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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 02/04/2018 às 07:10, por Luiz Carlos Schneider

Mulher pelada

 Muito antes da palavra nudismo, a gurizada usava a expressão mulher pelada. Nossa! Era o máximo para um imaginário cercado pelo proibitivo. Fotografias expondo partes íntimas? Nem pensar. Mas, claro, havia a sensualidade de um decote ou de uma saia ao vento. O mais explícito eram os desenhos de Carlos Zéfiro, pequenas revistas apelidadas de ‘catecismo’, uma arte erótica de fino traço. Driblando a censura moralista, os tabus despencaram.  

Abriram-se as portas para a sensualidade e o erotismo. Recentemente, através de novas mídias, viralizou o sexo mais do que explícito e até atingindo a mais agressiva vulgaridade. Assim começou uma nova era de comunicação: a das redes sociais. Não tão sociáveis, mas redes para pegar incautos peixes. A obscenidade era apenas o prenúncio daquilo que estava por chegar. Espaço livre para poder se expressar era o que faltava aos inexpressivos.  

Pela insignificância qualificativa e uma liberdade quantitativa, surgiu um infinito para destilarem todas as formas de ódio reprimidas. Um forte indicativo de que os sentimentos enrustidos são aplacados pelo ódio expelido. Hoje, além de mulher pelada, podemos receber nos grupos muitos preconceitos, sangue, prepotência, racismo e oportunismo. Parece que o bem-estar coletivo atiça recalques. Estariam pensando em retroceder o filme para que o sargento Garcia consiga capturar o Zorro? Ora, rebobinar um filme é voltar  ao  início, no mínimo um  retrocesso. E assim caminha a humanidade pelas redes sociais. Enquanto isso, as mulheres passam e eles não acham graça. Certamente, essa turma não viu os desenhos de mulheres peladas do Zéfiro.

 

Mentira

Mentir é feio. Fomos educados ouvindo esta frase. Um ensinamento para toda uma vida, um princípio que passa de geração para geração. Em casa ou na escola, as arestas da mentira eram muito bem aparadas pelos pais ou professores. Crime ou pecado, a mentira sempre foi coibida pela sociedade. Mas, de uns tempos para cá, observo que aqueles ensinamentos foram esquecidos por algumas pessoas. A mentira está em alta. Há uma indústria bem estruturada que, utilizando formatadores de inverdades, produz materiais falsos para distribuição através de redes sociais. Profissionalizaram a mentira, sim. E quem passa adiante uma mentira também é um mentiroso. Assim, fico de queixo caído ao ver defensores dos bons costumes engajados na mentira. Certamente, na frente de um espelho eles conferem o tamanho do nariz. Isso porque eles sabem que mentir é feio e ainda lembram o exemplo de Pinóquio.

1º de Abril 

O 1º de abril é emblemático. É o mais autêntico momento dedicado à mentira. Dia dos bobos ou a data em que nos fazem de bobos. Mas, bobagens à parte, é tanta mentira que o dia dedicado à mentira até perdeu a graça. Hoje, de forma mais adequada, é a data alusiva aos que pregam mentiras. O próprio 1º de abril, que já foi negado, virou mentira. Pelo menos o 1º de abril deste ano já passou. Ufa. 

Trilha sonora

A música é do genial Michel Legrand para o filme Les Parapluies de Cherbourg, 1964. Depois, ganhou versões pelo mundo. Aqui em trechos do filme russo Admiral (Almirante), onde a beleza de Elizaveta Boyarskaya rouba todas as cenas. Na voz de Matt Monro: I Will Wait For You. Ouça pelo link.




Teclando

Segunda-Feira, 26/03/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nos tempos do ensino
Desde que ingressei no primeiro ano primário, vi e convivi com muitas alterações curriculares. Algumas eram tão estapafúrdias que, logo depois, foram reconsideradas. Eram denominadas como ‘reformas’ do ensino, mas na prática não reformulavam nada. Ao contrário, apenas suprimiam. As mudanças nunca objetivaram uma promoção da qualidade do ensino. Diminuíram cargas horárias, picotaram currículos e retiraram matérias importantes como latim, filosofia, francês, música etc. E essas mudanças não foram realizadas por técnicos ou para propiciar uma evolução da pedagogia. Eram obras políticas, claro, com direito a muitos discursos. Até a nomenclatura mudou e o ensino virou educação. Trocaram os nomes dos cursos e foram diminuindo a qualidade e a quantidade do que ensinavam nas salas de aula. Quando ingressei no segundo grau, que recentemente rebatizaram como ensino médio, foi exatamente no ano que iniciava uma dessas famigeradas reformas. A carga horária de física, por exemplo, representava 25% da aplicada no ano anterior. Nos primeiros dias de aula ficamos preocupados, pois todos já estávamos de olho no vestibular. Foi uma frustração, porque algumas matérias desapareceram do currículo e outras foram drasticamente reduzidas. E, numa época de manifestações unilaterais, o secretário de educação alardeava maravilhas sobre aquela maldita reforma. Estudantes e professores sabiam que aquilo estava errado. Mas no rádio a propaganda oficial dizia o contrário. E foi assim. Saímos de lá carregando as consequências para a vida.

Nos tempos da educação
Parece-me que reformar currículos é a única preocupação dos governantes. Por que não constroem escolas, remuneram dignamente os educadores e incentivam as pesquisas? No discurso se utilizam de comparativos com o ensino em países europeus, enaltecendo as suas qualidades e mostrando suas escolas como um excelente exemplo. Lá, bem sabemos, as cargas horárias e os currículos são muito reforçados. Então, se tanto elogiam, por que na prática fazem exatamente ao contrário? Ao invés de reforçar a educação, preferem soltar as rédeas e aplicar simplórias simplificações. Na prática, há muito anos, parece que o Ministério da Educação não teria mais nada a ver com o ensino. Calcado nas facilidades, tem o perfil de um ministério de desburocratização. A última pérola é a proposta de um autêntico mar das ausências através do ensino médio à distância. Tive que ler para acreditar. Aí reapareceu aquela pulguinha atrás da orelha. Indignada com essas injustificáveis facilidades, a velha pulga questiona: a quem isso interessa?

Mesa Um
Foi aberto o calendário de eventos da Mesa Um do Bar Oásis. Sábado ao meio-dia, o Salão Safira da sede campestre do Clube Comercial recebeu a primeira sessão solene do ano. O paraninfo do encontro foi o confrade Rubens Ruas, que recepcionou a eclética irmandade com o apoio da Equipe Cipriani. Por motivos de força imensurável, não pude estar em plenário. Assim, com minhas justificativas, solicito escusas ao Comandante Ruas.

Trilha sonora
A música de Burt Bacharach na voz da excelente cantora holandesa Trijntje Oosterhuis: Do You Know The Way To San Jose
Use o link ou clique
https://goo.gl/JEruPP




Teclando

Segunda-Feira, 19/03/2018 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Superlativo da intolerância

Em tempos de crise institucional, estamos convivendo com o absurdo em elevado grau superlativo. Até parece deboche, mas a fragilização da democracia agora tem como instrumento a liberdade de expressão. Como a convivência democrática é incipiente, muitos ainda não estão habituados ao trato civilizado da informação. Pela falta de hábito, também há uma carência de limites. Assim entra em cena o ridículo que, em tendência superlativa, é elevado à condição de crime. O péssimo clima político aumenta a intolerância e algumas pessoas já estão ensandecidas. Não bastasse a tristeza por duas mortes, na semana passada ainda ficou explícita a morte da ética. O desrespeito ao ser humano superou as mais pessimistas expectativas, quando transformaram uma tragédia em argumento politiqueiro. Entraram em cena o absurdo e a mentira, contracenando com o preconceito e o desrespeito. Nas redes sociais, uma espécie de território sem lei, parece que temos um duelo entre pregadores da morte e defensores da vida. Em meio às rotulações prevaleceram mesquinharias temperadas pelo ódio, deixando evidente uma explícita conduta desumana. A ambição política e a intolerância social conseguiram um superlativo para a degradação do ser humano: a politização da morte. 

Domingo feliz

Sábado, fiz algumas comprinhas básicas no supermercado sem preocupações com o dia seguinte. Peguei aquilo que necessitava para uma comidinha básica e, claro, uma garrafa com água, fermento, malte e lúpulo. Compras feitas com calma, sem aquele tormento em relação ao dia seguinte. Sim, agora os domingos não representam mais a ameaça de um possível fechamento de supermercados. Ou seja, a vida voltou ao normal. Esqueceu-se de comprar algo no sábado? Pega no domingo, tranquilamente. Deu vontade de comer algo diferente, vai ao supermercado e compra. Chegou visita de última hora? Sem problemas, Passo Fundo é uma cidade grande e os supermercados estão abertos. Isso é ótimo. 

Demarcação

Nunca vou compreender o uso (indevido) de áreas públicas para o exercício do comércio. Muito menos a utilização de cones para demarcar áreas no espaço de estacionamento. Isso em plena área central da Avenida Brasil. Pode? Existe autorização? Que tipo de autorização? Haveria algum critério para “lotear” áreas públicas para exploração comercial? E, mesmo que tudo isso esteja de acordo com os critérios em vigor e, portanto, legalizado, resta mais uma perguntinha. Seria justa a utilização de uma área pública para concorrer com aqueles que têm o ônus do aluguel ou adquiriram um imóvel para o seu negócio? 

Nostalgia

Redes sociais, como Facebook, Whatsapp e Instagram, quando bem utilizadas, até podem levar ao salutar saudosismo. Rolou uma brincadeirinha do tipo “se diz de Passo Fundo, mas nunca...” Enfim, foi um festival de recordações. Nostalgia pura e, ao mesmo tempo, um resgate da nossa história. Mexer com a lembrança faz bem, refresca a memória.

Trilha sonora

Em 1976, a Electric Light Orchestra estourou nas paradas de sucesso. Repaginada, a música voltou em 2004 com The Beautiful South: Livin' Thing

Use o link ou clique https://goo.gl/csFhQ9

 




Teclando

Segunda-Feira, 12/03/2018 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Gênero humano 

Na semana passada, transcorreu o Dia Internacional da Mulher. Está aí um tema que não pode ficar no esquecimento. Houve época em que eu já estava considerando a data desnecessária e até discriminatória. Ledo e Ivo engano. A prova disso está num separatismo intrínseco que existe na abordagem cotidiana. Observem que expressões como ‘o papel da mulher’, já indicam uma divisão na forma de pensar. Infelizmente, ainda não atingimos um patamar onde sejamos todos, de fato, tratados apenas como gênero humano. Ou seja, as condições sociais igualitárias ainda não são aceitas com normalidade e continuam sendo tratadas como conquistas. Ora, se as mulheres ainda estão conquistando ou buscando espaços, é porque persistem as desigualdades. E não podemos confundir desigualdades com diferenças. As diferenças são fascinantes e exigem respeito, enquanto as desigualdades são prepotências arcaicas e devem ser abominadas. É por isso que essa data ainda se faz necessária, permitindo reflexões sobre as lerdas evoluções do ser humano.

Guerra de gêneros

A segregação é uma questão cultural, remonta milênios e iniciou pela ausência da equivalência de direitos. No andar da carruagem, houve mudanças em busca da equidade. Mas, consciente ou subconsciente, uma carga discriminatória permanece incrustrada no comportamento social. Machismo e feminismo são correntes extremistas. Incólume neste conflito, eu prefiro a felicidade sem rótulos. Porém, todos nós carregamos uma dose dessa conduta. Inclusive eu, que acabo de escrever machismo na frente de feminismo. Não sou de fazer gênero. Então, bem longe de uma guerra dos sexos, temos que evoluir e aprender a lidar com os gêneros. Todos, claro! 

Meu gênero predileto

Mas, sem feminismos ou machismos (observem a ordem), a gente vai brincando. Até porque nascemos para sermos todos felizes. Confesso, meu gênero predileto é o feminino. Quando falamos em homenagear as mulheres, alguém salta na frente e grita: “a mãe”. Calma. Mãe não vale, pois, além de hors concour, é nepotismo. Então coçamos a cabeça e ficamos em dúvida. Seria aquela de formas esculturais? A do sorriso contagiante? A mais tranquila e superparceira? A louquinha e mais cabeça? Difícil. Não há escolha, pois prevalece a igualdade. Mulheres lutadoras, mulheres encantadoras. Será que um dia teremos uma vacina para imunizar contra o preconceito e a discriminação? Aí, sim, a humanidade será feliz.

Por falar em gênero...

Gênero é um termo tão periclitante que até poderia propiciar ebulição em alguns vácuos encefálicos. Há casos em que a confusão provocada pelo gênero pode causar mal-entendidos genéricos. Como a polissemia permite múltiplas interpretações, muita gente que não compreendeu bem está apavorada. Um antigo comerciante, estabelecido na São Cristóvão, resolveu mudar a fachada do estabelecimento. Sujeito muito precavido, por via das dúvidas ele mandou retirar o pedaço da placa que continha a expressão “gêneros alimentícios”.

Trilha sonora

Nada mais alusivo do que a obra de Gilberto Gil, lançada em 1979. Aqui ao vivo cruzando violões com Caetano Veloso. Super-Homem a Canção. Use o link




Teclando

Segunda-Feira, 05/03/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Sazonalidade lá

Durante onze anos, morei no litoral catarinense. Quando por lá cheguei, tive que me adaptar a algumas peculiaridades locais. À época, a maioria dos habitantes de Itapema ainda eram os chamados nativos. Logo fui me entrosando ao pessoal, conhecendo costumes e compreendendo algumas tradições. No começo foi muito difícil afinar o ouvido para o sotaque e as expressões manés. Era mais fácil compreender o que falava um argentino do que um pescador. Porém, a maior dificuldade nesta interação ao meu novo meio foi compreender a sazonalidade. Não apenas o simples fato da divisão do ano em alta e baixa temporadas. Lá são considerados três meses de verão e nove meses de inverno. Eram dois mundos distintos, indo de um movimento infernal ao silêncio de uma cidade desértica. Mas a questão sazonalidade é uma resultante puramente econômica. Muitas pessoas e alguns estabelecimentos trabalhavam apenas na alta temporada. Porém, o mais forte era a mentalidade sazonal. De agosto a novembro o assunto era a preocupação em saber como seria a próxima temporada. De dezembro a fevereiro ninguém falava, apenas trabalhavam. E de março a julho todos comentavam como foi a última temporada. A mentalidade sazonal tinha, e ainda carrega, uma expectativa em fazer um pé-de-meia. Lá a sazonalidade é cultural. Invadida por turistas, a pacata vila de pescadores nunca tinha visto tanto dinheiro. Assim, as pessoas descobriram formas para obter uma vantajosa renda extra em poucos dias. Os anos passaram. E as pessoas continuam sonhando com a temporada para se ajeitar na vida.

Sazonalidade cá

Em Passo Fundo não temos o mar. Mas, cada qual a sua maneira, também aproveitamos os nossos períodos de férias. Não ganhamos com veraneio. Gastamos no veraneio. Mas isso não significa que Passo Fundo não viva as suas peculiares sazonalidades. Já nos anos 1970, a cidade era invadida pelos vestibulandos. O vestibular da UPF tinha cinco dias de provas, atraindo candidatos de todo país. Hotéis, restaurantes e bares cheios de gente e noites agitadas. Por aqui também temos as nossas temporadas. Uma delas é a temporada de formaturas, que também movimenta as áreas hoteleira e gastronômica.

Sazonalidade já

Na condição de cidade-polo, Passo Fundo já tem uma importante sazonalidade no calendário. É a temporada da Expodireto, que todos os anos derrama recursos em vários segmentos. O evento gera empregos temporários, lota a rede hoteleira, movimenta bares e restaurantes. Ganham prestadores de serviços, ganha o comércio. Da cerveja ao batom, as vendas aumentam consideravelmente. É a nossa alta temporada. A Expodireto nasceu em Passo Fundo e foi para Não-Me-Toque. Mas o filho que partiu, continua ligado às origens e deixa sempre bons resultados. A feira é na região e Passo Fundo é a cidade grande.

Campo de pouso

Já não estaria na hora de escolher um local adequado, pela altitude e vento predominante, para construção de um campo de pouso?

Trilha sonora

Encontro antológico: MPB-4 e Roberta Sá. Música também antológica, de Miltinho e Paulo César Pinheiro: Cicatrizes

Use o link ou clique o QR code

http://bit.ly/2FcDqgY




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