Tudo na cama... pela última vez!

Espetáculo, em cartaz há oito anos, se despede para mergulhar na segunda temporada

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Uma cama e um casal. Ali, na intimidade, a realidade do dia-a-dia recai sobre os ombros de marido e mulher. Fernando trabalha e tem uma rotina cansativa. Laura, professora, sai da escola, mas leva trabalho para casa. Apesar de estarem juntos, não é sempre que a felicidade mora na casa em que habitam. Por vezes, os problemas ganham uma dimensão maior do que a estrutura pode abrigar. Como lidar com isso? Rindo, talvez.

Há oito anos em cartaz, Carlos Job e Helen Marie, são Fernando e Laura. O espetáculo, Tudo na Cama, aborda, de forma descontraída, íntima e leve, um relacionamento amoroso que, nem sempre, é feliz e sem problemas e que, na maioria das vezes, enfrenta a intensidade do desgaste diário. O tema, de forma bruta, parece cansativo e comum e, o fato de há quase uma década, o diálogo ser o mesmo, tornariam a peça um fardo, certo? Errado. O tema é comum, mas a abordagem inova porque traz saltos entre os desejos e a realidade. O diálogo, mesmo que tenha sido escrito há oito anos, encaixa-se na sua e na minha casa hoje. Fernando e Laura são o reflexo de um cotidiano que invade, a cada dia, não só as casas, como as vidas de quem tem uma rotina.

A fantasia de uma mudança nesta rotina é o próprio ritmo do espetáculo. Entre um devaneio e outro, o casal se aproxima e se conhece, de novo. Produzido pela Cia Arte & Palco, escrita por Benedito Silvério de Camargo e dirigida por Edgar Moreno, o teatro é um remanescente de uma época onde Passo Fundo não comportava um cenário teatral tão efervescente e intenso quanto hoje. E, justamente por permanecer com a plateia lotada, mesmo há quase uma década, é que Tudo na Cama é confiavelmente bom. O espetáculo cresceu quando não haviam incentivos ou apoio e se consolidou pela plateia – quem viu, recomenda.

Outro aspecto importante da peça é que a ótica vem de dois ângulos: masculino e feminino. Fugindo de estereótipos e preconceitos, Tudo na Cama é uma análise sutil das mentes masculina e feminina e da relação entre elas e, ainda, nas tentativas diferentes de salvar um relacionamento que se afunda na falta de diálogo.

Para o grupo, que está na estrada desde 2004, a última apresentação da peça e a chegada da segunda etapa é uma prova de maturidade: manter a mesma peça, em cartaz, durante oito anos em uma cidade como Passo Fundo não é uma brincadeira. A característica circense que o grupo tomou para si não deixou, em nenhum momento, de se fazer presente. Em Tudo na Cama, por exemplo, a mudança constante de cenários e roupas faz da peça um clássico dos teatros de lona já que opta pelo teatro de movimento, que se faz no palco, em cena.

E, por ser bom, é que investe em uma segunda parte. Domingo, no dia 20, Tudo na Cama será apresentado pela última vez. O casal, então, se prepara para mergulhar em uma nova etapa: A Cia Arte & Palco se despede do diálogo e se prepara para o Tudo na Cama II. Mais discussão, mais realidade, mais rotina, mais riso – essa é a garantia.

No mínimo, o espetáculo rende algumas risadas. De quebra, você se depara com um teatro que proporciona uma reflexão lúdica da própria forma de ver a rotina e o cotidiano.

Tudo na Cama é no dia 20, as 21h, no Teatro do Sesc. O aconselhamento é a partir dos 16 anos e os ingressos podem ser adquiridos no local.

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