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Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 30/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nos passos de um olhar

Sábado, no retorno da caminhada ao Boqueirão, em frente à Guaracar atravessei a avenida. Ela corria em sentido oposto e nos cruzamos no canteiro central. O olhar foi forte, pois a gente sente quando um encarar é diferenciado. Mais que um cruzamento de olhares, foi um abalroamento carregado de intenções. A respiração, já bastante exigida, sofreu um baque. Tomei um fôlego, pois a circulação recebeu uma injeção de adrenalina aditivada pela libido. Sorridente, prossegui caminhando e olhando para trás. Ela deve ter ido até lá pelo Secchi e retornou. Parei na esquina e, ardilosamente, calculei o ponto de encontro. Já estava com tudo planejado. Atravessar a rua e dizer alguma coisa. Não sabia exatamente o que, pois nesses momentos o homem é um bicho inseguro. Na frente da Pampa, com muito esforço e desafiando as leis da física, contraí a barriguinha. Ela foi chegando, correndo com elegância e irradiando um encanto contagiante. O enredo estava perfeito, indicando um happy end. Coloquei um pé no asfalto e tentei entrar em cena. Mas ela passou correndo e sequer me olhou. Fiquei estático, pois sabia que não teria pique para alcançá-la e nem fôlego para acompanhar aquele ritmo frenético. A tristeza foi compensada pelo alívio ao soltar a barriguinha comprimida. Segui caminhando na minha cadência indolente, mas acelerei o pensamento. Passou um filme cronológico e até lembrei as vantagens em aproveitar o caixa preferencial. Mas não conseguia me esquecer daquele olhar. O ego fragilizado altera pensamentos, assim surgiu uma hipótese de que o estonteante olhar teria sido meramente um gesto de pena, compaixão. Sei lá? Mas, por via das dúvidas, vou acelerar um pouco mais nessas caminhadas. Afinal, de que adiantam olhares rápidos com pernas lentas?

Estabelecidos
Um pouco antes da recém-restaurada caravela, as barracas de vendedores enfeitam os canteiros. Parece que agora é moda utilizar áreas públicas para se “estabelecer”. Ambulantes, itinerantes ou fixos, usam praças, canteiros, calçadas e as ruas. Vendem quinquilharias, vale-transporte, móveis, coco, abacaxi, milho, bebidas e cachorro-quente. Fazem até espetinhos na rua com direito à fumaça em quem passa. Isso é uma tendência mundial? Consequência do momento econômico? Ou falta de fiscalização? 

Sem tramelas
Domingo almocei no Buon Mangiare do Bourbon. Fiquei feliz por dois fatores que determinam a magnitude das cidades. O primeiro foi ouvir uma cativante música ambiental. Eu disse música! Sim, orquestrada e de excelente qualidade. Coisa de cidade grande. O segundo foi constatar que em janeiro os supermercados não fecharam em nenhum domingo. Também coisa de cidade grande. Qualidade musical e portas abertas engrandecem Passo Fundo. Como é bom viver numa cidade do porte de Passo Fundo. Para pessoas de bom gosto, é claro.

Trilha sonora
Na telona do Cine Pampa o divertido Gene Wilder e a beleza de Kelly LeBrock em A Dama de Vermelho. Oscar de melhor canção original em 1985 para Stevie Wonder: I Just Called To Say I Love You
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Teclando

Terça-Feira, 23/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Canja de galinha
A fragilidade institucional é porta aberta para o oportunismo dos desajustados sociais ou dos desequilibrados mentais. O esmigalhar da sociedade inicia quando a brutalidade não admite a sensibilidade. É o momento em que a ignorância afronta o conhecimento e o retrocesso ameaça a evolução. A incompetência ganha espaço e sufoca o talento, enquanto o preconceito não suporta a realidade. Em momento de fragilidade da sociedade, além da lógica e do bom senso, não pode faltar cautela e canja de galinha. Brutalidade, ignorância, retrocesso, incompetência e preconceito representam a volta às cavernas. Sensibilidade, conhecimento, evolução, talento e compreensão da realidade estão afinados com a modernidade. Ora, como seres racionais, seguimos em constante interação na busca do desenvolvimento coletivo. Mas, infelizmente, parece que alguns já se esqueceram dos objetivos principais da humanidade: o bem comum e a paz social.

Pitaco vegetal
Pouco conheço sobre botânica ou biologia vegetal. Então, mesmo pisando em ovos, vou dar um pitaco. Nas praças e avenidas, observo muitas árvores com uma cobertura de folhas diferentes às suas. Tenho a leve impressão de que estariam tomadas por parasitas, dentre eles a erva-de-passarinho. Esses parasitas sugam a seiva dessas árvores. Imagino que, depois de enfraquecidas, seus galhos acabam apodrecendo, ficam encharcados e caem após uma chuvarada. Se os parasitas fossem retirados, a vida desses seres poderia ser prolongada? Alguém com conhecimento sobre plantas poderia salvá-las? Até porque, além de encantadoras, essas frondosas árvores enchem nossos caminhos de oxigênio. Seria, no mínimo, um gesto de reconhecimento dos racionais.

Daltônico?
Não tenho mais visto azuizinhos nas ruas de Passo Fundo. Em compensação, vejo carros estacionados em fila dupla e, especialmente, parados em locais proibidos. Mas não vejo azuizinhos. Vejo muitos veículos intrometidos nas áreas de paradas de ônibus. Além de exigir manobras dos motoristas dos coletivos, também acabam causando um rebuliço na sequência do tráfego, pois uma pista fica com o fluxo interrompido. Também vejo carros e motos fazendo retorno em locais proibidos. Isso acontece, por exemplo, na Avenida Brasil em frente ao Comercial. À noite, quem vem do Boqueirão faz o retorno na esquina da General Netto. Tudo numa boa. Então, como não enxergo mais os azuis, retornarei ao consultório do Dr. Eduardo Ventura para refazer o Teste de Ishihara.

Repassando
Parece que a Velhinha de Taubaté e Eremildo assumiram o controle do WhatsApp, pois as pessoas acreditam em tudo aquilo que recebem. E, lembrando o Sílvio Santos, reeditaram o programa Passa e Repassa. Então também vou repassar, mas nada de fake news, porque o bom humor é bem mais salutar do que a mentira. Recebi essa: “Aniversários fazem bem à saúde. Estudos recentes mostram que pessoas que fazem mais aniversários vivem mais”.

Trilha sonora
Reunindo grandes músicos do Azerbaijão, o grupo Ans Bizimkiler em um clássico de Ray Charles: Hit the Road Jack
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Teclando

Terça-Feira, 16/01/2018 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Grossura e deformações

O alto-falante não é parente do Grilo Falante e muito menos um auto-falante, pois não funciona por conta própria. É um sistema eletromagnético que, pelas vibrações físicas, reproduz frequências sonoras. Inspirado nas conchas do mar, chegou ao formato dos cones e continua evoluindo. É uma maravilha da eletrônica. O problema do alto-falante é aquele que o controla. O adjetivo ‘alto’ desnorteou alguns neurônios, induzindo à ideia de que o som deva ser reproduzido em alto volume. Assim, iniciou o mau uso do alto-falante. Essa inabilidade ao manuseio do equipamento, certamente, carrega deformações mentais ou educacionais. Predominantemente, ambas. Na mental seria um mecanismo de defesa para alguma perturbação da personalidade, compensada ao produzir uma perturbação coletiva. Na outra seria a carência explícita de civilidade dos mal-educados. Essa falta de urbanidade é conhecida popularmente como grossura. Prova disso é que a maioria daqueles que abusam no volume dos alto-falantes só ouvem porcaria. A grande verdade é que pérolas e porcos não combinam. Isso é bíblico.

Baixando o volume
Nas últimas semanas, parece-me que diminuiu o número de ignorantes que circulam detonando os alto-falantes pelas ruas de Passo Fundo. Resultados de ações de fiscalização ou eu já estaria ficando surdo com tanta barulheira? Aposto na primeira opção, pois é duplamente mais saudável à minha audição. Acredito que existem normas suficientes para enquadrar os infratores. Também devem existir punições, que vão das multas às apreensões dos equipamentos. Fiscalizar é um importante elo entre a sociedade e as estruturas públicas. Quando eficaz, a fiscalização também pode angariar aplausos.

Concha acústica

Na área central da Avenida Brasil há uma imensa concha acústica linear. É um vai-e-vem onde os veículos dos serviços de alto-falantes disputam espaço. Ainda pela manhã, passam um atrás do outro. Você ouve o preço de uma loja, as condições de pagamento de outra e o endereço de uma terceira. Mas os alto-falantes também estão nas portas dos estabelecimentos e, assim, pegam o incauto pedestre pelo outro ouvido. É permitido que os alto-falantes nas portas das lojas fiquem direcionados para as calçadas? Se for permitido, a legislação é omissa. Se não for, então a fiscalização é omissa. É omissão ou omissão?

Verão comportado

Dias quentes e noites com temperaturas na faixa de 17 a 20 graus. Este verão em Passo Fundo está agradável e com muita gente na cidade. Independente de crise ou calendário escolar, os hábitos vão mudando. Antigamente o veraneio no litoral poderia durar dois meses. Há alguns anos diminuiu para 30 e depois para 15 dias. Agora baixou para apenas uma semana ou, ainda, dois finais de semana intercalados. Outro fator é que muita gente fica por aqui mesmo, aproveitando as opções oferecidas pelos clubes ou nas barragens. Tomara que o termômetro continue comportado.

Trilha sonora

A música dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle que ganhou o mundo. Marcos Valle e The Moscow Symphony Orchestra: Samba de Verão

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Teclando

Terça-Feira, 09/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

O isopor orgânico

O ser humano é pródigo na produção de lixo, mas ainda tem dificuldades para lidar com os resíduos que produz. Coleta seletiva e reciclagem são avanços importantes. O sistema de contêineres é o modelo que dispomos. Há problemas, claro, pois é uma atividade complexa. Mau cheiro, contêineres cheios etc. Mas nesse fluxo do lixo há detritos nas duas pontas: do depósito ao recolhimento. Então fico preocupado com a ponta onde estou. Separo rigorosamente o material orgânico do reciclável. Quando deposito o lixo observo que muitos ainda não respeitam essa regrinha básica. Mas o maior problema, especialmente na Avenida Brasil, são os contêineres lotados. Sim, cheios de isopor, pedaços de embalagens de eletrodomésticos que tomam conta do espaço. Mas, por outro lado, fico feliz ao observar uma provável evolução tecnológica. Parece que já teriam descoberto uma espécie de isopor biológico, pois os contêineres de cor laranja, exclusivos para lixo orgânico, também estão sempre cheios de isopor. Enfim, será que em Passo Fundo até o isopor é orgânico?


Desrespeito aos generais
Houve época em que os nossos generais eram bem mais respeitados. Sem falarmos naquele período em que até pensamento resultava em cadeia. Agora, nos últimos meses, desrespeitam e até parece que debocham do generalato. Há um triplo desacato aos históricos generais das ruas passo-fundenses. A baderna acampou na Avenida General Netto, quadra entre as ruas General Osório e General Canabarro. Num pequeno trecho a insubordinação é explícita. Ou já revogaram aquela lei que proíbe beber nas ruas? E, já que refletir nunca é demais, fica uma singela perguntinha. O que incomoda mais: o pensamento ou a baderna?


Oásis
Aproveitando a abertura da janela de transferência, Léo Castanho acertou a contratação de Luciano Pacheco para o Bar Oásis. A negociação foi longa e concretizada graças à habilidosa intervenção do advogado Rafael Brizola Marques. Os números, como sempre, Léo mantém em sigilo. Mas, enfim, está tudo certo. Luvas na mão e mãos à obra. Lu conhece o ramo e em breve o Oásis passará por uma ampla reformulação. As mudanças serão radicais, com destaque à chegada do sólido para acabar com a solidão do líquido. Mas os princípios essenciais não mudam. Modernidade mantendo e valorizando a tradição. Ou seja, a Mesa Um terá ainda mais evidência.

Aviões e submarinos

O WhatsApp é uma das tantas novidades que a tecnologia nos disponibiliza. Permite a instantaneidade entre amigos e, ainda, a troca de informações em grupos. Lamentavelmente, em muitos casos as informações vêm sendo substituídas pela desinformação. Ou, ainda, por pregações de ódio e discórdia. Por isso, quando recebo algo inteligente ou elegante fico muito feliz. É o caso desta que um amigo repassou do Conhecimentooculto. “Você sabia? Existem mais aviões no fundo do mar do que submarinos no céu!”

Trilha sonora

De Toto Cutugno para o Festival de San Remo de 1983, na versão do grupo francês The Gypsy Queens em 2013. Como bônus a estonteante beleza de Caterina Murino: L'Italiano
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Teclando

Terça-Feira, 02/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

O enxágue da alma

Se o ano novo permite uma reciclagem, vamos limpar os maus pensamentos e acabar com as ideias retrógradas. É o momento oportuno para uma faxina na conduta. Faz bem refletir e avaliar os conceitos e preceitos que adquirimos ou até mesmo herdamos. Essa limpeza exige isenção, senso crítico próprio e vergonha na cara. Sim, cara a cara no espelho, na mais pura e autêntica intimidade. Já no primeiro enxágue, os preconceitos devem escoar pelo ralo. Não se preocupe com o gênero, mais perigosos são os genéricos. Não tenha aversões étnicas, fique atento à falta de ética. Não desrespeite devoções religiosas, tenha cuidado com hipocrisias vergonhosas. Agora, por via das dúvidas, mais um enxágue, pois o preconceito além de nojento também é pegajoso. A próxima etapa desse processo é desprender as ilusões, que podem ser as antigas ou as da moda. O que é certo? O que é errado? Use o alvejante da verdade para acabar com pensamentos turvos. Progressivamente já vai aparecendo um pouco de você mesmo. Agora utilize o sabão do conhecimento para que a espuma limpe os erros e carregue aquele monte de besteiras que colocam na sua cabeça. A espuma branca representa um alívio, o borbulhar dos arrependimentos. Mas a assepsia mental ainda exige alguns retoques. Passe um desinfetante, pois há muita maldade em nosso meio. Também é necessário neutralizar o pH, eliminando os resquícios da raiva e da inveja. Para finalizar, utilize em sua mente o amaciante da alma. Pronto. Agora seja você mesmo durante este ano. Mas cuide bem para não sujar!

Mea-culpa
Enquanto era programador musical, fui excessivamente exigente e até um tanto preconceituoso. Sequer olhava para a capa dos discos de cantores popularescos. Eram classificados à época como ‘marca diabo’. Mas nessa turma também havia grandes talentos. Um deles é Fernando Mendes, cuja obra merece sempre um novo olhar. Suas letras expressam sentimentos e escancaram grandes verdades. Uma delas é Sorte Tem Quem Acredita Nela, que faz uma contundente crítica comportamental. Há um trecho em que diz “não adianta ir à igreja rezar e fazer tudo errado”. Será que os hipócritas que se enquadram nos versos da canção também farão um mea-culpa? Nesta época, isso poderá representar um alívio para o ano inteiro. Eu já me sinto aliviado.

Futuro do pretérito

O novo é bom, porém sempre será desconhecido. Aquilo que já conhecemos até pode ser péssimo, mas sabemos do que se trata. O grande risco de algumas novidades é aquilo que não enxergamos. Bonitas fachadas ou lindos discursos podem acobertar perigos. Uma ameaça que se multiplica pela inaptidão ao manuseio de novos meios de intercomunicação. Fico preocupado com redes sociais de olho em pequenos orifícios, em detrimento de enormes buracos coletivos. Será que teriam trocado o para-brisa pelo retrovisor e não me avisaram?

 

Trilha sonora
Um grupo de música latino-mediterrânea. Uma mescla de muita harmonia, o French Latino: Historia de un Amor
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