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Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 26/02/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

As contradições
Ao faltarmos com a verdade abrimos as portas ao descrédito. Mentir é feio, enganar é traição. Basta uma contradição para colocarmos em risco paixões, amizades, sociedades e carreiras políticas. Mutantes, os seres humanos têm lá suas metamorfoses e, assim, até justificam-se as pequenas contradições. O amadurecimento também pode conduzir às mudanças de opinião, contanto que não representem uma agressão à própria índole. Porém, o inadmissível é mudar de ideia da noite para o dia. Inverter de posição até pode parecer normal, se considerarmos o expressivo volume de políticos que trocam de partidos assim como quem troca de roupa. No futebol isso é conhecido como vira-casaca. O mais intrigante é quando as pessoas mudam suas posições em relação a questões mais relevantes. Ao contradizerem os seus próprios atos demonstram insegurança e falta de personalidade. E é exatamente aí que começa a vigorar o descrédito. Sempre haverá o mistério sobre se o verdadeiro era aquilo diziam antes ou o que passaram a falar depois. Então pairam no ar as dúvidas e começam os questionamentos. Por que mudaram de opinião? Assim desanda a credibilidade e inicia desconfiança, nos permitindo pensar que estariam agindo a mando ou a serviço de alguém. Tudo graças às contradições.

A nossa sazonalidade

No domingo, pouco antes do meio-dia, chamou a minha atenção o intenso movimento de veículos na Avenida Brasil. Havia mais carros do que num dia de semana. O fluxo era nos dois sentidos e quando fechava a sinaleira da Bento, a fila ia muito além da General Netto. Ora, isso raramente acontece. É interessante lembrar que nos domingos reina uma calmaria na Brasil. Mas, além das ruas, também os corredores do Shopping Bella Città estavam congestionados. Isso demonstra que Passo Fundo também vive uma sazonalidade. Final de fevereiro, reinício das aulas e a população aumenta. Da mesma forma, aumenta o faturamento do comércio. Isso tudo graças à semente plantada há mais de meio século. Hoje temos uma lavoura perene e em constante expansão. A educação sempre dá bons frutos. 

Salvem o verde
Graças às “maravilhosas” reformas do ensino, impostas entre os anos 1960 e 70, não entendo bulhufas de botânica. Porém, mesmo ao olhar de um leigo, sinto pena das árvores nos canteiros e praças que estão tomadas por parasitas. Sim, outros vegetais as encobrem e sugam sua energia. Enfraquecidos, os galhos apodrecem, encharcam com as chuvas e acabam caindo. Essas frondosas árvores, além de bonitas, são um importante patrimônio ambiental. Será que não há ninguém da área disposto a salvar esses lindos seres vegetais?

Ipê roxo
Casar ou não casar, eis a questão? Algumas formalidades vão perdendo importância. Despojada de exigências, a sociedade ficou menos burocrática. Ou melhor, menos chata e mais realista. Isso significa liberdade de escolha. Sem imposições a vida é mais fácil. Prova disso é um casal de amigos que, finalmente, resolveu ir ao cartório. O papel justificará a lua-de-mel num cruzeiro. Em agradecimento, na volta ele plantará um pé de ipê. Boa viagem.

Trilha sonora
A música portuguesa na interpretação das russas Elmira Kalimullina e Pelageya: Canção do Mar.
Use o link ou clique
https://bit.ly/2BVLWkV




Teclando

Terça-Feira, 19/02/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Bodes e palhaços

Os bodes cumprem papéis importantíssimos em nosso comportamento social. São duas as espécies mais conhecidas: o expiatório e o de sala. Quando éramos crianças havia situações que, em alusão ao dedurismo, nos obrigavam a apontar um culpado. Esse era o bode expiatório, geralmente um coleguinha, o irmãozinho mais novo ou, em último caso, dizíamos que a culpa seria do cachorro. Já o bode de sala nós conhecemos mais tarde pelos trancos da vida. É aquela artimanha de colocar no ambiente algo péssimo para transformar o ruim em aceitável. Os bodes estão em alta e, ainda, cumprindo um terceiro papel: o de palhaços. Sim, os palhaços entram em cena em momentos críticos do espetáculo para desviar a atenção da plateia. Anestesiado pelo ódio, o público divide a sua concentração entre os bodes e os palhaços. Enquanto isso, o show decisivo acontece silenciosamente nos camarins. Temos um circo com feras atiçadas, domadores com coceira nos dedos na porta das jaulas, atores fantasiados, palhaços sem nariz de palhaço e ilusionistas querendo ver o circo pegar fogo. Os bodes já fazem uma espécie de revezamento numa palhaçada contínua. Compulsivamente, a plateia bate palmas. Mas isso ainda vai dar bode!

Vandalismo

Neste final de semana, mais uma vez, houve vandalismo contra o autoatendimento da Caixa, na Avenida Brasil ao lado do Clube Comercial. Há poucos meses, no mesmo local, foram depredados os terminais. Desta vez foi vandalismo cirúrgico, pois cortaram (ou arrebentaram?) as fiações dos equipamentos. Também recentemente, tentaram sem êxito arrombar com fogo, usando algum maçarico caseiro, o caixa que existia no Shopping Bento Brasil. Esse terminal foi retirado do local. Porém, acredito que seja mantido o movimentado autoatendimento da Avenida Brasil pela sua localização estratégica.

Retrocesso

O desenvolvimento pode ser avaliado por vários índices. Mas, para mim, o que determina o porte de uma cidade é aquilo que ela oferece. Portas abertas e atendimentos 24 horas são indicativos de grandes cidades. Esse sempre foi o diferencial de Passo Fundo em uma grande região. Mas, como sempre há um ‘porém’ no meio do caminho, surgiram alguns retrocessos. Tivemos um período com fechamentos de supermercados em domingos e feriados. E aquilo que seria piada se não fosse verdadeiro: determinaram horário para fechamento de conveniências 24 horas. Agora o vandalismo poderá conduzir ao fechamento dos terminais de autoatendimento. Então, Passo Fundo regredirá ao nível de serviços de um vilarejo qualquer. Tudo por culpa dos “vândalos”. Afinal, quem são esses idiotas?

O Velho Agá

Semana passada, no Zaffari do Bella Città, encontrei a querida amiga Gilka de Castro. Antigamente conversávamos sobre marcas de uísque ou bebidas em oferta. Agora dedicamos nossa prosa às farmácias, fármacos e farmacêuticos. Com o passar do tempo ficamos experts nesse segmento. Então, Gilka enalteceu o atendimento da farmacêutica Josélia Cavalcante, da Farmácia São João filial do Bella. Atenção e bom atendimento também são excelentes medicamentos. E o Agá ainda vigora.

Trilha sonora

O saxofonista e compositor norte-americano Kirk Whalum: My All
Use o link https://bit.ly/2tqDgyb

 




Teclando

Terça-Feira, 12/02/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Como era inofensivo o nosso Orkut

Uma tarde destas, conversamos na redação sobre o Orkut. Os mais novinhos riram educadamente. Mas logo a galerinha caiu de pau, com olhares de superioridade informatizada. Porém, confesso, para mim foi uma boa recordação. Ora, já usei telefone à manivela, recebi telegramas decifrados do código Morse e fiz transmissões de rádio em ondas curtas SSB. Então, assim, fica mais fácil a leitura da evolução tecnológica. Depois dos computadores pessoais, houve uma inversão de valores na comunicação entre os humanos. A cada dia, conversamos menos e digitamos mais. A primeira plataforma desse novo modus vivendi foi o bom e até hoje prestativo e-mail. Depois chegaram as denominadas redes sociais que, por esfriarem as relações humanas, estão mais para antissociais ou, ainda, perigosas redes de intrigas. O Orkut foi a primeira proposta para reencontrar amigos, formar grupos e manter contato. E funcionava muito bem. Em comparação com o Facebook ou WhatsApps era muito espartano e praticamente sem recursos multimídia. Certamente, a grande vantagem do singelo Orkut foi escapar das fake news e não ter se prestado à criminosa utilização em manipulações políticas. Assim, em sua curta existência, o Orkut teve conduta exemplar e não abriu espaço para a insanidade. Saudades do Orkut!


De olho na prateleira
Sempre tive um fascínio por prateleiras de supermercados. Gosto de observar detalhes nos rótulos, fico de olho nos lançamentos e, claro, nos preços. Como um mesmo produto pode vir nas mais variadas embalagens, basta um simples exercício de regra de três para constatar o que é mais em conta. Mas também devemos ficar atentos às promoções que, muitas vezes, passam despercebidas. Fui comprar um refil de um desengordurante para cozinha de 500ml pelo preço de R$ 10,90. Já estava pegando quando vi, um pouco acima, o original (gatilho mais refil) em promoção por R$ 9,90. Então peguei, mas na prateleira de baixo o mesmo produto estava num combo: refil + gatilho + sachê de 450ml pelos mesmos R$ 9,90. Resumindo: a intensão era pagar 10,90 por um refil 500ml. Acabei levando 950ml e mais um gatilho por 9,90. Graças a atrativapalavinha “grátis”.

 

A volta do gim
Pois não é que o velho gim voltou à moda e ganha holofotes nas mesas e prateleiras dos melhores bares e baladas? O gim, uma antiga bebida destilada, já foi responsável por parcela considerável de baixas no elenco de Hollywood. Com resquícios da fleuma britânica, é o fator relaxante de um drinque consagrado, o Dry Martini. Mas também é conhecido pelo tradicional Gim Tônica. E sabem de onde veio essa mistura? Da Índia, onde os invasores ingleses sofriam com o calor e o combate à malária. O amarguíssimo quinino era o medicamento. Mas ninguém suportava. Então resolveram misturar com água gaseificada. Sim, inventaram a água tônica de quinino. Mas faltou o barato, aquela tonturinha. Certamente, algum inglês mais ligado resolveu misturar com gim. Foi um sucesso. Aliás, continua sendo.

Trilha sonora
A arte é universal. Localizada é a ignorância. Então vamos de Roberta Sá, António Zambujo e Yamandu Costa: Eu Já Não Sei. Use o link https://bit.ly/2Bh8E4K

 




Teclando

Terça-Feira, 05/02/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Durma-se num balaio desses

Nunca gostei de nebulosidades sobre os fatores institucionais públicos ou privados. Aliás, a nebulosidade atrapalha o voo democrático ao qual fomos preparados. A vida pública exige retidão e transparência. Golpe, então, nem pensar. O poder é magnético, mas, sabemos muito bem, que a assepsia dos bastidores não é das mais recomendáveis. O clima ao redor do poder corrói como a maresia e corrompe a índole. Além da conspiração e da contra conspiração convivemos sob o prenúncio da teoria conspiratória. Há uma ameaça às instituições quando golpistas e conspiradores ganham evidência. Se estiverem juntos o risco será ainda maior. A justificativa é simples, pois os conspiradores sempre estarão conspirando. E os golpistas, claro, prontos para dar o bote. Então, imaginem um balaio repleto de conspiradores e golpistas chegando ao poder? Ah, nesse balaio ninguém conseguirá dormir. É a espionagem versus a contraespionagem. E, como a conspiração é compulsiva, todos sabem que alguém estaria planejando algo. É um caso de fogo amigo, porém vindo de todos os lados. Nesse balaio não há dança das cadeiras. As cadeiras voam.

São José
No início da noite de sábado, para ir ao Panorâmico entrei num ônibus com a intensão de desembarcar na Polícia Rodoviária. Mas o itinerário era outro e entramos no Bairro São José. Voltas e mais voltas, subidas e descidas num passeio maravilhoso. Nossa! O São José é uma enorme cidade repleta de casas, onde o pessoal se reúne para confraternizar. Em cada quadra havia, no mínimo, uns três locais onde estavam assando uma carne. A maioria era em churrasqueiras nas garagens, mas, numa agradável noite de verão, não faltaram as portáteis nos pátios. Por lá a turma é chegada num churrasco e, obviamente, numa cervejinha também. Quando terminou a excursão, desembarquei próximo ao Panorâmico e já cheguei com água na boca. Errei o ônibus, acertei no passeio. Esse São José não é fraco. 

Uma fresca
Após a instalação do ar-condicionado, a vida mudou no Bar Oásis. Para melhor, é claro. O Turcão Iracélio fica um tempão por lá só para “tomar uma fresca”. Dr. Jota até se esquece de ir fechar a janela. O relatório do Lu detecta um aumentou no tempo de permanência dos clientes. Na Mesa Um, por exemplo, aqueles que consumiam um copo de água mineral agora chegam ao abuso de tomar uma garrafinha. O Léo, preocupado com a possibilidade de escassez no mercado, já estuda a importação de água da França. O que não faz um ar-condicionado. Até a Luiza está de volta! 

As palavrinhas
Mesmo antes de inventarem a expressão politicamente correto, ela já imperava. Fico impressionado com as palavrinhas que surgiram para determinar aquilo que devemos comer e beber. Diet, light, natural, orgânico, artesanal ou puro malte. Esses dias eu perguntei qual a diferença entre um lanche normal e o artesanal? O garçom não soube responder. Então eu respondi: modismo.

Trilha sonora
A música maravilhosa para um mundo maravilhoso. Katie Melua & Eva Cassidy: What a Wonderful World
Use o link https://bit.ly/1v9Y2Mt

 




Teclando

Terça-Feira, 29/01/2019 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

James Bond na Avenida Brasil

Lembram os filmes de 007, rodados na Ásia ou no Oriente, onde James Bond percorre ruelas tomadas por barraquinhas e vendedores? Esbarra em bancas, tropeça em quinquilharias e é assediado por ambulantes? Pois aqui em Passo Fundo na Avenida Brasil, eu sinto-me o próprio Bond circulando por Bangkok ou Bangladesh. Nas calçadas vou desviando mercadorias ou pequenos balcões. Cuido para não pisar nos tapetes com roupas e eletrônicos, que até lembram as ruas enfeitadas para uma procissão. Esbarro em vendedores de vale-transporte, chips telefônicos ou em pregadores oferecendo livros e fitinhas abençoadas. Sigo desviando de placas e os mais inusitados obstáculos. Quando surge um espaço sou molestado por indesejáveis vibrações sonoras de alto-falantes. Até os postes ganham placas e são decorados com balões coloridos. E, quando chove, só mesmo um bem preparado agente secreto consegue distinguir as lajotas soltas, com efeito de mina terrestre para calças, meias e calçados. Temos em Passo Fundo uma locação natural para um filme de espionagem. A Avenida Brasil é uma via comercial. De fato, é do comércio, para o comércio e onde se comercia. Mas parece um território sem lei, onde o desrespeito e a má-educação tomaram conta. Vale tudo ou será que um pouquinho de fiscalização ainda pode resolver?

Desgraça
Tragédias são catástrofes. E calamidades não podem ser transformadas em mote para discussões políticas. Antigamente caiam viadutos, agora as barragens rompem. Ora, rotular tragédias é oportunismo e até desrespeito. É óbvio que há culpados, desleixo e um desdém em relação ao meio ambiente. Isso também vale para o incêndio no Museu Nacional, no Rio. Mas é inconcebível aproveitar a desgraça para a promoção pessoal ou política. Sabe-se, há muitas e muitas décadas, que o planejamento e a prevenção são bonitos apenas nos discursos. Além disso, não há uma preocupação efetiva com a preservação da natureza. Ora, se não preservamos sequer a nossa história, imaginem o meio ambiente. Falta de interesse ou excesso de interesses?

Os pontos

Há fatos que até podem parecer normais. Uma coisa aqui, outra lá. Mas, quando conhecemos bem o histórico de alguns dos personagens que flutuam pelo cenário, se faz necessária uma avaliação cuidadosa. É bom ligar os pontos e, literalmente, desenhar uma resposta. Reunindo movimentos isolados podem surgir importantes indicativos. As novidades nem sempre representam modernidade ou inovações. E quando as pretensas novidades chegam às pencas é bom ficar ainda mais atento. Então, ligando os pontinhos, vamos compreender o porquê de ponto por ponto. Assim, haverá uma vírgula no pensamento, dando um intervalo necessário às interrogações. Depois surgirão as reticências para a compreensão que permitirá uma contundente exclamação. E ponto final.

Trilha sonora
Michel Legrand fechou a partitura. Pianista, arranjador e compositor, deixou uma obra imensa com ênfase às maravilhosas trilhas sonoras. Ganhador de três Oscar, ele teve 27 indicações ao Grammy. Legran levou a estatueta em 1969 com a trilha de Crown - o Magnífico. Na voz de Noel Harrison: The Windmills of Your Mind
Use o link: https://bit.ly/1uxlIIN

 






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