OPINIÃO

Conservadores, progressistas e reacionários (5)

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 Conservadorismo (1)

A herança das coisas preciosas

        O conservadorismo, diz Roger Scruton, nos mostra que herdamos coletivamente coisas admiráveis, excelentes e raras e que devemos nos empenhar em preservá-las e transmiti-las aos nossos filhos. Coisas como “a oportunidade de viver nossas vidas como desejamos; a segurança da lei imparcial mediante a qual nossas queixas são solucionadas e os danos reparados; a proteção do nosso meio ambiente como um recurso natural compartilhado e que não pode ser apoderado ou destruído de acordo com o capricho de interesses poderosos; uma cultura aberta e questionadora que moldou nossas escolas e universidades; os procedimentos democráticos que nos permitem eleger nossos representantes e aprovar as próprias leis.”

 Uma herança compartilhada

“A sociedade é uma herança compartilhada em nome da qual aprendemos a circunscrever as nossas demandas, a ver nosso lugar nas coisas como parte de uma corrente contínua de doações e recebimentos, a reconhecer que as coisas extraordinárias que herdamos não são nossas para destruirmos. Há uma genealogia de deveres que nos vincula àqueles que nos deram o que temos, e nossa preocupação com o futuro é uma extensão dessa linhagem. Levamos em conta o futuro da comunidade não em virtude de cálculos fictícios de custo-benefício, mas, de maneira mais concreta, por nos vermos como herdeiros dos benefícios que retransmitiremos.”

Fora da vida em sociedade, bem disse Thomas Hobbes (1588-1679), nossa existência seria “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”. Portanto, quanto mais nos beneficiamos de nossa sociedade, mais temos de dar em troca. “Não é uma obrigação contratual. É uma obrigação de gratidão, mas que, apesar de tudo, existe e deve ser construída, segundo a visão conservadora, como pedra angular da política social.”

 Ameaça às coisas preciosas

Os conservadores preocupam-se em manter no lugar a frágil casca da civilização, pois sabem que debaixo dela “não se encontra o reino idílico do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau, mas apenas o mundo violento do caçador-coletor.” As coisas preciosas, listadas acima, nos são familiares e as temos como certas. No entanto, a realidade nos mostra que elas estão sob ameaça e o conservadorismo é a resposta racional para essa ameaça. Essas ameaças vêm das tendências políticas que Fernando Pessoa chamou de “desequilibradas”, isto é, dos radicais (extrema esquerda) e dos reacionários (extrema direita). Vimos isso recentemente em nosso país. Furiosos radicais tocaram o terror em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, na tentativa de criar um caos que levasse à uma intervenção militar para impedir o governo do presidente eleito e instalar uma ditadura.

 

 

 

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