Da ansiedade bem dosada aos distúrbios de ansiedade, encontramos o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), que afeta a vida das pessoas em aspectos familiares e profissionais. Também gera desconfortos como tremores, tonturas, náuseas e outras dificuldades. O Dr. Bernardo Dias Tams nos esclarece como agem as ansiedades. O médico psiquiatra do Hospital da Cidade e do Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, explica sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada, suas consequências e como deve ser tratado.
Bernardo Dias Tams explica o que é a ansiedade
Ansiedade é a sensação subjetiva de medo, angústia, antecipação de ameaça futura, preocupação excessiva com situações diversas e comuns do dia a dia, podendo levar ao desenvolvimento de sintomas somáticos (dores difusas e inespecíficas, náuseas, mal estar, tonturas, indisposição alimentar, taquicardia, sudorese...), com sofrimento psíquico bem definido e clara interferência na funcionalidade do indivíduo, podendo resultar em queixas de insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar ou profissional, sob o risco de interferir nos relacionamentos interpessoais e levar o indivíduo a ter prejuízos sociais, familiares e profissionais. Do ponto de vista psicanalítico, entende-se ansiedade como a representação clínica de conflitos inconscientes, em sua maioria oriundos da nossa infância, época de fantasias suscetíveis a traumas psíquicos que, se não tratados, tendem a persistir e se tornar patológicos. Sob esta óptica, a ansiedade se comporta como um “sinal de alerta” do nosso organismo, com o intuito de sinalizar que algo de “errado” – conflituoso – está ocorrendo.
Fatores
Simbolicamente falando, podemos pensar em ansiedade como a representação de uma árvore – o caule, as folhas e os frutos são o que “enxergamos” ou “sentimos”, enquanto a raiz traduz-se na “origem do conflito inconsciente”, do qual só saberemos a sua extensão se o examinarmos profundamente (o que, neste caso, se faz através da psicoterapia). Etiologicamente, a ansiedade resulta do somatório de fatores genéticos e ambientais, tais como situações estressantes ao longo da vida, sendo mais comum em mulheres – proporção aproximada de 2:1. Importante destacar que nem toda “ansiedade” significa “Transtorno de Ansiedade”, sendo este resultante do somatório das características clínicas citadas, tempo de duração dos sintomas e interferência na vida de cada pessoa.
Distúrbios
Apesar de comungarem semelhanças quanto à sua origem, clinicamente os transtornos de ansiedade podem ser divididos conforme características peculiares a cada um: Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno de Ansiedade de Separação, Mutismo Seletivo, Fobias Específicas, Transtorno do Pânico, Agorafobia e Transtorno de Ansiedade Induzido por Substâncias/Medicamentos.
TAG
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) se caracteriza pelo estado subjetivo de persistente ansiedade e preocupação excessiva em situações rotineiras, aparentemente não geradoras de tal intensidade de preocupação ou sofrimento psíquico, sendo capaz de afetar significativamente a vida do paciente. Estudos sugerem que os primeiros sintomas de TAG se desenvolvem no final da adolescência e início da vida adulta, com um curso crônico e prevalência de aproximadamente 9% durante a vida, com pico de diagnósticos na meia-idade e declínio do mesmo ao longo dos últimos anos de vida. Tal como em outros transtornos de Ansiedade, apresenta-se mais comumente no sexo feminino (2:1).
Sobre sintomas, tratamento e prevenção
Sintomas
Sintomas ansiosos e preocupações persistentes que afetam amplamente a vida do paciente, sejam no âmbito familiar, sejam no âmbito profissional, com queixas de tensão motora, tremores, sudorese, tonturas, mal estar geral, náuseas, sensação de opressão torácica ou cervical (sensação de “bola na garganta”), palpitações, taquicardia, irritabilidade, insônia (especialmente dificuldade para iniciar o sono), apreensão, inquietude, choro em situações tipicamente geradoras de ansiedade, sensação de “branco” na mente e dificuldades de memória e concentração, fatigabilidade e medos mal definidos, por exemplo.
Causas
Etiologicamente falando, fatores ambientais e genéticos responsabilizam-se pelo desenvolvimento do Transtorno. Aproximadamente 30% do “risco” de se desenvolver TAG deve-se à genética do indivíduo. Os sintomas tendem a ser crônicos e tem remissões e recidivas frequentes durante a vida.
Consequências
O TAG interfere marcadamente na qualidade de vida dos pacientes, com prejuízos funcionais bem definidos no dia a dia, seja nas relações interpessoais, no convívio familiar ou social, seja no desempenho acadêmico ou profissional, podendo se tornar incapacitante em algumas situações.
Como detectar
Através dos sinais e sintomas descritos, sendo o diagnóstico estritamente clínico, sem a necessidade de exames complementares, exceto em situações em que o diagnóstico diferencial de outras patologias se faz necessário.
Como tratar
O tratamento do TAG se dá através da terapia medicamentosa e do tratamento psicoterápico, sendo a associação destes a melhor forma de proporcionar controle dos sintomas e estabilização clínica duradoura, apesar de poderem ser utilizados de forma individual em determinados casos. De forma imediata, os medicamentos demonstram-se essenciais, esbatendo sintomas agudos, desconfortáveis e, por vezes, limitantes. Em longo prazo, o tratamento psicoterápico demonstra-se imensamente importante, visto ser a forma de investigar a origem dos conflitos geradores dos quadros ansiosos.
Prevenção
Acima de tudo, controle dos potenciais fatores de risco, bem como foco em orientações e atividades capazes de amenizar quadros ansiosos em curso ou situações estressoras potencialmente ansiogênicas. Além do mais, quanto antes se iniciar o tratamento, melhor será o prognóstico em longo prazo.
TAG em Passo Fundo
Bernardo Dias Tams explica que em Passo Fundo, de forma geral, a prevalência de TAG mantém-se estável (cerca de 9% ao longo da vida e 2 a 3% em 12 meses). O psiquiatra explica sobre os fatores que influenciam nestes números. Estressores ambientais exercem potencial risco de exacerbação dos transtornos de ansiedade, em especial as exigências da vida atual, a competitividade presente e estimulada já nos primeiros anos de vida e os medos relacionados ao futuro caracterizam-se como potenciais agravantes. Por outro lado, a prática rotineira de esportes e atividades de lazer, qualidade de sono e prazer em atividades laborais e acadêmicas demonstram-se fatores protetores.