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Colunistas


Teclando

Quarta-Feira, 31/07/2019 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Por que só os sinos silenciam?
O dobrar dos sinos da Catedral gerou polêmica e resultou em uma mordaça. À noite não ouvimos mais as suas tradicionais badaladas. A medida é em respeito aos ouvidos da vizinhança. Tudo bem. O bem-estar é importante e não quero polemizar. Mas o silêncio dos sinos faz badalar meus neurônios irritados pela barulheira. Na semana passada tínhamos dois circos em Passo Fundo. Os dois com seus carros de som misturando as atrações pela cidade. Na prática, transformaram a Avenida Brasil num picadeiro. E os palhaços éramos nós, com os ouvidos entulhados de gritos. Além disso, tem aquele outro carro de som dizendo que algo é muito legal. Isso pode. Os sinos, não. No sábado, duas lojas de eletrodomésticos propiciaram um festival de poluição sonora. As ofertas se chocavam pelas calçadas, invadiam ônibus, ecoavam nos prédios e paravam em indefesos tímpanos. Literalmente, estavam disputando clientes no grito. Com exagerados decibéis, incomodaram quem estava na calçada, no trabalho ou em casa. Isso pode. Os sinos, não. Motos com escapamento aberto já fazem parte da rotina. Automóveis com som a todo volume, aquele insuportável bate-estacas, parece que é normal. E o pior de tudo é que esses malandros à pilha ainda acham que estão agradando. Isso pode. Os sinos, não. Ora, falta um singelo gesto para abafar essa barulheira: fiscalização. Uma multa sempre tem efeitos terapêuticos eficazes. Acabem com a barulheira diuturna ou, por isonomia, libertem os sinos da Catedral.

A Voz do Rádio
Milton Ferretti Jung encerrou as transmissões. Meu ídolo das ondas hertzianas foi o mais impecável locutor que já ouvi. Era uma aula de dicção, clareza, pronúncia e entonação. Por décadas ele foi o Correspondente Renner da Rádio Guaíba, quando seu vozeirão ecoava no sul do país. Ou bem mais longe. No final de 1973 eu estava em Manaus e, como em todo gaúcho, bateu uma saudade da querência. Então peguei um rádio alemão Grundig Satellit e, obviamente, sintonizei na Guaíba pelas ondas curtas de 25 metros. De repente entrou a característica do Correspondente Renner fora do horário habitual. Fiquei arrepiado ao ouvir a voz de Milton Jung, em edição extraordinária, noticiando o incêndio das Lojas Americanas em Porto Alegre. Ah, a magia e a instantaneidade do rádio. Já tivemos grandes rádios e grandes radialistas. Milton foi o melhor de todos.

Mesa Um
Confraria da Mesa Um do Bar Oásis teve assembleia ordinária na semana passada. O paraninfo da noite foi Júlio Henrique da Costa. Em recepção no Clube Comercial, o destaque ficou por conta dos camarões gratinados com a assinatura da Lisete. A sobremesa teve o já famoso pudim do Biazi que, desta vez, foi servido com cobertura de Mu-Mu.

Iracélio
Tem alguns que se acham donos do mundo. Turcão Iracélio é um desses. Bastou ele ficar sabendo que o Oásis agora tem delivery, para tentar abocanhar o serviço de entrega. “Trabalho com transporte, tenho uma van e entendo do riscado”. Então a Luiza explicou que se trata do iFood, uma empresa que atua pela internet no Brasil e em outros países. Aí, sim, Iracélio foi à loucura. “Não tem problema, transporte nacional ou internacional é tudo comigo mesmo”. Iracélio não toma jeito. Só toma cerveja.

Trilha sonora
É de 1993. A banda norte-americana que viaja entre o hard rock e o soft rock. Mr. Big – Wild World
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Teclando

Quarta-Feira, 24/07/2019 às 07:01, por Luiz Carlos Schneider

Sob o domínio do calendário
Sempre questionei o porquê da diminuição da velocidade no fluxo do trânsito aos domingos e feriados. A maioria está com a cabeça lenta e anda muito devagar. Alguns sequer sinalizam quando vão dobrar, ficam entre as pistas e agem sob o efeito de um contagiante desleixo. Até podem causar acidentes. Como estão de folga não têm a mínima pressa, mas se esquecem de que lá fora a vida segue. Às vezes com pressa. Domingo ou feriado não significa que o mundo parou. São dias normais. Aliás, essa discriminação é cultural. Ora, feriados e domingos são iguais aos outros dias. Têm 24 horas, manhã, tarde e noite. Comemos e dormimos normalmente. E muitas pessoas também trabalham nos domingos e feriados. Então, nunca encontrei uma justificativa para convivermos com essa anormalidade comportamental. Mas é bem assim. Somos controlados pelo calendário.

A inquieta segunda-feira
No início da semana o acelerador é movido pela ansiedade. Compromissos, agenda cheia, contas para pagar (algumas raras para receber), horários para cumprir e outras paranoias cotidianas. Queremos resolver tudo, inclusive àquilo que muito bem poderia ser feito num domingo. Por que não? Ora, por vício comportamental. Na quarta e quinta o pessoal até dá uma moderada. Mas quando chega a sexta-feira parece que o mundo vai acabar e o horário apocalíptico seria o almejado 18h30. Mas não acaba. Então começa outra correria já com a cabeça no final de semana. Supermercado, a carne para o churrasco, colocar a cerveja para gelar, retoques pessoais dos cabelos aos pés e pé no acelerador porque o findi chegou.

O brilho de sábado
O sábado, que antigamente era bem mais light, agora assumiu a condição de um espaço comprimido na agenda. Além do supermercado (esse não falha!), cabeleireiro, costureira e tantos compromissos complacentes, para muitos é o dia ideal de ir às compras. Então o sábado começa corrido e segue em ritmo de ansiedade até o pôr do sol. Aí é noite. E noite é outro departamento. Os compromissos são bem, mas bem mais agradáveis mesmo. Ou alguém já saiu de casa num sábado à noite para pagar uma conta? Claro que não. O sábado é tão importante que até escolhemos roupas diferenciadas. Pede um jantar especial, fora ou em casa. Sábado merece boa companhia. Pode ser na intimidade de ficar com alguém ou numa badalação com amigos. A noite de sábado é um presente do calendário. Tem brilho, perfume e paixão.

O indolente domingo
A manhã de domingo é um resultado lógico da noite de sábado. Alguns até levantam cedo, mas a maioria não desgruda do travesseiro. O almoço dominical é sagrado e reúne a família à mesa. À tarde, depois de uma sesteada, dedicamos àqueles passeios em ritmo indolente. Logo se vai o sol e o domingo fica triste. De volta para casa e, para quem ainda assiste, a televisão reserva as mais deprimentes atrações. A noite de domingo é silenciosa. Uma chatice. O jantar é servido pelo mordomo Lavoisier, que nos oferece uma requintada transformação do nada em tudo. Nesse momento o calendário é uma ameaça. O findi tá terminando e amanhã será segunda-feira. O sorriso vai amarelando. E fica sempre uma sensação de que faltou algo. Então vamos para a cama e sonhamos com um feriadão.

Trilha sonora
Essa dispensa apresentações. Toni Braxton – Spanish Guitar
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Teclando

Quarta-Feira, 17/07/2019 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

A velha moda
Mudam os tempos, trocam os modismos. Já tivemos a febre do bilboquê (a gente chamava de bi-bo-quê), depois o ioiô era o brinquedo da moda. Nosso visual também seguia modismos e empastávamos o cabelo com Gumex. Usamos calça boca-de-sino e camisa Volta ao Mundo. E vieram outras modas, como o perfume Almiscar Selvagem, a fita cassete e os toca-fitas TKR. Mas foi com a digitalização da eletrônica que desembarcaram brinquedinhos como o Tamagotchi, o telefone virou multimídia e o computador é um mundo à parte. E é nesse outro mundo que encontramos novas brincadeiras. São brinquedos para todas as idades. Agora tomou conta das redes sociais um aplicativo que envelhece as pessoas. E está todo mundo com cabelos branco nos perfis. Afinal, é moda. Estou pensando em testar. Vou usar uma foto de 40 anos atrás só para saber como eu estou hoje. Mas ainda aguardo por um app que rejuvenesça as pessoas, o que seria bem mais adequado para a minha idade. E, quem duvida, bem que poderá ser o próximo modismo na internet.

JG
O amigo JG está de volta à ativa. Ele ficou por um período no estaleiro onde apertou parafusos, calibrou instrumentos e deu retoques na pintura. Na segunda-feira, JG retornou ao seu tradicional horário nas manhãs da Rádio Uirapuru. Com fôlego renovado, está no comando do Repórter do Povo. Fico muito feliz com o retorno do Jota, pois vivemos o rádio na época das transmissões em SSB, troca de rotação nos toca-discos, gravadores de rolo e muitos fios. Um abraço e mantenha-se na frequência!

Virtus
Lembram os táxis de Porto alegre há uns 40 anos? Só havia Fusca na cor laranja e sem um banco dianteiro. Por muitos anos era o carro preferido pelos taxistas. Mas aqui em Passo Fundo a realidade sempre foi outra e os táxis oferecem mais conforto. Agora o xodó dos motoristas é o Virtus. Apenas no ponto em frente ao Fórum já são três motoristas com o modelo: Oracildo, Luciano e Luiz. A escolha, segundo o Luciano, que roda com um automático, foi pela tecnologia, modernidade, espaço e desempenho. Os tempos mudaram e exigem uma evolução.

Ensaio
Tem alguém afinando a pena para colocá-la no tinteiro. E anda preparando-se para meter o bico por aí. Que bom, pois ando com saudades daquela sua peculiar finesse irônica. Então, volte logo! Porque o melhor presente é viver o passado no futuro. 

Martinelli
Na semana passada o Martinelli Advogados, escritório que mantém sede em Joinville, inaugurou a sua filial em Passo Fundo. O trabalho é multidisciplinar e tem abrangência nacional, com filiais em sete estados. O fundador, João Martinelli, destacou que a escolha por Passo Fundo foi pelo porte da cidade e localização estratégica no agronegócio. Para marcar a abertura da filial, recepcionou no Mango’s os seus clientes e convidados de toda a região norte. Passo Fundo é sempre um referencial no Norte do RS.

Regra de três
Se 77.000 equivale a 70, por que 200.000 equivale a 9? Essa nem Malba Tahan conseguiria explicar.

Trilha sonora
Esta há muitos anos eu escutava pela Antena 1. Dia desses ouvi na ucraniana Rádio Relax. Já que não encontramos isso nas proximidades, quero compartilhar com vocês. A banda escocesa Wet Wet Wet: Sweet Surrender
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Teclando

Quarta-Feira, 10/07/2019 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Bossa sem João
Difícil é falar sobre música diante do desafinado cenário atual. Mau gosto? Não. Falta de acesso às opções culturais. Desde que as concessões de rádio e televisão caíram de paraquedas, parece que acabou o lastro destas autorizações: a difusão cultural. Ora, cultura não é mediocridade. Imediatismo é nivelar por baixo e isso não é uma proposta cultural. Assim, já não se ouve mais Bossa Nova no ar. Pelo menos aqui no Brasil, pois no exterior ela permanece com ares de nova. Mas a Bossa Nova é bem mais velha do que se possa imaginar. O marco seria 1959, porém o estopim do movimento cultural foi a gravação de Chega de Saudades por João Gilberto em 1958. A partir disso estava no dial, onde por muitos anos foi marcante. É um divisor de águas, permitindo uma nova concepção musical. De fato, a nova bossa teve ascendência cultural e comportamental. É a maior influência já exercida na MPB, derrubando preconceitos e impondo um novo modelo. Mas esse estilo diferente também agradou aos ouvidos norte-americanos. Ah, e lá se foram os brasileiros com um violão aos Estados Unidos pelas asas da Varig para mostrar a nossa música. Até porque a arte não tem fronteiras. Sessenta anos se passaram. Foi-se João, outros já tinham ido. Mas a bossa continua nova.

Ossobuco
Osso duro de roer é a falta de ossobuco para uma sopinha. Predileções também são autenticidades, pois bom gosto não tem preço. E muito menos dinheiro que compre. Esfriou e não encontro mais as bandejinhas com osso buco nas prateleiras. Parece que há uma evolução culinária que, na prática, é uma saborosa e saudável volta ao passado. Chega de paparicar modismos rotulados como gastronomia e requintes pouco convencionais. Nada melhor para ditar o que fazer do que a obviedade. Ora, o gostoso é o saboroso. E sabor não é propiciado por invenções. O que é bom já é gostoso por natureza. Nos próximos dias vai esquentar e teremos o retorno do ossobuco às prateleiras. Vou congelar e estocar. Até porque esse osso é pau pra toda obra: sopas, molhos...

Baita sábado
Sábado, temperatura entre 4 e 7ºC. Estava frio e não havia vento. Mas veio o sol e deu um brilho àquela tarde. Início de mês, muita gente com dinheiro no bolso e parece que toda a cidade veio para o Centro. No Largo Argeu Santarém, a nossa República dos Coqueiros, observei uma família, literalmente, lagarteando num banco. E não faltou bergamota. Mas a grande agitação foi nas lojas que venderam bem barbaridade. Gente entrouxada, correria nas calçadas, ônibus lotados e trânsito lento na Avenida Brasil. Clima de cidade grande. O movimento que tivemos no último sábado é um argumento incontestável da grandeza de Passo Fundo. Com suas portas abertas, a cidade está ampliando a sua importância no sul do país.

Chatices nas calçadas
Na agitação ficou nítida a obstaculização das calçadas. Na esquina da Brasil com General Netto (antiga Casa Yankee, depois Parole, hoje uma farmácia), estava difícil caminhar entre tapetes com mercadorias e, para complicar ainda mais, instalaram balcões de empresas de telefonia. Sobrou menos de um metro para as pessoas passarem. Ah, tinha um alto-falante muito alto onde o falante promovia eletrodomésticos. Simples detalhes, mas incomodam. É uma barbada para resolver, pois Passo Fundo merece.

Trilha sonora
João Gilberto, de Tom e Vinícius, Chega de Saudade
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Teclando

Quarta-Feira, 03/07/2019 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Loucos de varrer

Há um cheiro de insanidade no ar, provocado pela ira de alguns, interesses de outros e demências bem posicionadas. O problema não seria apenas uma loucura generalizada, mas, sim, a generalização do mal. A história nos mostra isso. Quando Jânio Quadros foi eleito presidente eu tinha apenas quatro anos de idade. Mas os neurônios remanescentes ainda conseguem lembrar a famosa vassourinha, símbolo de sua campanha política. Jânio queria varrer a corrupção. E, nessa vassourada, arrastou votos para eleger-se enquanto a sujeira permaneceu escondida por debaixo dos tapetes palacianos. A vassourinha foi um apelo popular e, assim, sua eleição foi fruto de um populismo. Geralmente, essa prática encurta mandatos. E isso ocorreu com Jânio que, por culpa das forças ocultas, permaneceu no poder por pouco mais de meio ano. O fotógrafo gaúcho Erno Schneider captou Jânio com as pernas tornas, uma imagem que simbolizou aquele que não sabia para que lado seguir. Por causa da vassourinha, sempre pensei que a expressão ‘louco de varrer’ fosse alusiva ao Jânio. Então, quando observo o desconforto no exercício do poder, me lembro da famosa foto do ex-presidente. Nesta mesma linha, também vejo que não faltam loucos de varrer no cenário atual. 

Efeito Dreher

A política é um exercício fundamental da cidadania. Claro, encontramos óbices em muitos aspectos. Alguns aceitáveis, outros deploráveis. A política como elemento da convivência social é ótima. Já a política como suporte aos interesses obscuros é bem diferente. Já vi, ouvi e convivi com muitas situações. Depois da velha política dos anos 1960, sim, do pós-golpe, aguardava por uma evolução. Que decepção. Observo uma preocupante involução. Antes havia cacos na política. Hoje os cacos multiplicam-se e não podemos nos esquecer do famoso slogan do Conhaque Dreher. Seria prenúncio do surgimento de um novo caquedo no cenário? Preparem seus estômagos para as próximas eleições. Além dos monstros de laboratório, ainda teremos os oriundos de duvidosas cepas. Em sua maioria toscos, inexperientes. Se não for uma briga de foice, pelo menos poderá ser divertido. 

Inverno

Inverno é frio. Inverno é chuvoso. Isso faz parte do nosso clima, com estações bem definidas. Depois de um calor fora de época, o inverno chegou e mostrou as suas credenciais. Não há nada de errado com o frio nessa época, mas a maioria reclama quando esfria. Esquecem que o frio também cumpre um papel importante na natureza, até mesmo para o controle de pragas. O ruim, claro, é enfrentar chuva e frio para ir ao trabalho ou à escola. Isso ainda pode piorar caso você pisar numa lajota solta. O frio e a chuva não há como mudar. As lajotas, sim! 

Iracélio

Dizem que o frio aquece o bolso do Iracélio. É tanta correria que o Turcão quase não é visto no Bar Oásis. E quando passa por lá, Iracélio até parece um pregador, pois só fala que “vinho é bíblico e faz bem pro coração”.

Trilha sonora

Há mais de 40 anos, as propagandas do cigarro Luiz XV marcaram pelo bom gosto. O cigarro logo saiu de linha, mas deixou boas músicas na memória. Uma delas com Roberta Flack e Donny Hathaway: The Closer I Get To You
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