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Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 27/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Mandem flores
Não entendo porque as floriculturas não têm expediente ampliado aos sábados. Será que as novas gerações não conhecem o fascínio das flores? Ou suprimiram os suspiros que precediam o finalmente? Ora, como diria Lupicínio, pobres moços! Entendam que a boa educação deve prevalecer sempre. Há mais de 20 anos, ambulantes passaram a oferecer rosas nos restaurantes em Passo Fundo. Porém, sabe-se lá o porquê, apelidaram a linda flor de ‘troféu de china’. Expressão pejorativa, certamente, pela palavra troféu. Acredito que, mais uma vez, a ignorância atropelou a elegância. Mas não deem bola para a insensibilidade, especialmente num momento que requer muita sensibilidade. As floriculturas são instrumentos imprescindíveis ao cavalheirismo. Se você não está sentindo muita firmeza, mande flores. É meio caminho andado. Flores encantam, estão nos jardins, nas pinturas e na poesia. Não têm hora, não têm local. São sempre muito bem-vindas, não importa a situação. Sempre fui um presenteador de flores. Até houve época em que era freguês de caderninho numa floricultura. A branca para Iemanjá ou a vermelha para uma paixão, as rosas são as minhas prediletas. Elas até não falam, como bem cantou Cartola, mas dizem muito. Uma flor é um encanto, um buquê uma declaração. Flores exalam desejos. E até podem ser cantadas. 

Natureza terapêutica
O Espaço Antonio Augusto Pretto foi inaugurado, semana passada, no Hospital da Cidade de Passo Fundo. É uma bonita praça, onde a arquitetura não economizou no bom gosto. Mas não podemos considerar o local apenas como uma simples praça. Muito além disso, a nova área do HC tem uma importante função terapêutica. O verde, a água em movimento e os peixes são os elementos da natureza para transmitir bem-estar aos pacientes e acompanhantes. A proposta, seguindo tendências mundiais, está de acordo com estudos que comprovam a importância da natureza no ambiente hospitalar. E, de quebra, a esquina das ruas Paissandu com Tiradentes é mais um encanto no cenário passo-fundense. Definitivamente, a saúde faz bem a Passo Fundo. 

Fora do Ar
Desde segunda-feira estou fora do Fora do Ar. Depois de alguns anos no programa mais divertido do dial, é bom ficar um tempinho também fora do ar. Meus agradecimentos à direção da Rádio, à turma da bancada do programa e todos os colegas da Uirapuru pelo carinho de sempre. E, é claro, ao incalculável número de amigos que conquistei em meio à grande audiência da Uirapuru. Mas, como o microfone é uma cachaça e sou biriteiro, a qualquer hora posso fazer uma pontinha por aí. Isso não é um aviso. É uma ameaça! 

Sonho barulhento
De segunda a sábado, temos os alto-falantes nas portas de lojas e os carros de som nas ruas. É uma sinfonia desafinada de ofertas em exagerados decibéis. Aí chegou o domingo e meus ouvidos já estavam relaxados, contando com a possibilidade de não serem molestados. Mas o carro de som do circo acabou com tão sonhada imunidade.

Trilha sonora
Em 1969, The Marmelade gravou seu maior sucesso. Em 2014, o vocalista original do grupo escocês, Dean Ford, regravou Reflections of My Life.
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https://goo.gl/r3FGgR




Teclando

Terça-Feira, 20/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Na contramão

Qualidade e quantidade andam em sentidos opostos. Até acredito que seja mais uma resultante da lei da oferta e da demanda. Neste caso, claro, oferta e demanda cultural. Observem que, a cada dia que passa, a qualidade está mais discreta e jamais desponta em quantidade. Gosto, é claro, não se discute. Mas basta meia orelha para detectar por aí que o péssimo gosto abunda em quantidade. Já a qualidade anda praticamente desaparecida, escassa. Houve época em que o acesso à informação era um sacrifício. As opções eram poucas e a tecnologia precária. Mas, mesmo em meio aos chiados e chuviscos, sempre encontrávamos generosas doses de qualidade. Agora a situação é exatamente contrária. Temos um acesso quase ilimitado às informações, novas tecnologias e a multiplicação do espaço para o conhecimento. Mas, contrariando as expectativas mais lógicas, a qualidade praticamente desapareceu no meio dessa deformação cultural. É um cenário perigoso, onde até mesmo a ignorância quer posar de vanguarda. Por quê? Ora, certamente pela carência de educação e má-condução da informação. Também não podemos nos esquecer da avalanche de interesses que obstaculiza os caminhos do bom gosto. E, assim, quantidade e qualidade acabam não combinando.


Voo da madrugada
Domingo à noite, a Azul reiniciou os voos da madrugada entre Passo Fundo e São Paulo (Campinas). Essa frequência estava suspensa temporariamente, permitindo atender destinos com maior demanda durante a alta temporada. No voo AD4474, o avião decola de Viracopos às 23h35 e pousa em Passo Fundo às 01h10 da madrugada. Após pernoite no Aeroporto Lauro Kourtz, decola como AD4477 às 6 horas e chega a Viracopos às 7h25. Assim, Passo Fundo volta a contar com três ligações diárias para São Paulo. Todos esses voos da Azul são operados com o Embraer 195, com capacidade para 118 passageiros. Ou seja, temos uma oferta de 354 acentos/dia em cada sentido.

 

Difícil caminho
Existem normas técnicas para garantir acessibilidade para deficientes visuais e cadeirantes. Infelizmente, aqui em Passo Fundo os passeios públicos deixam muito a desejar em termos de acessibilidade. Os cadeirantes reclamam do ângulo brusco das rampas, o que pode propiciar quedas. Mas nas calçadas é que encontramos um festival de obstáculos. Os proprietários não realizam a manutenção necessária, permitindo a proliferação de buracos e lajotas soltas. Para completar esse percurso de gincana, o pessoal das lojas e os ambulantes entram em cena e depositam de tudo sobre o local que seria para caminhar. Difícil para todos. Mas é bem mais difícil para quem apresenta alguma dificuldade em locomoção. Isso pode ser resolvido com boa vontade e educação. Boa vontade para fazer a manutenção e educação para não encher as calçadas com placas e mercadorias.

 

Ranzinzices
- É permitido utilizar cones para demarcar espaços em área de estacionamento na Avenida Brasil?
- As lojas podem colocar alto-falantes direcionados às calçadas?


Trilha sonora
Barry White e The Love Unlimited Orchestra:  I'm So Glad That I'm A Woman 
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https://goo.gl/HFKs2L




Teclando

Terça-Feira, 13/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Amor de Carnaval
Não foi o carnaval que me fez um homem. Mas no carnaval pela primeira vez me senti mais do que um menino. Nos bailes infantis desperdiçávamos lança-perfume nas costas das gurias. Brincadeira de uma época em que não cabiam lenços em nossos bolsos. Das matinés para as noites foi um pulo e a folia era uma grande integração da cidade. Mais do que isso, um colírio para os olhos. Esses bailes representaram um passaporte para a vida. O carnaval me abriu as portas da realidade e me estendeu um tapete ao paraíso dos sonhos. O grito de carnaval nada mais é do que um grito de liberdade. A sensualidade é o destaque entre confetes e serpentinas, permitindo que a fantasia da igualdade desperte as paixões de carnaval. Um fascínio que desabrochava enquanto a orquestra (sim, orquestra mesmo!) tocava Máscara Negra. O refrão ‘Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval’ era um convite para a mágica atração dos lábios. Seria uma espécie de é agora ou nunca. E jamais houve alguma rejeição a tão maravilhoso momento. Então, hoje, também recordo das minhas babaquices. Foram quando o olhar da Colombina expressava o pedido por um beijo e esse Pierrô panaca continuava dando voltinhas no salão. Mas, como faz parte do enredo, também foi um aprendizado. E a festa só terminava no sábado seguinte, no enterro-dos-ossos. Ou começava. Num baile de enterro-dos-ossos, estávamos sentados na escadaria do clube quando houve o encanto do encontro das mãos. Éramos novinhos, o baile já estava no final e nós pensávamos num início. Enfim, um carnaval com pretérito, presente e futuro. Assim compreendi porque sempre é carnaval.

Oásis fechou
As especulações, que já eram fortes, confirmaram-se. Com quase 70 anos de história, o Bar Oásis, mais antigo café de Passo Fundo, fechou as suas portas no último sábado. Fechou para reforma, é claro. De acordo com Luciano Pacheco, o general manager da casa, o velho Oásis passa por uma ampla reformulação, permitindo oferecer lanches e petiscos. Tudo isso sem perder as suas características mais tradicionais como a venerável Mesa Um. Em meio às obras de remodelação, Lu tem expectativa de reabrir o (novo) Oásis já na próxima quinta-feira, 15/01. Antes que me perguntem: o Léo foi visto pela última vez, domingo, jogando futevôlei no Posto 9 de Ipanema. Será que formou dupla com o Renato? 

Propagadores
Quem propaga o mal, deseja o mal. Quem propaga a mentira, deseja iludir. Quem propaga a morte, deseja sangue. Quem propaga a discriminação, deseja o ódio. Quem propaga porcaria, deseja o fim da arte. E assim vai. Aliás, assim está. Entre baboseiras sobre a pseudoarte e a propagação da maldade, desfragmenta-se a sociedade. Ora, isso é cenário para republiqueta de filmes de ação de quinta categoria. E tudo isso ocorre de forma organizada. Mas será que os organizadores já avaliaram a possibilidade de acabarem sendo os mais prejudicados? A propagação que vai, também retorna.

Trilha sonora

Do filme Orfeu Negro, a música de Antônio Maria e Luiz Bonfá conquistou o mundo. Aqui num antológico encontro de Johnny Mathis e Agostinho dos Santos: Manhã de Carnaval
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https://goo.gl/W2VjYP




Teclando

Terça-Feira, 06/02/2018 às 06:15, por Luiz Carlos Schneider

Entre pontas

Na vida mal apontamos e logo aprontamos. Quando não estamos na ponta, queremos despontar. Incisivas ou suaves, as pontas nos acompanham durante toda a nossa estada terrena. Praticamente, vivemos em busca da ponta de uma sequência de emaranhados. Estudamos para adquirir conhecimentos com a ponta do lápis. Para subirmos na vida desejamos chegar à ponta. Quando andamos, partimos de uma ponta para a outra. O sucesso dos jogadores de futebol vem pela ponta das chuteiras. Artistas plásticos despontam com a ponta dos dedos e dançarinos com os pés em ponta. Na escrita é necessária uma pena afiada, pois assim o pensamento flui em tinta pela ponta da caneta. Nos bons tempos dos discos de acetato e vinil, a qualidade musical falava alto em vibrações que vinham da ponta de uma agulha. Aliás, as pontas das agulhas são as mais versáteis: também costuram, injetam e, quando magnetizadas, ainda apontam caminhos. Hoje, claro, a tecnologia é de ponta. Mas a ponta pode representar uma metáfora, como a ponta de um iceberg. Enfim, não faltam pontas em nossas vidas. Sei que muitas pontas ficaram de fora. Não quero desapontar ninguém, porém sinto que estou me esquecendo de algo muito importante. Mas está na ponta da língua...

Belo trabalho
Os canteiros próximos ao trevo do antigo Cesec, hoje conhecido como da Caravela, receberam uma atenção especial. Além do corte da grama, a faxina foi geral e também acabou com as barracas montadas por ambulantes. Um belo trabalho, que propicia uma reflexão sobre a utilização de locais públicos. Essa atividade, tida como informal, não tem ônus como o do aluguel que é pago pelo comércio estabelecido. Seria permitido demarcar áreas em ruas ou avenidas para instalar lanchonetes, ainda com direito à utilização do passeio público? Certamente isso ocorreria através de concessões com as devidas licitações e contrapartidas. Mas, se permitido fosse, por uma questão de isonomia todos teríamos direito a um espaço. O meu poderia ser na Avenida Brasil ou no coração da Moron. 

Agilidade e bom senso
A Estátua da Liberdade da Havan já estaria com um pé em Passo Fundo. Isso é ótimo como mais um grande atrativo regional. Na condição de cidade-polo, significa um fluxo para reforçar a economia de Passo Fundo. Tem tudo para ser mais um referencial do Gigante do Norte. Sem pedir isenções fiscais, a Havan faz exigências que podem ser consideradas singelas. A primeira é a agilidade burocrática para viabilizar o empreendimento. A segunda é a garantia de liberdade para trabalhar aos sábados, domingos e feriados. Ou seja, pede objetividade e o exercício da lógica. Assim, longe de agouros rapineiros ou oportunistas, isso tudo dá pra tirar de letra. Já a terceira exigência é a autorização para erguer o símbolo da empresa, aquela Estátua da Liberdade com 33 metros de altura. Nada contra, contanto que não faça sombra ao Monumento do Teixeirinha.

Trilha sonora
De 1965, The Sandpiper, com Elizabeth Taylor e Richard Burton, ganhou o Oscar de melhor canção original em 1966. Dentre tantas, considero uma das melhores interpretações a de Vic Damone: The Shadow of Your Smile
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https://goo.gl/NM4wbN




Teclando

Terça-Feira, 30/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nos passos de um olhar

Sábado, no retorno da caminhada ao Boqueirão, em frente à Guaracar atravessei a avenida. Ela corria em sentido oposto e nos cruzamos no canteiro central. O olhar foi forte, pois a gente sente quando um encarar é diferenciado. Mais que um cruzamento de olhares, foi um abalroamento carregado de intenções. A respiração, já bastante exigida, sofreu um baque. Tomei um fôlego, pois a circulação recebeu uma injeção de adrenalina aditivada pela libido. Sorridente, prossegui caminhando e olhando para trás. Ela deve ter ido até lá pelo Secchi e retornou. Parei na esquina e, ardilosamente, calculei o ponto de encontro. Já estava com tudo planejado. Atravessar a rua e dizer alguma coisa. Não sabia exatamente o que, pois nesses momentos o homem é um bicho inseguro. Na frente da Pampa, com muito esforço e desafiando as leis da física, contraí a barriguinha. Ela foi chegando, correndo com elegância e irradiando um encanto contagiante. O enredo estava perfeito, indicando um happy end. Coloquei um pé no asfalto e tentei entrar em cena. Mas ela passou correndo e sequer me olhou. Fiquei estático, pois sabia que não teria pique para alcançá-la e nem fôlego para acompanhar aquele ritmo frenético. A tristeza foi compensada pelo alívio ao soltar a barriguinha comprimida. Segui caminhando na minha cadência indolente, mas acelerei o pensamento. Passou um filme cronológico e até lembrei as vantagens em aproveitar o caixa preferencial. Mas não conseguia me esquecer daquele olhar. O ego fragilizado altera pensamentos, assim surgiu uma hipótese de que o estonteante olhar teria sido meramente um gesto de pena, compaixão. Sei lá? Mas, por via das dúvidas, vou acelerar um pouco mais nessas caminhadas. Afinal, de que adiantam olhares rápidos com pernas lentas?

Estabelecidos
Um pouco antes da recém-restaurada caravela, as barracas de vendedores enfeitam os canteiros. Parece que agora é moda utilizar áreas públicas para se “estabelecer”. Ambulantes, itinerantes ou fixos, usam praças, canteiros, calçadas e as ruas. Vendem quinquilharias, vale-transporte, móveis, coco, abacaxi, milho, bebidas e cachorro-quente. Fazem até espetinhos na rua com direito à fumaça em quem passa. Isso é uma tendência mundial? Consequência do momento econômico? Ou falta de fiscalização? 

Sem tramelas
Domingo almocei no Buon Mangiare do Bourbon. Fiquei feliz por dois fatores que determinam a magnitude das cidades. O primeiro foi ouvir uma cativante música ambiental. Eu disse música! Sim, orquestrada e de excelente qualidade. Coisa de cidade grande. O segundo foi constatar que em janeiro os supermercados não fecharam em nenhum domingo. Também coisa de cidade grande. Qualidade musical e portas abertas engrandecem Passo Fundo. Como é bom viver numa cidade do porte de Passo Fundo. Para pessoas de bom gosto, é claro.

Trilha sonora
Na telona do Cine Pampa o divertido Gene Wilder e a beleza de Kelly LeBrock em A Dama de Vermelho. Oscar de melhor canção original em 1985 para Stevie Wonder: I Just Called To Say I Love You
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https://goo.gl/7QQq5q




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