sabemos que das 210 equipes (desde as eliminatórias), cada uma tinha 0,47% de chances de ser campeã. Ou, das 32 que chegaram à Rússia, cada uma tinha 3,12% de chances. O resto é conversa para boi dormir. Futebol não se ganha com nome. Acabou o carteiraço.

Oportunismo

Mais do que o aproveitamento de um momento adequado, o oportunismo se transformou em má conduta habitual. Não é errado alguém aproveitar uma boa oportunidade, contanto que aja de forma ética. Porém, o oportunismo vem consolidando-se pela prática do beneficiamento antiético. Um péssimo comportamento que começa em casa, passa pela escola e chega à conduta profissional. Claro, tem surtos agravantes no meio político onde até mesmo o abstrato é oportuno. Essa conduta, que já é cultural, ganha um incentivo midiático através da ostentação e badalação da vulgaridade. Os pseudoartistas, então, são um estímulo ao oportunismo. Cantam a desgraça alheia em semitonada vulgaridade, mas são “famosos” e milionários. Ora, isso é um oportunismo e também um deboche às partituras e ao diapasão. Pelo ângulo patológico, o oportunismo seria causado pelos vírus da ganância e da vaidade. Aliás, vírus de uma mesma cepa que se reproduzem no convívio com maus exemplos. Certamente, é dessa convivência que surge o brete das ideias que resulta no oportunismo coletivo. É uma cilada, onde a ilusão converte a razão para embarcar no vagão das vantagens. E assim segue o trem do oportunismo, que já descarrilou dos trilhos da ética.

Os novos subversivos

Por que as pessoas que repassam mentiras pelos grupos de WhatsApp e Facebook não são punidas? E, nas situações em que essa prática é constante, o crime não teria agravante? Como em muitos casos esses fakes são direcionados à subversão da ordem, atacam instituições e têm forte conotação anticonstitucional, não seriam ações subversivas? E, ainda, como essa prática é realizada por redes de distribuição organizadas, não seriam casos de formação de quadrilhas? E isso é de conhecimento público. Então, estamos diante de omissões ou de  prevaricações?


Trilha sonora
Em 2004, no Royal Albert Hall, em Londres, Rod Stewart & Amy Belle. Como bônus tem Katja Rieckermann ao sax: I Dont Want To Talk About It
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https://goo.gl/NGDMTj




Teclando

Segunda-Feira, 02/07/2018 às 08:30, por Luiz Carlos Schneider


Chutando a bola
Durante a Copa do Mundo respiramos futebol, enxergamos por um tubo e ouvimos a voz do ufanismo. Época oportuníssima para compreender os giros que a bola deu. Nas últimas décadas o futebol mudou. E muito. As alterações nas regras foram poucas e surgiram evoluções táticas, mas a bola está cada vez mais longe. A emoção que fervilhava nas arquibancadas foi substituída por motivadores televisivos. É bem verdade que, hoje, o dinheiro da televisão é a salvação para o cofre dos clubes. Mas, há pouco, éramos nós que estávamos bem próximos ao espetáculo, grudados nos alambrados ou comendo amendoim nas singelas arquibancadas. Bons tempos em que Grêmio e Internacional jogavam em Passo Fundo todos os anos. Os jogos com a dupla Gre-Nal eram grandes acontecimentos, eventos com conotação regional. Agora o futebol é da TV. Confesso que minha relação com a televisão nunca foi um mar de rosas. Até curtia o Apito Final na Band, com Luciano do Valle, Sílvio Luiz e Toquinho. Ou, ainda, o Extra-Ordinários com Peninha e Maitê Proença. Mas até isso acabou, comprovando que eu sou mesmo um contra telespectador.

A casca do amendoim
A TV nos traz o futebol de muito longe, mas também nos distancia do autêntico futebol. Na emoção virtual falta o cheiro de futebol. Hoje, para evitar a sujeira nos estádios, o amendoim já vem descascado. Há, ainda, uma polêmica proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Ora, comer amendoim sem quebrar a casca não ajuda a acalmar os nervos em dia de jogo difícil. Ah, e aquela cerveja gelada que tínhamos na copa do Estádio Wolmar Salton? Mas nesses casos a culpa não é do amendoim nem da cerveja e muito menos da televisão. É uma simples questão de educação. Alguém já viu a sujeira que deixamos nas arquibancadas? Imaginem as cascas de amendoim esparramadas pelo vento? Nada contra a cervejinha, muito pelo contrário. O problema são os bebedores mal preparados que criam confusão. Assim, enquanto nos vendem até a marca da própria bola, não damos mais bola à nossa conduta como expectadores. Somos mal-educados e por isso viramos telespectadores.

Terapia das prateleiras
Um encontro com o pediatra faz bem para os pimpolhos, mas também é tranquilizante para os grandes. Rui Wolf, que atendeu as minhas filhas, sabe muito bem disso e exerce com maestria a terapêutica do bom papo. Sábado, nos cruzamos no Bourbon. Mesmo en passant, falamos sobre o Guilherme que nos deu tchau. Logo mostrei para ele uma manteiga Président com preço convidativo. Ainda expliquei como preparo os cogumelos castanhos para um risoto. Ele pegou a manteiga e aproveitou para me indicar outra barbada na prateleira, um vinho alemão da classe kabinett. Esses rápidos encontros não são meras casualidades, pois trazem energias que permitem a reciprocidade de vibrações. Talvez pelo encanto das suas prateleiras, uma visita ao supermercado pode ser terapêutica. Abraços ao Tio Rui e ao Tio Chico. Quando abrir o riesling kabinett, erguerei um brinde ao Guilherme.

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Trilha sonora
O Guarda-Costas, filme de 1992, com Kevin Costner e Whitney Houston - I Will Always Love You.




Teclando

Segunda-Feira, 02/07/2018 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Chutando a bola

Durante a Copa do Mundo respiramos futebol, enxergamos por um tubo e ouvimos a voz do ufanismo. Época oportuníssima para compreender os giros que a bola deu. Nas últimas décadas o futebol mudou. E muito. As alterações nas regras foram poucas e surgiram evoluções táticas, mas a bola está cada vez mais longe. A emoção que fervilhava nas arquibancadas foi substituída por motivadores televisivos. É bem verdade que, hoje, o dinheiro da televisão é a salvação para o cofre dos clubes. Mas, há pouco, éramos nós que estávamos bem próximos ao espetáculo, grudados nos alambrados ou comendo amendoim nas singelas arquibancadas. Bons tempos em que Grêmio e Internacional jogavam em Passo Fundo todos os anos. Os jogos com a dupla Gre-Nal eram grandes acontecimentos, eventos com conotação regional. Agora o futebol é da TV. Confesso que minha relação com a televisão nunca foi um mar de rosas. Até curtia o Apito Final na Band, com Luciano do Valle, Sílvio Luiz e Toquinho. Ou, ainda, o Extra-Ordinários com Peninha e Maitê Proença. Mas até isso acabou, comprovando que eu sou mesmo um contra telespectador.

A casca do amendoim

A TV nos traz o futebol de muito longe, mas também nos distancia do autêntico futebol. Na emoção virtual falta o cheiro de futebol. Hoje, para evitar a sujeira nos estádios, o amendoim já vem descascado. Há, ainda, uma polêmica proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Ora, comer amendoim sem quebrar a casca não ajuda a acalmar os nervos em dia de jogo difícil. Ah, e aquela cerveja gelada que tínhamos na copa do Estádio Wolmar Salton? Mas nesses casos a culpa não é do amendoim, nem da cerveja e muito menos da televisão. É uma simples questão de educação. Alguém já viu a sujeira que deixamos nas arquibancadas? Imaginem as cascas de amendoim esparramadas pelo vento? Nada contra a cervejinha, muito pelo contrário. O problema são os bebedores mal preparados que criam confusão. Assim, enquanto nos vendem até a marca da própria bola, não damos mais bola à nossa conduta como expectadores. Somos mal-educados e por isso viramos telespectadores.

Terapia das prateleiras

Um encontro com o pediatra faz bem para os pimpolhos, mas também é tranquilizante para os grandes. Rui Wolf, que atendeu as minhas filhas, sabe muito bem disso e exerce com maestria a terapêutica do bom papo. Sábado, nos cruzamos no Bourbon. Mesmo en passant, falamos sobre o Guilherme que nos deu tchau. Logo mostrei para ele uma manteiga Président com preço convidativo. Ainda expliquei como preparo os cogumelos castanhos para um risoto. Ele pegou a manteiga e aproveitou para me indicar outra barbada na prateleira, um vinho alemão da classe kabinett. Esses rápidos encontros não são meras casualidades, pois trazem energias que permitem a reciprocidade de vibrações. Talvez pelo encanto das suas prateleiras, uma visita ao supermercado pode ser terapêutica. Abraços ao Tio Rui e ao Tio Chico. Quando abrir o riesling kabinett, erguerei um brinde ao Guilherme.

Trilha sonora

O Guarda-Costas, filme de 1992, com Kevin Costner e Whitney Houston - I Will Always Love You
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Teclando

Segunda-Feira, 25/06/2018 às 06:01, por Luiz Carlos Schneider

O balcão

As crises institucionais são geradas pela má-conduta política. Isso não se limita aos roubos ou propalados escândalos. As fissuras na solidez democrática têm origem comportamental. Se para a maionese desandar bastam moléculas de apenas uma gota d’água, um gesto também pode desmanchar uma estrutura pública. Infelizmente, isso já é cultural. Temos um balcão solidificado na vida pública brasileira. O balcão, que é de fato e de direito uma barreira entre compradores e vendedores, foi institucionalizado na política. Existe, sim, em todos os níveis e exerce função decisiva em todos os momentos. É o toma lá, dá cá. É o voto conquistado por favores. É o fator na tomada de posição numa votação decisiva. É o discurso afinado para não contrariar o eleitorado. É jogo de empurra para ficar bem posicionado na vitrine. Enfim, o balcão é uma divisória para as mais variadas formas do exercício do clientelismo. Este balcão pode parecer como algo intangível. Porém, a força da sua subjetividade permite uma imagem tridimensional. É como um enorme tronco caído numa floresta, separando os vendedores de ilusão de uma imensa plateia. O enredo é antigo e até surrado, mas continua rendendo aplausos. Um espetáculo onde a temática, com pequenas variantes, é direcionada às momentâneas aspirações populares.

O abstrato

A política, dentro da complexidade das relações humanas, é uma arte fantástica. Porém, pelos resultados que os seus atos exercem sobre todos nós, não permite que os coadjuvantes sejam arteiros. Muito menos matreiros. Mas em ano eleitoral, ao que observo, é quase impossível conter o ímpeto de alguns políticos. Aqueles pequenos gestos ultrapassam as barreiras do bom senso e a conduta vai para o espaço. Enfim, transformam-se em geradores do enriquecimento do patrimônio humorístico nacional. Qualquer fato ou objeto é motivo para grande propalação, encontros, fotos, discursos, fotos, promessas, entrevistas e mais fotos. Nesse clima de imediatismo, até mesmo o abstrato transforma-se em comício. Mas, como bem sabemos, a política é importante para a vitalidade democrática. Também é uma arte que certas vezes beira ao ilusionismo.

Mesa Um

Já para a turma da Mesa Um do Bar Oásis, apenas os sonhos beiram às ilusões, pois mensalmente o abstrato é materializado. E sem discursos, claro. Foi assim na quinta-feira, quando o Panorâmico abriu espaço em seu salão para mais uma Sessão Solene. Com excelente quórum, para alegria deste paraninfo, a confraria teve pouco tempo para debater a origem da humanidade. Isso porque os Reis Magos do Panorâmico não deram folga. Melquior, Gaspar e Édson (representando Baltazar) comandaram a equipe. Aplausos da Mesa Um, onde os Magos são aguardados para saborear o tradicional expresso do Oásis.

Sortimento

Quem consegue caminhar por entre os obstáculos, observa que não faltam opções em mercadorias sobre as calçadas da Avenida Brasil. Entre uma placa e outra (fiscalização?), encontramos tapetes com eletrônicos e roupas. Tem refrigerador, cama de casal, sofá-cama e até pneus. As calçadas estão sortidas.

Trilha sonora

A mineira Rosa Maria dá um show de interpretação em California Dreamin’
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Teclando

Segunda-Feira, 18/06/2018 às 18:06, por Luiz Carlos Schneider

As copas e as Copas

Já não fazem mais copas como antigamente. Isso vale para as magníficas copas artesanais da serra gaúcha e para as Copas do Mundo. As deliciosas copas, apertadas no barbante, foram deglutidas pela voracidade dos grandes oligopólios. Não foi muito diferente com a Copa do Mundo, mastigada pelos imensos grupos de comunicação e engolida por poderosos patrocinadores. Ah, mas alguém poderia dizer que as copas atuais, além de rótulos convidativos, seriam produzidas com “magníficos” controles industriais. Ou, então, que é graças ao dinheiro despejado pela mídia que as Copas foram transformadas em grandes espetáculos. Discordo duplamente. As copas produzidas artesanalmente tinham receitas familiares, transmitidas de geração para geração, e eram elaboradas com muito carinho. As Copas, enquanto de todo mundo, representavam desafios arrojados, eram mais humanas e menos burocráticas. Das copas penduradas no porão tirávamos fatias quase transparentes, pois cada lasca merecia ser degustada como uma iguaria. Nas Copas, com singelos recursos da mídia, os mais inusitados lances encantavam ao mundo. Saboreávamos a copa e admirávamos a Copa. Hoje, a copa e a Copa já não têm mais o mesmo sabor.

Pasteurização

Da copa à Copa, aos poucos fomos pasteurizados. Nada contra Pasteur. Porém, uma pitada contra Lavoisier, pois essa infindável transformação já virou numa chatice. Nem sempre as mudanças representam uma evolução. A industrialização da copa e o consumismo institucional da Copa não são transformações benéficas. São ações que produzem um choque térmico para pasteurizar nossos sentidos e emoções. De um lado afetam o nosso paladar, pois nos induzem a consumir e, ainda, a apreciar industrializações artificializadas. De outro, atingem o nosso senso crítico, pois determinam os personagens que devemos admirar e aplaudir. E durante a Copa vendem de tudo. Inclusive copa.

Distanciamento

Não me recordo da Copa de 1958, mas estive no desfile de rua do bicampeonato em 1962. Lembro-me da decepção de 1966, que provocou a indignação de Pedro Carneiro Pereira, narrador da Rádio Guaíba. Depois veio a Copa de 70, a primeira que assistimos pela televisão. E, mesmo no auge da repressão, também houve gritos de gol. Na época, todos os jogadores atuavam em times brasileiros. Inclusive Pelé. Depois disso, o quadro mudou. E como pouca gente acompanha o futebol do exterior, há uma distância entre os torcedores e os jogadores da seleção. Já as copas também estavam mais próximas, pois eram produzidas aqui em Passo Fundo, Erechim, Nova Bassano ou Sananduva. Tanto as Copas como as copas ficaram distantes. E a distância é um convite à separação.

Poltronas

Quem é o melhor do mundo? Após 1970, esse é o questionamento. As discussões envolvem jogadores que atuam na Europa. Antes, “Ele”, como narrava Geraldo José de Almeida, era inquestionável. Em 1970 tive o privilégio de assistir Pelé na inauguração do Colosso da Lagoa. E adivinhem quem marcou o primeiro gol do estádio? Ele. E foi aqui, bem pertinho. Então, havia uma identificação maior. Mas tudo mudou depois que trocamos as arquibancadas pelas poltronas. E já estamos sentados. Boas copas.

Trilha sonora

De 1977, Emerson, Lake & Palmer - C'est La Vie
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