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Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 26/12/2017 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Planilhas da vida

Marcar o tempo faz parte da própria humanidade. Das cavernas aos bitcoins, essa contagem nunca parou. Dentre tantos calendários, por aqui seguimos o gregoriano que aponta para mais um final de ano. Nesses dias nos transformamos em contabilistas e fazemos um balanço do período que finaliza. Essa retrospectiva serve como uma autoavaliação, cujos resultados podem nos auxiliar em etapas futuras. Também é um momento para avaliarmos tudo que nos diz respeito direta ou indiretamente. O senso crítico desta contabilidade permite comparativos estatísticos. Assim temos duas planilhas: a do concreto e a do abstrato. A primeira ocupa um espaço razoável e reúne realizações, conquistas e evoluções efetivas. Já a segunda é bem mais ampla, recheada por palavras, promessas, utopias e retrocessos. Então, que em 2018 não se repitam as mesmas promessas da planilha do abstrato. Que seja um ano da concretização e da evolução.

Gilson Fehlauer

Morreu, em 15 de dezembro, o empresário Gilson Fehlauer. Durante muitos anos, seus poemas foram publicados nas páginas de O Nacional. Em Erechim, Gilson foi um multitarefas, correspondente da Caldas Júnior, bancário, empreendedor, poeta e um grande agitador. Estava na vanguarda da vanguarda erechinense. Com genialidade, permitiu que Erechim tivesse amor próprio, pois sua agitação levantou a poeira interiorana. Ainda jovem, foi para Porto Alegre depois de cumprir um importante papel: mostrar para Erechim que Erechim existia. Espero que, mesmo muito tardiamente, Gilson Fehlauer receba de Erechim as mais justas homenagens. Para refrescar a memória, ele foi o idealizador da Frinape e do Estádio Colosso da Lagoa.

Multicafé

O primeiro sábado de dezembro marcou o encerramento da temporada 2017 para as confrarias dos cafés de Passo Fundo. O paraninfo da festa de encerramento foi Wiss Gabriel, que reuniu as turmas de cinco cafés: a Mesa Um do Oásis, Xok’s, Posto Shell Moron, Paris e Riviera. Entre histórias e estórias, o encontro multicafé teve o insuperável cordeiro preparado pelo João Waihrich, costelão e outras maravilhas. O encerramento de mais um período com muita fraternidade, exigiu um protocolo em elevado patamar. Assim, o professor Dárcio Vieira Marques exercitou sua invejável verve literata para saudar a amizade. Imperou o silêncio às margens do Capinguí, antecedendo aplausos e abraços. Desta vez o Wiss abusou!

Nas ruas

Ainda vigora a lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas em áreas públicas de Passo Fundo? Além das calçadas, em determinadas ocasiões instalam barracas para venda de bebidas até na Avenida Brasil. Sim, no asfalto! Ora, se o consumo na rua é proibido, como pode ser permitida a venda, literalmente, na rua?

2018

Que 2018 possa decolar e pousar com muita estabilidade. Que no próximo ano soprem bons ventos. Feliz Ano Novo.

Trilha sonora

Para um final de ano, uma música cinquentenária. Ao vivo na Dinamarca, Procul Harum com The Danish National Concert Orchestra e Coral: A Whiter Shade of Pale

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Teclando

Segunda-Feira, 27/11/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Sua crise, minha vida

Ao meu leigo olhar, temos dois quadros econômicos distintos: o que propagam e aquele que enxergamos. Falam do ‘mercado’, como se fosse uma pessoa com sentimentos e reações humanas imediatas. O tal de mercado teria reflexos surpreendentes diante do martelo de neurologista. Ora, se observarmos o conjunto de informações que recebemos, significaria que passamos por uma grave e dilacerante crise. Além das maracutaias envoltas pela gosma política, há uma nítida propagação de um ranço que deteriora as estruturas institucionais. Então, com seus invejáveis reflexos e elevado desempenho hepático, o dito mercado já converteu toda essa lambança em uma profunda crise econômica. Esse é o quadro insistentemente cantado em verso e prosa. Mas há outro quadro econômico. É aquele que vi nos últimos dias. Numa sexta-feira de promoção as lojas estavam entupidas de clientes. Grande movimento nos supermercados. Pacotes de compras desfilando pela cidade. Também vi uma exposição do otimismo passo-fundense: a Expoacisa, por onde desfilaram largos sorrisos e bons negócios. Foi isso que esse leigo em economia enxergou em época de contundente crise econômica. Ah, confesso, tenho muita inveja do fígado desse tal de mercado!

Os Miseráveis

A ignorância produz intolerância e gera agressividade. Isso não é nenhuma novidade. Porém, lamentavelmente, é uma realidade. O homem foi à Lua em 1969. Produziu tecnologia, mas ainda não evoluiu como ser humano. Falsos puritanos, falsos democratas, falsos humanistas, falsos seres, falsos religiosos e tantas outras falsidades, são o retrato mais triste da humanidade. Será que a igualdade faz mal, machuca ou inferioriza aos pobres de espírito? Entre pobres nobres e nobres pobres, compreendemos que a pobreza de espírito é a maior miséria. Mas, com certeza, essa ignorância jamais irá sobrepujar ao conhecimento. Miseráveis não são aqueles que vivem na miséria. Miseráveis são os intolerantes aos seus semelhantes. Essa, sim, de fato é a verdadeira pobreza. A nobreza independe do reluzir do ouro, pois é acompanhada pelo brilho da alma.

Mesa Um

A Mesa Um do Bar Oásis teve Sessão Solene, quinta-feira, no Salão de Eventos do Vermelhão da Serra. O paraninfo da noite foi Evandro Zambonato, que apresentou um cardápio para entrar na história da confraria. Com a maestria culinária de Izene Mognon, as iguarias servidas no banquete foram indescritíveis marrecas recheadas. Sucesso absoluto e comprovado pelas inevitáveis (e bem-reforçadas) repetições. Além disso, tive a imensa alegria em reencontrar Jorginho Figueiredo Ramos, querido amigo que veio do litoral catarinense. Confrades de todas as épocas trocaram palavras, brindaram a amizade e cultuaram a gastronomia. Podemos dizer que o encontro lembrou um moinho, pois moeu a pau. E quem não foi, ficou se remoendo.

Folga

Vou logo ali. Mas já volto.

Trilha sonora

A música só atinge à alma quando é carregada por fortes sentimentos. E interpretar é viver a música. Assim é uma das minhas cantoras prediletas. Lara Fabian: Tango

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Teclando

Segunda-Feira, 20/11/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

O transeunte
Muitas palavras têm sua época e depois quase desaparecem. Uma que praticamente sumiu é ‘transeunte’. A expressão, que já foi muito utilizada para designar os pedestres, literalmente foi passageira. Até porque o transeunte é aquele que passa, é transitório. Mas, como se diria antigamente, o transeunte continua vítima dos percalços cotidianos. As boas condições dos passeios públicos são fundamentais para a vida de todos os transeuntes. Marquises em todas as calçadas é o sonho de consumo de qualquer transeunte. Porém, atualmente, as marquises abrigam ambulantes, mesas e cadeiras. Em dias de chuva, obrigado a desviar de tudo isso, adivinhem quem sai molhado nessa história? Sim, o transeunte. Nas ruas, onde estranhamente convivem asfaltos frios e quentes, são inevitáveis as poças d’água. E quem molha os pés? O transeunte, claro. O tempo passou e os transeuntes também passam. As dificuldades persistem. Falta uma palavrinha da moda para atualizar a vida do transeunte: empoderamento.

Os sociais
Há, ignorantemente, uma dupla rejeição à expressão ‘social’. De um lado, surge um temeroso repúdio às evoluções sociais. De outro, há uma repulsa ao brilho e à elegância social. Parece que não sabem interpretar os significados e, muito menos, conviver em sociedade. Do glamour à dignidade de vida, somos todos integrantes de uma mesma sociedade. Ora, vivendo em grupos, nossas ações são sociais. E viver em sociedade é almejar o bem comum. Tanto que o bem comum é um dos objetivos do Estado. O social está em tudo. O social não poder ser distorcido pela mesquinhez de afoitos olhares políticos. A sociedade é um todo, onde imperam princípios de interação ao meio e de intelectualidade. Ranços, de parte a parte, tornam-se involutivos. A idiotice também exige reciclagem social.

O vestibular
O vestibular mudou muito, desde a época em que fui vestibulando aos dias atuais. Mudou o formato, mas manteve os princípios da avaliação de conhecimentos e, claro, da disputa pelas vagas. Na minha época eram cinco dias de provas. As respostas eram marcadas em uma folha e, depois, passávamos para um cartão perfurável. Isso porque os computadores eram apenas os de grande porte, alimentados por fitas e cartões perfurados. Depois de uma maratona de provas, havia alguns dias de ansiedade a espera do resultado. Agora a prova é em um único dia. Sábado, teve vestibular na UPF, atraindo milhares de candidatos. Assim, como nos anos 1970, o vestibular continua importante na sazonalidade da economia passo-fundense.

O Cinema
Visitei as obras do novo cinema do Bourbon Shopping em Passo Fundo. A inauguração, que seria em 15 de novembro, foi adiada por detalhes com fornecedores e a abertura deverá ocorrer dentro de mais uns 15 dias. As novas salas trazem uma nova concepção em cinema. Tudo novo e tecnologia de ponta. Serão duas salas e, como as poltronas são bem maiores, a capacidade das salas será reduzida. Mas, claro, o conforto estará sempre em cartaz. Aliás, tudo que vi é, literalmente, de cinema.

Trilha sonora
Um grande encontro. Michael Buble e Laura Pausini: You'll Never Find Another Love Like Mine
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Teclando

Segunda-Feira, 13/11/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Na ponta do emaranhado

Quantos metros de fios têm nas ruas de Passo Fundo? É difícil calcular. Entre os postes das avenidas e ruas principais estão penduradas diversas fiações. São os três fios da média tensão, mais quatro da baixa, telefonia, TV a cabo e internet. Em alguns pontos são mais de 15 fios em cada lado. Emendados, somente na Avenida Brasil devem representar uns 150 quilômetros. A fiação é importante e, cada vez mais, necessitamos da energia e serviços que ela conduz. Mas, além da fiação que está nas ruas, uma norma nacional determina que algumas ligações aos prédios, que eram subterrâneas, também sejam aéreas. Isso significa mais postes, mais fios na paisagem, mais riscos de acidentes e, claro, mais custos. E sabem quem vai pagar a conta desse novo emaranhado? Ora, como sempre, o consumidor final. Aérea ou subterrânea, toda fiação tem alguém pagando na ponta final. Tudo isso sem falarmos na poluição visual. Será que, aproveitando os ventos de insurreição que ora sopram, alguma entidade erguerá uma bandeira (não tarifária) contra isso?

Tendências

A cada dia surgem novas necessidades. Evolução tecnológica e até modismos determinam mudanças no comportamento. Os drive-in chegaram no início dos anos 1970, como precursores da agilização no atendimento. Os bancos inovaram há algumas décadas abrindo os caixas eletrônicos. Agora, quem está atento às exigências dos consumidores vai colocando em prática outras novidades. Dentre as novas tendências, as farmácias já contam com estacionamentos em anexo. Nos supermercados a automação disponibiliza até serviços de autoatendimento. A prática está chegando também ao cinema. Tem drive thru e muito mais. Enfim, são as exigências do mercado.

Comercial

No Clube Comercial, o presidente Nereu Grazziotin decretou uma espécie de “campanha do telhado”. Quase todas as áreas das sedes da entidade ganharam cobertura, dentro da proposta de oferecer lazer o ano todo. Numa sequência de inaugurações deste ano, o destaque é um enorme ginásio poliesportivo, que vai do futebol society às quadras de areia. Sábado, o clube inaugurou três quadras de saibro cobertas para prática de tênis. Além de uma competição oficial da FGT, teve jogo de exibição entre Marcos Daniel e André Sá. Nesta, quem sacou em vantagem foi o Comercial.

Juvenil

No Clube Juvenil, a noite de sábado foi de festa na sede central para a entrega da premiação da Copa de Futsal. É a maior competição interna dos clubes do Rio Grande do Sul. Este ano participaram 82 equipes, movimentando mais de 1.000 associados. O presidente Juares Fassini anunciou para os próximos dias a inauguração da Arena Juvenil. Será na sede campestre, com área para futebol sete e outras modalidades. A nova estrutura terá arquibancadas para mais de 500 expectadores. Ora, os nossos clubes não são fracos!

Trilha sonora

O trompetista Chris Botti reuniu talentosos instrumentistas e a magnífica cantora Sy Smith. Eles arrepiam com Burt Bacharach – The Look of Love

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Teclando

Segunda-Feira, 06/11/2017 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

O principal e os acessórios

Não existe aeroporto sem uma pista. Então a pista é o principal. Outros detalhes são apenas acessórios. Em Passo Fundo os usuários reclamam da falta de estacionamento e até do tamanho do televisor. Ora, esses são fatores periféricos. O essencial está atrelado às condições operacionais. A segurança é o principal, o conforto é acessório. Se pousarem por aqui as tão propaladas verbas, os recursos serão utilizados em algumas melhorias. Isso será bom, claro. Mas não resolverá os problemas causados pela péssima localização da pista: vento de través e elevada altitude. Respeito a dedicação daqueles que lutam para viabilizar essas melhorias, mas isso tudo não resolverá esses problemas. Pelas restrições operacionais perdemos a Avianca e a Azul encerrou os voos para Porto Alegre. Então, imediatismo de lado, vamos atacar o principal: localização da pista. Mas, como tudo em aviação, isso exigirá estudos para um novo plano de voo. E para isso nada melhor do que a assessoria de quem sabe voar: os pilotos. Eles, assim como os pássaros, sabem escolher o melhor local para pousar. Isso é o principal.

O encanto do papiro

Passo Fundo, cidade literata, está sempre debruçada sobre os livros. Sábado, encontrei no Bourbon o amigo e colega Carlos Alejandro e fomos visitar a Feira do Livro. Além de muita música, não faltam atrativos para as crianças. Inclusive os próprios livros. Isso permite algumas reflexões sobre a leitura. Se vivemos numa era virtual, como pode um material impresso ser tão atraente às crianças? Ah, a tinta ainda tem um mágico poder de sedução. Desenhos, cores, palavras e papéis encantam e dão brilho aos olhos dos pequenos. Fiquei com a impressão de que a evolução do papiro continuará entre nós por muito tempo.

Involuir jamais

Fico muito preocupado quando colocam a ignorância acima do conhecimento. Parece que quando os pensamentos bitolados se encontraram, a ignorância caminha ao lado da arrogância. É grave quando a incultura pisa sobre a sabedoria. É um alerta para o iminente risco da involução. As pessoas não podem atirar pela janela os seus conhecimentos, pois os ensinamentos obtidos carregam o valor do sofrimento. Existimos para evoluir. Dar ouvidos ao obscurantismo é devastar a própria humanidade.

Má-criação

Lamentavelmente, ainda flagramos cenas explícitas de má-educação. Aliás, é má-criação mesmo. Num supermercado, a cliente abre a porta do expositor refrigerado quanto recebe uma mensagem. Pega o aparelho, abre o aplicativo, lê a mensagem e, tranquilamente, ainda responde. Tudo isso com a porta aberta diante das embalagens com carnes. Apenas distração ou os neurônios sofreram um choque térmico?  Nos estacionamentos, então, impera a falta de lógica. Um carro vai manobrar, sinaliza e engata marcha à ré. Outro chega e, ao invés de aguardar o primeiro sair, imediatamente coloca ao lado prejudicando a manobra. Pior. Ainda deixa o carro atravessado e ocupando duas vagas. Mais um malcriado.

Trilha sonora

A arte não tem fronteiras e flutua pela alfândega do tempo. Do Festival de San Remo em 1965, da dupla Pallavicini & Donaggio, para o encontro de Chiara Civello e Gilberto Gil – Io Che Non Vivo

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