Os números permanecem estabilizados: até o momento foram registrados nove óbitos e 37 casos de Gripe A nos 62 municípios pertencentes a 6ª Coordenadoria Regional de Saúde. Este dado coloca a região de Passo Fundo no quarto lugar do ranking de regiões com maior número de casos registrados no estado, em 2016. A 6ª CRS só fica atrás das 2ª e 1ª CRS, que atendem Porto Alegre – com 303 e 118 casos, respectivamente – e da 5ª CRS, de Caxias do Sul, que já contabiliza 81 casos. Em todo estado, foram registrados 740 casos, com 122 resultados em morte. De acordo com o coordenador da 6ª CRS, Douglas Kurtz, desde o começo do ano foram encaminhados 170 amostras ao Laboratório Central do Estado. Dos 37 casos da regional, 23 são de Passo Fundo. Até agora, três mortes foram registradas no município. Este número, no entanto, tende a permanecer estável. “Recebemos um número muito menor de amostras desde que a campanha de vacinação foi encerrada. A estimativa é de estabilidade”, afirma Kurtz.
Segundo o documento, após o ano pandêmico, em 2009, o vírus Influenza A (H1N1) circulou com maior frequência em 2012 e 2013. Nos anos seguintes, o vírus predominante foi o Influenza A (H3N2). Na prática elas são separadas apenas pela produção de diferentes anticorpos – substâncias produzidas pelo corpo humano para prevenir e evitar doenças. “Em Passo Fundo, por exemplo, quem já teve H1N1 possui anticorpos que ajudam a prevenir este tipo de gripe. É como se o corpo reconhecesse a doença, buscando fazer com que ela não retorne novamente. O mesmo acontece com a H3N2. Por isso, como são dois tipos diferentes de vírus, eles podem afetar quem já teve o outro tipo de gripe e vice-versa”, explica o secretário municipal da saúde, Luiz Arthur Rosa Filho. Este diagnóstico, no entanto, só serve para descobrir o vírus em circulação, procurando, assim, o melhor tratamento. Segundo ele, a vacina disponibilizada na última campanha buscava prevenção dos vírus H1N1, H3N2 e Gripe A.
Em 2016 foi a vez do H1N1. O que mudou, no entanto, é que neste ano a circulação iniciou antes do período comum de sazonalidade observado nos anos anteriores. Em 2012, por exemplo, o período de intensificação era do final de maio em diante. Neste ano, os primeiros casos começaram a surgir no fim de março e início de abril, o que pode ter sido motivado pela entrada precoce do vírus na região sudeste, provavelmente trazido do inverno do Hemisfério Norte.
O relatório também apontou que entre os casos e óbitos pela gripe há predomínio da existência de fatores de risco. A condição mais frequente dos casos registrados é de crianças de menos de cinco anos. Nos óbitos, os dados apontam predomínio de idosos com mais de 60 anos. “A utilização de antiviral, apesar de alta, é realizada inoportunamente na maioria dos casos e óbitos. A realização de vacinação tanto em casos como em óbitos é baixíssima, o que é esperado, considerando a antecipação da circulação de influenza em relação à campanha de vacinação”, apontou o documento.
Prevenção deve continuar
Mesmo com a recente estabilidade, o sinal de alerta deve permanecer na região. “Precisamos entender que a cada pessoa que morre, a estimativa é que 100 tenham tido a doença. Por isso devemos seguir com a prevenção até o final de agosto”, pontua Rosa Filho. Segundo ele, os três óbitos registrados em Passo Fundo podem não ser os últimos – por isso a importância de permanência da prevenção. “É importante lavar as mãos e, no primeiro sinal de gripe, procurar um médico”, ressalta o secretário. Na região 94,11% dos grupos prioritários foram vacinados.
Ranking da gripe no RS
1º LUGAR: 2ª CRS Porto Alegre – 303 casos
2º LUGAR: 1ª CRS Porto Alegre – 118 casos
3º LUGAR: 5ª CRS Caxias do Sul – 81 casos
4º LUGAR: 6ª CRS Passo Fundo – 37 casos
5º LUGAR: 3ª CRS Pelotas – 24 casos
6º LUGAR – 4ª CRS Santa Maria – 05 casos