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Tradição do bumba-meu-boi no palco

Publicada em: 07/08/2018 - 11:00

Grupo do Maranhão está entre os confirmados da programação do XIV Festival Internacional de Folclore

Tradição do bumba-meu-boi no palco

Grupo Boi de Morros, do Maranhão, apresentará a popular dança folclórica bumba-meu-boi

Crédito: Divulgação

A alegria do nordeste promete aquecer a programação do XIV Festival Internacional de Folclore de Passo Fundo. Vindo das cidades de São Luiz e Morros, do Maranhão, o Grupo de Danças Boi de Morros é um dos 74 participantes desta edição, que acontece de 17 a 25 de agosto. O evento é promovido pela Prefeitura de Passo Fundo e a Associação de Organizações de Festivais Folclóricos do Rio Grande do Sul (AOFFERS).
A programação completa está disponível no site festivalpf.com.br. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda-feira (13). O valor para o dia de abertura e encerramento é R$20 e para os demais dias é R$15. A opção de meia-entrada vale para estudantes e pessoas acima de 60 anos, com documentos que comprovem a condição.


Boi de Morros
O esplendor do Bumba-meu-boi de Morros veio à tona na história do folclore maranhense e brasileiro no dia 23 de junho de 1976, fruto de um trabalho educativo de professores da Escola Normal Monsenhor Bacellar. A ideia visava reunir estudantes jovens de ambos os sexos em seus cordões e, por isso, enfrentou algumas dificuldades, já que na época ainda eram fortemente enraizados preconceitos e tradições na cultura popular de que o Bumba-meu-boi era somente para adultos, caboclos e homens, acostumados às maratonas cansativas, entre bebedeiras, viagens, noites de sono e desconfortos da referida brincadeira. Apesar da resistência inicial, o sucesso da iniciativa fica estampado nas conquistas do Boi de Morros, que agora completa 42 anos e é, hoje, é uma das grandes expressões do folclore brasileiro.


O Boi de Baiacuí, um povoado do município de Icatú, foi quem serviu como fonte de inspiração para a inclusão de mulheres no cordão no mesmo grau de igualdade dos homens - mas foi um boi emprestado de Boa Vista, povoado de Juscelino, quem primeiro representou simbolicamente o grupo que se iniciava com índias e era depois completado com vaqueiros de fita. Calças de farda, chapéus emprestados, camisas por fazer e cachaça com limão para os ensaios. Esse era o quadro do primeiro ano da brincadeira que, logo no ano seguinte à sua estreia, contratou mais artistas para emprestar seu encantamento ao brilho do grupo.


Recebendo o nome de Alegria dos Estudantes, no primeiro ano de sua criação, o Bumba-meu-boi de Morros trazia no “couro” brilhantemente bordado, de um lado, a Escola Normal e, do outro, a figura do Pároco Monsenhor Bacelar. Suas principais toadas foram: “Levantei a Bandeira” e “Homem Trabalhador”, esta última em homenagem ao referido Monsenhor. O sucesso do Bumba-meu-boi da Escola Normal de Morros durou três anos. Depois disso, diferentes figuras administraram a ideia e deram diferentes nomes ao Boi de Morros, entre eles “Sonho Realizado”, na época em que era comandado por José Hugo Lobato.


Após a morte de José Hugo, foi seu filho, José Carlos Muniz Lobato (conhecido como Lobato), que decidiu levar o boi em frente. Ele viabilizou a gravação do primeiro vinil da brincadeira, trabalho inspirado na Campanha das Diretas, ano em que o boi foi apelidado de Boi das Diretas. Isso foi o divisor de águas da trajetória do Boi de Morros, comenta Lobato. Conhecedor de música, poeta e talentoso no violão, além de dotes de liderança e com extrema preocupação com a cidade, até a gestão atual, é ele quem vem revolucionando o folclore maranhense, mais precisamente com o Bumba-meu-boi, emancipando estilo, introduzindo cores, interpretando contextos políticos, sociais e ecológicos. Essa permanente dinâmica, sem alterar a essência do auto do boi, ponto marcante e histórico dessa atividade cultural, tem permanentemente estimulado o surgimento de muitos bois de orquestra.

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