A bronquiolite ataca no frio

Doença é mais frequente em bebês e crianças pequenas

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Dr. Douglas Sauer Comin  é medico pediatra preceptor do Setor de Enfermaria do Hospital São Vicente de PauloDr. Douglas Sauer Comin  é medico pediatra preceptor do Setor de Enfermaria do Hospital São Vicente de Paulo
Dr. Douglas Sauer Comin é medico pediatra preceptor do Setor de Enfermaria do Hospital São Vicente de Paulo
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Dentre as doenças sazonais dos meses mais frios do ano está a bronquiolite. O Dr. Douglas Comin, médico pediatra do Hospital São Vicente de Paulo de Paulo, explica sobre a patologia. É infecção causada por vírus, que atinge a via respiratória de crianças pequenas, provocando inflamação dos pequenos brônquios, levando a grau variado de obstrução do fluxo de ar. O principal agente causador é o vírus sincicial respiratório (VRS), mas outros vírus também podem causar a doença. Embora ela possa ocorrer até os dois anos de idade, é mais frequente no primeiro ano da criança, inclusive com maior gravidade quanto mais jovem a criança. Atinge crianças pelo diminuto tamanho dos brônquios e bronquíolos (canais que levam ar até os pulmões) que, nesta idade, ficam vulneráveis ao inchaço e acúmulo de secreção que ocorrem durante a bronquiolite. Nos adultos e crianças maiores e saudáveis ele pode ser confundido com resfriado comum.

Transmissão

O modo de transmissão é semelhante ao do vírus da gripe e do resfriado, ou seja, através de gotículas respiratórias (tosse e espirros) de pessoas doentes ou através do contato direto com secreções do paciente doente (boca, olhos ou narinas), por isso o cuidado deve ser dado à higiene das mãos ao tocar crianças pequenas.

Sintomas

O quadro inicial de bronquiolite se assemelha ao do resfriado, com obstrução nasal, febre baixa e espirros com a evolução da doença passamos a perceber aumento da tosse, geralmente seca e irritativa, chiado no peito e graus variados de dificuldade respiratória com respiração rápida, recusa alimentar, irritabilidade, retração intercostal e em casos mais severos o bebê pode apresentar cianose (ficar roxinho). Estes últimos sintomas são indicativos de gravidade e os pais devem procurar atendimento imediato.

Na região

Não dispomos de dados quanto à incidência de bronquiolite em nossa região, uma vez que o quadro clínico é variável e muitas crianças, especialmente maiores de seis meses, não chegam a necessitar de atendimento especializado. Mas notamos grande procura dos serviços de pronto atendimento e inclusive com número atipicamente alto de internações em enfermaria e em CTI pediátrico. É uma doença de inverno, embora também ocorra no outono. Encontramos maiores incidências em meses de inverno em nossa região, logo é doença de meses de frio.

Tratando a bronquiolite

A maioria dos casos pode ser tratada em casa, com hidratação e oferta frequente de leite materno quando disponível ou outros líquidos e também higiene nasal para a criança. Em alguns casos o paciente pode se beneficiar com o uso de inalações (sempre importante consultar seu médico de confiança). Casos graves ocorrem em 1 a 3% dos casos e necessitam de internação, sendo então tratados com oxigênio e algumas vezes necessitando de tratamento em CTI pediátrico. Vale ressaltar que não há necessidade de antibióticos e não há evidência de que o uso de xaropes ou expectorantes tenham qualquer efeito benéfico.

Riscos

Há riscos de evolução, especialmente em crianças prematuras ou com doenças do coração, pulmão, cerebral ou deficiência imunológica. O quadro pode evoluir para intensa dificuldade respiratória, cansaço para mamar ou se alimentar e, consequente, desidratação. Em alguns casos é necessário o suporte ventilatório com respirador e oxigênio, também hidratação na veia pode ser necessário.

Para prevenir

1 - Atenção especial com a higiene das mãos e utensílios do bebê.

2 - Lavar as mãos ou usar álcool em gel 70% sempre que for tocar na criança e após também.

3 - Evite estar com o bebê em ambientes pouco ventilados ou com muitas pessoas (cuidado redobrado se ele for prematuro).

4 - Mantenha o calendário vacinal em dia.

5 - Lembrar que o leite materno aumenta a resistência da criança contra as infecções.

6 - Não exponha a criança ao contato com adultos ou crianças que você sabe que estão gripados ou resfriados.

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