A paixão de quem acelera pela primeira vez é recorrente em muitos esportes. Com as gaiolas, não é diferente. Seja para andar com os amigos no fim de semana ou para participar de campeonatos, os gaioleiros estão presentes em Passo Fundo há mais de cinco anos. As roupas sujas de lama e os altos custos de manutenção dos veículos são apenas alguns obstáculos na vida de quem já está acostumado a superá-los nas pistas.
As corridas de gaiola são praticadas em Passo Fundo há alguns anos. Em 2013 foi realizado o primeiro encontro, que se sucedeu nos anos seguintes. No ano passado, pela primeira vez uma etapa da Copa Norte de Gaiolas aconteceu na cidade. Agora, em 2018, o município voltou a receber uma etapa. Fora das pistas, um grande sucesso. Mais de 350 pessoas compareceram na Chácara do Rasga neste mês de agosto. “Faltou espaço”, disse o organizador do evento, Anaior Fontoura. Competindo, trinta e cinco pilotos de cidades como Lagoa Vermelha, Caseiros, Sananduva, São José do Ouro, Marau e Sarandi. No entanto, o sucesso passo-fundense não se repetiu dentro das pistas. Sendo organizador do evento, Anaior não competiu e Passo Fundo, mesmo sendo sede, não teve nenhum representante entre os 38 competidores.
De acordo com o organizador, existem mais de 60 gaioleiros em Passo Fundo, mas que não participam de campeonatos. Em busca de mais competidores para representar a cidade, Caravela como é conhecido, está criando uma associação. A ideia principal é usar um terreno adquirido para andar nas horas de laser e também treinar. Atualmente, além de participar dos campeonatos, apenas um treino é realizado antes de cada etapa. Para isso, viaja até cidades vizinhas como Marau, Sananduva e Lagoa Vermelha. “Quando não está disponível a pista em Passo Fundo, já que o dono também planta soja, vou para outras cidades. Largam uma gaiola no lado da outra, é marcado o tempo e analisamos a pista para ver se o local possui condições de receber a etapa”, contou Caravela.
As próximas etapas do campeonato acontecem em Machadinho e em São José do Ouro. O campeonato se finaliza em Lagoa Vermelha e Marau. Para 2018, novos planos. A intenção é ir além e realizar duas etapas na cidade. Utilizar o espaço da Efrica também é outra ideia manifestada pelo organizador do evento. “Preciso falar com o prefeito. Quero começar a fazer show na sexta-feira e continuar até o domingo”, completou Anaior.
Vencedor
Se Passo Fundo não teve representantes locais, o ganhador da prova foi um visitante. Entre os 38 competidores, Everton da Costa, de Sananduva, foi o responsável por vencer a etapa. “As corridas foram emocionantes. Bastante pilotos e gaiolas fortes. Todo mundo investiu”, salientou Everton. Mais do que ganhar a corrida, sua grande vitória é ter sua família acompanhando e participando dos campeonatos. Sua mulher, Regina Ferro é atual campeã da categoria batom. Nesta etapa, como somente Regina estava inscrita, não houve disputa entre mulheres em Passo Fundo. Mesmo assim, participou de uma categoria livre, que não envolve a disputa de pontos para o torneio, e correu contra os homens. O filho do casal, Gabriel da Costa, é companheiro nos dias de corrida. Aos oito anos, ainda é jovem, mas já alimenta o sonho de se tornar um vencedor como os pais.
Apesar do nome, as gaiolas não são uma armadilha para pegar animais. São veículos de quatro rodas, utilizados para andar em terrenos no interior e também para participar de corridas. Montar uma gaiola não é fácil – e muito menos barato. Desde que se apaixonou pelo esporte em 2011, Anaior já investiu mais de R$ 22 mil para hoje estar competindo com uma gaiola turbo, já preparada para a pista. Além do investimento, é necessário coragem. Para começar a andar, é preciso cortar um fusca para transformar em gaiola, além de colocar tubo por dentro e pneus para barro. “Sentimento de pena por cortar, mas fazer o que. É necessário”, completou Anaior. Hoje, para se ter uma gaiola de fusca é necessário R$ 3 mil. Uma tubular já sobe para cerca de R$ 20 mil. Parte do retorno financeiro pode acontecer por meio da premiação final do campeonato.
Hobby
Se Anaior é o único que participa de campeonato, as gaiolas são um passatempo para muitas pessoas. No caso de Wagner Biffi, há cerca de cinco anos utiliza seu tempo livre para andar e se divertir com os amigos em Passo Fundo. Na sua propriedade no interior, uma espécie de pista é dedicada exclusivamente para o uso nos finais de semana livres. Tudo começou quando observava corridas e trilhas que eram feitas com motos e imaginava que poderiam ser realizadas com carros. Com o tempo, a antiga gaiola com motor de fusca foi ganhando aprimoramentos e hoje já possui motor injetado. Mesmo sendo apenas utilizada como diversão, se engana quem pensa que é algo barato ou que não gera custos com manutenção. “Todo esporte que você pratica, precisa fazer um investimento. Tudo que você vai arrumar possui um valor”, explicou Wagner. Independente dos investimentos, Wagner nunca participou e não pensa em disputar algum campeonato. A ideia é clara: ser apenas um passatempo.