Baile nunca mais

Vítima de assalto em Vila Rosso descreve drama vivido na manhã de domingo, que terminou com um policial e um assaltante mortos

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Vidros quebrados pelos tiros da manhã de domingoVidros quebrados pelos tiros da manhã de domingo
Vidros quebrados pelos tiros da manhã de domingo
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‘Tenho praticamente um dia de vida’.  É com o sentimento de ter nascido novamente, que Antônio* (nome fictício), 64 anos, descreveu o drama de ter um revólver apontado contra sua cabeça e o gatilho acionado. Ele estava no ginásio de esportes da comunidade de Vila Rosso, no amanhecer de domingo,  quando uma  quadrilha invadiu o local, após o término de um baile. Na ação, os bandidos mataram o policial militar Ricardo Rocha de Almeida, 36 anos, e balearam outras duas pessoas. Ambos medicados e liberados. Dois  assaltantes foram presos e um deles morto pela Brigada Militar. A BM realizou buscas ontem, nas imediações do bairro Santa Marta, na tentativa de localizar o quarto envolvido no crime. Até o fechamento desta edição, ninguém havia preso. O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia.

Acostumado a trabalhar nas festas da comunidade, Antônio e a esposa haviam passado o dia todo no ginásio auxiliando nos preparativos.  A promoção era do E.C. Flamengo da Vila Rosso e reuniu mais de mil pessoas. “Fizemos pelo menos dois grandes eventos no ano, além de um jantar dançante e a festa de final de ano” disse um dos diretores do clube. O jovem, de 26 anos, e a companheira haviam deixado o local cerca de meia hora antes do roubo.

 

O baile já havia encerrado quando, por volta das 6h,  teve início  o drama para um grupo de aproximadamente 20 pessoas. “Os músicos estavam recolhendo os equipamentos e nós limpando o ginásio. Dois deles entraram encapuzados e atirando. Não tivemos tempo para nada” recorda. Ele conta que um dos bandidos foi até  a cozinha exigindo pelo dinheiro da festa. Como não o encontrou, mandou roubar os pertences das vítimas “Fiquei deitado, abri a carteira e entreguei mais de R$ 200. Uma nota de R$ 5 ficou pendurada na carteira, então o assaltante arrancou da minha e disse que iria me detonar. Encostou a arma na minha cabeça e acionou, mas o tiro falhou. Fui salvo pela mão de Deus” conta.

Após ter escapado da morte, a vítima viveu por alguns minutos o pesadelo de ter perdido a esposa. “Ela estava na cozinha e conseguiu correr para fora. Alguém  gritou que a velha havia fugido e que era para matá-la. Ouvi o disparo lá fora e não pude fazer nada. Foi um desespero” lembra emocionado. A mulher teve de atravessar um banhado até chegar numa  residência, onde pediu ajuda.

Pelos relatos da vítima, o brigadiano morto no assalto não teve tempo de efetuar nenhum disparo. “Um deles estava atrás do balcão chutando e agredindo o presidente do clube e a esposa dele. Neste momento,  outro comparsa gritou que havia alguém armado no salão. Ele respondeu que era para matar, então disparam várias vezes contra o policial e também contra o  presidente” afirma.

A ação do bando durou cerca de 15 minutos. Testemunhas acreditam que pelo menos dois deles teriam participado de todo o baile. “Quando terminou ficaram escondidos nos fundos. Acho até que trocaram de roupa. Depois chegou uma caminhonete trazendo mais três. Foi uma coisa horrível, só senti um alívio quando vi minha esposa sã e salva, mas confesso,  baile nunca mais. Chega, não posso mais passar por uma situação como esta novamente ” desabafou. 

 

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