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Colunistas


Teclando

Segunda-Feira, 26/03/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nos tempos do ensino
Desde que ingressei no primeiro ano primário, vi e convivi com muitas alterações curriculares. Algumas eram tão estapafúrdias que, logo depois, foram reconsideradas. Eram denominadas como ‘reformas’ do ensino, mas na prática não reformulavam nada. Ao contrário, apenas suprimiam. As mudanças nunca objetivaram uma promoção da qualidade do ensino. Diminuíram cargas horárias, picotaram currículos e retiraram matérias importantes como latim, filosofia, francês, música etc. E essas mudanças não foram realizadas por técnicos ou para propiciar uma evolução da pedagogia. Eram obras políticas, claro, com direito a muitos discursos. Até a nomenclatura mudou e o ensino virou educação. Trocaram os nomes dos cursos e foram diminuindo a qualidade e a quantidade do que ensinavam nas salas de aula. Quando ingressei no segundo grau, que recentemente rebatizaram como ensino médio, foi exatamente no ano que iniciava uma dessas famigeradas reformas. A carga horária de física, por exemplo, representava 25% da aplicada no ano anterior. Nos primeiros dias de aula ficamos preocupados, pois todos já estávamos de olho no vestibular. Foi uma frustração, porque algumas matérias desapareceram do currículo e outras foram drasticamente reduzidas. E, numa época de manifestações unilaterais, o secretário de educação alardeava maravilhas sobre aquela maldita reforma. Estudantes e professores sabiam que aquilo estava errado. Mas no rádio a propaganda oficial dizia o contrário. E foi assim. Saímos de lá carregando as consequências para a vida.

Nos tempos da educação
Parece-me que reformar currículos é a única preocupação dos governantes. Por que não constroem escolas, remuneram dignamente os educadores e incentivam as pesquisas? No discurso se utilizam de comparativos com o ensino em países europeus, enaltecendo as suas qualidades e mostrando suas escolas como um excelente exemplo. Lá, bem sabemos, as cargas horárias e os currículos são muito reforçados. Então, se tanto elogiam, por que na prática fazem exatamente ao contrário? Ao invés de reforçar a educação, preferem soltar as rédeas e aplicar simplórias simplificações. Na prática, há muito anos, parece que o Ministério da Educação não teria mais nada a ver com o ensino. Calcado nas facilidades, tem o perfil de um ministério de desburocratização. A última pérola é a proposta de um autêntico mar das ausências através do ensino médio à distância. Tive que ler para acreditar. Aí reapareceu aquela pulguinha atrás da orelha. Indignada com essas injustificáveis facilidades, a velha pulga questiona: a quem isso interessa?

Mesa Um
Foi aberto o calendário de eventos da Mesa Um do Bar Oásis. Sábado ao meio-dia, o Salão Safira da sede campestre do Clube Comercial recebeu a primeira sessão solene do ano. O paraninfo do encontro foi o confrade Rubens Ruas, que recepcionou a eclética irmandade com o apoio da Equipe Cipriani. Por motivos de força imensurável, não pude estar em plenário. Assim, com minhas justificativas, solicito escusas ao Comandante Ruas.

Trilha sonora
A música de Burt Bacharach na voz da excelente cantora holandesa Trijntje Oosterhuis: Do You Know The Way To San Jose
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https://goo.gl/JEruPP




Teclando

Segunda-Feira, 19/03/2018 às 06:30, por Luiz Carlos Schneider

Superlativo da intolerância

Em tempos de crise institucional, estamos convivendo com o absurdo em elevado grau superlativo. Até parece deboche, mas a fragilização da democracia agora tem como instrumento a liberdade de expressão. Como a convivência democrática é incipiente, muitos ainda não estão habituados ao trato civilizado da informação. Pela falta de hábito, também há uma carência de limites. Assim entra em cena o ridículo que, em tendência superlativa, é elevado à condição de crime. O péssimo clima político aumenta a intolerância e algumas pessoas já estão ensandecidas. Não bastasse a tristeza por duas mortes, na semana passada ainda ficou explícita a morte da ética. O desrespeito ao ser humano superou as mais pessimistas expectativas, quando transformaram uma tragédia em argumento politiqueiro. Entraram em cena o absurdo e a mentira, contracenando com o preconceito e o desrespeito. Nas redes sociais, uma espécie de território sem lei, parece que temos um duelo entre pregadores da morte e defensores da vida. Em meio às rotulações prevaleceram mesquinharias temperadas pelo ódio, deixando evidente uma explícita conduta desumana. A ambição política e a intolerância social conseguiram um superlativo para a degradação do ser humano: a politização da morte. 

Domingo feliz

Sábado, fiz algumas comprinhas básicas no supermercado sem preocupações com o dia seguinte. Peguei aquilo que necessitava para uma comidinha básica e, claro, uma garrafa com água, fermento, malte e lúpulo. Compras feitas com calma, sem aquele tormento em relação ao dia seguinte. Sim, agora os domingos não representam mais a ameaça de um possível fechamento de supermercados. Ou seja, a vida voltou ao normal. Esqueceu-se de comprar algo no sábado? Pega no domingo, tranquilamente. Deu vontade de comer algo diferente, vai ao supermercado e compra. Chegou visita de última hora? Sem problemas, Passo Fundo é uma cidade grande e os supermercados estão abertos. Isso é ótimo. 

Demarcação

Nunca vou compreender o uso (indevido) de áreas públicas para o exercício do comércio. Muito menos a utilização de cones para demarcar áreas no espaço de estacionamento. Isso em plena área central da Avenida Brasil. Pode? Existe autorização? Que tipo de autorização? Haveria algum critério para “lotear” áreas públicas para exploração comercial? E, mesmo que tudo isso esteja de acordo com os critérios em vigor e, portanto, legalizado, resta mais uma perguntinha. Seria justa a utilização de uma área pública para concorrer com aqueles que têm o ônus do aluguel ou adquiriram um imóvel para o seu negócio? 

Nostalgia

Redes sociais, como Facebook, Whatsapp e Instagram, quando bem utilizadas, até podem levar ao salutar saudosismo. Rolou uma brincadeirinha do tipo “se diz de Passo Fundo, mas nunca...” Enfim, foi um festival de recordações. Nostalgia pura e, ao mesmo tempo, um resgate da nossa história. Mexer com a lembrança faz bem, refresca a memória.

Trilha sonora

Em 1976, a Electric Light Orchestra estourou nas paradas de sucesso. Repaginada, a música voltou em 2004 com The Beautiful South: Livin' Thing

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Teclando

Segunda-Feira, 12/03/2018 às 07:00, por Luiz Carlos Schneider

Gênero humano 

Na semana passada, transcorreu o Dia Internacional da Mulher. Está aí um tema que não pode ficar no esquecimento. Houve época em que eu já estava considerando a data desnecessária e até discriminatória. Ledo e Ivo engano. A prova disso está num separatismo intrínseco que existe na abordagem cotidiana. Observem que expressões como ‘o papel da mulher’, já indicam uma divisão na forma de pensar. Infelizmente, ainda não atingimos um patamar onde sejamos todos, de fato, tratados apenas como gênero humano. Ou seja, as condições sociais igualitárias ainda não são aceitas com normalidade e continuam sendo tratadas como conquistas. Ora, se as mulheres ainda estão conquistando ou buscando espaços, é porque persistem as desigualdades. E não podemos confundir desigualdades com diferenças. As diferenças são fascinantes e exigem respeito, enquanto as desigualdades são prepotências arcaicas e devem ser abominadas. É por isso que essa data ainda se faz necessária, permitindo reflexões sobre as lerdas evoluções do ser humano.

Guerra de gêneros

A segregação é uma questão cultural, remonta milênios e iniciou pela ausência da equivalência de direitos. No andar da carruagem, houve mudanças em busca da equidade. Mas, consciente ou subconsciente, uma carga discriminatória permanece incrustrada no comportamento social. Machismo e feminismo são correntes extremistas. Incólume neste conflito, eu prefiro a felicidade sem rótulos. Porém, todos nós carregamos uma dose dessa conduta. Inclusive eu, que acabo de escrever machismo na frente de feminismo. Não sou de fazer gênero. Então, bem longe de uma guerra dos sexos, temos que evoluir e aprender a lidar com os gêneros. Todos, claro! 

Meu gênero predileto

Mas, sem feminismos ou machismos (observem a ordem), a gente vai brincando. Até porque nascemos para sermos todos felizes. Confesso, meu gênero predileto é o feminino. Quando falamos em homenagear as mulheres, alguém salta na frente e grita: “a mãe”. Calma. Mãe não vale, pois, além de hors concour, é nepotismo. Então coçamos a cabeça e ficamos em dúvida. Seria aquela de formas esculturais? A do sorriso contagiante? A mais tranquila e superparceira? A louquinha e mais cabeça? Difícil. Não há escolha, pois prevalece a igualdade. Mulheres lutadoras, mulheres encantadoras. Será que um dia teremos uma vacina para imunizar contra o preconceito e a discriminação? Aí, sim, a humanidade será feliz.

Por falar em gênero...

Gênero é um termo tão periclitante que até poderia propiciar ebulição em alguns vácuos encefálicos. Há casos em que a confusão provocada pelo gênero pode causar mal-entendidos genéricos. Como a polissemia permite múltiplas interpretações, muita gente que não compreendeu bem está apavorada. Um antigo comerciante, estabelecido na São Cristóvão, resolveu mudar a fachada do estabelecimento. Sujeito muito precavido, por via das dúvidas ele mandou retirar o pedaço da placa que continha a expressão “gêneros alimentícios”.

Trilha sonora

Nada mais alusivo do que a obra de Gilberto Gil, lançada em 1979. Aqui ao vivo cruzando violões com Caetano Veloso. Super-Homem a Canção. Use o link




Teclando

Segunda-Feira, 05/03/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Sazonalidade lá

Durante onze anos, morei no litoral catarinense. Quando por lá cheguei, tive que me adaptar a algumas peculiaridades locais. À época, a maioria dos habitantes de Itapema ainda eram os chamados nativos. Logo fui me entrosando ao pessoal, conhecendo costumes e compreendendo algumas tradições. No começo foi muito difícil afinar o ouvido para o sotaque e as expressões manés. Era mais fácil compreender o que falava um argentino do que um pescador. Porém, a maior dificuldade nesta interação ao meu novo meio foi compreender a sazonalidade. Não apenas o simples fato da divisão do ano em alta e baixa temporadas. Lá são considerados três meses de verão e nove meses de inverno. Eram dois mundos distintos, indo de um movimento infernal ao silêncio de uma cidade desértica. Mas a questão sazonalidade é uma resultante puramente econômica. Muitas pessoas e alguns estabelecimentos trabalhavam apenas na alta temporada. Porém, o mais forte era a mentalidade sazonal. De agosto a novembro o assunto era a preocupação em saber como seria a próxima temporada. De dezembro a fevereiro ninguém falava, apenas trabalhavam. E de março a julho todos comentavam como foi a última temporada. A mentalidade sazonal tinha, e ainda carrega, uma expectativa em fazer um pé-de-meia. Lá a sazonalidade é cultural. Invadida por turistas, a pacata vila de pescadores nunca tinha visto tanto dinheiro. Assim, as pessoas descobriram formas para obter uma vantajosa renda extra em poucos dias. Os anos passaram. E as pessoas continuam sonhando com a temporada para se ajeitar na vida.

Sazonalidade cá

Em Passo Fundo não temos o mar. Mas, cada qual a sua maneira, também aproveitamos os nossos períodos de férias. Não ganhamos com veraneio. Gastamos no veraneio. Mas isso não significa que Passo Fundo não viva as suas peculiares sazonalidades. Já nos anos 1970, a cidade era invadida pelos vestibulandos. O vestibular da UPF tinha cinco dias de provas, atraindo candidatos de todo país. Hotéis, restaurantes e bares cheios de gente e noites agitadas. Por aqui também temos as nossas temporadas. Uma delas é a temporada de formaturas, que também movimenta as áreas hoteleira e gastronômica.

Sazonalidade já

Na condição de cidade-polo, Passo Fundo já tem uma importante sazonalidade no calendário. É a temporada da Expodireto, que todos os anos derrama recursos em vários segmentos. O evento gera empregos temporários, lota a rede hoteleira, movimenta bares e restaurantes. Ganham prestadores de serviços, ganha o comércio. Da cerveja ao batom, as vendas aumentam consideravelmente. É a nossa alta temporada. A Expodireto nasceu em Passo Fundo e foi para Não-Me-Toque. Mas o filho que partiu, continua ligado às origens e deixa sempre bons resultados. A feira é na região e Passo Fundo é a cidade grande.

Campo de pouso

Já não estaria na hora de escolher um local adequado, pela altitude e vento predominante, para construção de um campo de pouso?

Trilha sonora

Encontro antológico: MPB-4 e Roberta Sá. Música também antológica, de Miltinho e Paulo César Pinheiro: Cicatrizes

Use o link ou clique o QR code

http://bit.ly/2FcDqgY




Teclando

Terça-Feira, 27/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Mandem flores
Não entendo porque as floriculturas não têm expediente ampliado aos sábados. Será que as novas gerações não conhecem o fascínio das flores? Ou suprimiram os suspiros que precediam o finalmente? Ora, como diria Lupicínio, pobres moços! Entendam que a boa educação deve prevalecer sempre. Há mais de 20 anos, ambulantes passaram a oferecer rosas nos restaurantes em Passo Fundo. Porém, sabe-se lá o porquê, apelidaram a linda flor de ‘troféu de china’. Expressão pejorativa, certamente, pela palavra troféu. Acredito que, mais uma vez, a ignorância atropelou a elegância. Mas não deem bola para a insensibilidade, especialmente num momento que requer muita sensibilidade. As floriculturas são instrumentos imprescindíveis ao cavalheirismo. Se você não está sentindo muita firmeza, mande flores. É meio caminho andado. Flores encantam, estão nos jardins, nas pinturas e na poesia. Não têm hora, não têm local. São sempre muito bem-vindas, não importa a situação. Sempre fui um presenteador de flores. Até houve época em que era freguês de caderninho numa floricultura. A branca para Iemanjá ou a vermelha para uma paixão, as rosas são as minhas prediletas. Elas até não falam, como bem cantou Cartola, mas dizem muito. Uma flor é um encanto, um buquê uma declaração. Flores exalam desejos. E até podem ser cantadas. 

Natureza terapêutica
O Espaço Antonio Augusto Pretto foi inaugurado, semana passada, no Hospital da Cidade de Passo Fundo. É uma bonita praça, onde a arquitetura não economizou no bom gosto. Mas não podemos considerar o local apenas como uma simples praça. Muito além disso, a nova área do HC tem uma importante função terapêutica. O verde, a água em movimento e os peixes são os elementos da natureza para transmitir bem-estar aos pacientes e acompanhantes. A proposta, seguindo tendências mundiais, está de acordo com estudos que comprovam a importância da natureza no ambiente hospitalar. E, de quebra, a esquina das ruas Paissandu com Tiradentes é mais um encanto no cenário passo-fundense. Definitivamente, a saúde faz bem a Passo Fundo. 

Fora do Ar
Desde segunda-feira estou fora do Fora do Ar. Depois de alguns anos no programa mais divertido do dial, é bom ficar um tempinho também fora do ar. Meus agradecimentos à direção da Rádio, à turma da bancada do programa e todos os colegas da Uirapuru pelo carinho de sempre. E, é claro, ao incalculável número de amigos que conquistei em meio à grande audiência da Uirapuru. Mas, como o microfone é uma cachaça e sou biriteiro, a qualquer hora posso fazer uma pontinha por aí. Isso não é um aviso. É uma ameaça! 

Sonho barulhento
De segunda a sábado, temos os alto-falantes nas portas de lojas e os carros de som nas ruas. É uma sinfonia desafinada de ofertas em exagerados decibéis. Aí chegou o domingo e meus ouvidos já estavam relaxados, contando com a possibilidade de não serem molestados. Mas o carro de som do circo acabou com tão sonhada imunidade.

Trilha sonora
Em 1969, The Marmelade gravou seu maior sucesso. Em 2014, o vocalista original do grupo escocês, Dean Ford, regravou Reflections of My Life.
Use o link
https://goo.gl/r3FGgR






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