A frase de Mia Couto, escritor Moçambicano, ajuda a traduzir a experiência do Murima wa Mwana. O projeto, que em macua (língua local) quer dizer "coração de criança", iniciou nesta quinta-feira, 15, em Moma, Moçambique. A jornalista Victória Holzbach da arquidiocese de Passo Fundo, é uma das integrantes do projeto.
A ação é uma iniciativa da equipe missionária do Regional Sul 3 e tem como objetivo promover o desenvolvimento integral de crianças que ainda não estão em idade escolar e oferecer reforço para aquelas que já estão matriculadas na escola. Por isso, o projeto busca criar um espaço alternativo com brincadeiras que ajudam no desenvolvimento infantil, no cuidado com a higiene pessoal, com o meio ambiente e com a saúde.
Padre Domingos Rodrigues, membro da equipe, explica que a ideia do projeto nasceu primeiramente a partir da percepção da realidade local. "Apesar de frequentarem a escola, as crianças não dominam a leitura e a escrita, além de apresentarem muita dificuldade nas disciplinas de matemática e ciências", observa. Além disso, a educação é uma das linhas de ação da missão em Moçambique, já que é uma importante ferramenta para promoção humana e o desenvolvimento social.
Inicialmente, as aulas acontecem três vezes por semana, contemplando 36 crianças de 03 a 13 anos. O projeto é desenvolvido com o apoio da comunidade local, através de voluntários para ministrar as aulas e com a parceria com o Corpo da Paz - um grupo de voluntários dos Estados Unidos que ajuda os países em desenvolvimento.
Um dos professores voluntários, Joshua Fortmann, explica que a inciativa tem dois pontos importantes: "O primeiro é a própria educação. Cada dia encontramos na escola muitos alunos que não podem ler, escrever, ou mesmo falar português. Então eles são deixados em um sistema onde não conseguem aprender nada e a cada ano precisam repetir a mesma classe de novo. Ninguém está tentando ajudar estes alunos. Mas agora, o Murima wa Mwana quer mudar esta realidade", ressalta. Para ele, outro destaque é a paixão pela aprendizagem que o projeto desperta nas crianças. "Nosso tempo é limitado aqui, e não podemos ensinar eles todas as coisas do mundo em poucos anos. Mas, se pudermos despertar neles a habilidade e a paixão pela leitura, vão conseguir aprender tudo sozinhos e ainda ensinar aos outros. Esta é a meta mais importante: criar uma cultura de aprendizagem".
A missão em Moma
A Vila de Moma, no litoral leste da África, em Moçambique, acolhe há 24 anos a equipe missionária do Regional Sul 3 da CNBB, através do Projeto Igrejas Solidárias. Através da parceria com a Arquidiocese de Nampula, os missionários acompanham duas paróquias, que somam mais de 150 comunidades. Além do trabalho pastoral, a equipe também desenvolve alguns projetos sociais em Moma e Micane.
Atualmente, a equipe é composta pelos padres Domingos Rodrigues (Diocese de Bagé), Atílio Zatycko (Diocese de Cachoeira do Sul) e Luiz Alves (Diocese de Itabuna - BA), além da leiga Victória Holzbach (Arquidocese de Passo Fundo). A missão em Moma é mantida através da Coleta de Pentecostes, que no Rio Grande do Sul é destinada integralmente para a Animação Missionária e para a manutenção do projeto missionário na Arquidiocese de Nampula - Moçambique.