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Colunistas


Teclando

Terça-Feira, 20/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Na contramão

Qualidade e quantidade andam em sentidos opostos. Até acredito que seja mais uma resultante da lei da oferta e da demanda. Neste caso, claro, oferta e demanda cultural. Observem que, a cada dia que passa, a qualidade está mais discreta e jamais desponta em quantidade. Gosto, é claro, não se discute. Mas basta meia orelha para detectar por aí que o péssimo gosto abunda em quantidade. Já a qualidade anda praticamente desaparecida, escassa. Houve época em que o acesso à informação era um sacrifício. As opções eram poucas e a tecnologia precária. Mas, mesmo em meio aos chiados e chuviscos, sempre encontrávamos generosas doses de qualidade. Agora a situação é exatamente contrária. Temos um acesso quase ilimitado às informações, novas tecnologias e a multiplicação do espaço para o conhecimento. Mas, contrariando as expectativas mais lógicas, a qualidade praticamente desapareceu no meio dessa deformação cultural. É um cenário perigoso, onde até mesmo a ignorância quer posar de vanguarda. Por quê? Ora, certamente pela carência de educação e má-condução da informação. Também não podemos nos esquecer da avalanche de interesses que obstaculiza os caminhos do bom gosto. E, assim, quantidade e qualidade acabam não combinando.


Voo da madrugada
Domingo à noite, a Azul reiniciou os voos da madrugada entre Passo Fundo e São Paulo (Campinas). Essa frequência estava suspensa temporariamente, permitindo atender destinos com maior demanda durante a alta temporada. No voo AD4474, o avião decola de Viracopos às 23h35 e pousa em Passo Fundo às 01h10 da madrugada. Após pernoite no Aeroporto Lauro Kourtz, decola como AD4477 às 6 horas e chega a Viracopos às 7h25. Assim, Passo Fundo volta a contar com três ligações diárias para São Paulo. Todos esses voos da Azul são operados com o Embraer 195, com capacidade para 118 passageiros. Ou seja, temos uma oferta de 354 acentos/dia em cada sentido.

 

Difícil caminho
Existem normas técnicas para garantir acessibilidade para deficientes visuais e cadeirantes. Infelizmente, aqui em Passo Fundo os passeios públicos deixam muito a desejar em termos de acessibilidade. Os cadeirantes reclamam do ângulo brusco das rampas, o que pode propiciar quedas. Mas nas calçadas é que encontramos um festival de obstáculos. Os proprietários não realizam a manutenção necessária, permitindo a proliferação de buracos e lajotas soltas. Para completar esse percurso de gincana, o pessoal das lojas e os ambulantes entram em cena e depositam de tudo sobre o local que seria para caminhar. Difícil para todos. Mas é bem mais difícil para quem apresenta alguma dificuldade em locomoção. Isso pode ser resolvido com boa vontade e educação. Boa vontade para fazer a manutenção e educação para não encher as calçadas com placas e mercadorias.

 

Ranzinzices
- É permitido utilizar cones para demarcar espaços em área de estacionamento na Avenida Brasil?
- As lojas podem colocar alto-falantes direcionados às calçadas?


Trilha sonora
Barry White e The Love Unlimited Orchestra:  I'm So Glad That I'm A Woman 
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https://goo.gl/HFKs2L




Teclando

Terça-Feira, 13/02/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Amor de Carnaval
Não foi o carnaval que me fez um homem. Mas no carnaval pela primeira vez me senti mais do que um menino. Nos bailes infantis desperdiçávamos lança-perfume nas costas das gurias. Brincadeira de uma época em que não cabiam lenços em nossos bolsos. Das matinés para as noites foi um pulo e a folia era uma grande integração da cidade. Mais do que isso, um colírio para os olhos. Esses bailes representaram um passaporte para a vida. O carnaval me abriu as portas da realidade e me estendeu um tapete ao paraíso dos sonhos. O grito de carnaval nada mais é do que um grito de liberdade. A sensualidade é o destaque entre confetes e serpentinas, permitindo que a fantasia da igualdade desperte as paixões de carnaval. Um fascínio que desabrochava enquanto a orquestra (sim, orquestra mesmo!) tocava Máscara Negra. O refrão ‘Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval’ era um convite para a mágica atração dos lábios. Seria uma espécie de é agora ou nunca. E jamais houve alguma rejeição a tão maravilhoso momento. Então, hoje, também recordo das minhas babaquices. Foram quando o olhar da Colombina expressava o pedido por um beijo e esse Pierrô panaca continuava dando voltinhas no salão. Mas, como faz parte do enredo, também foi um aprendizado. E a festa só terminava no sábado seguinte, no enterro-dos-ossos. Ou começava. Num baile de enterro-dos-ossos, estávamos sentados na escadaria do clube quando houve o encanto do encontro das mãos. Éramos novinhos, o baile já estava no final e nós pensávamos num início. Enfim, um carnaval com pretérito, presente e futuro. Assim compreendi porque sempre é carnaval.

Oásis fechou
As especulações, que já eram fortes, confirmaram-se. Com quase 70 anos de história, o Bar Oásis, mais antigo café de Passo Fundo, fechou as suas portas no último sábado. Fechou para reforma, é claro. De acordo com Luciano Pacheco, o general manager da casa, o velho Oásis passa por uma ampla reformulação, permitindo oferecer lanches e petiscos. Tudo isso sem perder as suas características mais tradicionais como a venerável Mesa Um. Em meio às obras de remodelação, Lu tem expectativa de reabrir o (novo) Oásis já na próxima quinta-feira, 15/01. Antes que me perguntem: o Léo foi visto pela última vez, domingo, jogando futevôlei no Posto 9 de Ipanema. Será que formou dupla com o Renato? 

Propagadores
Quem propaga o mal, deseja o mal. Quem propaga a mentira, deseja iludir. Quem propaga a morte, deseja sangue. Quem propaga a discriminação, deseja o ódio. Quem propaga porcaria, deseja o fim da arte. E assim vai. Aliás, assim está. Entre baboseiras sobre a pseudoarte e a propagação da maldade, desfragmenta-se a sociedade. Ora, isso é cenário para republiqueta de filmes de ação de quinta categoria. E tudo isso ocorre de forma organizada. Mas será que os organizadores já avaliaram a possibilidade de acabarem sendo os mais prejudicados? A propagação que vai, também retorna.

Trilha sonora

Do filme Orfeu Negro, a música de Antônio Maria e Luiz Bonfá conquistou o mundo. Aqui num antológico encontro de Johnny Mathis e Agostinho dos Santos: Manhã de Carnaval
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https://goo.gl/W2VjYP




Teclando

Terça-Feira, 06/02/2018 às 06:15, por Luiz Carlos Schneider

Entre pontas

Na vida mal apontamos e logo aprontamos. Quando não estamos na ponta, queremos despontar. Incisivas ou suaves, as pontas nos acompanham durante toda a nossa estada terrena. Praticamente, vivemos em busca da ponta de uma sequência de emaranhados. Estudamos para adquirir conhecimentos com a ponta do lápis. Para subirmos na vida desejamos chegar à ponta. Quando andamos, partimos de uma ponta para a outra. O sucesso dos jogadores de futebol vem pela ponta das chuteiras. Artistas plásticos despontam com a ponta dos dedos e dançarinos com os pés em ponta. Na escrita é necessária uma pena afiada, pois assim o pensamento flui em tinta pela ponta da caneta. Nos bons tempos dos discos de acetato e vinil, a qualidade musical falava alto em vibrações que vinham da ponta de uma agulha. Aliás, as pontas das agulhas são as mais versáteis: também costuram, injetam e, quando magnetizadas, ainda apontam caminhos. Hoje, claro, a tecnologia é de ponta. Mas a ponta pode representar uma metáfora, como a ponta de um iceberg. Enfim, não faltam pontas em nossas vidas. Sei que muitas pontas ficaram de fora. Não quero desapontar ninguém, porém sinto que estou me esquecendo de algo muito importante. Mas está na ponta da língua...

Belo trabalho
Os canteiros próximos ao trevo do antigo Cesec, hoje conhecido como da Caravela, receberam uma atenção especial. Além do corte da grama, a faxina foi geral e também acabou com as barracas montadas por ambulantes. Um belo trabalho, que propicia uma reflexão sobre a utilização de locais públicos. Essa atividade, tida como informal, não tem ônus como o do aluguel que é pago pelo comércio estabelecido. Seria permitido demarcar áreas em ruas ou avenidas para instalar lanchonetes, ainda com direito à utilização do passeio público? Certamente isso ocorreria através de concessões com as devidas licitações e contrapartidas. Mas, se permitido fosse, por uma questão de isonomia todos teríamos direito a um espaço. O meu poderia ser na Avenida Brasil ou no coração da Moron. 

Agilidade e bom senso
A Estátua da Liberdade da Havan já estaria com um pé em Passo Fundo. Isso é ótimo como mais um grande atrativo regional. Na condição de cidade-polo, significa um fluxo para reforçar a economia de Passo Fundo. Tem tudo para ser mais um referencial do Gigante do Norte. Sem pedir isenções fiscais, a Havan faz exigências que podem ser consideradas singelas. A primeira é a agilidade burocrática para viabilizar o empreendimento. A segunda é a garantia de liberdade para trabalhar aos sábados, domingos e feriados. Ou seja, pede objetividade e o exercício da lógica. Assim, longe de agouros rapineiros ou oportunistas, isso tudo dá pra tirar de letra. Já a terceira exigência é a autorização para erguer o símbolo da empresa, aquela Estátua da Liberdade com 33 metros de altura. Nada contra, contanto que não faça sombra ao Monumento do Teixeirinha.

Trilha sonora
De 1965, The Sandpiper, com Elizabeth Taylor e Richard Burton, ganhou o Oscar de melhor canção original em 1966. Dentre tantas, considero uma das melhores interpretações a de Vic Damone: The Shadow of Your Smile
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Teclando

Terça-Feira, 30/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Nos passos de um olhar

Sábado, no retorno da caminhada ao Boqueirão, em frente à Guaracar atravessei a avenida. Ela corria em sentido oposto e nos cruzamos no canteiro central. O olhar foi forte, pois a gente sente quando um encarar é diferenciado. Mais que um cruzamento de olhares, foi um abalroamento carregado de intenções. A respiração, já bastante exigida, sofreu um baque. Tomei um fôlego, pois a circulação recebeu uma injeção de adrenalina aditivada pela libido. Sorridente, prossegui caminhando e olhando para trás. Ela deve ter ido até lá pelo Secchi e retornou. Parei na esquina e, ardilosamente, calculei o ponto de encontro. Já estava com tudo planejado. Atravessar a rua e dizer alguma coisa. Não sabia exatamente o que, pois nesses momentos o homem é um bicho inseguro. Na frente da Pampa, com muito esforço e desafiando as leis da física, contraí a barriguinha. Ela foi chegando, correndo com elegância e irradiando um encanto contagiante. O enredo estava perfeito, indicando um happy end. Coloquei um pé no asfalto e tentei entrar em cena. Mas ela passou correndo e sequer me olhou. Fiquei estático, pois sabia que não teria pique para alcançá-la e nem fôlego para acompanhar aquele ritmo frenético. A tristeza foi compensada pelo alívio ao soltar a barriguinha comprimida. Segui caminhando na minha cadência indolente, mas acelerei o pensamento. Passou um filme cronológico e até lembrei as vantagens em aproveitar o caixa preferencial. Mas não conseguia me esquecer daquele olhar. O ego fragilizado altera pensamentos, assim surgiu uma hipótese de que o estonteante olhar teria sido meramente um gesto de pena, compaixão. Sei lá? Mas, por via das dúvidas, vou acelerar um pouco mais nessas caminhadas. Afinal, de que adiantam olhares rápidos com pernas lentas?

Estabelecidos
Um pouco antes da recém-restaurada caravela, as barracas de vendedores enfeitam os canteiros. Parece que agora é moda utilizar áreas públicas para se “estabelecer”. Ambulantes, itinerantes ou fixos, usam praças, canteiros, calçadas e as ruas. Vendem quinquilharias, vale-transporte, móveis, coco, abacaxi, milho, bebidas e cachorro-quente. Fazem até espetinhos na rua com direito à fumaça em quem passa. Isso é uma tendência mundial? Consequência do momento econômico? Ou falta de fiscalização? 

Sem tramelas
Domingo almocei no Buon Mangiare do Bourbon. Fiquei feliz por dois fatores que determinam a magnitude das cidades. O primeiro foi ouvir uma cativante música ambiental. Eu disse música! Sim, orquestrada e de excelente qualidade. Coisa de cidade grande. O segundo foi constatar que em janeiro os supermercados não fecharam em nenhum domingo. Também coisa de cidade grande. Qualidade musical e portas abertas engrandecem Passo Fundo. Como é bom viver numa cidade do porte de Passo Fundo. Para pessoas de bom gosto, é claro.

Trilha sonora
Na telona do Cine Pampa o divertido Gene Wilder e a beleza de Kelly LeBrock em A Dama de Vermelho. Oscar de melhor canção original em 1985 para Stevie Wonder: I Just Called To Say I Love You
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https://goo.gl/7QQq5q




Teclando

Terça-Feira, 23/01/2018 às 06:00, por Luiz Carlos Schneider

Canja de galinha
A fragilidade institucional é porta aberta para o oportunismo dos desajustados sociais ou dos desequilibrados mentais. O esmigalhar da sociedade inicia quando a brutalidade não admite a sensibilidade. É o momento em que a ignorância afronta o conhecimento e o retrocesso ameaça a evolução. A incompetência ganha espaço e sufoca o talento, enquanto o preconceito não suporta a realidade. Em momento de fragilidade da sociedade, além da lógica e do bom senso, não pode faltar cautela e canja de galinha. Brutalidade, ignorância, retrocesso, incompetência e preconceito representam a volta às cavernas. Sensibilidade, conhecimento, evolução, talento e compreensão da realidade estão afinados com a modernidade. Ora, como seres racionais, seguimos em constante interação na busca do desenvolvimento coletivo. Mas, infelizmente, parece que alguns já se esqueceram dos objetivos principais da humanidade: o bem comum e a paz social.

Pitaco vegetal
Pouco conheço sobre botânica ou biologia vegetal. Então, mesmo pisando em ovos, vou dar um pitaco. Nas praças e avenidas, observo muitas árvores com uma cobertura de folhas diferentes às suas. Tenho a leve impressão de que estariam tomadas por parasitas, dentre eles a erva-de-passarinho. Esses parasitas sugam a seiva dessas árvores. Imagino que, depois de enfraquecidas, seus galhos acabam apodrecendo, ficam encharcados e caem após uma chuvarada. Se os parasitas fossem retirados, a vida desses seres poderia ser prolongada? Alguém com conhecimento sobre plantas poderia salvá-las? Até porque, além de encantadoras, essas frondosas árvores enchem nossos caminhos de oxigênio. Seria, no mínimo, um gesto de reconhecimento dos racionais.

Daltônico?
Não tenho mais visto azuizinhos nas ruas de Passo Fundo. Em compensação, vejo carros estacionados em fila dupla e, especialmente, parados em locais proibidos. Mas não vejo azuizinhos. Vejo muitos veículos intrometidos nas áreas de paradas de ônibus. Além de exigir manobras dos motoristas dos coletivos, também acabam causando um rebuliço na sequência do tráfego, pois uma pista fica com o fluxo interrompido. Também vejo carros e motos fazendo retorno em locais proibidos. Isso acontece, por exemplo, na Avenida Brasil em frente ao Comercial. À noite, quem vem do Boqueirão faz o retorno na esquina da General Netto. Tudo numa boa. Então, como não enxergo mais os azuis, retornarei ao consultório do Dr. Eduardo Ventura para refazer o Teste de Ishihara.

Repassando
Parece que a Velhinha de Taubaté e Eremildo assumiram o controle do WhatsApp, pois as pessoas acreditam em tudo aquilo que recebem. E, lembrando o Sílvio Santos, reeditaram o programa Passa e Repassa. Então também vou repassar, mas nada de fake news, porque o bom humor é bem mais salutar do que a mentira. Recebi essa: “Aniversários fazem bem à saúde. Estudos recentes mostram que pessoas que fazem mais aniversários vivem mais”.

Trilha sonora
Reunindo grandes músicos do Azerbaijão, o grupo Ans Bizimkiler em um clássico de Ray Charles: Hit the Road Jack
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https://goo.gl/R7RZUF






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