PUBLICIDADE

Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 07/05/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Estático e dinâmico

Fico estático em relação ao dinamismo dos jovens diante da tecnologia. Mas, pela antípoda deste observador, sinto que eles ficam estáticos diante da realidade dinâmica. Os nomes das ruas foram substituídos pelos indicativos de posições, transformando os smartphones em interpretadores de posição e orientadores de direção. É o GPS, um sistema tecnológico que propicia muitos benefícios, auxiliando em viagens ou pequenos deslocamentos pelas cidades. Porém, essa dinâmica tecnológica está deixando estático o raciocínio do conhecimento. As pessoas fazem o que indica o aparelhinho, mas não sabem exatamente para aonde estão indo. Perderam a lógica da rosa dos ventos, não sabem para que lado fica o Norte e nem o lugar em que o sol surgirá. Diante de tamanha vitalidade tecnológica, despreparados usuários congelaram os valores das coordenadas geográficas. Deslocam-se sobre as suas linhas, mas não sabem por onde pisam. Não conhecem mais pontos de referência palpáveis, rompendo um elo entre os humanos e o meio em que vivem. Praças, igrejas, escadarias ou bancos não são mais pontos de referência. Cada vez mais vale o sinal indicativo, não importa por aonde andam e o que interessa é apenas o ponto final de um percurso. Então, fico imaginando se um incauto usuário dessa dinâmica tecnológica tiver seu aparelhinho quebrado ou ficar sem bateria. Não saberá onde está. Imaginem se isso ocorrer entre a Praça Tamandaré e a descida para o velho aguadero? Nosso viajante sem bússola imaginará que está entre uma selva de árvores altas e um desfiladeiro de concreto. Estático, sem o aparelho, não terá a mínima ideia de posicionamento geográfico. Por isso, entendo que a modernidade exige a dinâmica do conhecimento básico. A evolução tem como origem o aprendizado adquirido através dos tempos. A nova dinâmica será estática sem os princípios fundamentais.


Barulheira
Em matéria de barulho não faltam opções no centro de Passo Fundo. E a turma é dedicada, pois atua diuturnamente. Além dos focos principais da baderna das madrugadas, temos a equipe que assume a barulheira durante o dia. São os inconvenientes - para não dizer coisa pior - alto-falantes instalados nas portas das lojas. Na Avenida Brasil, até parece que temos concurso para mostrar quem incomoda mais. É uma agressão aos ouvidos de quem passa pelas calçadas, de quem trabalha na área e de quem mora nas imediações. Promoções em um lado da calçada, pseudo música no outro e no meio do sanduíche os carros de som. Quem caminha pela calçada é surpreendido pelo som que, a cada passo, vai se misturando numa sinfonia agressiva aos tímpanos. A péssima moda também chegou a Moron. Será que, em respeito aos ouvidos dos seres humanos, alguém irá fiscalizar e coibir essa insanidade sonora?

Receio
Quando o verbo apreender se torna mais importante do que aprender, isso me dá uma enorme apreensão.

Trilha sonora

Arte não permite mediocridade. E música é arte. Arte como Galliano and Marsalis - La Vie En Rose
Use o link ou clique https://goo.gl/b3ZJm8

 




Teclando

Segunda-Feira, 30/04/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

 

Erechim
Neste dia 30 de abril, Erechim comemora o seu Centenário. Emancipado em 1918, o então 8º Distrito de Passo Fundo ficou com uma enorme área territorial que, ao longo dos anos, também foi fracionada para criação de outros municípios. O desenvolvimento econômico, dentro do eixo ferroviário, teve períodos como o extrativismo dos pinhais, os frigoríficos, o trigo, a erva-mate e o industrial. No auge dos frigoríficos, o transporte aéreo foi fundamental para a logística da produção. Por alguns anos, cinco grandes empresas operaram simultaneamente no Aeroporto Comandante Kraemer. Diferente da cidade-mãe, Erechim teve planejamento urbano e rural. Na cidade o traçado viário foi inspirado em Paris, permitindo ruas e calçadas espaçosas. No campo, em terrenos muito acidentados, as áreas foram distribuídas através da colonização realizada pela Comissão de Terras. Assim, a partir de Erechim, o Alto Uruguai recebeu colonos italianos, judeus, poloneses e alemães. Isso permitiu que, além dos rostos com traços europeus, muitos conhecimentos técnico-industriais e uma dose de cultura europeia moldassem o perfil da sociedade erechinense. De todos os municípios que se emanciparam de Passo Fundo, Erechim é o principal deles. Com grande crescimento econômico e populacional, é, hoje, o segundo polo em importância no Norte do Rio Grande do Sul. E, para quem ainda não sabia, eu sou nascido em Erechim, mas muito bem recebido e aquerenciado aqui em Passo Fundo. Assim, também comemoro com muito orgulho esses 100 anos.

Norte
Não é difícil reunir pessoas para formar um clube, uma associação, sindicato ou outra entidade. Criar é fácil, difícil é manter. Poucas entidades vão adiante, pois tropeçam na desagregação ou nas sempre evidentes vaidades. Outras até vão mais longe, mas poucas mantêm os objetivos inicias. Um desses raros exemplos é o Sinduscon de Passo Fundo. Desde 1986 mantém seus princípios inalteráveis e uma mesma postura diante da sociedade. Por praxe, que até lembraria a monarquia, segue uma espécie de linha sucessória que reforça a unidade da entidade. Na semana passada, o administrador Leonardo Gehlen assumiu a presidência do Sinduscon. É um jovem construtor e a sua família também é do segmento, atuando no ramo de madeiras. Ou seja, Leonardo já carrega os princípios da entidade. Mas o novo presidente abre uma nova etapa de renovação interna, pois terá ao seu lado outros jovens associados. Porém, como o Sinduscon nunca perdeu o seu próprio Norte, isso não significa mudanças ou novos caminhos. Ao contrário, é apenas uma oxigenação para não perder o rumo.

Voando
Prometidos para 24 de março, os voos entre Passo Fundo e Porto Alegre têm nova data para decolar: 21 de maio. Isso de acordo com a solicitação da Two Flex Táxi Aéreo, que promete voos alimentadores da Gol com o Interior do estado. Ainda não há venda de passagens, mas já estão no Hotran os pedidos para duas frequências ao dia, de segunda a sexta, entre Passo Fundo e Porto Alegre. A solicitação é para um voo pela manhã e outro à tarde. Nessa ligação a empresa utilizará um monomotor Cessna Caravan com capacidade para nove passageiros.

Trilha sonora
Pra matar saudades da Antena 1: Rupert Holmes - Him
Use o link ou clique
https://goo.gl/YodKxB




Teclando

Segunda-Feira, 23/04/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Azul-Brizola

Ao voltar do exílio, Leonel Brizola se adaptou aos novos padrões visuais. Cortou o cabelo e adotou um estilo próprio de vestir para as campanhas eleitorais. A camisa azul com mangas arregaçadas foi, como o próprio diria, inexorável. Nas campanhas para governador do Rio, para presidente, nos comícios ou nos horários eleitorais, lá estava o Brizola com uma camisa azul. Mais do que seguidores na política, ele também ditou padrões de comportamento. Da ideologia à moda, o engenheiro deixou sua marca. Na Don Juan do Bella, do alto de seus 40 anos trabalhando com moda masculina, Ademir Santos lembrou sobre o Azul-Brizola. Nos anos 1980 e 1990, as pessoas procuravam camisas na cor Azul-Brizola. Já chegavam perguntando se tinha camisa nesta tonalidade. Ademir lembra que os estoques foram reforçados, porque vendia que era uma loucura. Mas isso seria coisa do passado? Não. Muitos ainda pedem camisas na cor Azul-Brizola. Isso que ele morreu há quase 14 anos. Brizola se foi, ficaram as suas obras voltadas à educação, como os Cieps, propiciando para muitas crianças um horizonte no mais puro tom Azul-Brizola.

Do Agá ao Agamemnon
Lá pelo final dos anos 1970, acho que a expressão mais utilizada era “agá”. Não sei exatamente a origem dessa gíria, mas acredito que esteja relacionada a um título de honraria oriental. Seu uso, claro, ocorria de forma restrita nos bastidores da mídia. Servia para rotular os mais salientes ou como sinônimo de elogio e badalação. ‘Fulano é um baita agá’, dizíamos sobre alguém em evidência. ‘Isso é muito agá’, expressávamos sobre os excessos de adjetivos. Vira e mexe, a conversa tinha agá no meio. Também representava protecionismo ou apadrinhamento, isso quando uma pessoa seria agá de alguém. Outra variante era o sujeito intrometido na imprensa, aquele que não é mas pensa que seria, que também era rotulado como agá. Na classificação potencial, os agás tinham um status. Lembro que para destacar o auge do agasismo, o agá era transformado em Agamemnon, reverenciando o herói grego. Atualmente o termo agá está em desuso. Mas não faltam agás e nem Agamemnons.

O modelo Comercial
Um trabalho eficaz necessita de uma liderança, um grupo de trabalho, objetivos, planejamento a médio e longo prazo, persistência e muita seriedade. O Clube Comercial conseguiu reunir tudo isso nos últimos 30 anos. Um grupo, liderado por Nereu Grazziotin, comemorou na semana passada os 30 anos de sucesso. De uma situação cambaleante, transformaram o Comercial em case nacional. Das palavras do presidente Nereu, considero muito interessante a sua preocupação em conhecer para não errar. Antes de decidir por obras ou novidades, a experiência de grandes clubes brasileiros serviu como modelo. Assim, os erros não foram repetidos e as ações positivas influenciaram como parâmetros. Hoje, em suas três sedes, o Comercial é um dos clubes mais modernos do país. É um case passo-fundense que pode ser seguido por outros segmentos. Inclusive na área pública.

Trilha sonora
Um violoncelo já é ótimo. Imaginem os sete instrumentos da Cellomania Croata na música de Jorge Ben Jor – Mas que Nada
Use o link ou clique
https://goo.gl/GCdSrj

 




Teclando

Segunda-Feira, 16/04/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

As promessas

As promessas têm significados abrangentes, são prometimentos ou compromissos que assumimos. Por ordem de categoria, as religiosas são as mais cumpridas. Já as pessoais ficam num plano intermediário, por conta do peso das traquinagens na vida escolar, enquanto as políticas são predominantemente geradoras de falsas esperanças. Por serem públicas, as promessas políticas são as mais destacadas. Têm como elementos um agente prometedor, um objeto e uma demanda. Desenhando: um político, um local e uma aspiração coletiva. De acordo com a frequência as promessas podem ser classificadas como ocasionais, requentadas ou perenes. As ocasionais geralmente são frutos de discursos entusiasmados, pouco pensados e oportunos àquele momento. As promessas requentadas ou recicláveis são aquelas que, vira e mexe, voltam à baila. São muito utilizadas para áreas com problemas alternados ou também em demandas sazonais. As perenes podem ser constantes ou cíclicas, estão relacionadas às grandes reivindicações, atravessam gerações e se perpetuam. Nesta classificação, pela persistência dos prometedores e credulidade coletiva, também é uma excelente fonte para novas anedotas. Quando já não for uma piada pronta, claro. Então, já que o fim da burocracia também é uma promessa, burocraticamente as promessas políticas ainda podem ser subdivididas. Tem a subtipo revezamento, quando a mesma promessa vai trocando de prometedor. A de modelo coletivo é aquela que reúne muitos prometedores em torno de uma única promessa. E a DNA surge quando vários prometedores reivindicam a paternidade de uma mesma promessa. Tem mais, muito mais. Uma hora dessas volto ao assunto. Prometo! 

A primeira refrescada

Mal diminuiu um pouco a temperatura e as roupas cheirando a naftalina voltaram a circular. Não esfriou tanto assim. Os termômetros ficaram na média de 19º C, com mínimas próximas a 15. Mas o comportamento de muitas pessoas não estava de acordo com o termômetro. Tinha gente com casaco de couro forrado com lã, gorro com tapa-orelhas, botas e muito mais. Alguns estariam preparados para uma viagem ao Polo Sul. Isso ocorre porque vivíamos há um longo período no clima do verão. Logo estaremos acostumados com o frio característico desta época. E não podemos reclamar, pois não são variações do tempo. São condições climáticas normais para essa área do planeta. Na verdade esse final de semana foi o cartão de visitas do outono. Além da temperatura, logo também as folhas cairão. 

Trocando figurinhas

Em rápido encontro no Bourbon com o prefeito Luciano Azevedo, aproveitamos para, literalmente, trocar figurinhas. Nada sobre administração pública, muito menos sobre política. Luciano estava impressionado com a procura pelo álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Isso, porque pensávamos que esse tipo de material era coisa lá do passado. Contrariando as expectativas desta época de mídias eletrônicas em que vivemos, aumentou o encanto pelo material impresso. Meninos e meninas formam filas para comprar o álbum e as figurinhas. É um fascínio que, desde o Século XIX, ainda faz brilhar os olhos das crianças. 

Trilha sonora

A cantora inglesa Lisa Stansfield conquistou muitos prêmios pelo mundo com uma gravação de 1989 - All Around the World

Use o link ou clique:

https://bit.ly/1e5ryhc




Teclando

Segunda-Feira, 09/04/2018 às 06:50, por Luiz Carlos Schneider

Civilidade e lógica

Vivemos um momento delicado na trajetória do país. Há semelhanças e fortes indicativos que rememoram para outras épocas. A semana passada mostrou uma divisão de ideias, dos tribunais às ruas. Nesse momento existe um antagonismo fortificado corroendo amizades e até famílias. Teoricamente seria um fissura ideológica, mas, perigosamente, na prática pode representar um abismo. Os fatores de risco são os extremismos, as informações deturpadas e aquelas ações que sempre ficam por debaixo dos panos. O alvoroço é um sentimento aceitável, um repúdio à corrupção e aos maus cidadãos – políticos ou não. Porém, não podemos abrir as portas para o revanchismo antidemocrático e nem para vinganças carregadas pelo ódio. O sempre salutar civismo, não pode arranhar a intocável civilidade. Pensamentos beligerantes não devem exterminar com a verdade, pois, assim, também aniquilam com a própria sociedade. A mentira é indissociável de um clima de beligerância. Então, antes de tudo, devemos preservar a verdade. Uma tarefa individual que está no bom senso de cada um. Basta discernirmos entre a lógica dos ensinamentos que recebemos e os artifícios manipuladores. A manipulação é o resultado da covardia, apoiada na má-índole da impunidade. A situação exige uma leitura múltipla, desarmada de radicalismos e amparada pela lógica. 

Os interesses

Em meio às exteriorizações diretas, subjetivas ou furtivas, fico muito preocupado diante de interesses obscuros. Nesta condição, surgem as articulações empenhadas na geração da instabilidade. É quando a evolução tecnológica transforma-se em instrumento gerador da involução. E, claro, frente à instabilidade, não poderiam faltar os oportunistas de primeira ou de enésima viagem. É nessas horas que eles dão o bote, trocam de barco e garantem um lugarzinho na janela. Também é inquietante quando a maldade fica acima da realidade. Isso ocorre no momento em que a perversidade aparece através da prepotência manipuladora. 

Os interésses

O ex-governador Leonel Brizola foi pródigo na escolha de algumas expressões para seus discursos. Considero ‘interésses’ a mais importante. Além de emblemática, é muito abrangente e perene. Observem que nos antagonismos, muito além de ideologias, sempre encontramos jogos de vaidades e de vantagens. Enquanto pronunciava interésses, Brizola alertava sobre egoísmos, politicagens, interferências, roubalheiras, disparates, desníveis etc. Agora, num giro de 360 graus, os interésses estão explícitos e nos permitem uma clara leitura: há interesses. 

Decibelímetro

Dia desses, penso ter visto num canteiro da Avenida Brasil um jovem com uma planilha e uma jovem com aparelhinho na mão. Seria um decibelímetro? Sim, aquele equipamento para medir a intensidade do som? Tomara que sim. Mas podem voltar, pois na porta de algumas lojas os alto-falantes continuam reproduzindo uma barulheira irritante. Somente um decibelímetro para salvar nossos ouvidos.

 Trilha sonora

A música foi gravada em 1969 pelo grupo inglês The Hollies - He Ain't Heavy, He's My Brother

Use o link ou clique

https://goo.gl/Q1CkP3

 




PUBLICIDADE


PUBLICIDADE